Deboche em público e fúria privada: Como as danças públicas de Maduro aceleraram sua queda
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Aos 29 anos, o artista — cujo nome verdadeiro é Daniel Hernandez — declarou-se culpado no ano passado por violar os termos de sua liberdade condicional ao ser flagrado com cocaína e MDMA (ecstasy). A sentença determinou o início do cumprimento da pena a partir de 6 de janeiro.
Prisão de alta segurança e detentos célebres
Em declarações feitas em frente ao MDC, Hernandez afirmou ter expectativa de encontrar Maduro durante o período de detenção. Em tom de brincadeira, disse ao site TMZ que gostaria até de “dançar” e jogar cartas com o líder venezuelano. Em vídeos publicados nas redes sociais, o rapper também mencionou a presença de outros presos famosos na unidade, como Luigi Mangione, além de citar antigos detentos de alto perfil.
Nos meses que antecederam sua prisão, Maduro ganhou destaque internacional não apenas pela escalada das tensões com Washington, mas também por suas frequentes aparições em que cantava e dançava em eventos públicos, inclusive ao som de versões remixadas de seus próprios slogans e da canção Imagine, de John Lennon — que ele apresentou como um apelo à paz.
Essas exibições foram transmitidas pela televisão estatal venezuelana e, de acordo com reportagens do The New York Times, teriam sido interpretadas por integrantes da administração Trump como uma espécie de provocação ou zombaria frente às advertências dos Estados Unidos, influenciando o clima de decisão que culminou na operação militar que resultou em sua captura.
Na prática, porém, a possibilidade de qualquer contato é considerada remota. Especialistas em sistema prisional apontam que presos de grande notoriedade costumam ser mantidos separados da população carcerária geral. Segundo o consultor em segurança prisional Larry Levine, ouvido pelo Daily Mail, Maduro deve estar em confinamento solitário na chamada Unidade Habitacional Especial, reservada a detentos considerados especialmente perigosos ou sensíveis. As celas individuais, de cerca de 2,4 por 3 metros, têm iluminação permanente, cama de aço e poucos estímulos externos.
Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram presos durante uma operação militar realizada de madrugada em Caracas. Ambos se declararam inocentes das acusações federais de narcoterrorismo apresentadas pela Justiça americana e permanecerão detidos até a próxima audiência, marcada para março. Se condenados, podem enfrentar penas extremas, incluindo a morte, segundo a legislação dos EUA.
Hernandez, por sua vez, foi descrito pelo juiz do caso como um “desastre total”, mas acabou recebendo uma punição relativamente curta. Além da posse de drogas, ele admitiu em tribunal ter agredido um homem em um shopping após ser chamado de “dedo-duro”. O rapper estava em liberdade condicional desde 2020, quando deixou a prisão após colaborar com as autoridades em um processo contra a gangue Nine Trey Gangsta Bloods, em um caso de extorsão.
A trajetória judicial de Tekashi 6ix9ine inclui ainda acusações graves. Em 2018, ele foi preso por extorsão e crimes relacionados a armas e drogas, o que poderia resultar em uma pena mínima de 47 anos. Também já foi acusado de usar uma gangue violenta como uma espécie de “esquadrão pessoal”. Em 2015, declarou-se culpado por uso de criança em performance sexual e recebeu quatro anos de liberdade condicional.
Apesar das controvérsias, o rapper alcançou sucesso comercial expressivo. Em 2018, teve um hit multiplatina com a música “Fefe”, gravada com Nicki Minaj, que chegou ao terceiro lugar das paradas pop nos Estados Unidos.








