Contexto: Testemunhas afirmam em depoimento que homem morto por agentes federais nos EUA não empunhava arma
Trump se pronuncia após morte: ‘Deixem os nossos agentes de imigração fazerem seu trabalho’
O episódio ocorreu na manhã de sábado, quando Pretti foi morto por um agente federal da Patrulha de Fronteiras em uma rua de Minneapolis. O americano, que era enfermeiro de terapia intensiva, filmava a atuação de agentes federais quando foi baleado e morto no local. Desde então, autoridades do governo têm defendido publicamente o agente. Trump foi questionado duas vezes se o oficial havia agido corretamente, mas não respondeu diretamente:
— Estamos olhando, estamos revisando tudo e vamos chegar a uma conclusão — disse o republicano, embora tenha criticado Pretti por portar uma arma durante o protesto. — Eu não gosto de nenhum tiroteio. Eu não gosto disso. Mas também não gosto quando alguém vai a um protesto carregando uma arma muito poderosa, totalmente carregada, com dois carregadores cheios de munição. Isso também não fica bem.
Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), Pretti carregava uma pistola semiautomática calibre 9 milímetros. O órgão afirmou que o incidente começou depois que o homem abordou os agentes com a arma de fogo, e que eles tentaram desarmá-lo. No entanto, imagens analisadas pelo New York Times mostram que o homem segurava um telefone na mão enquanto se aproximava dos agentes. Ele também não parece ter tentado sacar a arma.
Políticas agressivas
Durante a entrevista, Trump também indicou que os agentes federais enviados a Minneapolis poderão deixar a cidade, embora tenha evitado estabelecer um prazo. Questionado sobre quando isso ocorreria, o presidente elogiou as ações já realizadas em Minnesota e disse que outro grupo permaneceria no estado para lidar com investigações de “fraude financeira”. Trump tem citado fraudes em programas de assistência social como justificativa para a fiscalização migratória.
— Em algum momento nós vamos sair. Fizemos, eles fizeram um trabalho fenomenal — afirmou, mencionando o escândalo das fraudes. — É a maior fraude que alguém já viu.
Nos últimos meses, o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) intensificou deportações em grandes cidades americanas. A decisão de enviar agentes federais a Minnesota ocorreu apesar da oposição de autoridades estaduais e locais. No início deste mês, outro episódio envolvendo o ICE ocorreu em Minneapolis, quando um agente matou a americana Renee Good a tiros. Na ocasião, Trump defendeu a agência e classificou o caso como uma tragédia.
De acordo com assessores presidenciais, as políticas agressivas de deportação vêm sendo discutidas internamente há semanas, e a morte de sábado deu novo impulso a essas conversas. Parte da equipe do presidente passou a enxergar a situação em Minneapolis como um risco político, mesmo com a Casa Branca mantendo publicamente apoio às operações na cidade.
Preocupação com reação pública
Autoridades do governo afirmaram ao Wall Street Journal que a chefe de Gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, recebeu diversas ligações de representantes de Minnesota nos últimos dias. Segundo essas fontes, há preocupação dentro do governo com pesquisas de opinião e com a reação pública às ações de imigração em áreas urbanas, o que levou a discussões sobre como continuar as deportações sem confrontos com manifestantes.
Apesar disso, o assessor presidencial Stephen Miller segue defendendo uma postura rígida, argumentando que o governo não deveria recuar no estado. No sábado, segundo assessores, Trump atendeu dezenas de ligações sobre o caso, conversando com senadores e autoridades do governo federal. O deputado republicano James Comer, aliado de Trump e presidente da Comissão de Fiscalização da Câmara, sugeriu que o governo avalie retirar agentes da cidade.
— Se eu fosse o presidente Trump, eu quase pensaria o seguinte: ok, se o prefeito e o governador vão colocar nossos agentes do ICE em risco, e há a chance de perder mais vidas inocentes, então talvez seja melhor ir para outra cidade e deixar que o povo de Minneapolis decida — disse ele em entrevista à Fox News.
Autoridades do governo disseram que, nas próximas semanas, a Casa Branca pretende intensificar esforços para melhorar a imagem do ICE, destacando operações realizadas em outras cidades além de Minneapolis. Embora autoridades tenham discutido internamente pesquisas que mostram a opinião pública se voltando contra as operações, muitos no governo acreditam que reduzir as ações em Minneapolis equivaleria a uma concessão à esquerda.
— Ninguém, incluindo o presidente Trump, quer ver pessoas sendo baleadas ou feridas — disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, ao pedir que autoridades estaduais e locais trabalhem mais de perto com o governo para retirar de Minnesota pessoas que vivem no país de forma ilegal. (Com New York Times)








