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Pelo menos 16 fotos — incluindo uma do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — foram removidas do grande conjunto de arquivos relacionados às investigações do caso do falecido financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein, que o Departamento de Justiça divulgou na última sexta-feira. As imagens foram retiradas, sem explicação, do site criado pelo departamento para armazenar os documentos do caso no sábado.
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Contexto: Com imagens de rivais políticos e estrelas pop, governo Trump divulga parte dos documentos do caso Epstein
Entre as fotos que sumiram, estava uma de Trump. Trata-se de uma imagem de um aparador na casa de Epstein em Manhattan, com uma gaveta aberta contendo outras fotos, incluindo pelo menos uma do presidente americano ao lado do financista, Melania Trump e Ghislaine Maxwell, associada de longa data de Epstein e condenada por facilitar seus crimes.
Os democratas do Comitê de Supervisão da Câmara aproveitaram a foto desaparecida, republicando-a nas redes sociais e perguntando à secretária de Justiça americana, Pam Bondi, se era verdade que a imagem havia sido removida. “O que mais está sendo acobertado?”, escreveram os políticos. “Precisamos de transparência para o público americano”.
Doze das outras fotos desaparecidas mostravam a infame sala de massagem no terceiro andar da mansão de Epstein em Nova York. A sala, que ficava no mesmo corredor do quarto do financista, era onde, segundo as investigações, muitos de seus abusos sexuais ocorreram — alguns deles contra adolescentes. As prateleiras da sala continham lubrificantes e uma bola de prata com corrente, entre outros itens.
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As imagens da sala de massagem que foram removidas mostravam pinturas e fotografias de mulheres nuas, algumas com os rostos ocultados. Mas outras imagens e obras de arte com mulheres nuas permaneceram no site. E algumas fotos da sala de massagem — incluindo as imagens de nudez — também permaneceram.
As fotos desaparecidas faziam parte de uma vasta coleção de materiais que o governo Trump foi obrigado a divulgar após a aprovação, no mês passado, de uma lei que determina que o Departamento de Justiça divulgue todos os arquivos em sua posse relacionados a Epstein.
O Departamento de Justiça não respondeu às perguntas sobre o motivo do desaparecimento dos arquivos, mas afirmou, em uma publicação no X, que “fotos e outros materiais continuarão sendo revisados ​​e editados de acordo com a lei, por precaução, à medida que recebermos informações adicionais”.
Apesar das crescentes expectativas, os arquivos divulgados, que incluíam milhares de fotografias e documentos de investigação, foram uma espécie de anticlímax. Eles pouco acrescentaram à compreensão pública da conduta de Epstein e também não forneceram muitas informações adicionais sobre suas ligações com empresários e políticos ricos e poderosos que se associavam a ele.
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Trump não disse nada sobre os arquivos, que continham muito mais material sobre um de seus adversários políticos, o ex-presidente dos EUA Bill Clinton, do que sobre ele próprio. Mesmo assim, o Departamento de Justiça afirmou que mais arquivos serão divulgadas nas próximas semanas.
Reação foi moderada
Tradicionalmente, os apoiadores de Trump estão entre os defensores mais ardentes da divulgação dos arquivos de Epstein. Eles há muito estão convencidos de que os documentos conteriam evidências de que um grupo de homens proeminentes — em sua narrativa, principalmente democratas — teria se juntado a Epstein para abusar de meninas, além de encobrir seus crimes.
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Mas esses mesmos apoiadores ficaram em silêncio com a divulgação dos arquivos, talvez em resposta à escassez de novas informações incriminatórias. Na sexta-feira, Trump evitou comentar a divulgação do material, embora o caso o assombre politicamente.
Clinton x Trump
Muitas das fotografias incluídas nos arquivos eram de Clinton. Uma imagem mostrava o ex-presidente reclinado em uma banheira de hidromassagem com uma pessoa cujo rosto havia sido apagado. Em muitas das fotos de Clinton, ele era a única pessoa cuja identidade podia ser reconhecida.
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Com a amplo amplo destaque de Clinton nos documentos, a Casa Branca, por sua vez, tentou capitalizar politicamente a divulgação das fotos de Clinton após a divulgação.
“Sim, nós vimos algo”, escreveu Abigail Jackson, porta-voz da Casa Branca, em um comentário nas redes sociais, acima da imagem de Clinton na banheira de hidromassagem. “Só não foi o que você queria”.
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Angel Ureña, o porta-voz de Clinton, sugeriu que a Casa Branca orquestrou a divulgação das fotos para desviar a atenção do próprio relacionamento de Trump com Epstein.
— A Casa Branca não escondeu esses arquivos por meses apenas para liberá-los numa sexta-feira à noite para proteger Bill Clinton — disse Ureña. — Isso é sobre proteger a si mesmos do que vem a seguir, ou do que tentarão esconder para sempre.
Poucas menções a Trump
Por meses, Trump lutou ativamente contra a divulgação dos arquivos de Epstein, chamando-os de “fraude” democrata e ameaçando punir membros do Congresso que votassem para permitir sua divulgação pública. Mas seu nome foi raramente mencionado nos materiais divulgados na sexta-feira. Permaneceu incerto, no entanto, se ele figuraria mais na divulgação dos arquivos ainda por vir e se o Departamento de Justiça selecionou o lote inicial com política em mente.
Trump e Epstein foram amigos próximos por anos, e a relutância inicial do ex-presidente em liberar os arquivos alimentou especulações sobre se os arquivos o destacavam.
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A maioria das fotos de Trump divulgadas nos documentos já havia sido tornada pública, incluindo imagens dele e de sua esposa, Melania, com Epstein e Ghislaine Maxwell, que cumpre pena de prisão federal por ajudar Epstein a traficar mulheres menores de idade.
Referências escritas a Trump apareceram na agenda de endereços e nos registros de voo de Epstein, bem como em um livro de recados onde os assistentes de Epstein o informavam sobre ligações perdidas. Versões desses documentos também já eram públicas.

