Com controle de milícias: ministros da Defesa e do Interior emergem como figuras centrais no pós-Maduro: ‘Eles controlam a Venezuela’
‘Estou feliz, mas e amanhã?’: Venezuelanos vivem entre alívio pela queda de Maduro e medo do que vem a seguir
O perigo de se manifestar contra Maduro ainda é real na Venezuela, já que a Assembleia Nacional – dominada por apoiadores do líder chavista – aprovou uma lei que declara “traidor” qualquer pessoa que expresse apoio aos bloqueios navais dos EUA.
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Dezenas de postos dos coletivos, de acordo com a BBC, surgiram na capital. Na noite de segunda-feira, o ministro do Interior Diosdado Cabello publicou fotos e vídeos que mostram policiais armados nas ruas de Caracas, como parte das medidas de segurança na cidade. Em um dos vídeos, é possível ver os membros da segurança gritando “leais sempre, traidores nunca”.
Ministro do Interior Diosdado Cabello aparece à direita do centro, usando um boné preto com inscrições em vermelho
Reprodução / Redes sociais
Sem Maduro, o papel de Cabello e do ministro da Defesa Vladimir Padrino determinará, em grande parte, se a Venezuela manterá um nível de estabilidade ou se mergulhará no caos. Eles comandam a polícia e as Forças Armadas da Venezuela, as mesmas instituições que mantiveram Nicolás Maduro no poder por mais de uma década. O país continua repleto de grupos armados, incluindo guerrilheiros colombianos de esquerda que criticaram, agora, a captura do líder chavista.
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Na cidade de Guayana, em Bolívar, uma mulher que concedeu entrevista à BBC sob condição de anonimato contou que nos últimos dois dias viu poucas pessoas nas ruas e nenhum carro.
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— No sábado (dia da megaoperação dos EUA que capturou Maduro), os supermercados estavam lotados e havia filas enormes. Tem militares nas ruas, alguns vigiando supermercados, porque os proprietários têm medo de roubos — afirmou a mulher. — Eu, minha família e meus amigos estamos todos com medo de sair de casa.
Padrino e Cabello
Para Brian Naranjo, ex-diplomata dos Estados Unidos que atuou em Caracas, os ministros do Interior e da Defesa “controlam a Venezuela agora”, após a deposição de Maduro. Embora Delcy Rodríguez tenha sido nomeada como presidente interina — e advertida pelo presidente americano, Donald Trump, de que “pagará um preço muito alto” caso “não faça a coisa certa” —, Naranjo avalia que Cabello e Padrino “poderiam facilmente tomar medidas contra ela e marginalizá-la imediatamente”.
— São esses caras que comandam pessoas armadas — disse o ex-diplomata, em entrevista ao jornal americano Wall Street Journal.
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Cabello e Padrino têm muito a perder se o regime cair após mais de um quarto de século no poder, liderado primeiro pelo falecido Hugo Chávez, que governou de 1999 a 2013, e depois por Maduro. Juntamente com Maduro, Cabello e Padrino são acusados de serem os líderes de uma rede de narcotráfico composta por altos oficiais militares, chamada Cartel de los Soles, que o governo Trump classificou como uma organização terrorista estrangeira.
Sob o regime de Maduro, Cabello era amplamente considerado o segundo homem mais poderoso da Venezuela. Ele é conhecido por seus discursos inflamados contra rivais políticos e os Estados Unidos em seu programa noturno na televisão estatal, “Batendo com uma Marreta”, onde aparece segurando um porrete com pregos.
Entre o alívio e o medo
Assim como muitos venezuelanos, José, um empresário radicado na Cidade do México, votou contra Nicolás Maduro nas eleições de 2024. O homem de 35 anos ficou consternado quando Maduro se manteve no poder, em meio a acusações de fraude e protestos da oposição em todo o país. Ao acordar no último sábado com a notícia de que Maduro havia sido deposto em uma megaoperação militar dos EUA em Caracas, teve uma mistura de sentimentos entre pavor, alegria e incerteza.
— É uma sensação agridoce — classificou José, que preferiu não revelar seu sobrenome por medo de represálias do governo contra sua família na Venezuela. — A primeira coisa que me vem à mente é: “Somos livres e estou muito feliz, mas o que acontecerá amanhã?” Maduro é apenas uma peça de uma máquina muito maior.
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Maduro, de fato, era um líder profundamente impopular e foi acusado de fraudar as eleições de 2024. Na época, uma pesquisa de boca de urna independente e uma apuração dos votos pela oposição pareciam indicar que ele sofreu uma derrota decisiva , com 66% dos votos contra 31%.
Assim como muitos outros venezuelanos, José deseja a saída definitiva de Maduro, mas se preocupa com o futuro político do país. Ele teme que, sem um plano claro dos EUA para a transição de poder, a Venezuela possa mergulhar no caos — com grupos guerrilheiros disputando território e facções rivais lutando entre si.
(Com The New York Times)








