Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado rejeitaram o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) que, entre outros pontos, pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Foram seis votos contrários e quatro a favor do parecer. Com isso, a CPI encerra os trabalhos sem um documento final.

Notícias relacionadas:

Antes da votação do relatório, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), criticou o fato de os trabalhos não terem sido prorrogados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

“Infelizmente, essa CPI não apresentou um resultado daquilo que nós almejamos. Nós fomos impedidos efetivamente de termos essa CPI tão importante do crime organizado que deixa a população fragilizada no seu direito constitucional que é segurança a pública, porque, infelizmente, a Presidência dessa Casa não prorrogou a Comissão Parlamentar de Inquérito”, disse.

Contarato também criticou o STF por, segundo ele, ter dificultado a oitiva de depoentes, o que impediu a CPI de coletar provas “de natureza objetiva e subjetiva”.

No entanto, o presidente da CPI defendeu a importância da instituição para a democracia e também posicionou-se contra indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e do procurador-geral da República Paulo Gonet, proposto pelo relator. 

“O ato de indiciamento é um ato de grande responsabilidade, porque você está lidando com a reputação e a vida das pessoas e isso é muito grave, isso é muito sério dentro da democracia. Ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente”, argumentou.

O senador disse ainda esperar que o STF faça uma autocrítica de determinadas posições, a exemplo dos habeas corpus que impediram diversos depoimentos e o impedimento de acesso a informações colhidas pela Polícia Federal.

“Acho que vai chegar um momento de fazer uma análise, uma autoanálise”, pontuou. 

A favor do relatório votaram: Alessandro Vieira (MDB-SE), Eduardo Girão (NOVO-CE), Espiridião Amin (PP-SC), Magno Malta (PL-ES). Contra o relatório: Beto Faro (PT-PA), Teresa Leitão (PT-PE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Rogério Carvalho (PT-SE).

O líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), também criticou o relatório. Ele ressaltou que uma CPI não é uma lugar de disputa política, é um lugar de investigação.

“Do ponto de vista de indiciamento, (Fabiano) Zettel não foi indiciado, Daniel (Vorcaro) não foi indiciado, o ex-presidente do Banco Central (Roberto Campos Neto) não foi indiciado”, destacou Wagner, que votou contra o relatório do senador Alessandro Vieira.

“Se a Vossa Excelência mantivesse aqui as sugestões legislativas feitas, conte com o meu voto. Com o restante do processo de indiciamento, que na minha opinião não indicia a centralidade da sua CPI, que é do Crime Organizado, me perdoe, eu tenho que votar contra, porque eu não vou corroborar com a sanha de querer atacar instituição Supremo Tribunal Federal, como muitos têm feito aqui.”

Troca de integrantes 

Mais cedo, na abertura dos trabalhos, houve a troca de integrantes do colegiado. Os senadores Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA) substituíram os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES), integrantes do bloco partidário formado por MDB, PSDB, Podemos e União Brasil.

A substituição ocorreu a pedido do líder do bloco desses parlamentares, Eduardo Braga (MDB-AM), a quem cabe indicar os integrantes do colegiado.

O relator Alessandro Vieira imputou ao governo a troca de integrantes do colegiado e a derrota na votação.

Vieira defendeu o indiciamento de ministros do Supremo e disse que a derrota só “vai adiar a pauta”.

“A decisão dos colegas pela não aprovação, após uma intervenção direta do Palácio do Planalto, reflete apenas um atraso na pauta. Ela pode não acontecer agora, mas tem data para acontecer”, disse o senador após o resultado da votação.

A CPI investigou o modus operandi de facções e milícias em diferentes regiões do país. Além de investigar a ocupação territorial por facções, a CPI fez um levantamento dos crimes relacionados às atividades econômicas, à lavagem de dinheiro e de infiltração no Poder Público, como no caso do Banco Master.

O relatório foi apresentado após 120 dias de trabalho. Com 220 páginas, o parecer de Vieira traz um retrato do funcionamento do crime organizado no Brasil e propõe medidas para combater o avanço da criminalidade.

Para o relator, “o fenômeno da criminalidade organizada no Brasil atingiu um patamar de complexidade e enraizamento que representa uma ameaça concreta à soberania do Estado, à democracia e aos direitos fundamentais da população”.

Organizações criminosas

De acordo com o relatório, 90 organizações criminosas foram mapeadas, sendo duas com atuação nacional e transnacional e presentes em 24 estados e no Distrito Federal. Entre as organizações citadas estão o Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), do Rio de Janeiro; e Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo.

Para Vieira, essas facções criminosas atuariam “como verdadeiros para-Estados, exercendo domínio territorial sobre comunidades inteiras, impondo regras de convivência, cobrando tributos ilegais e fornecendo serviços que deveriam ser de competência estatal”.

Segundo o relatório, pelo menos 26% do território nacional estariam sob algum tipo de controle do crime organizado e 28,5 milhões de brasileiros vivem em áreas com a presença dos criminosos. A lavagem de dinheiro é foi apontada como “o mecanismo central de sustentação do crime organizado”, presente na venda de cigarro, ouro, mercado imobiliário, bebidas, fintechs, criptomoedas e fundos de investimento.

Experiências exitosas

Segundo Vieira, a CPI também identificou experiências exitosas no enfrentamento ao crime organizado, ao citar as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), presentes em todas as 27 unidades da Federação.

“A estratégia de descapitalização financeira, com mais de R$ 4 bilhões apreendidos apenas na Operação Carbono Oculto, comprovou que atingir o patrimônio das organizações é mais efetivo do que a mera repressão policial convencional. A cooperação internacional, com adidâncias policiais em 34 países e a prisão de 842 foragidos entre 2021 e 2025, evidencia que o Brasil dispõe de capacidade operacional significativa quando há recursos e articulação adequados”, destacou.

