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O advogado conservador Abelardo de la Espriella liderava o segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia à medida que os primeiros resultados eram divulgados neste domingo, colocando-se em posição favorável para derrotar o movimento de esquerda de Gustavo Petro e aproximar Bogotá da administração Trump.
Com 65% das seções eleitorais apuradas, De la Espriella tinha 50,6% dos votos, segundo a autoridade eleitoral. O senador de esquerda Iván Cepeda, aliado de Petro, aparecia com 47,8%, em uma das eleições mais polarizadas da história do país.
Resultados mais completos eram esperados ainda no domingo. O vencedor tomará posse em 7 de agosto. Petro estava impedido constitucionalmente de disputar a reeleição, já que a Presidência na Colômbia é limitada a um mandato de quatro anos.
Se conseguir manter a vantagem, a vitória do advogado conservador fará da Colômbia o mais recente país da América Latina a se alinhar politicamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De la Espriella, que também é cidadão americano, recebeu o apoio de Trump após defender durante a campanha a construção de megapresídios nos moldes de El Salvador, o bombardeio de acampamentos de grupos ligados ao narcotráfico e a retomada da exploração de petróleo, incluindo a autorização do fraturamento hidráulico (fracking).
Ele apostou fortemente em imagens patrióticas e em mensagens centradas na segurança, na identidade nacional e na “pátria”. Disputas judiciais envolvendo o uso de símbolos nacionais, incluindo a camisa da seleção colombiana de futebol, tornaram-se um tema de campanha por si só.
O resultado está sendo acompanhado de perto pelos mercados e por líderes empresariais preocupados com os rumos das políticas econômicas da terceira maior economia da América do Sul. A Colômbia enfrenta déficits fiscais crescentes, desaceleração econômica e pressões inflacionárias persistentes.
Muitos investidores consideram De la Espriella mais propenso a adotar disciplina fiscal e preservar a independência do Banco Central, que foi alvo de pressões frequentes durante o governo Petro. Cepeda, filho de um líder comunista assassinado e com mais de quatro décadas de atuação política, buscou tranquilizar eleitores moderados e investidores, afirmando que seu governo evitaria mudanças econômicas radicais, ao mesmo tempo em que daria continuidade à agenda social de Petro.
A eleição também é observada atentamente em Washington, onde Trump prometeu “apoio total” à Colômbia caso De la Espriella vença. Em contrapartida, Trump teve embates públicos com Petro e provavelmente manteria uma relação conflituosa caso Cepeda, aliado do atual presidente, assumisse o cargo.
Cepeda, que conta com forte apoio entre colombianos de baixa renda, além de eleitores negros e indígenas, afirmou que aumentaria os impostos sobre os mais ricos, redistribuiria terras para pequenos agricultores e proibiria o fracking. Ele foi um dos arquitetos do plano “Paz Total”, que levou grupos ligados ao narcotráfico à mesa de negociações, mas que não conseguiu promover grandes desmobilizações de combatentes nem conter a violência no país.
O senador Iván Cepeda em uma seção eleitoral durante o segundo turno das eleições presidenciais em Bogotá, neste domingo.
Bloomberg
O voto presidencial ocorre após as eleições legislativas de março, quando a coalizão Pacto Histórico, de Petro e Cepeda, conquistou 25 das 108 cadeiras do Senado, tornando-se a maior bancada da Casa.
Uma vitória de De la Espriella, um novato na política que nunca ocupou um cargo eletivo, levantaria questionamentos sobre sua capacidade de governar.
A campanha tornou-se cada vez mais agressiva após o primeiro turno. Cepeda tentou abrir processos criminais contra De la Espriella, enquanto o candidato conservador questionou repetidamente a integridade do processo eleitoral e buscou apoio de aliados internacionais para monitorar a votação.
Seções eleitorais
Na manhã deste domingo, na região do Parque Virrey, bairro de classe alta no norte de Bogotá, famílias inteiras acompanhadas de crianças e cães seguiam para os locais de votação.
Muitos usavam a camisa da seleção colombiana, símbolo que De la Espriella incorporou de forma controversa à campanha. Outros exibiam bonés brancos com a frase “Make Colombia Great Again” (“Torne a Colômbia grande novamente”, na tradução em português), em referência ao slogan de Trump.
Dias antes, um grande mural retratando um tigre nas cores da bandeira colombiana — outro símbolo associado a De la Espriella — havia sido pintado nas proximidades. Cartazes e adesivos de Cepeda também ocupavam postes e muros, algo que não havia sido visto durante o primeiro turno.
