Contexto: Congresso na Bolívia aprova lei que permite o uso das Forças Armadas para conter protestos
Presidente da Bolívia: Rodrigo Paz fala em teste à democracia enquanto protestos por sua renúncia entram na quarta semana
— Para os pacientes, oxigênio e comida! — gritavam os profissionais da saúde, vestidos com jalecos brancos, ao som das sirenes de três ambulâncias que lideravam o protesto.
Médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde protestam contra bloqueios de estradas e acessos à cidade realizados por manifestantes que se opõem ao presidente boliviano Rodrigo Paz, denunciando que a escassez de alimentos, medicamentos e oxigênio estão afetando o atendimento aos pacientes, em La Paz, Bolívia, em 28 de maio de 2026
Marvin RECINOS / AFP
Desde o início de maio, operários, camponeses, mineiros, transportadores e professores exigem uma solução para a pior crise econômica enfrentada pelo país em quatro décadas. Parte dos manifestantes também pede a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, há seis meses no poder.
— Já não temos suprimentos nem para cinco dias. A alimentação nos hospitais está acabando, os produtos estão sendo racionados. Os pacientes já sofrem com a dor da doença, e agora se soma a dor do país — disse à AFP a médica Mónica Reyes, de 48 anos.
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A Câmara da Indústria Farmacêutica Boliviana informou nesta semana que cerca de 50 toneladas de medicamentos e oxigênio destinados a hospitais não puderam ser distribuídas por causa dos bloqueios nas estradas.
Segundo a estatal Administradora Boliviana de Carreteras, os pontos de bloqueio já passam de 60 em todo o país.
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Luis Larrea, presidente do Colégio Médico, pediu que o governo “se sente para dialogar”.
— E, se não houver diálogo, então que use o que diz a Constituição (…), vidas humanas estão em perigo — afirmou, em referência a uma possível decretação de estado de sítio.
Médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde protestam contra bloqueios de estradas e acessos à cidade realizados por manifestantes que se opõem ao presidente boliviano Rodrigo Paz, denunciando que a escassez de alimentos, medicamentos e oxigênio estão afetando o atendimento aos pacientes, em La Paz, Bolívia, em 28 de maio de 2026
Marvin RECINOS / AFP
Na terça-feira, o Congresso revogou uma norma que exigia autorização parlamentar para que o presidente decretasse estado de exceção, medida que permitiria conter os protestos com o uso das Forças Armadas e restringir liberdades de reunião e circulação.
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Segundo a Defensoria do Povo, quatro pessoas morreram por não terem recebido atendimento médico a tempo devido aos bloqueios.
O governo boliviano denuncia uma tentativa de “alterar a ordem democrática” e acusa o ex-presidente socialista Evo Morales (2006-2019), foragido em um caso de suposto tráfico de menor, de incentivar os protestos.