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Um ex-funcionário escolar, de 36 anos, está sendo julgado esta semana em Paris acusado de abusar sexualmente de nove crianças. O homem, identificado apenas como David G. pela imprensa francesa, conforme o costume do país em processos judiciais, foi suspenso em abril do ano passado e preso em junho, segundo o Ministério Público de Paris. O caso se tornou símbolo da atual crise de denúncias de violência e abuso infantil no sistema educacional da França. As investigações já atingem mais de 100 escolas, creches e jardins de infância na capital francesa, enquanto autoridades enfrentam pressão crescente para reforçar a proteção de menores em meio ao que integrantes do governo chamam de um possível “#MeToo infância”.
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Em depoimento no tribunal na terça-feira, David G. negou todas as acusações.
— Olhando para trás agora, percebo que deveria ter sido mais cuidadoso perto das crianças, mantido mais distância, brincado menos com elas e evitado colocá-las no colo com tanta frequência — afirmou.
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Ele pode ser condenado a até 10 anos de prisão e multa de 150 mil euros (cerca de R$ 880 mil). A sentença deve ser anunciada em 7 de julho.
David G. integrava a equipe não docente da escola Alphonse Baudin, um jardim de infância no centro de Paris, próximo a alguns dos bairros mais sofisticados da cidade. De acordo com o Ministério Público, ele foi preso após pais relatarem à direção mudanças no comportamento de seus filhos, levando a escola a denunciar o caso às autoridades.
O homem também é acusado de assediar ou abusar sexualmente de duas colegas adultas. A direção da escola não comentou publicamente o caso, e o Ministério da Educação francês se recusou a comentar um processo em andamento.
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David G. está entre dezenas de funcionários não docentes do sistema escolar parisiense investigados por suspeitas de abuso sexual contra crianças, frequentemente durante atividades extracurriculares ou no recreio. As denúncias provocaram uma crise de confiança no sistema educacional da cidade e se tornaram um dos primeiros desafios do novo prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire.
Em meio ao aumento das denúncias, o ministro da Justiça da França, Gérald Darmanin, pediu nesta quarta-feira um “despertar coletivo” para que crianças vítimas de abuso sexual sejam ouvidas. Segundo ele, o “#MeToo infância” na França “está apenas começando”.
— Devemos despertar coletivamente para que as crianças sejam ouvidas, para que as vítimas estejam no centro do processo penal, e não os autores — afirmou.
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As declarações foram feitas durante a apresentação de um projeto de lei de proteção de menores ao lado do ministro da Educação, Edouard Geffray, que anunciou a criação de uma “lista negra” de funcionários com comportamentos considerados inadequados em relação a crianças.
Na terça-feira, o Ministério Público pediu três anos de prisão para David G., mas abriu caminho para que ele cumpra apenas um ano sob monitoramento eletrônico. A possibilidade gerou frustração entre familiares das vítimas, que defendiam prisão imediata.
No tribunal, David G. foi acusado de tocar alunos de forma inadequada, mas negou as acusações.
— Esperamos que este caso represente um ponto de virada na proteção das crianças — afirmou Rebecca Royer, advogada que representa seis das famílias das vítimas ao lado da também advogada Hannah Kopp.
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Segundo Royer, os clientes aceitaram permitir a presença do público no julgamento “para que a sociedade entenda que estes não são casos isolados”.
Pais relataram sintomas preocupantes e, em alguns casos, persistentes nas crianças, como mudanças bruscas de humor, masturbação compulsiva, distúrbios alimentares e episódios de urinar ou defecar involuntariamente.
— Isso foi um choque sísmico para toda a nossa família — disse uma das mães ao tribunal. Segundo ela, a melhora recente da filha trouxe esperança, embora a família continue cautelosa. — Sabemos que nunca voltará a ser como antes.
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No sistema educacional francês, professores contratados pelo Ministério da Educação são responsáveis pelas aulas, enquanto funcionários contratados pela prefeitura supervisionam recreios, horário de almoço e atividades após as aulas.
