O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou nesta quarta-feira o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, de “brincar com fogo” ao se recusar a aplicar as leis federais de imigração. A tensão na cidade vem aumentando após a morte de dois manifestantes, pelas mãos de agentes federais, durante protestos contra as operações antimigratórias.
Alvo de críticas: Trump diz que quer uma investigação ‘honesta’ sobre morte de enfermeiro em Minneapolis, mas o critica por porte de arma
Veja vídeo: autoridades investigam ataque contra deputada democrata em Minneapolis em meio à escalada de tensões na cidade
“Surpreendentemente, o prefeito Jacob Frey acaba de declarar que ‘Minneapolis não aplica e não aplicará as leis federais de imigração’. Isso depois de eu ter tido uma ótima conversa com ele”, publicou Trump em sua plataforma Truth Social.
“Será que alguém de seu círculo íntimo poderia, por favor, explicar a ele que essa declaração é uma violação muito grave da lei e que ele está brincando com fogo?”, acrescentou.
Minneapolis aguarda a “desescalada” prometida pelo presidente americano em sua campanha antimigratória.
Pressionada: em recuo, Casa Branca retira de Minneapolis chefe anti-imigração que usou casaco semelhante a uniforme nazista
Na noite de terça-feira, Stephen Miller, um dos principais assessores de Trump, chegou a admitir que os agentes podem ter infringido o “protocolo” antes do incidente no qual o enfermeiro americano Alex Pretti morreu no sábado durante um confronto com a Patrulha de Fronteira (CBP).
A morte do enfermeiro, de 37 anos, ocorre após a de outra cidadã americana, Renee Good, em 7 de janeiro, pelas mãos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) na mesma cidade de 400 mil habitantes.
De acordo com uma revisão preliminar do escritório interno de fiscalização da CBP, enviado ao Congresso e publicado na terça-feira pela imprensa local, Alex Pretti foi baleado por dois agentes federais após resistir à prisão em um protesto em Minneapolis. No entanto, o documento não indica que ele tenha brandido uma arma durante o confronto, segundo um e-mail enviado ao Congresso e analisado pelo The New York Times.
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O relatório também não faz qualquer menção às alegações anteriores do Departamento de Segurança Interna (DHS) de que Pretti, cidadão americano, “queria causar o máximo de dano e massacrar agentes da lei”. Além disso, não menciona se Pretti sacou sua arma, como sugerido pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, o que gerou duras críticas.
Vídeos de testemunhas analisados pela AFP e outros veículos de comunicação contradizem o argumento de alguns membros do governo de que o enfermeiro, que tinha permissão para portar arma, representava uma ameaça às forças de ordem.
Linha do tempo
O documento apresenta uma linha do tempo detalhada dos acontecimentos, com base em imagens de câmeras corporais e registros obtidos pelo Escritório de Responsabilidade Profissional do CBP.
Por volta das 9h de sábado, um agente federal foi confrontado por duas civis que apitavam, segundo a revisão. Embora o agente tenha ordenado que elas saíssem da via, elas não obedeceram.
Em seguida, o agente “empurrou as duas”, e uma das mulheres correu até Pretti, segundo o relatório. Após novas tentativas do agente de retirá-las da estrada, sem sucesso, ele utilizou spray de pimenta contra elas.
‘Constituição protege’: morte de manifestante em Minneapolis leva grupos pró-armas a confrontar o governo Trump sobre direito ao porte
Pretti então resistiu às tentativas dos agentes do CBP de colocá-lo sob custódia, o que deu início a uma luta corporal, segundo a revisão. Um agente da Patrulha de Fronteira gritou diversas vezes: “Ele está com uma arma!”.
Cerca de cinco segundos depois, um agente da Patrulha de Fronteira disparou sua Glock 19, e um agente do CBP também disparou sua Glock 47 contra Pretti, segundo o relatório.
