Contexto: Irã confirma avanço nas negociações com os EUA, mas descarta acordo iminente
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Quando o Hezbollah entrou na guerra em apoio ao Irã, em março, Israel respondeu com uma invasão terrestre no Líbano, intensificando seus ataques contra o grupo. Em abril, o governo americano pressionou por um cessar-fogo entre o Estado Judeu e o Líbano, mas, apesar da trégua, forças israelenses continuam trocando ofensivas.
Nesta terça-feira, o Exército de Israel disse ter atingido cerca de 150 alvos nos últimos dias, incluindo mais de 90 depósitos de armas. O Ministério da Saúde libanês, por sua vez, afirmou que 28 pessoas morreram e 204 ficaram feridas em ataques israelenses no último dia. Segundo a pasta, 3,2 mil pessoas morreram desde o início da atual rodada de combates.
As Forças Armadas israelenses afirmaram que militares ampliaram suas operações terrestres no Líbano para além de uma linha de demarcação estabelecida por Israel após o cessar-fogo de abril. A linha, separada da “Linha Azul” demarcada pela ONU, faz parte de uma proposta de zona-tampão que se estenderia de 5 a 10 quilômetros para dentro do Líbano.
Ameaça dos drones
Autoridades do Exército israelense afirmam que a expansão das operações visa eliminar a ameaça dos drones do Hezbollah. Segundo os militares, as Forças Armadas têm buscado encontrar soluções contra os dispositivos, e atualmente tentam neutralizá-los com redes e munições especiais, embora ainda não exista uma solução abrangente.
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Na segunda-feira, Netanyahu afirmou que Israel intensificaria os ataques contra o Hezbollah, enquanto uma autoridade americana disse que o grupo ignorou alertas para interromper ações que poderiam atrapalhar as negociações para encerrar a guerra. Pelo menos 22 soldados israelenses morreram na atual rodada de combates no Líbano.
A pressão sobre o premier tem crescido em Israel, com pedidos para que ele aja de forma mais dura contra o grupo xiita. Com o acordo com o Irã em fase avançada e provavelmente incluindo um cessar-fogo no Líbano, muitos em Israel, incluindo políticos e moradores do norte, têm manifestado frustração com o que consideram ser a incapacidade de Israel de atacar o Hezbollah de maneira contundente.
— Faço um apelo ao premier: pegue o telefone, ligue para Trump, vá até ele e bata na mesa. Deixe claro que o Estado de Israel não está disposto a aceitar isso, não está disposto a tolerar isso — disse o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, na segunda.
Acordo na mira
A declaração foi feita após o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmar que foi alcançado um “certo grau” de entendimento com os EUA. Ele deixou claro, porém, que o acordo não era iminente. Nos últimos dias, Trump elevou a expectativa pelo fim da guerra ao afirmar que um acordo tinha sido “em grande parte negociado”, apesar do recuo de domingo, quando disse que Washington não pretende “se precipitar”.
— É correto afirmar que chegamos a conclusões sobre grande parte das questões, mas ninguém pode afirmar que isso significa que a assinatura de um acordo seja iminente — disse Baghaei a repórteres, em declarações transmitidas pela emissora estatal iraniana.
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O memorando de entendimento supostamente envolve uma prorrogação da trégua por 60 dias, a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás em tempos de paz, e um plano posterior sobre o programa nuclear iraniano. Baghaei ainda disse que o Irã estava focado em garantir o trânsito seguro pelo Estreito de Ormuz, mas que o acordo não detalha como seria o processo para a reabertura.
Já nesta terça-feira, o Irã acusou os EUA de terem violado o frágil cessar-fogo após bombardeios noturnos de Washington contra instalações iranianas de lançamento de mísseis. A trégua entre os dois países, firmada em 8 de abril, foi seguida por semanas de impasse e ameaças, até que nos últimos dias ambas as partes relataram avanços no diálogo.
Ainda nesta terça, as trocas de fogo entre Israel e Hezbollah continuaram. Em cerca de duas horas, segundo o jornal israelense Haaretz, três alertas de possível infiltração de drones foram acionados na Galileia Ocidental. Israel também ordenou que todos os moradores da cidade de Nabatieh, ao norte do rio Zahrani, no Líbano, deixassem suas casas. Foi a primeira vez que militares ordenaram a evacuação da cidade desde o cessar-fogo alcançado em 16 de abril.
(Com AFP)