Segundo Grégoire, a maioria desses funcionários é contratada temporariamente, o que significa que muitos recebem pouca formação e baixos salários. De acordo com sindicatos, dos 13 mil trabalhadores não docentes em Paris, cerca de 10 mil são temporários. Isso dificulta uma supervisão coordenada das crianças, afirmou o prefeito durante reunião pública com pais na semana passada.
O tema ganhou ainda mais atenção em janeiro após a exibição de um documentário produzido por um popular programa investigativo de televisão.
Com imagens gravadas por uma jornalista infiltrada no jardim de infância St.-Dominique, no centro de Paris, o programa mostrou funcionários supervisionando mais crianças do que o permitido pelas regras e gritando com os alunos. Em uma das cenas mais alarmantes, um funcionário aparece beijando uma criança na boca.
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Após a exibição do documentário, dezenas de famílias registraram denúncias por estupro, abuso sexual e violência.
Em novembro, a prefeitura de Paris anunciou medidas emergenciais para enfrentar o problema, como ampliar a participação de funcionários mais experientes nas entrevistas de contratação, reforçar o treinamento das equipes não docentes, suspender automaticamente supervisores denunciados por comportamento inadequado e melhorar a comunicação com as famílias.
No mês passado, Grégoire afirmou à imprensa francesa que 78 funcionários escolares haviam sido suspensos desde o início do ano, incluindo 31 por suspeitas de violência sexual. Ele classificou o tema como sua “prioridade máxima” e prometeu investir 20 milhões de euros (cerca de R$ 117 milhões) para enfrentar a crise.
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Em entrevista posterior ao jornal Le Monde, Grégoire reconheceu uma “responsabilidade coletiva” e falhas de comunicação entre diferentes setores do sistema educacional, “com equipes de gestão local atuando, às vezes, de forma isolada”.
— Em muitos desses casos, tenho a impressão de que, se houve uma falha coletiva, foi tratar esses incidentes como casos isolados quando, na verdade, refletem um risco sistêmico — acrescentou.
O caso da escola St.-Dominique — o maior em Paris até agora pelo número de crianças e funcionários envolvidos — voltou às manchetes na semana passada quando o Ministério Público anunciou a prisão de 16 funcionários da escola e de outras duas instituições vizinhas. As detenções ocorreram após entrevistas com 44 crianças.
O Ministério Público informou que dois dos funcionários foram formalmente indiciados por crimes sexuais e colocados em prisão preventiva.
(Com New York Times e AFP)
A ONU alertou nesta quinta-feira que as temperaturas médias globais deverão permanecer “em níveis recordes ou próximos dos recordes” entre 2026 e 2030, com 75% de probabilidade de que a média para esses cinco anos exceda os níveis pré-industriais em mais de 1,5°C. Os anos de 2015 a 2025 foram os 11 mais quentes já registrados, afirmou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) em março, e a tendência deve continuar, de acordo com o novo relatório da agência da ONU.
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Segundo o boletim da OMM sobre previsões climáticas globais anuais e decenais, elaborado pelo Met Office do Reino Unido, há também “86% de probabilidade” de que, em um dos anos entre 2026 e 2030, o recorde de ano mais quente já registrado, atualmente detido por 2024, seja quebrado.
“Espera-se um evento El Niño até o final de 2026, o que aumentou as chances de que o ano seguinte, 2027, seja o próximo ano recorde”, disse Leon Hermanson, autor principal do boletim, que resume as previsões fornecidas por 13 institutos diferentes.
As previsões de temperatura média para os próximos cinco anos no Pacífico tropical central apontam, segundo a OMM, para “uma tendência preocupante nas condições do El Niño”, especialmente em 2027 e 2028.
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O El Niño é caracterizado por um aumento nas temperaturas da superfície no Pacífico equatorial central e oriental. Geralmente ocorre em intervalos de dois a sete anos e normalmente dura de nove a doze meses.
O último evento El Niño, em 2023 e 2024, resultou em um dos anos mais quentes já registrados. Esse fenômeno cíclico tem um efeito dominó no clima global por vários meses.
Calor no Ártico
Segundo o relatório, a temperatura média global deverá permanecer elevada nos próximos cinco anos e espera-se que se mantenha próxima dos seus máximos históricos.
Segundo a OMM, entre 2026 e 2030, as temperaturas médias anuais na superfície da Terra serão, no geral, entre 1,3°C e 1,9°C mais altas do que a média dos níveis pré-industriais (1850-1900). E é “muito provável” que a temperatura média na superfície do globo exceda temporariamente os níveis médios de 1850-1900 em mais de 1,5°C durante pelo menos um ano entre 2026 e 2030.