Veja outras postagens

Um pescador desaparecido há uma semana foi encontrado vivo nesta sexta-feira (19) após passar sete dias à deriva no mar nas Ilhas Cook, no Oceano Pacífico, ao norte da Nova Zelândia. O homem foi localizado por equipes da Força Aérea da Nova Zelândia em uma pequena embarcação a remo de alumínio de cerca de quatro metros de comprimento.
Jovem de férias: Modelo russa está desaparecida há cinco dias após caminhada noturna em praia no Vietnã
Câmera desaparecida e depoimento: o que falta esclarecer após morte de jovem lançada sem cordas de ponte em SP
Segundo as autoridades, o pescador havia saído sozinho para um dia de pesca em 11 de junho, partindo da ilha de Pukapuka, uma das regiões mais remotas do arquipélago das Ilhas Cook. Quando não retornou para casa, familiares acionaram a polícia local, dando início às buscas.
O resgate ocorreu durante uma operação aérea realizada por uma aeronave P-8A Poseidon da Força Aérea Real da Nova Zelândia. Imagens divulgadas pelas autoridades mostram o homem acenando para os socorristas enquanto aguardava ajuda dentro do barco.
Pescador é encontrado vivo após passar sete dias à deriva no mar em pequeno barco próximo à Nova Zelândia
Divulgação / NZDF
De acordo com a Força de Defesa da Nova Zelândia, em comunicado obtido pela People, embarcações pesqueiras que estavam nas proximidades foram mobilizadas para recolher o pescador após sua localização. O estado de saúde dele não foi detalhado pelas autoridades.
A identidade oficial do homem não foi divulgada até o momento de forma oficial pelos órgãos envolvidos. Veículos locais, no entanto, informaram que as equipes procuravam um pescador de 42 anos que desapareceu na mesma região e em circunstâncias semelhantes. Segundo matérias locais, ele é Pone Apiuta. O homem, que é pai de um filho, saiu para pescar em 11 de junho e foi visto por último por volta das 17h no horário local. Parentes do homem alertaram as autoridades na madrugada, quando ele não voltou para casa.
Pescador é encontrado vivo após passar sete dias à deriva no mar em pequeno barco próximo à Nova Zelândia
Divulgação / NZDF
As buscas contaram com a colaboração de autoridades das Ilhas Cook e da Nova Zelândia. Em comunicado, a polícia local agradeceu o apoio das equipes neozelandesas na operação, destacando a complexidade das buscas em uma área remota do Pacífico.
O caso chamou atenção pela duração da sobrevivência em mar aberto. Além da distância da costa, a região enfrentava condições consideradas difíceis, com mar agitado e ventos fortes nos dias que antecederam o resgate.
A ilha de Pukapuka fica a cerca de 1.100 quilômetros de Rarotonga, a principal das Ilhas Cook, e é considerada uma das comunidades mais isoladas do território.
Um novo livro sobre os bastidores do segundo mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relata que o republicano exibiu a jornalistas um documento que o comparava a algumas das figuras mais poderosas da História, como Mao Tsé-Tung, Joseph Stalin, Átila, Gêngis Khan, Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler. O episódio está entre as revelações de “Regime Change”, obra dos jornalistas do New York Times Maggie Haberman e Jonathan Swan, à qual a rede americana CNN teve acesso antes do lançamento e que retrata os primeiros 14 meses do novo governo Trump.
‘Eu sou o chefe’: diz Trump ao chegar a 2º dia do encontro de líderes do G7
Inferno astral: Trump celebra 80 anos com imagem desgastada e preso em guerra sem fim
Baseado em mais de mil entrevistas realizadas ao longo de três anos e com lançamento previsto para a próxima terça-feira, o livro reúne relatos sobre a condução da política externa americana, a relação do presidente com aliados e adversários, além de episódios envolvendo integrantes de seu próprio governo. Os autores afirmam ter ouvido diretamente Trump em diversas ocasiões durante a apuração, incluindo uma entrevista de cerca de uma hora realizada em março.
Comparação com líderes históricos
Segundo os autores, durante essa conversa, Trump mostrou um documento de duas páginas que teria recebido de um suposto historiador durante um evento em homenagem ao golfista sul-africano Gary Player.
Initial plugin text
O texto argumentava que, embora líderes como Stalin, Mao, Hitler, Napoleão, Átila e Gêngis Khan fossem temidos em suas épocas, nenhum deles possuía o alcance global exercido por um presidente dos EUA.
Trump teria exibido o documento com entusiasmo, lendo os nomes das figuras históricas e comentando como, segundo aquela análise, seu poder superava o deles.
Análise: A bizarra proposta de Trump para usar a Síria contra o Hezbollah
Mais tarde, porém, os jornalistas descobriram que o autor do texto não era historiador. Tratava-se do antigo companheiro de golfe e confidente de Gary Player, que afirmou ter compartilhado sua avaliação sobre Trump primeiro com o golfista e depois diretamente com o presidente durante uma partida de golfe na Flórida.
Na última quinta-feira, Trump publicou o documento na rede Truth Social, identificando seu autor como um “historiador presidencial”.
Críticas a Netanyahu e elogios ao confronto com Zelensky
O livro também traz detalhes sobre a postura de Trump diante da guerra envolvendo Irã e Israel.
Pedido de fotos, declarações e viagem cancelada: o que está por trás dos desentendimentos entre Trump e Meloni
Segundo os autores, nos primeiros meses do governo, o presidente demonstrava resistência à ideia de apoiar uma ofensiva militar contra a República Islâmica e chegou a dizer a um interlocutor crítico de Israel que não queria participar de uma guerra conduzida pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Em outra conversa relatada no livro, Trump teria se referido a Netanyahu como um “vigarista”, termo descrito pelos autores como um dos insultos mais duros em seu vocabulário político.
Ex-líder americano: Obama inaugura Centro Presidencial em Chicago com estrelas da música e todos os ex-presidentes dos EUA; Trump não foi convidado