No dia da eleição, porém, o mural estava parcialmente coberto por lonas pretas e a maior parte dos cartazes e adesivos havia sido retirada.
Em outras áreas do bairro, alguns estabelecimentos reforçaram vitrines e fachadas devido ao receio de que uma vitória de De la Espriella pudesse provocar protestos, especialmente se Petro se recusasse a reconhecer o resultado.
As redes sociais foram inundadas por mensagens incentivando os eleitores a votarem e retornarem para casa, refletindo o clima de tensão que cercava a votação.
O jovem Jefferson Guarín, de 18 anos, dirigiu-se ao Corferias, maior centro de votação de Bogotá, na tarde de domingo.
— Estou muito nervoso com a possibilidade de haver protestos — disse ele, a poucos metros de um carro exibindo propaganda do candidato de esquerda Iván Cepeda. — O país está dividido demais.
Alguns eleitores no Corferias usavam a camisa da seleção colombiana. Entre eles estava o aposentado Danilo Sánchez, de 70 anos.
— A ideia é continuar otimista de que tudo acontecerá de forma pacífica — afirmou ao deixar o local de votação.
Busca por ampliar o eleitorado
Os dois candidatos ajustaram suas estratégias na tentativa de ampliar sua base de apoio.
Cepeda procurou tranquilizar eleitores moderados abandonando propostas de reformar a Constituição e concentrando esforços de campanha em distritos de Bogotá onde teve desempenho fraco no primeiro turno.
Os candidatos não participaram de debates entre si. Em vez disso, concentraram suas campanhas em comícios, aparições na mídia e ações de mobilização de eleitores na reta final da disputa.
Cerca de 41 milhões de colombianos estavam aptos a votar, incluindo cidadãos que vivem no exterior, que começaram a depositar seus votos ao longo da semana em consulados colombianos ao redor do mundo.

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Eleito presidente da Colômbia neste domingo após superar Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, Abelardo de la Espriella disse, em seu primeiro discurso como eleito, que não vai “prometer milagres”, afirmando que a recuperação do “exigirá trabalho, disciplina e perseverança”. Ele também prometeu que não descansaria “um único dia até restaurar a Colômbia ao lugar de grandeza que ela merece”.
‘Uma nova etapa para o país’: quem é Espriella, outsider apoiado por Trump que venceu as eleições na Colômbia
Leia também: candidato governista pede vigilância a apoiadores após ser derrotado por resultado apertado na Colômbia
“Apelo a vocês para a reconciliação, porque o futuro não pertence mais a poucos privilegiados. O futuro pertence, mais uma vez, ao povo da Colômbia. Nesta nova era, todos os cidadãos comuns serão bem-vindos. Hoje, a terrível noite terminou, dando lugar à luz que nos aguarda nesta nação próspera. Segura, alegre e cheia de esperança. Esta será a pátria de todos os colombianos, de todas as religiões, a pátria de todas as comunidades ancestrais, de todos os jovens, avós, agricultores, empreendedores — uma pátria de todos, para todos”, disse de la Espriella, diante de milhares de seus apoiadores em Barranquilla.
Em sua fala, ele também afirmou que restabeleceria relações com todos os “países que respeitam a democracia” e que cortaria vínculos com “países que não respeitam a liberdade e o Estado de Direito”.
“A missão de reconstruir a esperança e um sistema de saúde que não deixe nosso povo morrer”, declarou o presidente eleito. “Esta nação é maior do que qualquer partido, maior do que qualquer ideologia. A Colômbia merece ser grande. Hoje, meus concidadãos, somos um só povo: cada um com suas diferenças, com seus objetivos, mas unidos por um mandato maior, o de reconstruir a nação desde seus alicerces.”
Eleito presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella celebra vitória com a família
Juan Barreto/AFP
Quem é Espriella
Atrás de uma cabine de vidro à prova de balas, um advogado milionário e conhecido por suas declarações provocativas se transformou em um fenômeno político. Apelidado de “El Tigre”, ele capitalizou o desencanto com a classe política e com a esquerda para se aproximar da Presidência da Colômbia. Aos 47 anos, o outsider apoiado por Donald Trump venceu a disputa neste domingo por menos de 1 ponto percentual sobre o senador de esquerda Cepeda.
