Contexto: Morte de ativista de extrema direita após agressão abala política francesa
Macron fala em ‘ataque terrorista’: Polícia francesa mata homem que empunhava faca no Arco do Triunfo em Paris
“A sede nacional da LFI acaba de ser esvaziada após uma ameaça de bomba. A polícia está no local. Todos os funcionários e ativistas estão em segurança”, declarou o coordenador do partido, Manuel Bompard, em publicação nas redes sociais, acrescentando que as forças de segurança foram acionadas imediatamente após o alerta.
A preocupação com a violência política provocou alerta em todo o país desde o fim da semana passada, quando foi anunciada a morte do ativista Quentin Deranque, de 23 anos. Ele havia sido agredido na quinta-feira durante um protesto da extrema direita contra um evento de uma eurodeputada de esquerda em uma universidade de Lyon. O jovem foi atacado em um confronto entre grupos militantes e sofreu um “traumatismo cranioencefálico grave”.
A Justiça abriu uma investigação por “homicídio doloso”. No início da semana, a porta-voz do governo francês de centro-direita, Maud Bregeon, apontou a “responsabilidade moral” do LFI pelo ocorrido, acusando a sigla de ter “incentivando um clima de violência durante anos”. A extrema direita, por sua vez, atribuiu o ataque a ativistas do movimento antifascista Jovem Guarda, cofundado por um deputado do LFI e que foi dissolvido em junho passado. O grupo negou qualquer envolvimento.
Entenda: França identifica campanha russa para associar nome de Macron ao caso Epstein
Nove suspeitos foram presos na terça-feira por possível conexão com o assassinato, incluindo o assessor parlamentar de Raphaël Arnault, deputado do LFI. O parlamentar afirmou que iniciou um processo para encerrar o contrato de seu colaborador. Diante das críticas, o partido do ex-candidato presidencial Jean-Luc Mélenchon manifestou indignação pelo que considera o uso “político” do caso.
“Um limite foi ultrapassado. Aqueles que usam o drama e a morte de um jovem para atacar a La France insoumise devem cessar suas manobras abjetas”, escreveu a vice-presidente da Assembleia Nacional, Clémence Guetté (LFI), após a ameaça de bomba.
Um dia antes, a porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, disse à imprensa local que o LFI deve “fazer uma limpa em suas fileiras”, e que a presidente do partido na Assembleia, Mathilde Panot, deve “excluir Raphaël Arnault de seu grupo”, ainda que temporariamente, para “dizer não à violência”. Considerando que todos têm “responsabilidade” quando votam no LFI, ela pediu que nunca mais haja um deputado da sigla na Assembleia.
Novas medidas: Parlamento Europeu aprova regras para endurecer política migratória do bloco
Jordan Bardella, o jovem líder da extrema direita que preside o partido de Marine Le Pen, o Reagrupamento Nacional (RN), afirmou que Arnault “não tem lugar na Assembleia Nacional” e deveria renunciar. Por sua vez, a presidente da Assembleia, Yaël Braun-Pivet, pediu que “cada partido se pergunte” se “tal deputado ou tal eleito é suscetível” de representar a sigla e a nação. Ela lamentou que Mélenchon, o ex-candidato presidencial do LFI, não tenha “pronunciado palavras de apaziguamento” na noite de terça-feira.
— Os responsáveis políticos [devem] apelar à calma e ao debate de ideias. Aqui falamos da ultraesquerda, mas também há grupos de extrema direita nas ruas, que igualmente buscam confronto, cometem atos puníveis, são indiciados e às vezes encarcerados — disse Braun-Pivet, ressaltando, porém, que é contrária a uma proibição geral de reuniões políticas nas universidades. — Cada um tem o direito de poder se expressar nas universidades. Não deve haver proibição geral, porque nossos jovens precisam formar seu espírito.
Entenda o caso
Deranque morreu no sábado em decorrência dos ferimentos, dois dias depois de ter sido espancado por pelo menos seis indivíduos mascarados e encapuzados. O estudante era, segundo o coletivo de extrema direita Némésis, responsável por garantir a segurança de vários de seus militantes que haviam ido protestar contra uma conferência da eurodeputada da LFI Rima Hassan.
Quentin Deranque: Morte de ativista de extrema direita abala política francesa
ALAIN JOCARD / AFP
Quando foi atendido pelos serviços de emergência, o jovem “apresentava essencialmente lesões na cabeça”, entre elas “um traumatismo cranioencefálico grave”, disse o promotor de Lyon, Thierry Dran, durante entrevista coletiva. Um suposto vídeo do ataque divulgado pelo canal TF1 mostra cerca de dez pessoas agredindo três jovens no chão. Dois deles conseguem escapar. Uma testemunha disse à AFP que “eles se agrediram com barras de metal”.
Caso Epstein: Crises políticas e abertura de investigações mostram reações diversas de EUA e Europa
O caso acendeu o debate para as eleições municipais do próximo mês. O pleito é considerado um teste para a presidencial de 2027, que elegerá o sucessor de Emmanuel Macron, impedido de se candidatar após dois mandatos consecutivos. As pesquisas de opinião apontam como favorita a legenda de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), que, com Marine Le Pen como candidata, passou ao segundo turno nas duas eleições presidenciais vencidas por Macron.
No entanto, a líder de extrema direita está atualmente inelegível por uma condenação por desvio de recursos públicos e, após recorrer, aguarda agora a sentença em segunda instância, prevista para julho. Caso a inelegibilidade seja mantida, Bardella poderá ser o candidato do RN. Segundo uma pesquisa divulgada no domingo, o jovem de 30 anos seria o candidato preferido pelos franceses, à frente de Le Pen e do ex-primeiro-ministro de centro-direita Édouard Philippe.
(Com AFP)










