Apenas um dia antes da reunião dos ministros da Defesa da Otan, o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, afirmou que a organização precisa de “mais forças, mais recursos e uma base industrial muito mais forte” diante do atual cenário de segurança. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, Rutte elogiou o acordo firmado entre Washington e Teerã e minimizou os impactos dos cortes anunciados pelos Estados Unidos nas forças colocadas à disposição da Otan. Ele também disse esperar que os aliados apresentem atualizações sobre como estão cumprindo a meta de destinar 5% do PIB à defesa até 2035.
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— Espero que os países apresentem planos claros, concretos e críveis para atingir esse objetivo, de preferência bem antes do prazo acordado — disse, citando os ajustes das contribuições americanas para o modelo de forças da Otan. — Isso foi retratado como um problema, mas essa não é a realidade. Os EUA deixaram claro que estão comprometidos com a Otan. Esse compromisso vem acompanhado da expectativa de que os aliados compartilhem de forma mais justa a responsabilidade por nossa segurança aqui na Europa.
Segundo fontes ouvidas pelo New York Times, os Estados Unidos planejam reduzir significativamente as aeronaves e navios de guerra que disponibilizam para operações da Otan na Europa, o que deve limitar a capacidade da aliança de realizar ataques de longo alcance e operações de vigilância. A decisão inclui a redução do número de caças F-16 e F-15E, de aeronaves de reconhecimento marítimo e a retirada de todos os aviões-tanque de reabastecimento aéreo anteriormente disponíveis para a Europa.
Ainda de acordo com a decisão, serão reposicionados um submarino lançador de mísseis e um porta-aviões, além de vários navios de guerra e dezenas de aeronaves. Também serão reposicionados dois grupos de bombardeiros anteriormente designados para a defesa do continente. O Pentágono não divulgou o cronograma da redução, mas autoridades americanas indicaram à imprensa que ela entrará em vigor muito em breve.
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A medida de Washington despertou preocupações de que a Europa possa ficar mais vulnerável diante de uma Rússia considerada agressiva, em meio a questionamentos sobre o compromisso do presidente Donald Trump com a aliança. Diversos diplomatas europeus insistiram que a Europa pode ampliar sua participação para substituir as capacidades que os EUA estão retirando, mas desde que receba tempo suficiente para preencher essas lacunas.
— [O ajuste] não se refere principalmente a onde as forças e os equipamentos estão atualmente, mas a quem faria o quê caso nossos planos de defesa fossem ativados. Esse modelo dependia excessivamente dos EUA. Agora, os EUA ajustaram suas contribuições prometidas, e outros aliados aumentaram sua participação — disse Rutte. — É crucial que Europa e Canadá façam mais na frente convencional, entendendo que os Estados Unidos têm obrigações em todo o mundo que precisam ser consideradas. Isso é justo.
Estreito de Ormuz
Ainda durante a entrevista coletiva, Rutte elogiou o recente acordo anunciado por Trump com o Irã, afirmando que ele oferece uma oportunidade para garantir que Teerã jamais desenvolva uma arma nuclear e contribuirá para a segurança global. Questionado sobre uma possível assistência da Otan ou de países europeus em Ormuz, ele respondeu que isso ocorreria fora da estrutura formal da aliança, mas que está claro que França e Reino Unido estão coordenando ações nesse sentido e que o tema foi discutido na cúpula do G7, na França.
— Se a Otan terá ou não um papel ali… se isso for útil, é claro que desempenharemos um papel — afirmou o secretário-geral. — Mas, se eles puderem fazer isso sem nós, tudo bem também; estamos sempre prontos para ajudar, caso isso seja desejado. A ação dos Estados Unidos para impedir a ameaça de um Irã armado com armas nucleares e degradar sua capacidade de mísseis balísticos melhora a segurança de todos nós.
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Os dois lados concordaram com o acordo no domingo e planejam assiná-lo formalmente na sexta-feira, na Suíça, abrindo caminho para 60 dias de negociações destinadas a encerrar a guerra de forma definitiva e impor novos limites rigorosos ao programa nuclear iraniano. O Irã deverá receber amplos incentivos financeiros como parte do pacto, incluindo o direito de vender petróleo, acessar um fundo de US$ 300 bilhões e obter acesso gradual a ativos atualmente congelados, segundo uma versão final do texto citada pela Bloomberg.
Guerra na Ucrânia
Em outro momento da entrevista coletiva, Rutte foi perguntado sobre o que a Ucrânia deve receber da cúpula da Otan no próximo mês, prevista para ocorrer na Turquia. Ele afirmou que já houve algumas declarações positivas saídas do G7, e que a Otan se concentrará “particularmente” no que Kiev precisa para “manter a luta”, incluindo o fornecimento contínuo de equipamentos militares, entre eles interceptadores americanos para os sistemas Patriot. O foco, destacou, será “garantir que haja dinheiro disponível”.
