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A decisão anulou o resultado da eleição da liderança, que elegeu o atual líder do partido, Özgur Özel, e nomeou o ex-presidente do partido, Kemal Kılığdaroğlu — que perdeu a eleição para Özel — como líder interino.
O CHP convocou imediatamente uma reunião de emergência da liderança em sua sede em Ancara, onde centenas de manifestantes enfurecidos começaram a se reunir do lado de fora, chegando a mais de 5.000 pessoas, segundo um correspondente da AFP.
“Traidor Kemal!” Eles gritaram, agitando bandeiras e entoando slogans de protesto contra a decisão judicial. A anulação também provocou uma forte reação na principal bolsa de valores da Turquia, cujas ações despencaram mais de seis por cento.
O caso diz respeito a alegações de compra de votos no congresso do CHP em novembro de 2023. Os promotores alegam que Özel venceu pressionando delegados com promessas de empregos e outras propinas. Aberto em fevereiro de 2025, o caso foi arquivado em outubro por falta de fundamento. Mas os promotores recorreram e o tribunal decidiu a seu favor.
“Não reconhecemos nem aceitamos esta decisão (judicial) ilegal”, escreveu o CHP no X, enquanto Özel prometia continuar a luta.
— Estamos vivendo um dia sombrio para a democracia turca — declarou Özel em uma coletiva de imprensa no final da noite em Ancara, afirmando que o partido havia recorrido da decisão ao Tribunal de Cassação e que também recorreria à autoridade eleitoral máxima da Turquia na sexta-feira.
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‘Tal como Putin’
O prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, principal rival político de Erdogan e candidato presidencial do CHP, foi preso no ano passado sob acusações amplamente consideradas políticas. Ele afirmou que não se trata apenas de uma manobra contra o CHP, mas sim de “um golpe contra a Turquia, contra a democracia”.
“Isto é grave. Transcende as divisões partidárias. É hora de a nação se unir para defender a Turquia”, escreveu ele no X.
O caso é amplamente visto como uma tentativa politicamente motivada de enfraquecer o partido de oposição, com analistas afirmando que se trata da continuação do processo iniciado com a prisão de Imamoglu.
— Sabíamos que era para isso que Erdogan estava caminhando, e este é um ataque sem precedentes ao que restava do espaço democrático — disse Gonul Tol, do Instituto do Oriente Médio, com sede em Washington, à AFP. — É basicamente uma reestruturação da oposição, tal como Putin moldou uma oposição leal. É para lá que estamos indo, é algo sem precedentes.
O analista político Berk Esen afirmou que tentar mudar a liderança da oposição por meio dos tribunais era “sem precedentes”, alertando que aceitar Kılığdaroğlu como líder seria, na prática, “um acordo com o regime”.
“É o mesmo que encobrir a ilegalidade em curso”, alegou Esen em publicação no X sobre uma figura amplamente vista como um peão do governo.
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Nova era sob Özel
No ano passado, Kılığdaroğlu disse que estaria disposto a assumir a liderança se o tribunal anulasse o resultado das primárias, provocando indignação dentro do CHP. No X, o político de 77 anos disse que a decisão “não deveria ser motivo de divisão, mas sim uma oportunidade para unir” e “deixar de lado as mágoas”.
Como líder do partido, ele foi uma figura apagada, acumulando uma série de derrotas eleitorais e mal conseguindo abalar a estrutura do AKP, partido de Erdogan. Kılığdaroğlu foi destituído do cargo no congresso do partido cinco meses após perder uma acirrada campanha presidencial contra Erdogan, mergulhando a legenda em crise.
A situação mudou após a eleição de Özel: em poucos meses, ele liderou o CHP a uma retumbante vitória nas eleições locais. Posteriormente, se tornou o rosto dos maiores protestos de rua na Turquia em uma década, desencadeados pela prisão de Imamoglu, que permanece detido e enfrenta uma série de processos judiciais que o acusam de tudo, desde corrupção e espionagem até ligações com o terrorismo.
O principal processo contra ele foi aberto em março, com os promotores buscando uma pena de 2.430 anos de prisão. Caso seja impedido de concorrer, analistas preveem que Özel, de 51 anos, surgirá como o provável candidato nas eleições à Presidência, previstas para 2028.







