O advogado conservador Abelardo de la Espriella liderava o segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia à medida que os primeiros resultados eram divulgados neste domingo, colocando-se em posição favorável para derrotar o movimento de esquerda de Gustavo Petro e aproximar Bogotá da administração Trump.
Com 65% das seções eleitorais apuradas, De la Espriella tinha 50,6% dos votos, segundo a autoridade eleitoral. O senador de esquerda Iván Cepeda, aliado de Petro, aparecia com 47,8%, em uma das eleições mais polarizadas da história do país.
Resultados mais completos eram esperados ainda no domingo. O vencedor tomará posse em 7 de agosto. Petro estava impedido constitucionalmente de disputar a reeleição, já que a Presidência na Colômbia é limitada a um mandato de quatro anos.
Se conseguir manter a vantagem, a vitória do advogado conservador fará da Colômbia o mais recente país da América Latina a se alinhar politicamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De la Espriella, que também é cidadão americano, recebeu o apoio de Trump após defender durante a campanha a construção de megapresídios nos moldes de El Salvador, o bombardeio de acampamentos de grupos ligados ao narcotráfico e a retomada da exploração de petróleo, incluindo a autorização do fraturamento hidráulico (fracking).
Ele apostou fortemente em imagens patrióticas e em mensagens centradas na segurança, na identidade nacional e na “pátria”. Disputas judiciais envolvendo o uso de símbolos nacionais, incluindo a camisa da seleção colombiana de futebol, tornaram-se um tema de campanha por si só.
O resultado está sendo acompanhado de perto pelos mercados e por líderes empresariais preocupados com os rumos das políticas econômicas da terceira maior economia da América do Sul. A Colômbia enfrenta déficits fiscais crescentes, desaceleração econômica e pressões inflacionárias persistentes.
Muitos investidores consideram De la Espriella mais propenso a adotar disciplina fiscal e preservar a independência do Banco Central, que foi alvo de pressões frequentes durante o governo Petro. Cepeda, filho de um líder comunista assassinado e com mais de quatro décadas de atuação política, buscou tranquilizar eleitores moderados e investidores, afirmando que seu governo evitaria mudanças econômicas radicais, ao mesmo tempo em que daria continuidade à agenda social de Petro.
A eleição também é observada atentamente em Washington, onde Trump prometeu “apoio total” à Colômbia caso De la Espriella vença. Em contrapartida, Trump teve embates públicos com Petro e provavelmente manteria uma relação conflituosa caso Cepeda, aliado do atual presidente, assumisse o cargo.
Cepeda, que conta com forte apoio entre colombianos de baixa renda, além de eleitores negros e indígenas, afirmou que aumentaria os impostos sobre os mais ricos, redistribuiria terras para pequenos agricultores e proibiria o fracking. Ele foi um dos arquitetos do plano “Paz Total”, que levou grupos ligados ao narcotráfico à mesa de negociações, mas que não conseguiu promover grandes desmobilizações de combatentes nem conter a violência no país.
O senador Iván Cepeda em uma seção eleitoral durante o segundo turno das eleições presidenciais em Bogotá, neste domingo.
Bloomberg
O voto presidencial ocorre após as eleições legislativas de março, quando a coalizão Pacto Histórico, de Petro e Cepeda, conquistou 25 das 108 cadeiras do Senado, tornando-se a maior bancada da Casa.
Uma vitória de De la Espriella, um novato na política que nunca ocupou um cargo eletivo, levantaria questionamentos sobre sua capacidade de governar.
A campanha tornou-se cada vez mais agressiva após o primeiro turno. Cepeda tentou abrir processos criminais contra De la Espriella, enquanto o candidato conservador questionou repetidamente a integridade do processo eleitoral e buscou apoio de aliados internacionais para monitorar a votação.
Seções eleitorais
Na manhã deste domingo, na região do Parque Virrey, bairro de classe alta no norte de Bogotá, famílias inteiras acompanhadas de crianças e cães seguiam para os locais de votação.
Muitos usavam a camisa da seleção colombiana, símbolo que De la Espriella incorporou de forma controversa à campanha. Outros exibiam bonés brancos com a frase “Make Colombia Great Again” (“Torne a Colômbia grande novamente”, na tradução em português), em referência ao slogan de Trump.
