Uma invasão de cobras nas Ilhas Baleares, arquipélago espanhol no Mar Mediterrâneo, tem preocupado autoridades ambientais devido ao impacto sobre a fauna local. Nas ilhas de Ibiza e Formentera, já foram capturadas mais de 4,4 mil serpentes, que ameaçam a existência de outra espécie: a lagartixa-das-Pitiusas, réptil endêmico da região.
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A praga fez com que o governo regional das ilhas reforçasse os dispositivos de monitoramento e contenção para proteger a lagartixa-das-Pitiusas, considerada um símbolo natural de Ibiza e Formentera.
A principal preocupação é a cobra-ferradura, espécie não venenosa para humanos, mas altamente predadora de pequenos répteis. Vista na ilha de Ibiza pela primeira vez em 2003, ela encontrou um ambiente favorável para se reproduzir, sem predadores naturais e com abundância de presas. O resultado foi uma rápida expansão populacional e o desaparecimento de algumas populações locais de lagartixas.
Pesquisadores observaram que, nos últimos anos, as serpentes têm atravessado trechos de mar aberto, ampliando as áreas de dispersão. Antes acreditava-se que as ilhotas ao redor de Ibiza e Formentera poderiam servir como refúgios seguros para as espécies nativas, no entanto, registros recentes mostram que as cobras conseguem nadar até esses locais, ameaçando áreas antes consideradas protegidas.
Observadas por turistas
A presença dos répteis ganhou ainda mais visibilidade após vídeos de serpentes surgirem em praias das Baleares viralizarem nas redes sociais. Em um dos casos mais recentes, uma cobra foi filmada saindo do mar e rastejando pela areia diante de banhistas. Especialistas afirmam que o comportamento não é incomum durante a primavera e o verão, quando os animais buscam superfícies aquecidas pelo sol.
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— Estamos testemunhando a extinção de uma espécie e, provavelmente, de um dos casos mais impressionantes de biodiversidade de cores da Terra — afirmou o biólogo evolucionista Roberto García-Roa à revista National Geographic.
Diante do cenário, cientistas correm para documentar a diversidade genética dos lagartos antes que ela desapareça. Programas de reprodução em cativeiro já começaram em instituições como o Zoológico de Barcelona, onde os primeiros filhotes nasceram em 2025. Para os pesquisadores, o esforço funciona como uma espécie de “Arca de Noé” destinada a preservar linhagens únicas formadas ao longo de milhões de anos de evolução.
— Cada uma dessas ilhas abriga linhagens únicas que estão sendo perdidas para a ciência e para a humanidade. É uma tragédia; é como um incêndio em uma igreja antiga — resumiu o biólogo Oriol Lapiedra.
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