— Estou bastante confiante de que, coletivamente, garantiremos que vocês tenham o que precisam, na medida em que europeus e americanos possam ajudar na sua defesa — disse o secretário-geral, acrescentando que espera que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tenha uma agenda cheia de reuniões na cúpula da Otan em Ancara, mas que não haverá “uma reunião sentada à mesa com todos os 32 líderes”.
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Rutte também foi questionado sobre a aparente ajuda da China à Rússia por meio de treinamento militar, conforme revelado recentemente pela chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas. Ele afirmou que a Otan está “constantemente tentando acompanhar exatamente o que a China está fazendo” e que a declaração do G7 sobre a Ucrânia divulgada nesta quarta mostra que os aliados da Otan estão “totalmente comprometidos em garantir que a Ucrânia mantenha sua posição na luta contra a Rússia e seja capaz de se defender”.
— Não somos ingênuos. Acompanhamos tudo de perto — disse ele sobre as relações entre Pequim e Moscou. — Não posso dizer mais agora, ou pelo menos não nesta entrevista coletiva aberta, mas vocês podem ter certeza de que monitoramos cada detalhe.
Diálogo com a Rússia
O secretário foi perguntado, ainda, sobre a possível reabertura de canais de diálogo com a Rússia, defendida por alguns líderes, entre eles o presidente da Finlândia, Alexander Stubb. Ele respondeu que isso é “claramente algo debatido entre os aliados”, principalmente no âmbito da União Europeia, mas que ainda não surgiu em nível da Otan. Ele também foi questionado sobre se Trump tem se aproximado da posição de Kiev sobre o fim da guerra e, mais uma vez, elogiou o líder americano por “quebrar o impasse” no ano passado.
— São necessários dois para dançar — afirmou, acrescentando que o presidente russo, Vladimir Putin, não parece disposto a participar de negociações neste momento. — E aqui está o presidente americano que, penso eu, vem desempenhando um papel muito positivo há um ano e meio na tentativa de encerrar esta guerra. Ele quer encerrá-la, e eu o apoio completamente.
A reunião de ministros da Defesa ocorrerá em Bruxelas na quinta-feira e antecede a cúpula anual da aliança em Ancara. Além das discussões sobre gastos militares e planejamento de forças, os aliados deverão tratar de temas como dissuasão nuclear, tema altamente sigiloso dentro da organização, e o apoio à Ucrânia. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, confirmou presença na reunião, e a expectativa é a de que ele pressione os países europeus a assumir uma parcela maior no esforço militar da aliança.
(Com Bloomberg e New York Times)
Entenda: EUA devem retirar um terço dos caças que disponibilizam à Otan, limitando capacidade da Europa
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— Espero que os países apresentem planos claros, concretos e críveis para atingir esse objetivo, de preferência bem antes do prazo acordado — disse, citando os ajustes das contribuições americanas para o modelo de forças da Otan. — Isso foi retratado como um problema, mas essa não é a realidade. Os EUA deixaram claro que estão comprometidos com a Otan. Esse compromisso vem acompanhado da expectativa de que os aliados compartilhem de forma mais justa a responsabilidade por nossa segurança aqui na Europa.
Segundo fontes ouvidas pelo New York Times, os Estados Unidos planejam reduzir significativamente as aeronaves e navios de guerra que disponibilizam para operações da Otan na Europa, o que deve limitar a capacidade da aliança de realizar ataques de longo alcance e operações de vigilância. A decisão inclui a redução do número de caças F-16 e F-15E, de aeronaves de reconhecimento marítimo e a retirada de todos os aviões-tanque de reabastecimento aéreo anteriormente disponíveis para a Europa.
Ainda de acordo com a decisão, serão reposicionados um submarino lançador de mísseis e um porta-aviões, além de vários navios de guerra e dezenas de aeronaves. Também serão reposicionados dois grupos de bombardeiros anteriormente designados para a defesa do continente. O Pentágono não divulgou o cronograma da redução, mas autoridades americanas indicaram à imprensa que ela entrará em vigor muito em breve.
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A medida de Washington despertou preocupações de que a Europa possa ficar mais vulnerável diante de uma Rússia considerada agressiva, em meio a questionamentos sobre o compromisso do presidente Donald Trump com a aliança. Diversos diplomatas europeus insistiram que a Europa pode ampliar sua participação para substituir as capacidades que os EUA estão retirando, mas desde que receba tempo suficiente para preencher essas lacunas.
— [O ajuste] não se refere principalmente a onde as forças e os equipamentos estão atualmente, mas a quem faria o quê caso nossos planos de defesa fossem ativados. Esse modelo dependia excessivamente dos EUA. Agora, os EUA ajustaram suas contribuições prometidas, e outros aliados aumentaram sua participação — disse Rutte. — É crucial que Europa e Canadá façam mais na frente convencional, entendendo que os Estados Unidos têm obrigações em todo o mundo que precisam ser consideradas. Isso é justo.
