O GLOBOA relação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, se encontra em um momento de instabilidade desde o retorno do republicano à Casa Branca. Nesta semana, Trump afirmou que a líder italiana teria “implorado” para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7, realizada nesta semana em Évian, na França — declaração negada pela premiê e repudiada pelo ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, que respondeu com o cancelamento da sua visita aos Estados Unidos, que deveria acontecer em dois dias.
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Em resposta divulgada na rede social X, a premier afirmou em vídeo que o presidente americano “inventou completamente a história” e ressaltou que nem ela nem a Itália “imploram” por encontros ou fotografias.
— Não entendo por que o presidente dos EUA se comporta assim com seus próprios aliados; não é, aliás, a primeira vez — declarou.
— Só posso lamentar que ele não demonstre a mesma determinação em relação aos inimigos do Ocidente, aos inimigos dos EUA, a dirigentes com os quais, ao contrário, mostra-se muito mais conciliador — acrescentou.
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Como Giorgia mesmo mencionou, ela e Trump são aliados políticos. Além da polêmica mais recente, no entanto, o desgaste entre os dois líderes vem se acumulando há meses.
Meloni passou a adotar posições divergentes em relação a algumas iniciativas da Casa Branca, especialmente sobre o conflito envolvendo o Irã e sobre críticas feitas por Trump ao papa Leão XIV. A premier italiana chegou a considerar “inaceitáveis” ataques do presidente americano ao pontífice.
As divergências representam uma mudança significativa na dinâmica entre os dois governos. Desde a volta de Trump ao poder, Meloni era frequentemente apontada como uma das poucas líderes europeias com acesso privilegiado ao presidente americano. A italiana participou da posse presidencial em Washington e buscou atuar como ponte entre os Estados Unidos e a União Europeia.
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Apesar das tensões, os dois líderes tentaram demonstrar cordialidade durante o G7. Em um encontro nos bastidores da cúpula, ambos trocaram comentários bem-humorados sobre os recentes atritos. Meloni chegou a afirmar que os dois “sempre foram amigos”, enquanto Trump respondeu em tom de brincadeira que havia sido “abandonado”.
A nova troca de acusações, porém, indica que a reaproximação pode estar longe de acontecer: a crise ganhou contornos diplomáticos quando Tajani anunciou o cancelamento de sua visita oficial a Washington. O ministro das Relações Exteriores classificou as declarações de Trump como “graves” e “ofensivas”, afirmando que os comentários atingiam não apenas Meloni, mas todo o país.
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Integrantes do governo italiano acusaram Trump de prejudicar a histórica relação entre Estados Unidos e Europa, enquanto a Casa Branca evitou comentar oficialmente o episódio.
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— Só posso lamentar que ele não demonstre a mesma determinação em relação aos inimigos do Ocidente, aos inimigos dos EUA, a dirigentes com os quais, ao contrário, mostra-se muito mais conciliador — acrescentou.
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