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Esse limite já havia sido ultrapassado temporariamente em 2024, quando a temperatura média da superfície da Terra estava cerca de 1,55°C acima dos níveis pré-industriais.
No entanto, de acordo com o boletim, é “extremamente improvável” (menos de 1%) que a temperatura média na superfície do globo exceda a média do período de 1850 a 1900 em mais de 2°C em qualquer um dos próximos cinco anos.
A OMM observa que os limites de 1,5°C e 2,0°C estabelecidos no Acordo de Paris sobre o clima referem-se ao “aquecimento a longo prazo durante um período prolongado, geralmente avaliado ao longo de 20 anos”.
O fato de a temperatura média anual em escala planetária ultrapassar esses limites em alguns anos não significa que as metas de temperatura do Acordo de Paris não possam ser alcançadas, explicou a agência.
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As previsões também mostram que o aquecimento no Ártico deverá continuar e exceder claramente a tendência observada em escala global. Nos próximos cinco invernos prolongados no Hemisfério Norte (novembro a março), a temperatura no Ártico deverá ser 2,8°C mais alta do que o normal no período de 1991 a 2020.
De acordo com as previsões para o período de março de 2026 a março de 2035, a concentração de gelo nos mares do Ártico diminuirá nos mares de Barents, Bering e Okhotsk.
Além disso, a precipitação estará acima da média nas altas latitudes do Hemisfério Norte durante os próximos cinco invernos prolongados (novembro a março).
Centenas de médicos marcharam nesta quinta-feira no centro de La Paz para denunciar a grave escassez de medicamentos e alimentos que afeta seus pacientes, causada pelos bloqueios de estradas mantidos há um mês por manifestantes contra o governo da Bolívia.
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— Para os pacientes, oxigênio e comida! — gritavam os profissionais da saúde, vestidos com jalecos brancos, ao som das sirenes de três ambulâncias que lideravam o protesto.
Médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde protestam contra bloqueios de estradas e acessos à cidade realizados por manifestantes que se opõem ao presidente boliviano Rodrigo Paz, denunciando que a escassez de alimentos, medicamentos e oxigênio estão afetando o atendimento aos pacientes, em La Paz, Bolívia, em 28 de maio de 2026
Marvin RECINOS / AFP
Desde o início de maio, operários, camponeses, mineiros, transportadores e professores exigem uma solução para a pior crise econômica enfrentada pelo país em quatro décadas. Parte dos manifestantes também pede a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, há seis meses no poder.
— Já não temos suprimentos nem para cinco dias. A alimentação nos hospitais está acabando, os produtos estão sendo racionados. Os pacientes já sofrem com a dor da doença, e agora se soma a dor do país — disse à AFP a médica Mónica Reyes, de 48 anos.
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A Câmara da Indústria Farmacêutica Boliviana informou nesta semana que cerca de 50 toneladas de medicamentos e oxigênio destinados a hospitais não puderam ser distribuídas por causa dos bloqueios nas estradas.
Segundo a estatal Administradora Boliviana de Carreteras, os pontos de bloqueio já passam de 60 em todo o país.
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Luis Larrea, presidente do Colégio Médico, pediu que o governo “se sente para dialogar”.
— E, se não houver diálogo, então que use o que diz a Constituição (…), vidas humanas estão em perigo — afirmou, em referência a uma possível decretação de estado de sítio.
Médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde protestam contra bloqueios de estradas e acessos à cidade realizados por manifestantes que se opõem ao presidente boliviano Rodrigo Paz, denunciando que a escassez de alimentos, medicamentos e oxigênio estão afetando o atendimento aos pacientes, em La Paz, Bolívia, em 28 de maio de 2026
Marvin RECINOS / AFP
Na terça-feira, o Congresso revogou uma norma que exigia autorização parlamentar para que o presidente decretasse estado de exceção, medida que permitiria conter os protestos com o uso das Forças Armadas e restringir liberdades de reunião e circulação.
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Segundo a Defensoria do Povo, quatro pessoas morreram por não terem recebido atendimento médico a tempo devido aos bloqueios.
O governo boliviano denuncia uma tentativa de “alterar a ordem democrática” e acusa o ex-presidente socialista Evo Morales (2006-2019), foragido em um caso de suposto tráfico de menor, de incentivar os protestos.