Apesar disso, o presidente acabaria apoiando a campanha militar após reuniões com autoridades israelenses e americanas na Casa Branca.
A obra também aborda sua visão sobre a guerra na Ucrânia e o relacionamento com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Após uma discussão acalorada no Salão Oval entre Zelensky, Trump e o vice-presidente americano, JD Vance, em fevereiro, o presidente teria avaliado o episódio de forma positiva.
Guerra no Oriente Médio: Erros de Trump e Netanyahu repetiram intervenções anteriores e aumentaram poder de barganha de Teerã
Segundo os autores, Trump chegou a dizer a um assessor que o bate-boca com Zelensky foi “melhor do que The Apprentice”, programa de televisão que apresentou por anos.
Insultos a integrantes do governo
Os autores também descrevem episódios de tensão entre Trump e membros de sua equipe.
Em uma reunião realizada em abril de 2025, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, tentava convencer o presidente de que as tarifas comerciais poderiam prejudicar a competitividade das montadoras americanas.
Entenda: Trump apresenta acerto com o Irã como vitória, mas ameaças de novos ataques a Teerã expõem incerteza com negociações
Trump teria respondido que o auxiliar havia perdido a agressividade que demonstrava quando era mais jovem.
— Você era um matador, Howard. Agora ficou mole. Você é um frouxo — teria dito Trump.
Meses depois, quando a arrecadação com as tarifas começou a aumentar, Lutnick respondeu à provocação em tom de brincadeira, dizendo ao presidente que era seu “frouxo de US$ 25 bilhões (R$ 128 bilhões) por mês”.
Pressão sobre o Federal Reserve
Outro episódio relatado envolve a relação de Trump com o então presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.
Segundo o livro, embora não pretendesse demiti-lo, Trump buscava formas de pressionar Powell. Em uma reunião com assessores, discutiu a possibilidade de usar reformas em andamento no edifício do banco central como instrumento de desgaste político.
— Quero ferrar com ele, sinceramente — teria afirmado o presidente.
‘Não é um acordo de paz digno desse nome’: Memorando entre EUA e Irã ignora direitos humanos, dizem especialistas da ONU
Quando um auxiliar sugeriu analisar as possibilidades, Trump respondeu que não queria estudos, mas um plano concreto.
A partir dali, segundo os autores, aliados do presidente foram indicados para órgãos ligados ao planejamento urbano em Washington e passaram a questionar o projeto de renovação da sede do Federal Reserve.
Investigações contra adversários políticos
O livro também relata os bastidores da decisão de Trump de determinar investigações contra adversários políticos.
Um dos casos envolve Chris Krebs, ex-chefe da agência federal de segurança cibernética que ganhou notoriedade após afirmar publicamente que a eleição presidencial de 2020 foi “a mais segura da história americana”.
Initial plugin text
Segundo os autores, durante uma reunião, Trump mencionou um antigo integrante do governo que havia defendido a legitimidade do pleito, mas não conseguia se lembrar de seu nome.
Após uma breve busca feita por assessores, Krebs foi identificado.
— O que aconteceu com ele? Era um sujeito problemático. Deem uma olhada nele — teria dito o presidente.
A conta da guerra: Custando bilhões, conflito entre EUA, Israel e Irã deixa rastro de mortes e crise econômica
Os autores afirmam que, posteriormente, foi elaborado um memorando presidencial determinando ações contra o ex-funcionário.
O bilhete autografado por Putin
A obra também dedica espaço aos esforços do enviado especial americano, Steve Witkoff, para estreitar relações com o presidente russo, Vladimir Putin, em busca de uma solução para a guerra na Ucrânia.
Durante uma reunião realizada no Kremlin, Putin rabiscava anotações em um papel timbrado quando Witkoff perguntou do que se tratava.
No G7: Trump celebra memorando com Irã e promete solução para a Ucrânia, mas ceticismo segue presente
O líder russo mostrou a folha, na qual havia escrito “3+2”, uma referência a uma proposta territorial discutida entre ambos.
Segundo o livro, Witkoff então pediu que Putin assinasse o papel para que pudesse levá-lo para casa.
O presidente russo atendeu ao pedido, e o enviado americano posteriormente mandou emoldurar o documento.
As avaliações de que a Ucrânia chegou a um ponto de virada no conflito com a Rússia podem muito bem se mostrar prematuras. Mas a imponente cúpula de fumaça negra que pairou sobre Moscou esta semana, após um ataque de drones ucranianos, mostrou que Kiev ainda tem muitas cartas na manga, independentemente da avaliação anterior do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre suas perspectivas na guerra. As intenções do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ficaram claras quando ele buscou tomar a iniciativa tanto militar quanto diplomaticamente.
Vídeo: Ucrânia lança ataque aéreo com mais de 500 drones contra a Rússia e força fechamento de aeroportos em Moscou
Pressão contra neutralidade: Com a guerra entre Rússia e Ucrânia no quinto ano, Bielorrússia se vê diante de escolhas cada vez mais difíceis
Os ataques a Moscou na quinta-feira deixaram parte da maior refinaria de petróleo da cidade em chamas. Uma imensa explosão lançou o topo de um tanque de armazenamento de combustível pelos ares — e destruiu a ideia de que a Rússia poderia continuar protegendo os moscovitas da guerra.
Ao mesmo tempo, Zelensky garantia uma declaração de “apoio inabalável” do G7 durante uma cúpula na França. Foi uma rara demonstração unificada de apoio a Kiev, que ocorreu mesmo depois de Trump ter sinalizado na cúpula que o fim da guerra já não estava entre as suas principais prioridades, afirmando que os Estados Unidos “não tinham nada a ver” com o conflito.
A declaração de Trump, que tem sido vista como favorável à Rússia nas negociações de paz, pode na verdade ter sido um alívio para as autoridades europeias que discutiram a possibilidade de assumir um papel mais ativo na tentativa de pôr fim à guerra.
