‘Tesouro do Ártico’: Na mira de Trump, Groenlândia reflete velhas ambições expansionistas dos EUA e também é alvo de interesse de Rússia e China
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“O presidente e sua equipe estão debatendo várias opções para alcançar esse importante objetivo para a política externa e, obviamente, recorrer ao Exército americano é sempre uma opção à disposição do comandante em chefe”, acrescentou.
Os desejos de anexação do território da Groenlândia já haviam sido alardeados no início do mandato de Trump no ano passado. No domingo, um dia após a captura de Maduro, Trump reiterou publicamente suas intenções sobre o território, considerado estratégico por suas riquezas naturais. A declaração ocorreu apesar dos reiterados apelos das autoridades locais e do governo de Copenhague para que Washington respeite a integridade territorial da ilha.
Além disso, em uma publicação nas redes sociais, a esposa do vice-chefe de Gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, Katie Miller, postou um mapa com o contorno da Groenlândia coberto com a bandeira americana, e os dizeres “em breve”, um incidente internacional entre os EUA e um aliado europeu.
“Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos às discussões. Mas isso deve ser feito pelos canais adequados e com respeito ao direito internacional”, escreveu no Facebook o chefe do governo groenlandês, Jens Frederik Nielsen.
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A postagem de Katie Miller também levou a uma reação do embaixador da Dinamarca nos EUA, Jesper Møller Sørensen: “Um pequeno lembrete amigável sobre os Estados Unidos e o Reino da Dinamarca: somos aliados próximos e devemos continuar a trabalhar juntos como tal. E sim, esperamos o respeito total da integridade territorial do Reino da Dinamarca”.
Embora a Groenlândia não esteja à venda, isso nunca impediu Trump de tratar o território como parte de sua cobiça geopolítica. Ainda em seu primeiro mandato, o presidente expressou várias vezes sua intenção de comprar a ilha, referindo-se a ela como “um grande negócio imobiliário”. Em 2019, o impasse ganhou contornos diplomáticos quando o magnata cancelou uma visita à Dinamarca depois que o país se negou a discutir a venda do território.
Geograficamente parte da América do Norte, a Groenlândia é uma ilha de enorme valor geoestratégico, além de conter abundantes recursos naturais ainda inexplorados (como hidrocarbonetos e terras raras). Com uma área de quase 2,2 milhões de quilômetros quadrados — equivalente a quatro vezes o tamanho da Espanha —, dos quais cerca de 80% estão cobertos por uma camada de gelo, esse vasto território situado entre o Atlântico e o Ártico tem apenas 57 mil habitantes, sendo uma das regiões menos densamente povoadas do planeta.
A ilha desempenha um papel vital na defesa dos EUA. A Base Espacial Pituffik (anteriormente conhecida como Base Aérea de Thule), localizada no noroeste da ilha, a menos de 1.600 quilômetros do Polo Norte, é a base mais ao norte das Forças Armadas dos Estados Unidos, e suas instalações de radar constituem um importante centro de alerta antecipado para o sistema de defesa antimísseis americano, explicam Heather A. Conley e Jon Rahbek-Clemmensen em artigo publicado pelo Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos (CSIS, na sigla em inglês), com base em Washington.
A Groenlândia, a maior ilha do mundo, também está localizada na rota mais curta da América do Norte para a Europa. E a possibilidade de usá-la como rota de navegação devido ao derretimento de suas geleiras reduziria em 40% o tempo de viagem entre a Ásia e a Europa, poupando cerca de 14 dias aos navios, afirma Danilo Marcondes, professor da Escola de Guerra Naval.
Além disso, possui reservas significativas de petróleo e recursos naturais ainda inexplorados, como hidrocarbonetos e terras raras, o que faz com que muitos a chamem de “tesouro do Ártico”. Estima-se que a região abrigue 13% das reservas de petróleo não descobertas do mundo, o que significa que a região pode conter até 90 bilhões de barris de petróleo, 47,2 bilhões de metros cúbicos de gás natural e 44 bilhões de barris de gás natural liquefeito (GNL), segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.