Na noite de quarta-feira (27), a Câmara dos Deputados aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC) 221/19 que acaba com a escala 6×1, instituindo a obrigatoriedade de dois dias de descanso por semana, além de reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais. 

>>> Entenda a PEC que acaba com escala 6×1

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A votação no plenário se deu em dois turnos e a proposta foi aprovada por ampla maioria. Na primeira votação, foram 472 votos a favor e 22 contra. No segundo turno, votaram a favor da PEC 461 parlamentares; 19 foram contra.  

Considerando as 27 bancadas estaduais, os votos contra o fim da escala 6x 1 vieram de apenas cinco estados: Roraima, Maranhão, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

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Votaram contra a proposta, considerando os dois turnos, apenas os seguintes parlamentares: 

  • Adriana Ventura (Novo-SP)  
  • Bibo Nunes (PL-RS) 
  • Carlos Chiodini (MDB-SC) 
  • Caroline de Toni (PL-SC) 
  • Daniel Freitas (PL-SC)  
  • Daniela Reinehr (PL-SC) 
  • Fabio Schiochet (União-SC) 
  • Fausto Pinato (União-SP) 
  • Gilson Marques (Novo-SC) 
  • Julia Zanatta (PL-SC) 
  • Kim Kataguiri (Missão-SP)  
  • Lucas Redecker (PSD-RS) 
  • Marcel van Hattem (Novo-RS) 
  • Mauricio Marcon (PL-RS) 
  • Nicoletti (PL-RR) 
  • Paulo Marinho Jr (PL-MA) 
  • Pezenti (MDB-SC) 
  • Ricardo Guidi (PL-SC) 
  • Ricardo Salles (Novo-SP) 
  • Rosangela Moro (PL-SP) 
  • Sérgio Turra (PP-RS) 
  • Zé Trovão (PL-SC) 

Confira abaixo a lista completa de como votaram os deputados na PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1: 

1º turno 

2º turno 

 

Negociadores dos Estados Unidos e do Irã chegaram a um acordo preliminar para ampliar o cessar-fogo entre os dois países e iniciar uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, segundo autoridades americanas ouvidas pelo site Axios. O entendimento, no entanto, ainda depende da aprovação do presidente Donald Trump, enquanto permanece incerto se o líder supremo do Irã já deu seu aval ao texto.
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De acordo com fontes americanas, o memorando de entendimento prevê a prorrogação da trégua por 60 dias e estabelece que o trânsito marítimo pelo Estreito de Ormuz será irrestrito, sem cobrança de pedágios nem hostilidades contra embarcações. O texto também inclui a retirada, pelo Irã, de todas as minas instaladas na região em um prazo de 30 dias.
Em troca, os EUA suspenderiam o bloqueio naval imposto aos portos iranianos, embora a flexibilização ocorra proporcionalmente ao volume de tráfego comercial restabelecido. O memorando também incluiria o compromisso iraniano de não buscar o desenvolvimento de armas nucleares.
O acordo abriria um período de 60 dias de negociações voltadas ao programa nuclear do Irã, incluindo discussões sobre o destino do estoque de urânio altamente enriquecido do país. Segundo fontes envolvidas nas conversas, os temas mais complexos relacionados ao programa nuclear iraniano ainda precisam ser resolvidos ao longo desse processo diplomático.
Autoridades americanas afirmaram que a aprovação de Trump será determinante para a continuidade do acordo e alertaram que qualquer avanço nas negociações pode ser revertido rapidamente caso o presidente decida não aprová-lo. Na quarta-feira, Trump declarou que ainda não estava “satisfeito” com as propostas apresentadas por Teerã e advertiu que poderia “terminar o trabalho” pela via militar.
O presidente americano também vem sofrendo pressão de integrantes de seu próprio partido e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para não aceitar um acordo que alivie a pressão sobre o Irã. Segundo uma pessoa familiarizada com as negociações, Trump busca garantias de que o pacto seja suficientemente robusto e possa ser apresentado como mais forte do que o acordo nuclear firmado em 2015 durante o governo Barack Obama, do qual ele retirou os EUA.
Apesar do avanço diplomático, a situação na região continua tensa. Nas primeiras horas desta quinta-feira, Washington e Teerã trocaram acusações de violação do cessar-fogo após ataques registrados de ambos os lados.
Em atualização.

O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), Paulo Henrique Pereira, disse, nesta quinta-feira (28), que o governo federal estuda a ampliação da contratação de funcionários por microempreendedores individuais (MEIs), a partir da aprovação da alteração da jornada de trabalho dos brasileiros.

Na noite desta quarta-feira (27), o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 que põe fim à escala de seis dias de trabalho a cada um de descanso (escala 6×1) e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem a diminuição de salários. A medida segue para análise e votação do Senado Federal.

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Pereira resaltou que o governo avalia soluções e que “ninguém vai ficar para trás”.

“Vamos estudar o que podemos fazer para negócios pequenos e médios que possam ser afetados. Então, aquela pessoa [jurídica] talvez tenha que ter um contratado temporário ou ter um funcionário a mais. Será que a gente permite que o MEI tenha um funcionário?”

Atualmente, o MEI pode contratar apenas um empregado com a remuneração de até um salário mínimo ou o piso salarial da categoria.

A declaração foi dada pelo ministro  em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, da EBC, e diz respeito ao problema destacado pelos micro e pequenos empresários de que, se a jornada cair para 40 horas por semana e se a escala 6×1 acabar, será necessário ter mais funcionários para cobrir os dias de folga e manter o negócio aberto.

Regulamentação específica

Questionado sobre se as mudanças na jornada de trabalho dos brasileiros podem aumentar os custos de produtos e serviços ao consumidor final ou se pode reduzir o número de postos de trabalho, o ministro explicou que haverá regulações específicas por setor, a partir do diálogo com as partes interessadas para construir soluções.

O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) esclareceu que após, a criação de uma regra geral, será feita a regulamentação prática da legislação para cumprir a jornada máxima de trabalho de 40 horas e para que todo trabalhador tenha direito a duas folgas por semana.