Dias antes, um grande mural retratando um tigre nas cores da bandeira colombiana — outro símbolo associado a De la Espriella — havia sido pintado nas proximidades. Cartazes e adesivos de Cepeda também ocupavam postes e muros, algo que não havia sido visto durante o primeiro turno.
No dia da eleição, porém, o mural estava parcialmente coberto por lonas pretas e a maior parte dos cartazes e adesivos havia sido retirada.
Em outras áreas do bairro, alguns estabelecimentos reforçaram vitrines e fachadas devido ao receio de que uma vitória de De la Espriella pudesse provocar protestos, especialmente se Petro se recusasse a reconhecer o resultado.
As redes sociais foram inundadas por mensagens incentivando os eleitores a votarem e retornarem para casa, refletindo o clima de tensão que cercava a votação.
O jovem Jefferson Guarín, de 18 anos, dirigiu-se ao Corferias, maior centro de votação de Bogotá, na tarde de domingo.
— Estou muito nervoso com a possibilidade de haver protestos — disse ele, a poucos metros de um carro exibindo propaganda do candidato de esquerda Iván Cepeda. — O país está dividido demais.
Alguns eleitores no Corferias usavam a camisa da seleção colombiana. Entre eles estava o aposentado Danilo Sánchez, de 70 anos.
— A ideia é continuar otimista de que tudo acontecerá de forma pacífica — afirmou ao deixar o local de votação.
Busca por ampliar o eleitorado
Os dois candidatos ajustaram suas estratégias na tentativa de ampliar sua base de apoio.
Cepeda procurou tranquilizar eleitores moderados abandonando propostas de reformar a Constituição e concentrando esforços de campanha em distritos de Bogotá onde teve desempenho fraco no primeiro turno.
Os candidatos não participaram de debates entre si. Em vez disso, concentraram suas campanhas em comícios, aparições na mídia e ações de mobilização de eleitores na reta final da disputa.
Cerca de 41 milhões de colombianos estavam aptos a votar, incluindo cidadãos que vivem no exterior, que começaram a depositar seus votos ao longo da semana em consulados colombianos ao redor do mundo.
Com 65% das seções eleitorais apuradas, De la Espriella tinha 50,6% dos votos, segundo a autoridade eleitoral. O senador de esquerda Iván Cepeda, aliado de Petro, aparecia com 47,8%, em uma das eleições mais polarizadas da história do país.
Resultados mais completos eram esperados ainda no domingo. O vencedor tomará posse em 7 de agosto. Petro estava impedido constitucionalmente de disputar a reeleição, já que a Presidência na Colômbia é limitada a um mandato de quatro anos.
Se conseguir manter a vantagem, a vitória do advogado conservador fará da Colômbia o mais recente país da América Latina a se alinhar politicamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De la Espriella, que também é cidadão americano, recebeu o apoio de Trump após defender durante a campanha a construção de megapresídios nos moldes de El Salvador, o bombardeio de acampamentos de grupos ligados ao narcotráfico e a retomada da exploração de petróleo, incluindo a autorização do fraturamento hidráulico (fracking).
Ele apostou fortemente em imagens patrióticas e em mensagens centradas na segurança, na identidade nacional e na “pátria”. Disputas judiciais envolvendo o uso de símbolos nacionais, incluindo a camisa da seleção colombiana de futebol, tornaram-se um tema de campanha por si só.
O resultado está sendo acompanhado de perto pelos mercados e por líderes empresariais preocupados com os rumos das políticas econômicas da terceira maior economia da América do Sul. A Colômbia enfrenta déficits fiscais crescentes, desaceleração econômica e pressões inflacionárias persistentes.
Muitos investidores consideram De la Espriella mais propenso a adotar disciplina fiscal e preservar a independência do Banco Central, que foi alvo de pressões frequentes durante o governo Petro. Cepeda, filho de um líder comunista assassinado e com mais de quatro décadas de atuação política, buscou tranquilizar eleitores moderados e investidores, afirmando que seu governo evitaria mudanças econômicas radicais, ao mesmo tempo em que daria continuidade à agenda social de Petro.