— Esse apoio histórico nos enche de gratidão, mas também de uma enorme responsabilidade. Hoje começa uma nova etapa para nosso país, uma etapa construída sobre a vontade livre e democrática de milhões de cidadãos que decidiram acreditar em uma Colômbia grande, segura, próspera e cheia de oportunidades — disse Espriella após o resultado. — Com a ajuda de Deus e o trabalho de todos os colombianos, a Pátria Milagre será uma realidade.
Onda de direita: Guinada conservadora na América do Sul e obstáculos internos frustram integração regional de Lula
Em resultado apertado: Abelardo de la Espriella vence eleição na Colômbia e leva direita apoiada por Trump ao poder
Caribenho e ultradireitista, define-se como “judaico-cristão”. Deixou para trás uma vida de luxo na cidade italiana de Florença para tentar governar a Colômbia com um discurso radical que desperta entusiasmo entre seus apoiadores e temor entre seus críticos.
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Em eventos marcados por fogos de artifício e rugidos de tigre, prometeu “reconstruir a República”, recuperar a segurança, defender a democracia “pela razão ou pela força” e tornar-se um “inimigo ferrenho” da esquerda.
Após deixar a direita tradicional fora do segundo turno, adotou um discurso antissistema: “A toda essa máfia que governa mal a Colômbia, digo: aqui há uma matilha, há um povo que não se ajoelha” e que veio enfrentá-los e “castigá-los”.
Convencido de que pode transformar o Estado em uma empresa próspera, inspirou-se nos presidentes argentino, Javier Milei; salvadorenho, Nayib Bukele; e americano, Donald Trump.
Recuo: Governo da Colômbia retira proposta de Assembleia Constituinte após derrota eleitoral
Cantor lírico amador, costuma vestir ternos impecáveis sem gravata e mocassins. Também usa frequentemente a camisa amarela da seleção colombiana, o que lhe rendeu críticas da esquerda por se apropriar do símbolo nacional, à semelhança do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
Com dupla nacionalidade americana e colombiana, enfrenta questionamentos sobre suas relações profissionais do passado e sobre a origem de sua fortuna. Antes de lançar sua candidatura, exibia nas redes sociais viagens em jatos particulares, roupas sob medida, chapéus e óculos de luxo.
Durante a campanha presidencial, foi criticado por declarações consideradas machistas e homofóbicas, que, no entanto, não afetaram sua popularidade.
‘Dolce vita’
Espriella apresenta-se como um empresário bem-sucedido.
— Não sou um vendedor de ilusões, sou um empresário de realidades — disse à AFP durante a campanha.
Ele circula protegido por dezenas de soldados, policiais e seguranças particulares após denunciar ameaças de morte.
Uniforme da seleção: Justiça proíbe candidato de extrema direita de usar camisa da Colômbia como ‘símbolo’
Pai de quatro filhos, afirma ter “coragem” para governar com “mão de ferro” o país com a maior produção de cocaína do mundo, mergulhado em um conflito armado que dura mais de seis décadas.
— No meu governo, bandido que não se submeter (à Justiça) será abatido — dizia.
Para combater as organizações criminosas, diz que pretende formar uma aliança militar com Estados Unidos e Israel. Também defende o fim do tribunal criado pelo acordo de paz firmado com a guerrilha das Farc em 2016, responsável por julgar os crimes mais graves do conflito armado. Afirma que vivia a “dolce vita” em Florença e que a campanha presidencial representa um “sacrifício” pela “pátria”.
Sua esposa declarou que, caso fosse derrotado no segundo turno, a família voltaria para a Itália, onde já tem “a vida resolvida”.
‘Firmes pela pátria’
Espriella apresenta-se como alguém combativo, disposto a formar um governo “inflexível diante do terrorismo”. Em atos públicos, aparece representado por um tigre de presas afiadas criado com inteligência artificial.
Nas redes sociais, publica imagens fumando charutos ou promovendo seus negócios de vinhos e rum. Também possui uma marca de roupas própria, chamada “Espriella Style”. Defende o porte de armas, a redução de 40% da estrutura do Estado e a construção de megapresídios, nos quais os detentos ficariam “dez andares abaixo da terra”, alimentados com “pão e água”.
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Com a saudação militar e um enfático “firmes pela pátria!”, conquista militares da reserva que o acompanham em seus comícios. Embora demonstre desprezo pelos políticos tradicionais, mantém “uma grande amizade” com o influente ex-presidente de direita Álvaro Uribe (2002-2010).
Espriella afirma viver “de acordo com os princípios judaico-cristãos”, embora anteriormente se declarasse ateu. Seu pai também é político, mas ele costuma dizer que vem de uma família de pecuaristas do Caribe colombiano, onde cresceu “ao estilo de Tom Sawyer”, pescando e brincando no campo.