“A lei ainda vai exigir regulações […] O legislador e o Poder Executivo vão regular isso. Primeiro, monta-se o arcabouço mais geral, mas, depois, a gente vai especificar nos segmentos e nas atividades próprias como o regime poderá ser aplicado. Então, tem muito trabalho ainda pela frente e muito a ser feito.”

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Teto de faturamento do MEI

O ministro Paulo Pereira foi questionado sobre a possibilidade de reajuste do teto de faturamento anual do microempreendedor individual e explicou os possíveis efeitos da renúncia fiscal.

“Se a gente aumentar o teto do MEI, o governo abre mão de receita e terá impactos macroeconômicos importantes. Se o governo gastar mais do que arrecada, pode gerar inflação e os juros podem subir. Tudo isso volta para o empreendedor.”

O limite anual para o MEI comum é de R$ 81 mil ou valor proporcional no ano de abertura. Para o transportador autônomo de cargas (MEI Caminhoneiro), o teto é de R$ 251,6 mil anuais (R$ 20.966,67 por mês).

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/21 aprovado pelo Senado, que atualiza as regras do microempreendedor individual eleva para R$ 130 mil a receita bruta anual permitida para enquadramento como MEI. Outro projeto em tramitação na Câmara dos Deputados prevê limite de R$ 145 mil, com atualização anual pelo índice oficial de inflação.

O ministro do MEMP explicou que qualquer alteração fiscal exige estudos cuidadosos para não impactar a saúde das contas públicas ou enfraquecer o trabalho formal.

“Não podemos aumentar o teto do MEI sem ter uma solução que viabilize que isso aconteça sem impactos macroeconômicos. Hoje o governo não tem uma proposta de aumento do teto do MEI.”

Ganhos sociais e para economia

O ministro destacou ganhos sociais com o fim da escala 6×1 para cerca de 15 milhões de trabalhadores e que 38 milhões serão impactados positivamente pelo regime de 40 horas semanais. Paralelamente, acrescentou que a economia do país será fortalecida.

“As pessoas vão ter mais tempo para estudar, para cuidar da saúde, para cuidar das suas famílias, para empreender. Sabemos que uma parte importante dos empreendedores brasileiros têm trabalho formal e, no fim de semana, faz uma venda por fora, dirige carro de aplicativo. Eles também vão consumir mais lazer, cinema, restaurante, lanchonete. Então, a economia brasileira vai ser afetada positivamente.”