A eleição também é observada atentamente em Washington, onde Trump prometeu “apoio total” à Colômbia caso De la Espriella vença. Em contrapartida, Trump teve embates públicos com Petro e provavelmente manteria uma relação conflituosa caso Cepeda, aliado do atual presidente, assumisse o cargo.
Cepeda, que conta com forte apoio entre colombianos de baixa renda, além de eleitores negros e indígenas, afirmou que aumentaria os impostos sobre os mais ricos, redistribuiria terras para pequenos agricultores e proibiria o fracking. Ele foi um dos arquitetos do plano “Paz Total”, que levou grupos ligados ao narcotráfico à mesa de negociações, mas que não conseguiu promover grandes desmobilizações de combatentes nem conter a violência no país.
O senador Iván Cepeda em uma seção eleitoral durante o segundo turno das eleições presidenciais em Bogotá, neste domingo.
Bloomberg
O voto presidencial ocorre após as eleições legislativas de março, quando a coalizão Pacto Histórico, de Petro e Cepeda, conquistou 25 das 108 cadeiras do Senado, tornando-se a maior bancada da Casa.
Uma vitória de De la Espriella, um novato na política que nunca ocupou um cargo eletivo, levantaria questionamentos sobre sua capacidade de governar.
A campanha tornou-se cada vez mais agressiva após o primeiro turno. Cepeda tentou abrir processos criminais contra De la Espriella, enquanto o candidato conservador questionou repetidamente a integridade do processo eleitoral e buscou apoio de aliados internacionais para monitorar a votação.
Seções eleitorais
Na manhã deste domingo, na região do Parque Virrey, bairro de classe alta no norte de Bogotá, famílias inteiras acompanhadas de crianças e cães seguiam para os locais de votação.
Muitos usavam a camisa da seleção colombiana, símbolo que De la Espriella incorporou de forma controversa à campanha. Outros exibiam bonés brancos com a frase “Make Colombia Great Again” (“Torne a Colômbia grande novamente”, na tradução em português), em referência ao slogan de Trump.
Dias antes, um grande mural retratando um tigre nas cores da bandeira colombiana — outro símbolo associado a De la Espriella — havia sido pintado nas proximidades. Cartazes e adesivos de Cepeda também ocupavam postes e muros, algo que não havia sido visto durante o primeiro turno.
No dia da eleição, porém, o mural estava parcialmente coberto por lonas pretas e a maior parte dos cartazes e adesivos havia sido retirada.
Em outras áreas do bairro, alguns estabelecimentos reforçaram vitrines e fachadas devido ao receio de que uma vitória de De la Espriella pudesse provocar protestos, especialmente se Petro se recusasse a reconhecer o resultado.
As redes sociais foram inundadas por mensagens incentivando os eleitores a votarem e retornarem para casa, refletindo o clima de tensão que cercava a votação.
O jovem Jefferson Guarín, de 18 anos, dirigiu-se ao Corferias, maior centro de votação de Bogotá, na tarde de domingo.
— Estou muito nervoso com a possibilidade de haver protestos — disse ele, a poucos metros de um carro exibindo propaganda do candidato de esquerda Iván Cepeda. — O país está dividido demais.
Alguns eleitores no Corferias usavam a camisa da seleção colombiana. Entre eles estava o aposentado Danilo Sánchez, de 70 anos.
— A ideia é continuar otimista de que tudo acontecerá de forma pacífica — afirmou ao deixar o local de votação.
Busca por ampliar o eleitorado
Os dois candidatos ajustaram suas estratégias na tentativa de ampliar sua base de apoio.
Cepeda procurou tranquilizar eleitores moderados abandonando propostas de reformar a Constituição e concentrando esforços de campanha em distritos de Bogotá onde teve desempenho fraco no primeiro turno.
Os candidatos não participaram de debates entre si. Em vez disso, concentraram suas campanhas em comícios, aparições na mídia e ações de mobilização de eleitores na reta final da disputa.
Cerca de 41 milhões de colombianos estavam aptos a votar, incluindo cidadãos que vivem no exterior, que começaram a depositar seus votos ao longo da semana em consulados colombianos ao redor do mundo.