O G7 transmitiu sua mensagem de apoio justamente quando as negociações para a adesão da Ucrânia à União Europeia começaram oficialmente. Na quinta-feira, enquanto parte de Moscou ardia em chamas, o bloco reafirmou que um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 532 bilhões) à Ucrânia, aprovado em dezembro, começaria a ser liberado neste mês. O ministro da Defesa ucraniano também anunciou US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões) em novas promessas de ajuda militar ocidental.
Está longe de ser certo que a crescente campanha de ataques de longo alcance da Ucrânia contra a Rússia e o apoio consolidado de seus aliados europeus levarão a guerra a um fim próximo. Mas os acontecimentos desta semana reforçaram uma crescente sensação de confiança em Kiev de que seria capaz de forçar o presidente russo, Vladimir Putin, à mesa de negociações, mesmo enquanto a Rússia continua a bombardear a capital ucraniana com mísseis e drones, explorando a deficiência da defesa aérea da Ucrânia.
— A Ucrânia é forte. Todos concordam plenamente com isso — afirmou Zelensky a jornalistas em uma mensagem de voz na noite de quinta-feira. — Putin não quer parar. E tudo o que ele diz sobre querer a paz é mentira. Todos os parceiros, todos os europeus, sentem isso. Mas também estão convencidos de que juntos o deteremos. A chave é “juntos” e “nós conseguiremos”.
Líderes europeus reiteraram essa visão ao finalizarem as reuniões que garantiram mais apoio à Ucrânia.
— A maré está claramente virando para a Ucrânia — declarou Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, na quinta-feira. — O ímpeto é forte. E a Europa o levará ainda mais longe.
Initial plugin text
O presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, disse que “o que está acontecendo agora em Moscou é um divisor de águas nesta guerra”. Os russos, acrescentou, “perceberão que não se trata de assistir à guerra na tela da TV, mas sim da guerra em seu próprio território”.
Dmitri S. Peskov, porta-voz do Kremlin, zombou dos europeus por sua abordagem em relação a possíveis negociações.
— Eles acreditam que precisam conversar com a Rússia a partir de uma posição de força — pontuou ele a repórteres. — Essas conversas não levarão a lugar nenhum.
Putin não se pronunciou publicamente sobre o bombardeio de Moscou na quinta-feira. Igor Sechin, diretor executivo da gigante petrolífera estatal Rosneft, reconheceu nesta sexta-feira que a Rússia estava enfrentando problemas com o fornecimento de combustível. Mas afirmou que esses problemas estavam relacionados, em parte, à “manutenção não programada em refinarias”, em um aparente eufemismo para os inúmeros ataques ucranianos à infraestrutura petrolífera russa nos últimos meses.
O clima na Ucrânia é de otimismo, já que o país está levando a guerra para dentro da Rússia. Esse sentimento foi resumido por um meme que mostrava Zelensky sentado em frente a Trump na França. A fotografia foi editada para preencher as mãos do líder ucraniano com cartas de baralho e até mesmo cobrir seu terno com elas. A piada era uma referência às declarações do presidente americano no ano passado de que a Ucrânia não tinha nenhuma carta na manga na guerra.
Zelensky aproveitou o encontro com Trump na França para solicitar permissão para obter os projetos dos sistemas de defesa aérea Patriot, a única arma no arsenal ucraniano capaz de abater mísseis balísticos com confiabilidade.
Tal acordo, que ainda não foi aprovado, permitiria à Ucrânia expandir seu fornecimento desses sistemas, produzindo-os internamente em vez de esperar pelas entregas de parceiros que os compram dos Estados Unidos.
11 pessoas morreram: Ataques na Ucrânia deixam catedral de Kiev em chamas
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, republicou uma foto do ataque de quinta-feira nas redes sociais. “Em Moscou, tudo está indo conforme o planejado”, escreveu ele. “Mas não conforme o plano da Rússia”.
A Ucrânia continuou a disparar drones contra Moscou nesta sexta-feira, e o governador regional afirmou que uma menina de 8 anos foi morta. Vários civis ucranianos foram mortos em ataques russos durante a noite, incluindo uma menina, também de 8 anos, na cidade de Pavlohrad, no leste do país.
O nepalês que sobreviveu milagrosamente a uma semana sozinho nas encostas do Monte Everest, incluindo três dias no fundo de uma fenda, contou à AFP como conseguiu escapar da morte.
— Estou tão feliz por estar de volta. Achei que ia morrer lá — disse Dawa Sherpa à AFP na quinta-feira (18), enquanto se recupera em um apartamento em Catmandu, capital do Nepal, com sua família.
De casaco e botas, robô humanoide se prepara para missão no Everest após escalar vulcão nos Andes
Rosie, dos Jetsons, já é real? Robôs de limpeza movidos por IA começam a trabalhar em lares chineses
Dawa Sherpa, de 57 anos, foi encontrado em 4 de junho perto do Acampamento Base do pico mais alto do mundo (8.849 metros), após ficar desaparecido por uma semana.
Apelidado de Hillary em homenagem ao lendário alpinista Edmund Hillary, o nepalês trabalhava como cozinheiro no Acampamento 2 do Everest para uma pequena empresa de expedições, a Himalayan Traverse Adventure.
Mas a empresa pediu que ele substituísse um guia, mesmo sem nunca ter escalado o Everest antes.
Dawa Sherpa subiu até o Balcony, a cerca de 8.400 metros, em 28 de maio, antes de descer para o Acampamento 4 ao anoitecer com o alpinista britânico Chris Thrall, o alpinista polonês Mariusz Chmielewski e o guia Pasang Kaji Sherpa.
Chris Thrall foi a última pessoa a ver Dawa Sherpa, quando estavam a cerca de 7.900 metros.
Marco: Britânico de 17 anos alcança topo do Everest e se torna o mais jovem do país a escalar a montanha
Dawa Sherpa explica que estava ficando sem oxigênio e disse a Thrall para continuar sem ele.
