As avaliações de que a Ucrânia chegou a um ponto de virada no conflito com a Rússia podem muito bem se mostrar prematuras. Mas a imponente cúpula de fumaça negra que pairou sobre Moscou esta semana, após um ataque de drones ucranianos, mostrou que Kiev ainda tem muitas cartas na manga, independentemente da avaliação anterior do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre suas perspectivas na guerra. As intenções do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ficaram claras quando ele buscou tomar a iniciativa tanto militar quanto diplomaticamente.
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Os ataques a Moscou na quinta-feira deixaram parte da maior refinaria de petróleo da cidade em chamas. Uma imensa explosão lançou o topo de um tanque de armazenamento de combustível pelos ares — e destruiu a ideia de que a Rússia poderia continuar protegendo os moscovitas da guerra.
Ao mesmo tempo, Zelensky garantia uma declaração de “apoio inabalável” do G7 durante uma cúpula na França. Foi uma rara demonstração unificada de apoio a Kiev, que ocorreu mesmo depois de Trump ter sinalizado na cúpula que o fim da guerra já não estava entre as suas principais prioridades, afirmando que os Estados Unidos “não tinham nada a ver” com o conflito.
A declaração de Trump, que tem sido vista como favorável à Rússia nas negociações de paz, pode na verdade ter sido um alívio para as autoridades europeias que discutiram a possibilidade de assumir um papel mais ativo na tentativa de pôr fim à guerra.
O G7 transmitiu sua mensagem de apoio justamente quando as negociações para a adesão da Ucrânia à União Europeia começaram oficialmente. Na quinta-feira, enquanto parte de Moscou ardia em chamas, o bloco reafirmou que um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 532 bilhões) à Ucrânia, aprovado em dezembro, começaria a ser liberado neste mês. O ministro da Defesa ucraniano também anunciou US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões) em novas promessas de ajuda militar ocidental.
Está longe de ser certo que a crescente campanha de ataques de longo alcance da Ucrânia contra a Rússia e o apoio consolidado de seus aliados europeus levarão a guerra a um fim próximo. Mas os acontecimentos desta semana reforçaram uma crescente sensação de confiança em Kiev de que seria capaz de forçar o presidente russo, Vladimir Putin, à mesa de negociações, mesmo enquanto a Rússia continua a bombardear a capital ucraniana com mísseis e drones, explorando a deficiência da defesa aérea da Ucrânia.
— A Ucrânia é forte. Todos concordam plenamente com isso — afirmou Zelensky a jornalistas em uma mensagem de voz na noite de quinta-feira. — Putin não quer parar. E tudo o que ele diz sobre querer a paz é mentira. Todos os parceiros, todos os europeus, sentem isso. Mas também estão convencidos de que juntos o deteremos. A chave é “juntos” e “nós conseguiremos”.
Líderes europeus reiteraram essa visão ao finalizarem as reuniões que garantiram mais apoio à Ucrânia.
— A maré está claramente virando para a Ucrânia — declarou Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, na quinta-feira. — O ímpeto é forte. E a Europa o levará ainda mais longe.
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O presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, disse que “o que está acontecendo agora em Moscou é um divisor de águas nesta guerra”. Os russos, acrescentou, “perceberão que não se trata de assistir à guerra na tela da TV, mas sim da guerra em seu próprio território”.
Dmitri S. Peskov, porta-voz do Kremlin, zombou dos europeus por sua abordagem em relação a possíveis negociações.
— Eles acreditam que precisam conversar com a Rússia a partir de uma posição de força — pontuou ele a repórteres. — Essas conversas não levarão a lugar nenhum.
Putin não se pronunciou publicamente sobre o bombardeio de Moscou na quinta-feira. Igor Sechin, diretor executivo da gigante petrolífera estatal Rosneft, reconheceu nesta sexta-feira que a Rússia estava enfrentando problemas com o fornecimento de combustível. Mas afirmou que esses problemas estavam relacionados, em parte, à “manutenção não programada em refinarias”, em um aparente eufemismo para os inúmeros ataques ucranianos à infraestrutura petrolífera russa nos últimos meses.
O clima na Ucrânia é de otimismo, já que o país está levando a guerra para dentro da Rússia. Esse sentimento foi resumido por um meme que mostrava Zelensky sentado em frente a Trump na França. A fotografia foi editada para preencher as mãos do líder ucraniano com cartas de baralho e até mesmo cobrir seu terno com elas. A piada era uma referência às declarações do presidente americano no ano passado de que a Ucrânia não tinha nenhuma carta na manga na guerra.
Zelensky aproveitou o encontro com Trump na França para solicitar permissão para obter os projetos dos sistemas de defesa aérea Patriot, a única arma no arsenal ucraniano capaz de abater mísseis balísticos com confiabilidade.
Tal acordo, que ainda não foi aprovado, permitiria à Ucrânia expandir seu fornecimento desses sistemas, produzindo-os internamente em vez de esperar pelas entregas de parceiros que os compram dos Estados Unidos.
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O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, republicou uma foto do ataque de quinta-feira nas redes sociais. “Em Moscou, tudo está indo conforme o planejado”, escreveu ele. “Mas não conforme o plano da Rússia”.
