Enquanto o fluxo de navios cargueiros começa a ser restabelecido no Estreito de Ormuz e o mundo aguarda com expectativa a assinatura oficial do memorando de entendimento entre EUA e Irã, que, espera-se, dará início à fase final de um amplo processo de paz a partir de sexta-feira, autoridades americanas e iranianas desescalaram a retórica agressiva e tentaram reclamar a suspensão das hostilidades como uma vitória própria. Sem o texto acordado disponível para consulta pública, uma versão obtida pela rede americana CNN indica o que analistas e fontes informadas tinham revelado anteriormente: os termos negociados até o momento limitam-se a restabelecer o tráfego naval em Ormuz e oferecer algum alívio financeiro ao Irã, enquanto as questões mais sensíveis foram todas deixadas para as negociações de um acordo final.
A versão do texto a qual a rede americana teve acesso foi obtida com uma autoridade dos EUA, de acordo com a publicação, e teve seu conteúdo confirmado por três fontes diplomáticas que têm conhecimento sobre as negociações. A própria reportagem, no entanto, ponderou que os termos podem sofrer alterações até a assinatura pública na Suíça, prevista para sexta-feira, à medida que detalhes técnicos ainda estão em fase de finalização.
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O memorando tem 14 pontos e confirma em grande parte o que foi discutido por fontes anônimas e por autoridades em declarações públicas nos últimos meses. Foram citados no documento temas centrais, como o programa nuclear do Irã, o fim das sanções americanas ao Irã, a retirada das forças americanas da região e o suposto fundo de investimentos de US$ 300 bilhões para o desenvolvimento econômico da nação persa. Contudo, não há qualquer definição sobre eles, além de que serão tratados na fase seguinte de negociação.
Entre os compromissos tratados para início imediato, o texto contém apenas declarações de respeito mútuo à soberania dos países e à não interferência em assuntos internos, e cláusulas que definem um formato para a reabertura de Ormuz e a retirada de minas navais pelo Irã, e o fim do bloqueio dos EUA a portos iranianos e liberação de ativos financeiros iranianos congelados no exterior, sob autorização do Departamento do Tesouro americano.
Se por um lado, a versão do texto confirma a declaração do vice-presidente dos EUA, JD Vance, que na terça-feira afirmou que o memorando se tratava de “um documento muito genérico” e com poucos detalhes, por outro fundamenta a avaliação compartilhada por analistas nos últimos dias, de que o Irã saiu fortalecido estrategicamente do conflito.
Sufocado economicamente, em uma realidade que provocou grandes protestos contra o regime no fim do ano passado, Teerã conseguiu concessões importantes no âmbito da negociação para aliviar a crise financeira do país. Além disso, inseriu-se em uma relação “negocial” com Washington, evitando uma capitulação, como inicialmente desejado pelo presidente Donald Trump, apesar dos ataques de Washington.
O artigo inicial do texto obtido pela CNN resume a volatilidade dos termos. Nele, as partes assumem o compromisso “juntamente com seus aliados na atual guerra” ao “fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, e comprometem-se a não iniciar, a partir de agora, qualquer ação hostil um contra o outro, abstendo-se também da ameaça ou do uso da força entre si”. O dispositivo, porém, acrescenta uma ressalva ao final: “O acordo final [que se espera obter após 60 dias] confirmará as disposições deste artigo e dos demais artigos”.
O documento revela que alguns compromissos foram assumidos parcialmente. No caso do programa nuclear iraniano, um dos termos afirma que Teerã nunca desenvolverá armas nucleares — algo que a liderança iraniana reafirma desde antes da morte do aiatolá Ali Khamenei. Porém, as determinações sobre o destino do urânio enriquecido pelo Irã e “todas as demais questões relacionadas ao programa nuclear” ficaram para negociações futuras.
A versão do texto a qual a rede americana teve acesso foi obtida com uma autoridade dos EUA, de acordo com a publicação, e teve seu conteúdo confirmado por três fontes diplomáticas que têm conhecimento sobre as negociações. A própria reportagem, no entanto, ponderou que os termos podem sofrer alterações até a assinatura pública na Suíça, prevista para sexta-feira, à medida que detalhes técnicos ainda estão em fase de finalização.
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O memorando tem 14 pontos e confirma em grande parte o que foi discutido por fontes anônimas e por autoridades em declarações públicas nos últimos meses. Foram citados no documento temas centrais, como o programa nuclear do Irã, o fim das sanções americanas ao Irã, a retirada das forças americanas da região e o suposto fundo de investimentos de US$ 300 bilhões para o desenvolvimento econômico da nação persa. Contudo, não há qualquer definição sobre eles, além de que serão tratados na fase seguinte de negociação.
Entre os compromissos tratados para início imediato, o texto contém apenas declarações de respeito mútuo à soberania dos países e à não interferência em assuntos internos, e cláusulas que definem um formato para a reabertura de Ormuz e a retirada de minas navais pelo Irã, e o fim do bloqueio dos EUA a portos iranianos e liberação de ativos financeiros iranianos congelados no exterior, sob autorização do Departamento do Tesouro americano.
Se por um lado, a versão do texto confirma a declaração do vice-presidente dos EUA, JD Vance, que na terça-feira afirmou que o memorando se tratava de “um documento muito genérico” e com poucos detalhes, por outro fundamenta a avaliação compartilhada por analistas nos últimos dias, de que o Irã saiu fortalecido estrategicamente do conflito.
Sufocado economicamente, em uma realidade que provocou grandes protestos contra o regime no fim do ano passado, Teerã conseguiu concessões importantes no âmbito da negociação para aliviar a crise financeira do país. Além disso, inseriu-se em uma relação “negocial” com Washington, evitando uma capitulação, como inicialmente desejado pelo presidente Donald Trump, apesar dos ataques de Washington.
O artigo inicial do texto obtido pela CNN resume a volatilidade dos termos. Nele, as partes assumem o compromisso “juntamente com seus aliados na atual guerra” ao “fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, e comprometem-se a não iniciar, a partir de agora, qualquer ação hostil um contra o outro, abstendo-se também da ameaça ou do uso da força entre si”. O dispositivo, porém, acrescenta uma ressalva ao final: “O acordo final [que se espera obter após 60 dias] confirmará as disposições deste artigo e dos demais artigos”.
O documento revela que alguns compromissos foram assumidos parcialmente. No caso do programa nuclear iraniano, um dos termos afirma que Teerã nunca desenvolverá armas nucleares — algo que a liderança iraniana reafirma desde antes da morte do aiatolá Ali Khamenei. Porém, as determinações sobre o destino do urânio enriquecido pelo Irã e “todas as demais questões relacionadas ao programa nuclear” ficaram para negociações futuras.