— Eu disse para ele continuar, que eu o alcançaria — conta. — Mas quando meu oxigênio acabou, eu não conseguia mais mexer as mãos nem os pés. Então fiquei pendurado na corda por cerca de trinta minutos.
Sobrevivente do Everest, Dawa Sherpa, caminha com apoio durante sua recuperação em Katmandu; montanhista nepalês passou seis dias no monte de características severas
Prakash Mathema / AFP
Sozinho e exausto, ele caminhou lentamente até uma barraca e encontrou um pouco de macarrão instantâneo.
Rajadas de vento ensurdecedoras
— Comi um pouco e isso me ajudou a recuperar os sentidos (…) Depois desci para o Acampamento 3 — disse, ainda a cerca de 7.100 metros de altitude, onde passou a noite em meio a rajadas de vento ensurdecedoras.
— Esquentei um pouco de água (…) Fiz um mingau e comi — conta ele.
Enquanto isso, o resto da equipe deu o alarme ao chegar ao Acampamento 2. Mas as operações de busca e resgate estavam atrasadas.
O sherpa diz que tinha um telefone via satélite, mas não conseguiu fazê-lo funcionar, e um rádio comunicador, mas as baterias estavam descarregadas.
Relembre: Entenda como guia nepalês sobreviveu seis dias na zona da morte do Everest mastigando gelo para permanecer vivo
Mochila de 28 quilos
No dia seguinte, Dawa Sherpa continuou sua luta pela sobrevivência. Ele conseguiu chegar ao Acampamento 2, mas todos os outros alpinistas já haviam partido.
Ele planejava seguir direto para o acampamento base, mas ao chegar à temida Cascata de Gelo de Khumbu, um dos principais obstáculos da rota, caiu em uma fenda.
— Escorreguei e caí de uma escada, e fiquei preso lá por um bom tempo — conta ele, enquanto segurava um saco de 28 quilos contendo oito cilindros de oxigênio vazios e os sacos de dormir dos clientes.
Ele só soltou o peso nas profundezas geladas quando suas mãos ficaram exaustas. Finalmente, sem forças para se segurar por mais tempo, ele também caiu.
— Bati a cabeça, mas aterrissei em uma superfície plana — continua, explicando que machucou a perna.
Repercussão: Família de guia que reapareceu ‘milagrosamente’ após seis dias perdido no Everest cobra investigação sobre resgate
Revirando a jaqueta, encontrou chocolate congelado e café liofilizado.
— Eu tinha biscoitos e chocolate nos bolsos, e café. Não tinha água quente, então quebrei um pouco de gelo para molhar a boca — relata.
Em 3 de junho — após seis dias de solidão — um helicóptero sobrevoou o local. Mas ele ainda estava muito abaixo, no fundo da fenda.
— Eu sabia que um helicóptero havia chegado; eu conseguia ouvir o barulho, mas não conseguia vê-lo — explica.
‘Ninguém apareceu’
Dawa Sherpa conta que passou duas noites na fenda, sem conseguir escalar suas paredes lisas.
— Eu me perguntava se ia viver ou morrer, apenas esperando que alguém viesse me resgatar — diz. — Mas ninguém apareceu. Foi uma avalanche que veio me salvar.
Qual o país que mais usa inteligência artificial no mundo? Confira ranking, que tem os EUA na 21ª posição
A avalanche encheu a fenda de neve, permitindo que ele rastejasse para fora.
— Foi muito difícil; levei pelo menos uma hora, agarrado ao gelo e usando meus crampons — especifica.
— Coloquei o pé em um pedaço de neve e subi lentamente. Quando cheguei à rota, senti que poderia sobreviver.
Assim que saiu da fenda, encontrou uma corda e a seguiu, rastejando até as proximidades do Acampamento Base.
Lá, na manhã de 4 de junho, foi encontrado pelo Comitê de Controle da Poluição de Sagarmatha (SPCC), uma equipe nepalesa que abre rotas no Everest e limpa o lixo deixado na montanha.
— Fiquei tão feliz em vê-los; pensei que ia sobreviver — diz ele.
Dawa Sherpa foi evacuado de helicóptero para Katmandu, onde médicos trataram seus membros congelados, desidratação e fratura no fêmur. Sua improvável sobrevivência gerou alegria entre os outros alpinistas, mas também indignação de sua família e da comunidade himalaia pela demora dos socorristas em localizá-lo.
Uma colisão entre dois trens nas proximidades de Bedford, no sudeste da Inglaterra, mobilizou equipes de emergência na tarde desta sexta-feira e deixou diversos passageiros feridos. O acidente provocou a suspensão de serviços em uma das principais rotas ferroviárias da região.
Princesa paraquedista: Leonor e rei Felipe VI da Espanha pilotam aviões para comemorar 12 anos de reinado; vídeos
Entenda caso: Mulher viveu com cadáver da mãe em casa por mais de um ano em Portugal, dizem autoridades
A batida envolveu duas composições da East Midlands Railway que circulavam próximas à estação de Bedford. O incidente ocorreu por volta das 17h15 no horário local. Informações divulgadas pela imprensa britânica apontam que um dos trens teria atingido a traseira de outra composição que seguia no mesmo trecho.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram passageiros caídos no interior dos vagões após o impacto. Há relatos de pessoas com ferimentos, mas as autoridades ainda não divulgaram um balanço oficial sobre o número de vítimas nem sobre a gravidade dos casos. Veja:
Initial plugin text
O Serviço de Ambulâncias do Leste da Inglaterra informou que enviou “diversos recursos” para o local do acidente, incluindo um helicóptero aeromédico, disse um porta-voz. A aeronave foi vista no Flightradar24 sobrevoando a área ao sul de Bedford. Uma Equipe de Resposta a Áreas Perigosas também foi mobilizada pelo serviço de ambulâncias, que orientou a população a evitar a região. Segundo publicação do LBC, cerca de 30 ambulâncias foram mobilizadas para a ocorrência.
A secretária de Transportes, Heidi Alexander, divulgou uma declaração após o acidente.
— Estou profundamente preocupada ao saber dos relatos da colisão envolvendo dois trens de passageiros da East Midlands Railway. Sou grata aos serviços de emergência que estão no local, atendendo os afetados. Estamos trabalhando rapidamente com o setor ferroviário e parceiros locais para dar suporte aos passageiros — afirmou.
Initial plugin text