Estreito de Ormuz
Ainda durante a entrevista coletiva, Rutte elogiou o recente acordo anunciado por Trump com o Irã, afirmando que ele oferece uma oportunidade para garantir que Teerã jamais desenvolva uma arma nuclear e contribuirá para a segurança global. Questionado sobre uma possível assistência da Otan ou de países europeus em Ormuz, ele respondeu que isso ocorreria fora da estrutura formal da aliança, mas que está claro que França e Reino Unido estão coordenando ações nesse sentido e que o tema foi discutido na cúpula do G7, na França.
— Se a Otan terá ou não um papel ali… se isso for útil, é claro que desempenharemos um papel — afirmou o secretário-geral. — Mas, se eles puderem fazer isso sem nós, tudo bem também; estamos sempre prontos para ajudar, caso isso seja desejado. A ação dos Estados Unidos para impedir a ameaça de um Irã armado com armas nucleares e degradar sua capacidade de mísseis balísticos melhora a segurança de todos nós.
Guerra eletrônica: Rússia usa satélites militares para sabotar o GPS europeu, demonstra cientista americano
Os dois lados concordaram com o acordo no domingo e planejam assiná-lo formalmente na sexta-feira, na Suíça, abrindo caminho para 60 dias de negociações destinadas a encerrar a guerra de forma definitiva e impor novos limites rigorosos ao programa nuclear iraniano. O Irã deverá receber amplos incentivos financeiros como parte do pacto, incluindo o direito de vender petróleo, acessar um fundo de US$ 300 bilhões e obter acesso gradual a ativos atualmente congelados, segundo uma versão final do texto citada pela Bloomberg.
Guerra na Ucrânia
Em outro momento da entrevista coletiva, Rutte foi perguntado sobre o que a Ucrânia deve receber da cúpula da Otan no próximo mês, prevista para ocorrer na Turquia. Ele afirmou que já houve algumas declarações positivas saídas do G7, e que a Otan se concentrará “particularmente” no que Kiev precisa para “manter a luta”, incluindo o fornecimento contínuo de equipamentos militares, entre eles interceptadores americanos para os sistemas Patriot. O foco, destacou, será “garantir que haja dinheiro disponível”.
— Estou bastante confiante de que, coletivamente, garantiremos que vocês tenham o que precisam, na medida em que europeus e americanos possam ajudar na sua defesa — disse o secretário-geral, acrescentando que espera que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tenha uma agenda cheia de reuniões na cúpula da Otan em Ancara, mas que não haverá “uma reunião sentada à mesa com todos os 32 líderes”.
Entenda: Pentágono cancela envio de brigada à Europa como parte do plano de Trump de reduzir presença militar no continente
Rutte também foi questionado sobre a aparente ajuda da China à Rússia por meio de treinamento militar, conforme revelado recentemente pela chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas. Ele afirmou que a Otan está “constantemente tentando acompanhar exatamente o que a China está fazendo” e que a declaração do G7 sobre a Ucrânia divulgada nesta quarta mostra que os aliados da Otan estão “totalmente comprometidos em garantir que a Ucrânia mantenha sua posição na luta contra a Rússia e seja capaz de se defender”.
— Não somos ingênuos. Acompanhamos tudo de perto — disse ele sobre as relações entre Pequim e Moscou. — Não posso dizer mais agora, ou pelo menos não nesta entrevista coletiva aberta, mas vocês podem ter certeza de que monitoramos cada detalhe.
Diálogo com a Rússia
O secretário foi perguntado, ainda, sobre a possível reabertura de canais de diálogo com a Rússia, defendida por alguns líderes, entre eles o presidente da Finlândia, Alexander Stubb. Ele respondeu que isso é “claramente algo debatido entre os aliados”, principalmente no âmbito da União Europeia, mas que ainda não surgiu em nível da Otan. Ele também foi questionado sobre se Trump tem se aproximado da posição de Kiev sobre o fim da guerra e, mais uma vez, elogiou o líder americano por “quebrar o impasse” no ano passado.
— São necessários dois para dançar — afirmou, acrescentando que o presidente russo, Vladimir Putin, não parece disposto a participar de negociações neste momento. — E aqui está o presidente americano que, penso eu, vem desempenhando um papel muito positivo há um ano e meio na tentativa de encerrar esta guerra. Ele quer encerrá-la, e eu o apoio completamente.
A reunião de ministros da Defesa ocorrerá em Bruxelas na quinta-feira e antecede a cúpula anual da aliança em Ancara. Além das discussões sobre gastos militares e planejamento de forças, os aliados deverão tratar de temas como dissuasão nuclear, tema altamente sigiloso dentro da organização, e o apoio à Ucrânia. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, confirmou presença na reunião, e a expectativa é a de que ele pressione os países europeus a assumir uma parcela maior no esforço militar da aliança.
(Com Bloomberg e New York Times)