Seu estilo de falar sem filtro já lhe trouxe problemas. Em certa ocasião, afirmou que era preciso “estripar” a esquerda na Colômbia, declaração pela qual depois pediu desculpas.
Em outra entrevista, contou que, quando jovem, se divertia amarrando fogos de artifício em gatos para lançá-los pelos ares, sugerindo que os animais morriam. Posteriormente, afirmou que se tratava de uma brincadeira.
Atrás de uma cabine de vidro à prova de balas, um advogado milionário e conhecido por suas declarações provocativas se transformou em um fenômeno político. Abelardo de la Espriella, apelidado de “El Tigre”, capitalizou o desencanto com a classe política e com a esquerda para se aproximar da Presidência da Colômbia. Aos 47 anos, o outsider apoiado por Donald Trump venceu a disputa neste domingo por menos de 1 ponto percentual sobre o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro.
— Esse apoio histórico nos enche de gratidão, mas também de uma enorme responsabilidade. Hoje começa uma nova etapa para nosso país, uma etapa construída sobre a vontade livre e democrática de milhões de cidadãos que decidiram acreditar em uma Colômbia grande, segura, próspera e cheia de oportunidades — disse Espriella após o resultado. — Com a ajuda de Deus e o trabalho de todos os colombianos, a Pátria Milagre será uma realidade.
Onda de direita: Guinada conservadora na América do Sul e obstáculos internos frustram integração regional de Lula
Em resultado apertado: Abelardo de la Espriella vence eleição na Colômbia e leva direita apoiada por Trump ao poder
Caribenho e ultradireitista, define-se como “judaico-cristão”. Deixou para trás uma vida de luxo na cidade italiana de Florença para tentar governar a Colômbia com um discurso radical que desperta entusiasmo entre seus apoiadores e temor entre seus críticos.
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Em eventos marcados por fogos de artifício e rugidos de tigre, prometeu “reconstruir a República”, recuperar a segurança, defender a democracia “pela razão ou pela força” e tornar-se um “inimigo ferrenho” da esquerda.
Após deixar a direita tradicional fora do segundo turno, adotou um discurso antissistema: “A toda essa máfia que governa mal a Colômbia, digo: aqui há uma matilha, há um povo que não se ajoelha” e que veio enfrentá-los e “castigá-los”.
Convencido de que pode transformar o Estado em uma empresa próspera, inspirou-se nos presidentes argentino, Javier Milei; salvadorenho, Nayib Bukele; e americano, Donald Trump.
Recuo: Governo da Colômbia retira proposta de Assembleia Constituinte após derrota eleitoral
Cantor lírico amador, costuma vestir ternos impecáveis sem gravata e mocassins. Também usa frequentemente a camisa amarela da seleção colombiana, o que lhe rendeu críticas da esquerda por se apropriar do símbolo nacional, à semelhança do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
Com dupla nacionalidade americana e colombiana, enfrenta questionamentos sobre suas relações profissionais do passado e sobre a origem de sua fortuna. Antes de lançar sua candidatura, exibia nas redes sociais viagens em jatos particulares, roupas sob medida, chapéus e óculos de luxo.
Durante a campanha presidencial, foi criticado por declarações consideradas machistas e homofóbicas, que, no entanto, não afetaram sua popularidade.
‘Dolce vita’
Espriella apresenta-se como um empresário bem-sucedido.
— Não sou um vendedor de ilusões, sou um empresário de realidades — disse à AFP durante a campanha.
Ele circula protegido por dezenas de soldados, policiais e seguranças particulares após denunciar ameaças de morte.
Uniforme da seleção: Justiça proíbe candidato de extrema direita de usar camisa da Colômbia como ‘símbolo’
Pai de quatro filhos, afirma ter “coragem” para governar com “mão de ferro” o país com a maior produção de cocaína do mundo, mergulhado em um conflito armado que dura mais de seis décadas.
— No meu governo, bandido que não se submeter (à Justiça) será abatido — dizia.
Para combater as organizações criminosas, diz que pretende formar uma aliança militar com Estados Unidos e Israel. Também defende o fim do tribunal criado pelo acordo de paz firmado com a guerrilha das Farc em 2016, responsável por julgar os crimes mais graves do conflito armado. Afirma que vivia a “dolce vita” em Florença e que a campanha presidencial representa um “sacrifício” pela “pátria”.