Uma análise do The New York Times de vídeos do local constatou que os agentes efetuaram 10 disparos, incluindo seis depois que Pretti já estava imóvel no chão. Pretti havia sido desarmado antes de ser baleado.
Casa Branca: Trump exige fim de ‘resistência e caos’ em Minneapolis e quer ‘acabar de vez’ com as cidades santuário
A revisão do governo afirmou que, após o confronto fatal, um agente da Patrulha de Fronteira “informou estar de posse da arma de fogo de Pretti” e que “posteriormente descarregou e guardou a arma de Pretti em seu veículo”.
Instabilidade em Minneapolis continua
Na noite de terça-feira, a congressista democrata Ilhan Omar, nascida na Somália, foi atacada por um homem que avançou contra ela e a atingiu com um líquido desconhecido durante um comício.
Omar, uma figura proeminente da esquerda americana e um dos alvos favoritos dos ataques verbais de Trump, escapou ilesa e continuou seu discurso.
— Precisamos abolir de uma vez por todas (a polícia migratória) — insistiu ela, exigindo a renúncia da secretária Noem.
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A esquerda americana se opõe à ampla mobilização de agentes federais em Minneapolis, que foram enviados para prender um grande número de imigrantes em situação irregular, a fim de cumprir a promessa de Trump de multiplicar as deportações.
“Assassino em potencial”
Diante das críticas, Trump pediu na terça-feira uma “desescalada” da situação em Minneapolis e descreveu a morte de Pretti como “muito triste”, embora tenha descartado a demissão de Kristi Noem.
— Vamos desescalar um pouco — disse o presidente à Fox News após enviar seu czar da imigração, Tom Homan, à cidade, onde se reuniu com o prefeito, o democrata Jacob Frey.
Senadores democratas se recusam a aprovar financiamento: morte de enfermeiro por agentes federais em Minneapolis aumenta possibilidade de outra paralisação do governo dos EUA
Seu influente e polêmico assessor Stephen Miller, que já havia admitido anteriormente a possibilidade de falhas de protocolo, também suavizou a narrativa oficial em sua declaração na terça-feira.
— Estamos analisando os motivos pelos quais a equipe da CBP pode não ter seguido o protocolo — disse ele, depois de ter chegado a descrever Pretti no fim de semana com um “assassino em potencial”.
A Casa Branca pareceu recuar, esclarecendo que o funcionário se referiu às “diretrizes gerais” para agentes de imigração que atuam no estado, e não especificamente à morte de Pretti.
“Ponto de partida produtivo”
Agora é Tom Homan, enviado de Trump, quem está no comando da operação antimigratória e se reuniu com autoridades democratas locais.
“Embora não concordemos em tudo, essas reuniões são um ponto de partida produtivo”, disse no X o novo funcionário, que substituiu o chefe da polícia fronteiriça Greg Bovino.
— Bovino é muito bom, mas é um cara bem excêntrico — reconheceu o próprio Trump na Fox News.
— Em alguns casos, isso é bom. Talvez não fosse o caso aqui — afirmou, antes de alegar, sem provas, que os protestos em Minnesota foram infiltrados por “insurgentes pagos”.
Pesquisa Reuters/Ipsos: maioria dos americanos reprova política de repressão à imigração de Trump, aponta novo levantamento
Em Minnesota, uma juíza prometeu uma decisão rápida na segunda-feira sobre o pedido do procurador-geral do estado para suspender a operação contra imigrantes em situação irregular.
A Justiça também bloqueou a deportação de Liam Conejo Ramos, de 5 anos, e de seu pai, de origem equatoriana, que foram detidos na semana passada. Uma foto de um menino assustado usando um chapéu azul com orelhas de coelho viralizou.
O Ministério das Relações Exteriores do Equador enviou uma nota de protesto aos Estados Unidos após denunciar uma tentativa de invasão de agentes de imigração à sua sede consular em Minneapolis. O governo do presidente Daniel Noboa, aliado de Trump, exigiu que “atos dessa natureza não se repitam”.