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou nesta quinta-feira que ordenou ao exército que assuma o controle de 70% da Faixa de Gaza, em um movimento que coloca em xeque os termos do cessar-fogo com o movimento islamista Hamas, em vigor desde outubro do ano passado.
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— Estamos com o Hamas nas cordas — afirmou Netanyahu, acrescentando que as tropas israelenses controlam atualmente 60% da Faixa de Gaza, um aumento em relação aos 50% de antes da entrada em vigor do cessar-fogo.
— Minha ordem é avançar para 70% — declarou o primeiro-ministro durante coletiva de imprensa na Cisjordânia ocupada, parte da qual foi transmitida pelo site do Canal 12.
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O anúncio de Netanyahu ocorre em meio à violência na Faixa de Gaza, onde o exército israelense mantém operações militares e bombardeios.
Israel e Hamas acusam-se mutuamente de violar o cessar-fogo que entrou em vigor em 10 de outubro, após dois anos de guerra desencadeada pelo ataque sem precedentes do movimento islamista palestino ao território israelense, em 7 de outubro de 2023.
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A primeira parte dessa trégua, negociada sob pressão dos Estados Unidos, permitiu a libertação de reféns israelenses mantidos em Gaza em troca da libertação de prisioneiros palestinos.
A implementação da segunda fase previa o desarmamento do Hamas e uma retirada gradual do exército israelense desse território, um avanço que, há semanas, parece improvável de se concretizar.
De acordo com os termos do cessar-fogo, as forças israelenses deveriam se retirar para além da chamada “linha amarela”, que separava a área controlada pelo Hamas da parte do território ocupada pelo exército israelense, que correspondia a pouco mais de 50%.
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Netanyahu já havia anunciado, em 15 de maio, que o exército havia expandido seu controle sobre a Faixa de Gaza para 60% do território.
Na área sob autoridade do Hamas, mais de 2 milhões de palestinos vivem em condições de superlotação, sofrendo uma situação humanitária que permanece “catastrófica”, denunciaram diversas ONGs em 22 de maio, acusando Israel de não cumprir suas obrigações.
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta quinta-feira, por 5 votos a 4, a favor de Terry Pitchford, um homem negro condenado à morte no Mississipi que alegava ter sido julgado por um júri marcado por discriminação racial, segundo informações da agência de notícias Associated Press. O réu foi condenado pela participação no assassinato de um comerciante durante um assalto ocorrido no norte do estado americano há mais de duas décadas. O caso ganhou repercussão pelas alegações de exclusão sistemática de pessoas negras do júri pela promotoria.
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No julgamento, apenas uma pessoa negra integrou o júri. O promotor responsável pelo caso, Doug Evans, hoje aposentado, dispensou outros quatro candidatos negros. Evans já havia sido acusado de remover jurados negros de maneira discriminatória em outros processos.
A decisão da Suprema Corte reacende discussões sobre a aplicação do precedente estabelecido em 1986 no caso Batson v. Kentucky, que proibiu a exclusão de jurados com base em raça e estabeleceu parâmetros para que tribunais avaliem possíveis práticas discriminatórias durante a seleção do júri.
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Os ministros analisaram se os advogados de Pitchford contestaram de forma adequada as decisões do juiz Joseph Loper durante o julgamento e se a Suprema Corte do Mississippi agiu corretamente ao considerar insuficientes as objeções da defesa.
O caso apresenta semelhanças com o de Curtis Flowers, outro homem negro condenado à morte no Mississippi cuja condenação foi anulada pela Suprema Corte em 2019. Na ocasião, o juiz Brett Kavanaugh afirmou que houve um “esforço implacável e determinado” para excluir pessoas negras do júri. Doug Evans também atuou como promotor naquele processo, enquanto Loper presidiu os dois últimos julgamentos de Flowers.
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Pitchford tinha 18 anos quando participou do assalto à Crossroads Grocery, nos arredores da cidade de Grenada. Durante o crime, seu comparsa matou o proprietário da loja, Reuben Britt, com três tiros. Como o atirador tinha menos de 18 anos na época, ele não podia ser condenado à pena de morte. Pitchford, porém, acabou condenado por homicídio qualificado e sentenciado à execução.
O processo tramita há cerca de 20 anos. Em 2023, o juiz federal Michael P. Mills anulou a condenação ao concluir que a defesa não teve oportunidade suficiente para argumentar que a promotoria havia excluído jurados negros de maneira inadequada.
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Na decisão, Mills afirmou que também levou em consideração o histórico de Evans em outros casos envolvendo acusações semelhantes de discriminação racial na composição dos júris.
A decisão, porém, foi posteriormente revertida de forma unânime pela Corte de Apelações do 5º Circuito dos EUA.
A ex-primeira-dama dos EUA, Jill Biden, disse em uma entrevista que será divulgada em breve que pensou que seu marido, o então presidente Joe Biden, estava tendo um derrame durante um debate televisionado com Donald Trump em 2024. No debate, Biden, na época com 81 anos, gaguejou, repetidamente deixou a boca aberta e perdeu o fio da meada enquanto se esforçava para responder ao seu rival barulhento e agressivo.
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— Eu estava com medo, porque nunca tinha visto o Joe daquele jeito, nem antes nem depois. Nunca — disse ela ao programa “CBS News Sunday Morning” em uma entrevista que irá ao ar neste fim de semana. — Não sei o que aconteceu. Enquanto o olhava, pensei: “Meu Deus, ele está tendo um AVC”. E isso me apavorou.
No entanto, imediatamente após o debate, Jill elogiou o desempenho do marido, dizendo a uma multidão de apoiadores:
— Joe, você se saiu muito bem. Você respondeu a todas as perguntas, você sabia todos os fatos.
O desempenho de Biden no debate gerou intensa preocupação dentro do Partido Democrata sobre seu evidente declínio, o que acabou levando à sua desistência da corrida pela Casa Branca em favor da então vice-presidente Kamala Harris.
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Diversos observadores apontaram que o declínio de Biden já era evidente muitos meses antes do debate.