Em consequência do acidente, a circulação ferroviária foi interrompida entre Londres St Pancras e Leicester. A operadora East Midlands Railway informou que os trens não podiam circular no trecho devido à atuação dos serviços de emergência. A Thameslink também suspendeu viagens entre Bedford e Luton e orientou passageiros a adiarem deslocamentos.
As causas da colisão ainda são desconhecidas. Investigadores ferroviários e autoridades de transporte devem iniciar uma apuração para determinar o que levou ao acidente. Até o início da noite desta sexta-feira (horário local), não havia previsão para a normalização completa dos serviços afetados.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou, nesta sexta-feira (19), a reunião de uma célula de crise para lidar com a onda de calor, cujo pico é esperado no domingo, com milhões de pessoas nas ruas por ocasião da “Fête de la Musique” (Festa da Música).
Efeito de altas temperaturas: Homem morre durante onda de calor na França; país registrou 40°C e suspendeu serviços
Medida contra o calor: França autoriza banho nos canais de Paris para enfrentar calor de até 40ºC
A célula se reunirá no sábado, quando mais de 41 milhões de franceses estarão em zonas sob alerta laranja, o segundo nível mais elevado do país, neste segundo episódio de onda de calor deste ano.
A preocupação das autoridades é maior, já que o pico é esperado no domingo, durante a popular festa, que reúne milhões de pessoas para aproveitar shows ao ar livre e consumir álcool. Alguns departamentos franceses podem passar para o “alerta vermelho por onda de calor” a partir de domingo, com temperaturas em torno de 30°C durante a noite e 40°C durante o dia, advertiu o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Na quinta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu para “cuidar das pessoas idosas, das mais vulneráveis”, porque “são dias difíceis”.
Embora as autoridades tenham cancelado vários eventos esportivos e adiado em uma semana as provas orais para obtenção do diploma de bacharelado, de maneira geral, permitirão as festividades previstas para a Festa da Música. Algumas cidades as cancelaram.
No entanto, a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, pediu prudência:
— O álcool, com o calor, provoca consequências muito importantes (para a saúde), ficamos desidratados o dobro ou o triplo e acabamos nas emergências muito mais rápido.
Em Paris, a Prefeitura espera cerca de dois milhões de pessoas nas ruas, como no ano passado, entre elas milhares de britânicos que, motivados pelas redes sociais, já se preparam para viajar à capital para reviver novamente a ‘Fête’.
— Em cada esquina havia uma festa — explicou Serpico Collins, de 33 anos, que vive no bairro londrino de Camden e que no domingo voltará a percorrer as ruas de Paris em busca de música ao vivo e sets de DJ a partir de varandas.
A França vive a primavera mais quente desde que começaram os registros, no ano de 1900, com uma temperatura média nacional entre março e maio cerca de 1°C acima do normal.
Cientistas alertam que as ondas de calor na Europa estão cada vez mais frequentes como resultado das mudanças climáticas.
A guerra contra o Irã durou pouco mais de 15 semanas antes de um acordo de paz preliminar entre os EUA e o Irã ser alcançado esta semana. Mas o custo humano e econômico aumentou rapidamente, com consequências que ultrapassaram em muito as fronteiras da região. Diante da pressão interna e externa, o presidente americano, Donald Trump, anunciou na segunda-feira que ele e o vice-presidente JD Vance assinaram eletronicamente, no dia anterior, um documento com os iranianos encerrando formalmente a guerra. O conflito começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Na quarta-feira, o presidente assinou o acordo novamente na França, no Palácio de Versalhes, onde um tratado malfadado foi concluído para pôr fim à Primeira Guerra Mundial há mais de um século.
‘Não é um acordo de paz digno desse nome’: Memorando entre EUA e Irã ignora direitos humanos, dizem especialistas da ONU
Entenda: Sem lugar à mesa nas negociações, Israel promete ser desafio a acordo entre Irã e EUA
Os custos da guerra para os Estados Unidos, estimados em US$ 132 bilhões (R$ 678,8 bilhões) no total, ainda estão sendo contabilizados, enquanto se inicia um período de 60 dias para novas negociações. Eis o que sabemos.
Número de mortos
Segundo uma agência do governo iraniano, cerca de 3.500 iranianos foram mortos na guerra. Israel afirma que 26 israelenses foram mortos. Milhares de pessoas em ambos os países ficaram feridas.
As Forças Armadas dos EUA afirmam que 13 de seus membros foram mortos.
Veja: Israel e Hezbollah anunciam cessar-fogo após ataques no Líbano adiarem início das negociações entre Irã e EUA
Israel retomou os ataques ao Líbano em 18 de março como parte da guerra mais ampla, e cerca de 3.700 pessoas foram mortas no país, de acordo com o Ministério da Saúde libanês.
Os ataques, principalmente perpetrados pelo Irã, também causaram mortes em todo o Oriente Médio, incluindo trabalhadores de países do sul da Ásia no Golfo Pérsico.
As Forças Armadas dos EUA mataram três marinheiros civis indianos em um ataque a um navio comercial perto de Omã, aumentando as tensões entre os Estados Unidos e a Índia.
No incidente com maior número de vítimas civis de que se tem notícia, um ataque de mísseis dos EUA destruiu uma escola iraniana , matando pelo menos 175 pessoas no primeiro dia da guerra, segundo autoridades iranianas.
Análise: Acordo preliminar dá ao Irã alívio econômico em troca de concessões mínimas
Custos financeiros
A economia do Irã já estava profundamente fragilizada antes da guerra. Mas agora está em queda livre. Os preços dos alimentos e de outros bens básicos dispararam, e o cotidiano se tornou uma luta.
A escala da devastação foi enorme, com centenas de escolas e instalações de saúde danificadas ou destruídas na guerra , de acordo com a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano, a principal organização de ajuda humanitária do país.
