Entenda o caso: Ministro israelense causa indignação ao divulgar vídeo de ativistas de flotilha a Gaza ajoelhados e com mãos amarradas; assista
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Cerca de 430 tripulantes a bordo de aproximadamente 50 embarcações foram interceptados na segunda-feira pelo Exército israelense no Mediterrâneo, a oeste de Chipre, e levados à força para Israel, onde foram detidos na prisão de Ktziot, afirmou a ONG Adalah, que os representou legalmente.
— Todos os ativistas estrangeiros da flotilha da Solidariedade com a Palestina foram deportados de Israel. Israel não permitirá nenhuma violação do bloqueio naval legal sobre Gaza — declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Oren Marmorstein.
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A ONG havia indicado na noite de quarta-feira que eles deveriam comparecer à Justiça antes da expulsão, mas um porta-voz da organização ouvido pela AFP, Moatassem Zeidan, afirmou que, ao final, “não serão apresentados aos tribunais”.
A Adalah informou que os ativistas foram levados ao aeroporto de Ramon, perto de Eilat, no sul de Israel, para serem expulsos do país. Os ativistas egípcios e jordanianos foram transferidos para seus respectivos países, para Taba e Aqaba, próximas às fronteiras com Israel.
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No entanto, uma ativista germano-israelense que viajava no mesmo comboio marítimo — que partiu da Turquia após a interceptação, em abril, por parte de Israel, de uma flotilha anterior para Gaza ao largo da Grécia — deverá comparecer a um tribunal em Ascalão.
Europa pede sanções por tratamento a ativistas
Os ativistas da “Global Sumud Flotilla” (“sumud” significa resiliência em árabe) queriam chamar atenção para a situação humanitária na Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra entre Hamas e Israel, rompendo o bloqueio marítimo imposto pelo Estado israelense ao território palestino.
O ministro Ben Gvir provocou na quarta-feira uma onda de indignação no exterior e até dentro de seu próprio governo ao publicar um vídeo dos ativistas da flotilha ajoelhados e com as mãos amarradas.
Ministro israelense publica vídeo mostrando ativistas da flotilha detidos e amarrados
Uma jovem que grita “Libertem a Palestina” ao passar pelo ministro termina com a cabeça pressionada contra o chão por agentes de segurança.
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Ben Gvir, do partido Poder Judaico, foi criticado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pelo ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar.
Mas Netanyahu defendeu que seu país “tem pleno direito de impedir que flotilhas provocadoras de partidários terroristas do Hamas” entrem em suas águas territoriais e cheguem a Gaza”, em referência ao movimento que desencadeou a guerra ao lançar um ataque sem precedentes contra Israel em 7 de outubro de 2023.
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As reações internacionais, especialmente dos países cujos cidadãos foram detidos, não demoraram.
O chefe do governo da Espanha, Pedro Sánchez, classificou as imagens como “inaceitáveis” e anunciou que seu país vai defender a imposição de sanções da União Europeia contra o ministro israelense.
O tratamento dado aos detidos foi classificado como “inadmissível” pela Itália, e o chanceler Antonio Tajani declarou que pediu sanções contra o ministro.
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O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, solicitou ao Conselho Europeu, em carta obtida pela AFP, que a União Europeia adote “novas medidas” contra Israel.
A relatora especial da ONU para a situação dos direitos humanos nos Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, afirmou na rede X que o que esses ativistas sofreram é “um tratamento de luxo comparado ao que é infligido aos palestinos nas prisões israelenses”.
Alessandro Mantovani, detido com os ativistas e deportado antes dos demais, contou nesta quinta-feira ao chegar ao aeroporto de Roma-Fiumicino que ele e outros foram “levados ao aeroporto Ben Gurion com algemas e correntes nos pés, e colocados em um voo para Atenas”.
— Fomos espancados. Nos chutaram e nos deram socos — diz, referindo-se ao tratamento recebido pelas forças de segurança.
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Dario Carotenuto, também detido e deportado, relatou que foram apontados com rifles.
— Acho que foram os segundos mais longos da minha vida — afirma.








