Entenda: Groenlândia e Dinamarca querem reunião com Rubio após ameaças de Trump
Contexto: Trump estuda ‘várias opções’ para Groenlândia, inclusive a militar, diz Casa Branca
A reunião no Congresso tinha como foco a Venezuela, mas parlamentares demonstraram preocupação com as intenções do líder republicano em relação à Groenlândia, após declarações consideradas agressivas feitas nesta semana pelo presidente e por um assessor de alto escalão, Stephen Miller, disseram duas autoridades. Rubio não entrou em detalhes sobre o que quis dizer com a compra da Groenlândia. Trump passou décadas em Nova York como incorporador imobiliário, e um de seus principais enviados diplomáticos, Steve Witkoff, vem da mesma área.
Trump cobiça a Groenlândia desde o primeiro mandato, também por causa de seu potencial de riqueza em minerais críticos. A ilha é um território autônomo e pouco povoado, sob soberania da Dinamarca, país-membro da Otan, a aliança militar do Ocidente. A Dinamarca estabeleceu controle colonial sobre a região no século XVIII e concedeu autonomia ao território no século XX.
Na terça-feira, líderes de seis países da Otan divulgaram, ao lado da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, uma declaração conjunta incomum para rebater as afirmações de Trump de que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da Groenlândia. Alinharam-se à Dinamarca Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha e Polônia — todos aliados próximos de Washington —, afirmando:
“A segurança no Ártico deve ser alcançada de forma coletiva, em conjunto com aliados da Otan, incluindo os EUA, respeitando os princípios da Carta da ONU, entre eles a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras. Esses são princípios universais, e não deixaremos de defendê-los. A Groenlândia pertence ao seu povo. Cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre questões que digam respeito à Dinamarca e à Groenlândia”.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, por sua vez, afirmou que Trump não descartou uma invasão americana da Groenlândia. Em nota, ela destacou que o republicano “deixou claro que a aquisição da Groenlândia é uma prioridade de segurança nacional dos EUA”, sendo “vital para dissuadir” seus adversários na região do Ártico. Para isso, disse, Trump e sua equipe “discutem uma série de opções para perseguir esse importante objetivo de política externa e, claro, o uso das Forças Armadas dos EUA é sempre uma opção à disposição”.
Alguns parlamentares manifestaram preocupação com os planos declarados por Trump. Na noite de terça-feira, a senadora Jeanne Shaheen, democrata de New Hampshire, e o senador Thom Tillis, republicano da Carolina do Norte, divulgaram uma declaração conjunta afirmando que o governo americano deve respeitar seus aliados. No texto, eles dizem que, quando deixam claro que a Groenlândia não está à venda, “os EUA devem honrar suas obrigações decorrentes de tratados e respeitar a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca”:
“Qualquer sugestão de que nosso país submeteria um aliado da Otan a coerção ou pressão externa mina os próprios princípios de autodeterminação que a aliança existe para defender”, acrescentaram os dois, que lideram o Grupo de Observadores da Otan no Senado.
No domingo, Trump afirmou a jornalistas a bordo do Air Force One que “a Groenlândia está coberta de navios russos e chineses por toda parte”, sem apresentar provas. Rússia e China são potências ativas no Círculo Polar Ártico, mas a Groenlândia não está cercada por embarcações desses países. Atualmente, são os EUA que mantêm uma base militar no território. O vice-presidente americano, JD Vance, visitou a base no ano passado, acompanhado da esposa, Usha.
A Estratégia de Segurança Nacional do segundo governo Trump afirma que a dominação do Hemisfério Ocidental é uma prioridade máxima. Isso ficou ainda mais evidente com a campanha de pressão militar de meses conduzida por Trump contra a Venezuela e a captura, no sábado, por tropas americanas, de Nicolás Maduro, líder do país, e de sua esposa, Cilia Flores, durante um ataque letal. Trump também disse no início do ano passado que planejava adquirir o Canadá.