Para os contribuintes e consumidores americanos, o custo da guerra é de pelo menos US$ 132 bilhões, segundo a Moody’s Analytics. Isso inclui gastos militares, aumento dos preços da energia e das commodities, além das taxas de juros, afirmou Mark Zandi, economista-chefe da empresa.
Initial plugin text
Um alto funcionário do Pentágono disse ao Congresso no mês passado que o custo para as Forças Armadas havia subido para cerca de US$ 29 bilhões (R$ 149 bilhões). Essa estimativa não incluía o preço do reparo de cerca de uma dúzia de bases americanas na região, danificadas por ataques iranianos.
Os custos de reparo e manutenção, bem como a manutenção dos grupos de ataque de porta-aviões no mar, também precisam ser levados em consideração.
— Custa muito dinheiro apenas manter todos e todo esse aparato mobilizados lá — disse Linda Bilmes, especialista em finanças públicas e professora sênior da Harvard Kennedy School.
Ela acrescentou que os custos de reposição da enorme quantidade de munições que as Forças Armadas dos EUA utilizaram serão muito maiores do que os custos de aquisição originais.
O Irã também danificou gravemente outros ativos dos EUA na região, incluindo um valioso jato de radar militar em uma pista de pouso na Arábia Saudita e o complexo da embaixada dos EUA em Riad.
Preços da energia
De acordo com um estudo da Universidade Brown sobre os custos de energia na guerra com o Irã , os americanos pagaram cerca de US$ 60 bilhões (R$ 308 bilhões) a mais por gasolina e diesel desde o início do conflito, devido ao aumento dos preços. Isso representa um custo adicional de aproximadamente US$ 460 (R$ 2,3 mil) por família. E esse valor continua a subir.
Quando os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra com o Irã, os americanos pagavam, em média, US$ 2,98 (R$ 15,3) por galão na bomba de gasolina, de acordo com a AAA, uma organização sem fins lucrativos de clubes automotivos. Desde então, os preços da gasolina têm subido regularmente e agora estão em torno de US$ 4 (R$ 20,57) por galão.
Os preços do petróleo dispararam quando os militares iranianos atacaram alguns navios mercantes no Estreito de Ormuz, uma passagem vital para os produtores de energia do Oriente Médio. Isso praticamente fechou o estreito e interrompeu o fluxo global de petróleo. O petróleo bruto é o principal ingrediente da gasolina.
O preço de referência global do petróleo bruto caiu desde que um acordo de paz foi anunciado na segunda-feira. Atualmente, está próximo de US$ 80 (R$ 411) por barril. Em março, os preços chegaram a atingir cerca de US$ 120 (R$ 617) por barril.
Esses altos preços dos combustíveis afetaram toda a cadeia produtiva e inflacionaram muitos outros custos relacionados ao combustível, como passagens aéreas e o transporte de mercadorias e produtos manufaturados.
Fertilizantes e Alimentos
As interrupções no comércio global causadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz levaram ao aumento dos preços de commodities como o enxofre, um ingrediente fundamental de certos fertilizantes.
Um relatório do Conselho de Relações Exteriores divulgado no início deste mês por Máximo Torero Cullen, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), afirmou que as interrupções no estreito teriam consequências que “vão muito além da agricultura, ameaçando com preços mais altos dos alimentos, maior inflação alimentar, redução do crescimento econômico e aumento da fome em todo o mundo”.
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou nesta sexta-feira a reunião de uma célula de crise para lidar com a onda de calor, cujo pico é esperado no domingo, com milhões de pessoas nas ruas por ocasião da ‘Fête de la Musique’ (Festa da Música).
Contexto: França autoriza banho nos canais de Paris para enfrentar calor de até 40ºC
Altas temperaturas: Homem morre durante onda de calor na França; país registrou 40°C e suspendeu serviços
A célula se reunirá no sábado, quando mais de 41 milhões de franceses estarão em zonas sob alerta laranja, o segundo nível mais elevado do país, durante a segunda onda de calor registrada neste ano.
A preocupação das autoridades é ainda maior porque o pico do calor é esperado para domingo, quando a popular Festa da Música levará milhões de pessoas às ruas para aproveitar shows ao ar livre e consumir álcool.
Initial plugin text
Alguns departamentos franceses podem passar para o “alerta vermelho por onda de calor” a partir de domingo, com temperaturas em torno de 30°C durante a noite e 40°C durante o dia, advertiu o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Na quinta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu para “cuidar das pessoas idosas, das mais vulneráveis”, porque “são dias difíceis”.
Entenda: França e Noruega vivem primavera mais quente de sua história; onda de calor atinge parte da Europa
Embora as autoridades tenham cancelado vários eventos esportivos e adiado em uma semana as provas orais para obtenção do diploma de bacharelado, de maneira geral, permitirão as festividades previstas para a Festa da Música. Algumas cidades as cancelaram.
No entanto, a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, pediu prudência.
— O álcool, com o calor, provoca consequências muito importantes (para a saúde), ficamos desidratados o dobro ou o triplo (e) acabamos nas emergências muito mais rápido — alertou.
Onda de calor na Europa: pai morre ao salvar duas pessoas de afogamento no Reino Unido; número de vítimas chega a 18
Em Paris, a Prefeitura espera cerca de dois milhões de pessoas nas ruas, como no ano passado, entre elas milhares de britânicos que, motivados pelas redes sociais, já se preparam para viajar à capital para reviver novamente a ‘Fête’.
— Em cada esquina havia uma festa — conta Serpico Collins, de 33 anos, que vive no bairro londrino de Camden e que no domingo voltará a percorrer as ruas de Paris em busca de música ao vivo e sets de DJ a partir de varandas.