(Com AFP e The New York Times)
Alvo de críticas: Trump diz que quer uma investigação ‘honesta’ sobre morte de enfermeiro em Minneapolis, mas o critica por porte de arma
Veja vídeo: autoridades investigam ataque contra deputada democrata em Minneapolis em meio à escalada de tensões na cidade
“Surpreendentemente, o prefeito Jacob Frey acaba de declarar que ‘Minneapolis não aplica e não aplicará as leis federais de imigração’. Isso depois de eu ter tido uma ótima conversa com ele”, publicou Trump em sua plataforma Truth Social.
“Será que alguém de seu círculo íntimo poderia, por favor, explicar a ele que essa declaração é uma violação muito grave da lei e que ele está brincando com fogo?”, acrescentou.
Minneapolis aguarda a “desescalada” prometida pelo presidente americano em sua campanha antimigratória.
Pressionada: em recuo, Casa Branca retira de Minneapolis chefe anti-imigração que usou casaco semelhante a uniforme nazista
Na noite de terça-feira, Stephen Miller, um dos principais assessores de Trump, chegou a admitir que os agentes podem ter infringido o “protocolo” antes do incidente no qual o enfermeiro americano Alex Pretti morreu no sábado durante um confronto com a Patrulha de Fronteira (CBP).
A morte do enfermeiro, de 37 anos, ocorre após a de outra cidadã americana, Renee Good, em 7 de janeiro, pelas mãos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) na mesma cidade de 400 mil habitantes.
De acordo com uma revisão preliminar do escritório interno de fiscalização da CBP, enviado ao Congresso e publicado na terça-feira pela imprensa local, Alex Pretti foi baleado por dois agentes federais após resistir à prisão em um protesto em Minneapolis. No entanto, o documento não indica que ele tenha brandido uma arma durante o confronto, segundo um e-mail enviado ao Congresso e analisado pelo The New York Times.
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O relatório também não faz qualquer menção às alegações anteriores do Departamento de Segurança Interna (DHS) de que Pretti, cidadão americano, “queria causar o máximo de dano e massacrar agentes da lei”. Além disso, não menciona se Pretti sacou sua arma, como sugerido pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, o que gerou duras críticas.
Vídeos de testemunhas analisados pela AFP e outros veículos de comunicação contradizem o argumento de alguns membros do governo de que o enfermeiro, que tinha permissão para portar arma, representava uma ameaça às forças de ordem.
Linha do tempo
O documento apresenta uma linha do tempo detalhada dos acontecimentos, com base em imagens de câmeras corporais e registros obtidos pelo Escritório de Responsabilidade Profissional do CBP.
Por volta das 9h de sábado, um agente federal foi confrontado por duas civis que apitavam, segundo a revisão. Embora o agente tenha ordenado que elas saíssem da via, elas não obedeceram.
Em seguida, o agente “empurrou as duas”, e uma das mulheres correu até Pretti, segundo o relatório. Após novas tentativas do agente de retirá-las da estrada, sem sucesso, ele utilizou spray de pimenta contra elas.
‘Constituição protege’: morte de manifestante em Minneapolis leva grupos pró-armas a confrontar o governo Trump sobre direito ao porte
Pretti então resistiu às tentativas dos agentes do CBP de colocá-lo sob custódia, o que deu início a uma luta corporal, segundo a revisão. Um agente da Patrulha de Fronteira gritou diversas vezes: “Ele está com uma arma!”.
Cerca de cinco segundos depois, um agente da Patrulha de Fronteira disparou sua Glock 19, e um agente do CBP também disparou sua Glock 47 contra Pretti, segundo o relatório.
Uma análise do The New York Times de vídeos do local constatou que os agentes efetuaram 10 disparos, incluindo seis depois que Pretti já estava imóvel no chão. Pretti havia sido desarmado antes de ser baleado.