Sua esposa declarou que, caso fosse derrotado no segundo turno, a família voltaria para a Itália, onde já tem “a vida resolvida”.
‘Firmes pela pátria’
Espriella apresenta-se como alguém combativo, disposto a formar um governo “inflexível diante do terrorismo”. Em atos públicos, aparece representado por um tigre de presas afiadas criado com inteligência artificial.
Nas redes sociais, publica imagens fumando charutos ou promovendo seus negócios de vinhos e rum. Também possui uma marca de roupas própria, chamada “Espriella Style”. Defende o porte de armas, a redução de 40% da estrutura do Estado e a construção de megapresídios, nos quais os detentos ficariam “dez andares abaixo da terra”, alimentados com “pão e água”.
Initial plugin text
Com a saudação militar e um enfático “firmes pela pátria!”, conquista militares da reserva que o acompanham em seus comícios. Embora demonstre desprezo pelos políticos tradicionais, mantém “uma grande amizade” com o influente ex-presidente de direita Álvaro Uribe (2002-2010).
Espriella afirma viver “de acordo com os princípios judaico-cristãos”, embora anteriormente se declarasse ateu. Seu pai também é político, mas ele costuma dizer que vem de uma família de pecuaristas do Caribe colombiano, onde cresceu “ao estilo de Tom Sawyer”, pescando e brincando no campo.
Seu estilo de falar sem filtro já lhe trouxe problemas. Em certa ocasião, afirmou que era preciso “estripar” a esquerda na Colômbia, declaração pela qual depois pediu desculpas.
Em outra entrevista, contou que, quando jovem, se divertia amarrando fogos de artifício em gatos para lançá-los pelos ares, sugerindo que os animais morriam. Posteriormente, afirmou que se tratava de uma brincadeira.
O senador colombiano Iván Cepeda, candidato do presidente Gustavo Petro, pediu “vigilância” em discurso a apoiadores após ser derrotado por menos de 1 ponto percentual pelo advogado ultradireitista Abelardo de la Espriella. Segundo a contagem rápida, Espriella venceu com 49,65% dos votos, contra 48,70% de Cepeda, uma diferença de cerca de 245 mil votos, em uma eleição acompanhada de perto internacionalmente após o apoio de Trump ao advogado e as críticas do presidente americano a Cepeda, a quem chamou de “marxista radical de esquerda”.
Contexto: Votação para presidente começa na Colômbia em segundo turno disputado
Abelardo de la Espriella: Advogado de figuras controversas, ‘El Tigre’ quer retomar o poder para a direita
— Assim que o resultado final da contagem de votos for divulgado e as verificações necessárias forem feitas, reconheceremos o resultado oficial resultante desse processo de contagem — disse a apoiadores após os resultados iniciais.
Com apoio declarado do líder americano, Donald Trump, Espriella chega ao poder prometendo uma guinada na política de segurança, conduzindo uma ofensiva contra grupos armados e narcotraficantes, além de uma agenda econômica de redução de impostos e do tamanho do Estado.
A vitória encerra uma das eleições mais polarizadas da história recente da Colômbia.
“As seções eleitorais sem assinaturas de jurados devem ser contestadas imediatamente”, escreveu o presidente no X. “O Cartório Eleitoral está enviando formulários sem assinaturas de jurados. Essas seções eleitorais devem ser contestadas imediatamente (…). O empate técnico, sem que nenhum candidato alcance 50%, nos obriga a aguardar os resultados oficiais”.
Esta é a segunda disputa de segundo turno mais apertada da história da Colômbia e a que registrou a maior participação de eleitores desde 1998. Um dos integrantes da campanha de Cepeda, Jorge Rojas anunciou que os resultados do pleito serão contestados onde teriam ocorrido compra de votos na região do Caribe colombiano. Ele também pediu que se aguarde a apuração oficial dos votos. Mais tarde, o candidato declarou:
— Uma vez que seja divulgado o resultado final da apuração e que tenham sido realizadas as verificações correspondentes, reconheceremos o resultado oficial que emergir desse processo de escrutínio — afirmou Cepeda, ao passo que o público presente gritou: “Resistência!”.
Já a ex-candidata à Presidência Paloma Valencia felicitou Espriella e seu companheiro de chapa, José Manuel Restrepo. Em publicação no X, ela escreveu: “Que Deus guie seus passos e permita que a Colômbia siga um caminho de progresso baseado em um Estado pequeno, na liberdade como princípio do desenvolvimento econômico e no bem-estar social para todos e cada um dos cidadãos”.