A Ucrânia continuou a disparar drones contra Moscou nesta sexta-feira, e o governador regional afirmou que uma menina de 8 anos foi morta. Vários civis ucranianos foram mortos em ataques russos durante a noite, incluindo uma menina, também de 8 anos, na cidade de Pavlohrad, no leste do país.
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Os ataques a Moscou na quinta-feira deixaram parte da maior refinaria de petróleo da cidade em chamas. Uma imensa explosão lançou o topo de um tanque de armazenamento de combustível pelos ares — e destruiu a ideia de que a Rússia poderia continuar protegendo os moscovitas da guerra.
Ao mesmo tempo, Zelensky garantia uma declaração de “apoio inabalável” do G7 durante uma cúpula na França. Foi uma rara demonstração unificada de apoio a Kiev, que ocorreu mesmo depois de Trump ter sinalizado na cúpula que o fim da guerra já não estava entre as suas principais prioridades, afirmando que os Estados Unidos “não tinham nada a ver” com o conflito.
A declaração de Trump, que tem sido vista como favorável à Rússia nas negociações de paz, pode na verdade ter sido um alívio para as autoridades europeias que discutiram a possibilidade de assumir um papel mais ativo na tentativa de pôr fim à guerra.
O G7 transmitiu sua mensagem de apoio justamente quando as negociações para a adesão da Ucrânia à União Europeia começaram oficialmente. Na quinta-feira, enquanto parte de Moscou ardia em chamas, o bloco reafirmou que um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 532 bilhões) à Ucrânia, aprovado em dezembro, começaria a ser liberado neste mês. O ministro da Defesa ucraniano também anunciou US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões) em novas promessas de ajuda militar ocidental.
Está longe de ser certo que a crescente campanha de ataques de longo alcance da Ucrânia contra a Rússia e o apoio consolidado de seus aliados europeus levarão a guerra a um fim próximo. Mas os acontecimentos desta semana reforçaram uma crescente sensação de confiança em Kiev de que seria capaz de forçar o presidente russo, Vladimir Putin, à mesa de negociações, mesmo enquanto a Rússia continua a bombardear a capital ucraniana com mísseis e drones, explorando a deficiência da defesa aérea da Ucrânia.
— A Ucrânia é forte. Todos concordam plenamente com isso — afirmou Zelensky a jornalistas em uma mensagem de voz na noite de quinta-feira. — Putin não quer parar. E tudo o que ele diz sobre querer a paz é mentira. Todos os parceiros, todos os europeus, sentem isso. Mas também estão convencidos de que juntos o deteremos. A chave é “juntos” e “nós conseguiremos”.
Líderes europeus reiteraram essa visão ao finalizarem as reuniões que garantiram mais apoio à Ucrânia.
— A maré está claramente virando para a Ucrânia — declarou Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, na quinta-feira. — O ímpeto é forte. E a Europa o levará ainda mais longe.
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O presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, disse que “o que está acontecendo agora em Moscou é um divisor de águas nesta guerra”. Os russos, acrescentou, “perceberão que não se trata de assistir à guerra na tela da TV, mas sim da guerra em seu próprio território”.
Dmitri S. Peskov, porta-voz do Kremlin, zombou dos europeus por sua abordagem em relação a possíveis negociações.
— Eles acreditam que precisam conversar com a Rússia a partir de uma posição de força — pontuou ele a repórteres. — Essas conversas não levarão a lugar nenhum.
Putin não se pronunciou publicamente sobre o bombardeio de Moscou na quinta-feira. Igor Sechin, diretor executivo da gigante petrolífera estatal Rosneft, reconheceu nesta sexta-feira que a Rússia estava enfrentando problemas com o fornecimento de combustível. Mas afirmou que esses problemas estavam relacionados, em parte, à “manutenção não programada em refinarias”, em um aparente eufemismo para os inúmeros ataques ucranianos à infraestrutura petrolífera russa nos últimos meses.
O clima na Ucrânia é de otimismo, já que o país está levando a guerra para dentro da Rússia. Esse sentimento foi resumido por um meme que mostrava Zelensky sentado em frente a Trump na França. A fotografia foi editada para preencher as mãos do líder ucraniano com cartas de baralho e até mesmo cobrir seu terno com elas. A piada era uma referência às declarações do presidente americano no ano passado de que a Ucrânia não tinha nenhuma carta na manga na guerra.
Zelensky aproveitou o encontro com Trump na França para solicitar permissão para obter os projetos dos sistemas de defesa aérea Patriot, a única arma no arsenal ucraniano capaz de abater mísseis balísticos com confiabilidade.
Tal acordo, que ainda não foi aprovado, permitiria à Ucrânia expandir seu fornecimento desses sistemas, produzindo-os internamente em vez de esperar pelas entregas de parceiros que os compram dos Estados Unidos.
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O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, republicou uma foto do ataque de quinta-feira nas redes sociais. “Em Moscou, tudo está indo conforme o planejado”, escreveu ele. “Mas não conforme o plano da Rússia”.
A Ucrânia continuou a disparar drones contra Moscou nesta sexta-feira, e o governador regional afirmou que uma menina de 8 anos foi morta. Vários civis ucranianos foram mortos em ataques russos durante a noite, incluindo uma menina, também de 8 anos, na cidade de Pavlohrad, no leste do país.










