Entenda: Governo Trump cria fundo de R$ 8,8 bilhões para indenizar aliados e encerrar ação sobre vazamento fiscal
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— Para mim não é uma questão financeira. Eu não fui prejudicado. Consigo manter minha renda — defendeu o ex-congressista ao jornal americano.
Santos havia sido condenado a sete anos de prisão por fraude eletrônica e roubo de identidade qualificado, uma pena que ele havia começado a cumprir em julho do ano passado. Nascido em Nova York, o político usou cartões de crédito de seus doadores sem autorização para comprar roupas de grife, quitar a entrada de automóvel e sacar dinheiro em caixas eletrônicos, segundo a Promotoria.
Além de apresentar problemas legais no Brasil, George Santos se tornou conhecido ao se apresentar como a “nova face” do Partido Republicano, surpreendendo em primárias no estado de Nova York, há décadas dominado pelos democratas, e chegando à Câmara dos Deputados.
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Contudo, a imagem de republicano perfeito começou a desmoronar: pouco depois de ser eleito, uma investigação revelou que toda sua trajetória política foi baseada em mentiras sobre sua educação, religião, experiência profissional, bens e salários. Ele chegou a falsificar sua história familiar, afirmando ser descendente de judeus sobreviventes do Holocausto que fugiram da barbárie nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
— Quero esclarecer as coisas. Acho que esse [acesso ao fundo] é um ótimo caminho para isso — disse Santos ao Washington Post.
A criação do fundo
Na segunda-feira, após o fim de uma ação de US$ 10 bilhões (equivalente a R$ 50 bilhões) movida por Trump contra a Receita americana, que também o blinda de investigações futuras, o Departamento de Justiça anunciou a criação do fundo de U$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 8,6 bilhões), para “proporcionar um processo sistemático para ouvir e reparar as queixas de outras pessoas que sofreram instrumentalização e abuso jurídico”.
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— A máquina governamental jamais deve ser usada como arma contra qualquer cidadão americano, e é intenção deste departamento corrigir os erros cometidos anteriormente, garantindo que isso nunca mais aconteça —disse o secretário interino de Justiça, Todd Blanche.
Na prática, qualquer um que tenha se sentido prejudicado pelo governo dos EUA por razões “políticas, pessoais ou ideológicas” pode pedir compensação. Desde os envolvidos na contagem de votos na eleição de 2020 que alegam terem sido ameaçados até os mais de 1,5 mil processados ou condenados pela invasão ao Capitólio. Na terça, o vice-presidente, JD Vance, não afastou a possibilidade dos agressores, já perdoados por Trump, receberem dinheiro e um pedido de desculpas.
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— Não descarto hipóteses categoricamente quando não sei nada sobre as circunstâncias individuais de uma pessoa — declarou Vance. — Temos pessoas acusadas de atacar agentes da lei. Isso não significa que vamos ignorar completamente as suas alegações.
Os desembolsos serão decididos por uma comissão de cinco membros, sendo que quatro indicados pelo Departamento de Justiça, e que podem ser demitidos a qualquer momento por Trump.