A França vive a primavera mais quente desde que começaram os registros, no ano de 1900, com uma temperatura média nacional entre março e maio cerca de 1°C acima do normal.
Cientistas alertam que as ondas de calor na Europa estão cada vez mais frequentes como resultado das mudanças climáticas.
O GLOBOA relação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, se encontra em um momento de instabilidade desde o retorno do republicano à Casa Branca. Nesta semana, Trump afirmou que a líder italiana teria “implorado” para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7, realizada nesta semana em Évian, na França — declaração negada pela premiê e repudiada pelo ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, que respondeu com o cancelamento da sua visita aos Estados Unidos, que deveria acontecer em dois dias.
Entenda: Governo da Turquia toma medida inusitada e proíbe transmissão de jogo da Copa do Mundo
Ehud Olmert: Ex-premier israelense acusa governo Netanyahu de conduzir ‘campanha sistemática de limpeza étnica’ na Cisjordânia ocupada
Em resposta divulgada na rede social X, a premier afirmou em vídeo que o presidente americano “inventou completamente a história” e ressaltou que nem ela nem a Itália “imploram” por encontros ou fotografias.
— Não entendo por que o presidente dos EUA se comporta assim com seus próprios aliados; não é, aliás, a primeira vez — declarou.
— Só posso lamentar que ele não demonstre a mesma determinação em relação aos inimigos do Ocidente, aos inimigos dos EUA, a dirigentes com os quais, ao contrário, mostra-se muito mais conciliador — acrescentou.
Initial plugin text
Como Giorgia mesmo mencionou, ela e Trump são aliados políticos. Além da polêmica mais recente, no entanto, o desgaste entre os dois líderes vem se acumulando há meses.
Meloni passou a adotar posições divergentes em relação a algumas iniciativas da Casa Branca, especialmente sobre o conflito envolvendo o Irã e sobre críticas feitas por Trump ao papa Leão XIV. A premier italiana chegou a considerar “inaceitáveis” ataques do presidente americano ao pontífice.
As divergências representam uma mudança significativa na dinâmica entre os dois governos. Desde a volta de Trump ao poder, Meloni era frequentemente apontada como uma das poucas líderes europeias com acesso privilegiado ao presidente americano. A italiana participou da posse presidencial em Washington e buscou atuar como ponte entre os Estados Unidos e a União Europeia.
Galerias Relacionadas
Apesar das tensões, os dois líderes tentaram demonstrar cordialidade durante o G7. Em um encontro nos bastidores da cúpula, ambos trocaram comentários bem-humorados sobre os recentes atritos. Meloni chegou a afirmar que os dois “sempre foram amigos”, enquanto Trump respondeu em tom de brincadeira que havia sido “abandonado”.
A nova troca de acusações, porém, indica que a reaproximação pode estar longe de acontecer: a crise ganhou contornos diplomáticos quando Tajani anunciou o cancelamento de sua visita oficial a Washington. O ministro das Relações Exteriores classificou as declarações de Trump como “graves” e “ofensivas”, afirmando que os comentários atingiam não apenas Meloni, mas todo o país.
Initial plugin text
Integrantes do governo italiano acusaram Trump de prejudicar a histórica relação entre Estados Unidos e Europa, enquanto a Casa Branca evitou comentar oficialmente o episódio.
O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou nesta sexta-feira a proposta de criar centros de deportação para migrantes em situação irregular fora da União Europeia e afirmou que Paris se oporá a qualquer tentativa de financiá-los com recursos do bloco.
Contexto: UE firma acordo para apertar regras migratórias e prevê ‘centros de retorno’ fora das fronteiras do bloco
Entenda: Um dia após entrada em vigor de novo pacto migratório na UE, Roma tem protestos contra e a favor da imigração
Os chamados “centros de retorno”, localizados fora das fronteiras da UE, são um dos principais elementos do endurecimento das regras migratórias — criticado por organizações de defesa dos direitos humanos — que recebeu nesta semana a aprovação final do Parlamento Europeu.
— A França não apoia essa política — declarou Macron a jornalistas após uma cúpula de líderes europeus em Bruxelas.
Initial plugin text
O presidente francês observou que as novas regras permitem enviar pessoas para países com os quais elas não possuem qualquer vínculo, que, por sua vez, poderiam receber recursos financeiros em troca.
— Não tenho certeza de que essa seja a Europa que queremos. Não tenho certeza de que esses sejam os princípios fundamentais sobre os quais nossa Europa foi construída. Além disso, não acredito que isso seja eficaz. A prova é que, até agora, não vi ninguém conseguir fazer isso funcionar — afirmou.
Europa: Após impasse com a Hungria, União Europeia dá novo passo para adesão da Ucrânia e Moldávia ao bloco
Macron acrescentou que a França é favorável a regras mais rígidas para aumentar o retorno de pessoas sem direito de permanecer no país europeu onde se encontram, mas ressaltou que não pretende construir centros de retorno.
Embora outros países da UE sejam livres para avançar com esses projetos, Paris se opõe a uma iniciativa apoiada por vários Estados-membros para que recursos do bloco sejam utilizados em seu financiamento, disse o presidente francês.
Veja: Em declaração conjunta, líderes do G7 pedem ‘cessar-fogo imediato’ no Líbano para consolidar acordo entre EUA e Irã
Organizações de defesa dos direitos humanos classificam esses centros como “buracos negros jurídicos”, argumentando que eles podem deixar migrantes presos em um limbo legal com pouca supervisão.
O Reino Unido já abandonou um plano para deportar migrantes em situação irregular para Ruanda, enquanto as instalações administradas pela Itália para processar pedidos de migrantes na Albânia enfrentaram contestações judiciais e uma implementação lenta.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress