“Com base na bem-sucedida eleição do atual presidente da Polônia, Karol Nawrocki, a quem tive a honra de apoiar, e em nosso relacionamento com ele, tenho o prazer de anunciar que os Estados Unidos enviarão mais 5.000 soldados para a Polônia”, escreveu Trump em sua rede social, o Truth Social.
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Nawrocki, eleito no ano passado, se apresenta como uma das lideranças mais próximas a Trump na Europa, e tenta ocupar o lugar deixado por Viktor Orbán, o premier húngaro derrotado nas eleições do mês passado, após 16 anos no poder. Os dois estiveram juntos na Casa Branca em duas ocasiões em 2025, e na última delas, em setembro, o polonês ouviu a promessa de maior apoio à defesa do país.
Trump não deu detalhes sobre a movimentação, tampouco se estava relacionada a uma questionada decisão do Pentágono, tornada pública na semana passada, sobre o cancelamento do envio de 4 mil militares à Polônia. Na ocasião, um representante militar disse que a ação seguia “um processo abrangente e multifacetado que incorpora as perspectivas de líderes importantes das Forças Armadas dos EUA na Europa e de toda a cadeia de comando”.
A medida surpreendeu a muitos no Departamento de Defesa, e deixou lideranças europeias, especialmente as polonesas, em estado de alerta máximo.
— Em nenhum momento fomos informados de que a presença das Forças Armadas dos EUA na Polônia seria reduzida — disse, na segunda-feira, o ministro da Defesa polonês, Władysław Kosiniak-Kamysz, citado pelo portal Politico. — Entendo que o processo de reorganização esteja em andamento, mas isso não pode ocorrer às custas de um aliado tão fiel como a Polônia. Somos um aliado comprovado e confiável, e é por isso que esperamos parceria, amizade e uma boa troca de informações.
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Na terça-feira, o vice-presidente americano, JD Vance, afirmou que o envio de tropas para a Polônia não foi cancelado, mas sim adiado. Um dia depois, o Pentágono confirmou a redução “temporária” do número de equipes de brigada de combate na Europa, de quatro para três. Cada uma dessas unidades é composta por até 4,7 mil militares. Estima–se que o contingente dos EUA na Polônia seja de 10 mil homens e mulheres.
“O Departamento determinará a destinação final dessas e de outras forças americanas na Europa com base em análises adicionais das necessidades estratégicas e operacionais dos EUA, bem como da capacidade de nossos aliados de contribuir com tropas para a defesa da Europa”, afirmou o comunicado do Pentágono, emitido na quinta-feira.
O impasse sobre as tropas é apenas um capítulo da batalha travada por Donald Trump dentro da Otan, a principal aliança militar do Ocidente, liderada (cada vez mais relutantemente) pelos EUA. O presidente americano já conseguiu obter de quase todos os membros da organização o compromisso para elevar os gastos com Defesa para 5% do PIB, e quer que os europeus tenham um papel mais ativo na segurança do continente. Em vários momentos, ele ameaçou deixar a aliança.
As relações azedaram ainda mais depois do início da guerra contra o Irã, no final de fevereiro. Nenhum país da organização se dispôs a lutar no Oriente Médio, e muitos não escondem o descontentamento com uma operação militar que provocou impactos econômicos ao redor do planeta, e que não parece próxima de um desfecho positivo.
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No fim de abril, o chanceler alemão, Friedrich Merz, que inicialmente apoiou a ofensiva militar e expressou seu desejo de uma mudança de regime no Irã, afirmou em discurso que os americanos estavam sendo “humilhados pela liderança iraniana, especialmente por essa tal Guarda Revolucionária”, citando as fracassadas rodadas de conversas em Islamabad.
A resposta da Casa Branca veio dias depois, com o anúncio da retirada de 5 mil militares americanos da Alemanha, país que abriga o maior contingente dos EUA na Europa, 38 mil. Ao confirmar a movimentação, Trump sugeriu que poderia considerar movimentações semelhantes na Itália e na Espanha, dois países que também não quiseram participar da “Operação Fúria Épica”.






