As autoridades federais americanas estão investigando se o ex-deputado republicano George Santos, filho de brasileiros, se envolveu em negociação com informações privilegiadas ao apostar em um mercado de previsões sobre sua presença ou não no discurso do Estado da União do presidente Donald Trump, no final de fevereiro. Pouco antes do discurso, Santos anunciou nas redes sociais que planejava comparecer. Sua presença ou não era um tema quente entre os apostadores online do mercado de previsões Kalshi, que apostavam na lista de convidados.
“Estarei na plateia”, provocou Santos em um vídeo publicano no X.
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No entanto, Santos não compareceu ao discurso e, por volta da época do evento, a Kalshi detectou que ele havia apostado contra sua própria presença, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto, que falou sob condição de anonimato com o New York Times. A investigação sobre as negociações de Santos no mercado de previsão foi noticiada anteriormente pela National Public Radio (NPR).
A empresa encaminhou o caso ao Departamento de Justiça e à Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), órgão regulador financeiro que supervisiona os mercados de previsão, disse a pessoa.
A CFTC agora está investigando Santos, de acordo com outra pessoa, que também falou sob condição de anonimato. Não ficou imediatamente claro se o Departamento de Justiça abriu uma investigação. Santos não respondeu imediatamente a um pedido de comentário do NYT.
A investigação surge num momento em que a administração Trump está sob pressão para demonstrar que consegue fiscalizar o uso de informações privilegiadas e outros abusos nos mercados de previsão, que são lucrativos e estão em rápido crescimento. A Kalshi é uma das várias empresas de mercado de previsão com ligações ao império empresarial do presidente. No início do ano passado, a empresa nomeou Donald Trump Jr., o filho mais velho do presidente, como “consultor estratégico”.
Uma investigação do New York Times publicada no mês passado revelou que, sob a administração Trump, a CFTC, uma reguladora financeira pouco conhecida, mas crucial, decidiu repetidamente a favor dos mercados de previsão. Dois altos funcionários de carreira da agência, que questionaram a condução de casos envolvendo mercados de previsão, foram afastados para investigação, proibidos de entrar no escritório e colocados sob investigação no final do ano passado, segundo o Times. Em entrevista ao NYT, Michael S. Selig, presidente da CFTC, prometeu que os reguladores responsabilizariam os infratores.
Ex-membro republicano do Congresso de Nova York, Santos, de 37 anos, foi acusado de fraude em 2023, depois que o New York Times e outros veículos de imprensa noticiaram que ele havia mentido extensivamente sobre sua biografia. Os promotores o acusaram de mentir em formulários oficiais e roubar doadores, entre outros esquemas. Ele foi expulso da Câmara dos Deputados e, por fim, condenado a sete anos de prisão. Santos foi libertado da prisão no outono, após Trump comutar sua pena.
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Esta é a terceira investigação sobre uso de informações privilegiadas a vir à tona nas últimas semanas. No mês passado, o Departamento de Justiça e a CFTC acusaram um funcionário do Google de usar informações privilegiadas para apostar em resultados de buscas na internet.
E em abril, um membro das Forças Especiais dos EUA foi acusado de usar ilegalmente informações confidenciais do governo para apostar mais de US$ 400.000 (R$ 2 milhões) na operação para capturar Nicolás Maduro, então presidente da Venezuela.