O candidato democrata acabou perdendo para Trump nas eleições de novembro daquele ano.
A idade de Biden na época da candidatura para o segundo mandato já era uma preocupação dos eleitores muito antes do debate. Pesquisas eleitorais naquele ano indicavam que a maioria dos democratas o consideravam velho demais para o cargo.
Nascido durante a Segunda Guerra Mundial e eleito para o Senado pela primeira vez em 1972, antes de dois terços dos americanos de hoje terem nascido, Biden teria 86 anos ao final de um segundo mandato.
Ao desistir, Biden tornou-se o primeiro presidente americano em exercício em 56 anos a abandonar uma chance de concorrer novamente.
Após passar décadas em uma comunidade brasileira em Berlim, uma ex-integrante da Fração do Exército Vermelho (RAF, na sigla original em alemão), grupo extremista de esquerda que promoveu uma campanha de atentados e assassinatos na Alemanha Ocidental ao longo de décadas, foi condenada na quarta-feira a 13 anos de prisão. A alemã Daniela Klette, de 67 anos, foi considerada culpada por um tribunal regional na cidade de Verden, na Baixa Saxônia, por seis acusações de roubo qualificado, além de crimes relacionados a sequestro para obtenção de resgate, posse de armas e violações da legislação sobre armamentos — todos crimes cometidos após a dissolução da organização.
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A sentença encerra um julgamento de 14 meses sob forte esquema de segurança e representa mais um capítulo no desfecho da história da RAF, também conhecida como gangue Baader-Meinhof, organização responsável por atentados, assassinatos, sequestros e explosões entre as décadas de 1970 e 1990. Quando o tribunal anunciou o veredito, Klette ouviu a decisão sem demonstrar emoção, enquanto um tumulto se instalava na galeria do público, segundo a imprensa local.
Klette passou mais de 30 anos foragida antes de ser presa em fevereiro de 2024 em um apartamento no bairro de Kreuzberg, com histórico de abrigar imigrantes em Berlim, onde vivia sob identidade falsa. Embora fosse considerada por anos uma das pessoas mais procuradas da Alemanha e a última mulher ligada à RAF ainda em fuga, promotores afirmaram que Klette não fez qualquer tentativa de se esconder. Hamza, um de seus vizinhos em Berlim, disse à BBC que a via passeando com o cachorro pela cidade. Segundo ele, ela parecia amigável.
De acordo com a decisão judicial, no entanto, Klette participou de roubos a supermercados e carros-fortes entre 1999 e 2016 ao lado de outros dois ex-integrantes da RAF, Burkhard Garweg, 57, e Ernst-Volker Staub, 72, que seguem foragidos. Os promotores afirmaram que o trio atuava de forma organizada, com divisão de tarefas, e usava armamento pesado e ameaças violentas durante os ataques.
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Em um dos casos, criminosos mascarados atingiram um carro-forte e ameaçaram seguranças com armas e um lançador de granadas antes de fugir com uma grande quantia em dinheiro. Em outro roubo, ocorrido em 2016 próximo à cidade de Braunschweig, os assaltantes levaram quase € 1,4 milhão. Ao longo dos 17 anos investigados, o grupo teria roubado mais de € 2 milhões, usados para financiar a vida clandestina dos fugitivos após o fim oficial da RAF, segundo os promotores.
— Eles realizavam os roubos com divisão de tarefas e de forma altamente conspiratória — afirmou o juiz responsável pelo caso, Lars Engelke.
Durante a leitura da sentença, apoiadores de Klette protestaram no tribunal, vaiando os juízes e gritando palavras de ordem como “liberdade para Daniela”. Do lado de fora do prédio, simpatizantes exibiam cartazes em solidariedade à ex-militante.
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No apartamento onde ela vivia havia cerca de 20 anos, policiais encontraram armas, munição, uma réplica de lança-foguetes, documentos falsificados, perucas, ouro e € 240 mil em dinheiro vivo. A promotoria havia pedido pena máxima de 15 anos, enquanto a defesa sustentava que não havia provas diretas da participação de Klette nos roubos e argumentava que as acusações relacionadas às armas apreendidas justificariam apenas uma pena suspensa.
Comunidade brasileira
Sob o nome falso de Claudia Ivone, Klette frequentava um centro de cultura brasileira na cidade e praticava capoeira. A localização da ex-militante ocorreu após um jornalista investigativo usar tecnologia de reconhecimento facial para comparar imagens antigas de cartazes de procurados com fotografias recentes encontradas na internet. Fotos dela sorrindo durante o Carnaval das Culturas de Berlim, ao lado de um grupo de capoeira, teriam ajudado na identificação.
— Eu não conheço Daniela Klette, eu conheço a Cláudia. Ela era como uma irmã para mim — disse à emissora WDR o brasileiro Emerson Gomes da Silva, que morou em Berlim e voltou para o Brasil nos anos 2000, relatando que Klette viajou ao país para visitá-lo.
Daniela Klette acena durante julgamento na Alemanha; ex-integrante da Facção do Exército Vermelho ficou mais de 30 anos foragida
Sina Schuldt / POOL / AFP
Durante o julgamento, Klette não admitiu explicitamente ter integrado a RAF. E, ainda que ela não possa mais ser julgada por participação em organização terrorista (o crime prescreveu em 2018, 20 anos após a dissolução da RAF), promotores federais a acusam de participação em três ataques atribuídos ao grupo nos anos 1990. Entre eles, uma tentativa de atentado contra um prédio do Deutsche Bank, um ataque a tiros contra a embaixada dos EUA em Bonn e um atentado a bomba contra uma prisão. As acusações serão analisadas separadamente em Frankfurt.
Criada por militantes de extrema esquerda como Andreas Baader e Ulrike Meinhof, a RAF defendia uma ideologia marxista-leninista e afirmava combater o imperialismo americano e o capitalismo na Alemanha Ocidental. O grupo radical pegou em armas contra o que considerava um Estado alemão “fascista”, ainda infiltrado por ex-nazistas. Acredita-se que tenha sido responsável pela morte de ao menos 30 pessoas e por ferimentos em outras 200.
Entre os crimes mais conhecidos atribuídos à RAF estão o assassinato de um procurador federal e o sequestro e posterior morte do industrial Hanns Martin Schleyer em 1977, período considerado o auge da violência promovida pela organização. As autoridades alemãs seguem procurando Staub e Garweg, os dois ex-integrantes do grupo que continuam desaparecidos. (Com New York Times)

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