Casa Branca: Trump exige fim de ‘resistência e caos’ em Minneapolis e quer ‘acabar de vez’ com as cidades santuário
A revisão do governo afirmou que, após o confronto fatal, um agente da Patrulha de Fronteira “informou estar de posse da arma de fogo de Pretti” e que “posteriormente descarregou e guardou a arma de Pretti em seu veículo”.
Instabilidade em Minneapolis continua
Na noite de terça-feira, a congressista democrata Ilhan Omar, nascida na Somália, foi atacada por um homem que avançou contra ela e a atingiu com um líquido desconhecido durante um comício.
Omar, uma figura proeminente da esquerda americana e um dos alvos favoritos dos ataques verbais de Trump, escapou ilesa e continuou seu discurso.
— Precisamos abolir de uma vez por todas (a polícia migratória) — insistiu ela, exigindo a renúncia da secretária Noem.
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A esquerda americana se opõe à ampla mobilização de agentes federais em Minneapolis, que foram enviados para prender um grande número de imigrantes em situação irregular, a fim de cumprir a promessa de Trump de multiplicar as deportações.
“Assassino em potencial”
Diante das críticas, Trump pediu na terça-feira uma “desescalada” da situação em Minneapolis e descreveu a morte de Pretti como “muito triste”, embora tenha descartado a demissão de Kristi Noem.
— Vamos desescalar um pouco — disse o presidente à Fox News após enviar seu czar da imigração, Tom Homan, à cidade, onde se reuniu com o prefeito, o democrata Jacob Frey.
Senadores democratas se recusam a aprovar financiamento: morte de enfermeiro por agentes federais em Minneapolis aumenta possibilidade de outra paralisação do governo dos EUA
Seu influente e polêmico assessor Stephen Miller, que já havia admitido anteriormente a possibilidade de falhas de protocolo, também suavizou a narrativa oficial em sua declaração na terça-feira.
— Estamos analisando os motivos pelos quais a equipe da CBP pode não ter seguido o protocolo — disse ele, depois de ter chegado a descrever Pretti no fim de semana com um “assassino em potencial”.
A Casa Branca pareceu recuar, esclarecendo que o funcionário se referiu às “diretrizes gerais” para agentes de imigração que atuam no estado, e não especificamente à morte de Pretti.
“Ponto de partida produtivo”
Agora é Tom Homan, enviado de Trump, quem está no comando da operação antimigratória e se reuniu com autoridades democratas locais.
“Embora não concordemos em tudo, essas reuniões são um ponto de partida produtivo”, disse no X o novo funcionário, que substituiu o chefe da polícia fronteiriça Greg Bovino.
— Bovino é muito bom, mas é um cara bem excêntrico — reconheceu o próprio Trump na Fox News.
— Em alguns casos, isso é bom. Talvez não fosse o caso aqui — afirmou, antes de alegar, sem provas, que os protestos em Minnesota foram infiltrados por “insurgentes pagos”.
Pesquisa Reuters/Ipsos: maioria dos americanos reprova política de repressão à imigração de Trump, aponta novo levantamento
Em Minnesota, uma juíza prometeu uma decisão rápida na segunda-feira sobre o pedido do procurador-geral do estado para suspender a operação contra imigrantes em situação irregular.
A Justiça também bloqueou a deportação de Liam Conejo Ramos, de 5 anos, e de seu pai, de origem equatoriana, que foram detidos na semana passada. Uma foto de um menino assustado usando um chapéu azul com orelhas de coelho viralizou.
O Ministério das Relações Exteriores do Equador enviou uma nota de protesto aos Estados Unidos após denunciar uma tentativa de invasão de agentes de imigração à sua sede consular em Minneapolis. O governo do presidente Daniel Noboa, aliado de Trump, exigiu que “atos dessa natureza não se repitam”.
(Com AFP e The New York Times)









