A guerra contra o Irã durou pouco mais de 15 semanas antes de um acordo de paz preliminar entre os EUA e o Irã ser alcançado esta semana. Mas o custo humano e econômico aumentou rapidamente, com consequências que ultrapassaram em muito as fronteiras da região. Diante da pressão interna e externa, o presidente americano, Donald Trump, anunciou na segunda-feira que ele e o vice-presidente JD Vance assinaram eletronicamente, no dia anterior, um documento com os iranianos encerrando formalmente a guerra. O conflito começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Na quarta-feira, o presidente assinou o acordo novamente na França, no Palácio de Versalhes, onde um tratado malfadado foi concluído para pôr fim à Primeira Guerra Mundial há mais de um século.
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Os custos da guerra para os Estados Unidos, estimados em US$ 132 bilhões (R$ 678,8 bilhões) no total, ainda estão sendo contabilizados, enquanto se inicia um período de 60 dias para novas negociações. Eis o que sabemos.
Número de mortos
Segundo uma agência do governo iraniano, cerca de 3.500 iranianos foram mortos na guerra. Israel afirma que 26 israelenses foram mortos. Milhares de pessoas em ambos os países ficaram feridas.
As Forças Armadas dos EUA afirmam que 13 de seus membros foram mortos.
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Israel retomou os ataques ao Líbano em 18 de março como parte da guerra mais ampla, e cerca de 3.700 pessoas foram mortas no país, de acordo com o Ministério da Saúde libanês.
Os ataques, principalmente perpetrados pelo Irã, também causaram mortes em todo o Oriente Médio, incluindo trabalhadores de países do sul da Ásia no Golfo Pérsico.
As Forças Armadas dos EUA mataram três marinheiros civis indianos em um ataque a um navio comercial perto de Omã, aumentando as tensões entre os Estados Unidos e a Índia.
No incidente com maior número de vítimas civis de que se tem notícia, um ataque de mísseis dos EUA destruiu uma escola iraniana , matando pelo menos 175 pessoas no primeiro dia da guerra, segundo autoridades iranianas.
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Custos financeiros
A economia do Irã já estava profundamente fragilizada antes da guerra. Mas agora está em queda livre. Os preços dos alimentos e de outros bens básicos dispararam, e o cotidiano se tornou uma luta.
A escala da devastação foi enorme, com centenas de escolas e instalações de saúde danificadas ou destruídas na guerra , de acordo com a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano, a principal organização de ajuda humanitária do país.
Para os contribuintes e consumidores americanos, o custo da guerra é de pelo menos US$ 132 bilhões, segundo a Moody’s Analytics. Isso inclui gastos militares, aumento dos preços da energia e das commodities, além das taxas de juros, afirmou Mark Zandi, economista-chefe da empresa.
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Um alto funcionário do Pentágono disse ao Congresso no mês passado que o custo para as Forças Armadas havia subido para cerca de US$ 29 bilhões (R$ 149 bilhões). Essa estimativa não incluía o preço do reparo de cerca de uma dúzia de bases americanas na região, danificadas por ataques iranianos.
Os custos de reparo e manutenção, bem como a manutenção dos grupos de ataque de porta-aviões no mar, também precisam ser levados em consideração.
— Custa muito dinheiro apenas manter todos e todo esse aparato mobilizados lá — disse Linda Bilmes, especialista em finanças públicas e professora sênior da Harvard Kennedy School.
Ela acrescentou que os custos de reposição da enorme quantidade de munições que as Forças Armadas dos EUA utilizaram serão muito maiores do que os custos de aquisição originais.
O Irã também danificou gravemente outros ativos dos EUA na região, incluindo um valioso jato de radar militar em uma pista de pouso na Arábia Saudita e o complexo da embaixada dos EUA em Riad.
Preços da energia
De acordo com um estudo da Universidade Brown sobre os custos de energia na guerra com o Irã , os americanos pagaram cerca de US$ 60 bilhões (R$ 308 bilhões) a mais por gasolina e diesel desde o início do conflito, devido ao aumento dos preços. Isso representa um custo adicional de aproximadamente US$ 460 (R$ 2,3 mil) por família. E esse valor continua a subir.
Quando os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra com o Irã, os americanos pagavam, em média, US$ 2,98 (R$ 15,3) por galão na bomba de gasolina, de acordo com a AAA, uma organização sem fins lucrativos de clubes automotivos. Desde então, os preços da gasolina têm subido regularmente e agora estão em torno de US$ 4 (R$ 20,57) por galão.
Os preços do petróleo dispararam quando os militares iranianos atacaram alguns navios mercantes no Estreito de Ormuz, uma passagem vital para os produtores de energia do Oriente Médio. Isso praticamente fechou o estreito e interrompeu o fluxo global de petróleo. O petróleo bruto é o principal ingrediente da gasolina.
O preço de referência global do petróleo bruto caiu desde que um acordo de paz foi anunciado na segunda-feira. Atualmente, está próximo de US$ 80 (R$ 411) por barril. Em março, os preços chegaram a atingir cerca de US$ 120 (R$ 617) por barril.
Esses altos preços dos combustíveis afetaram toda a cadeia produtiva e inflacionaram muitos outros custos relacionados ao combustível, como passagens aéreas e o transporte de mercadorias e produtos manufaturados.
Fertilizantes e Alimentos
As interrupções no comércio global causadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz levaram ao aumento dos preços de commodities como o enxofre, um ingrediente fundamental de certos fertilizantes.
Um relatório do Conselho de Relações Exteriores divulgado no início deste mês por Máximo Torero Cullen, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), afirmou que as interrupções no estreito teriam consequências que “vão muito além da agricultura, ameaçando com preços mais altos dos alimentos, maior inflação alimentar, redução do crescimento econômico e aumento da fome em todo o mundo”.