O presidente da Argentina, Javier Milei, foi um dos primeiros líderes a parabenizar o advogado. Também em publicação nas redes, o argentino afirmou: “Hoje, a maioria dos colombianos escolheu o caminho da liberdade econômica, da prosperidade, da segurança inabalável e disse BASTA ao crime organizado transnacional e ao narcotráfico”.
Espriella construiu sua candidatura sobre a promessa de combater com mão dura guerrilhas e organizações ligadas ao narcotráfico, defendendo megapresídios, retomada da exploração de petróleo e maior aproximação com Washington. Cidadão americano e filiado ao Partido Republicano, o advogado recebeu aprovação de Trump, que sinalizou que as relações entre os dois países melhorariam “significativamente” com sua vitória.
Cepeda, por sua vez, apostou na continuidade da agenda de Petro, com programas sociais, redistribuição de terras e negociações com guerrilhas e organizações criminosas para alcançar a chamada “Paz Total”. Ele, que contou com forte apoio entre colombianos de baixa renda, além de negros e indígenas, afirmava que aumentaria os impostos sobre os mais ricos e redistribuir terras para pequenos agricultores.
— É motivo de orgulho concluir hoje esta longa jornada eleitoral, prolongada. Fizemos uma campanha limpa, transparente, honesta, na qual apresentamos aos cidadãos nossas ideias, nosso programa, nossos princípios e nosso caminho e destino para a Colômbia nos próximos anos — disse Cepeda à imprensa após comparecer ao seu local de votação neste domingo. — Quando vencermos, vamos governar para todo o país, e não apenas para um setor.
Entenda: Polarização entre extrema direita e esquerda no segundo turno força limites institucionais na Colômbia
Espriella, por outro lado, votou usando a camisa da seleção colombiana de futebol, cercado por centenas de apoiadores vestidos da mesma forma, que gritavam “Fora, Petro!” em Barranquilla, seu principal reduto político. Em declaração à imprensa, ele, que se autodenomina “O Tigre”, disse que veio para “mudar a política para sempre”, definindo a votação deste domingo como “a mais importante da história da Colômbia”.
Divisão e violência
Espriella foi o mais votado no primeiro turno, com 43,7% dos votos e mais de 10,3 milhões de apoios, quase três pontos percentuais à frente dos obtidos por Cepeda, que até então era considerado o favorito. Petro, sem apresentar provas, lançou dúvidas sobre o resultado — postura que reiterou mais cedo neste domingo, afirmando que atores “tentaram escravizar o povo colombiano ao retirar sua liberdade de decidir”.
No X, Petro também denunciou supostas irregularidades na votação de colombianos no exterior. Segundo relatou, seu filho Andrés Petro foi votar e descobriu que uma mulher já havia votado em seu nome. Embora finalmente tenham permitido que seu filho votasse, o mandatário pediu mais fiscalização, escrevendo: “O cônsul disse que isso estava acontecendo muito e que antes não acontecia com tanta frequência. Deve aumentar a vigilância dos fiscais no exterior”.
Iván Cepeda: Senador, que teve pai morto pelo Estado, busca repetir milagre da esquerda
A votação foi amplamente vista como um referendo sobre o governo do atual presidente. Seus apoiadores atribuem ao governo a ampliação de programas sociais e o aumento da visibilidade política de grupos historicamente marginalizados. Já os críticos citam o que definem como uma problemática intervenção estatal no sistema de saúde e gastos públicos excessivos, que deixaram a dívida pública colombiana em níveis comparáveis aos registrados na pandemia.
Os eleitores também mancionaram preocupações com criminalidade, extorsão e o crescente poder de grupos armados em áreas rurais. A violência aumentou mesmo durante a campanha eleitoral, marcada pelo assassinato de um candidato à Presidência, pela morte de dois integrantes da campanha de Espriella e pelo sequestro temporário do candidato a vice-presidente de Cepeda.
Críticos afirmam que a estratégia de “Paz Total”, principal marca do governo Petro, permitiu que essas organizações se fortalecessem durante os cessar-fogos. Organizações humanitárias afirmam que a violência atingiu o nível mais alto desde o acordo de paz de 2016, embora a Colômbia continue sendo muito mais segura do que era durante o auge do conflito nas décadas de 1980 e 1990.
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Apenas em 2025, autoridades registraram 14,7 mil homicídios — incluindo o candidato presidencial conservador Miguel Uribe —, o maior número desde pelo menos 2015. Os casos de extorsão também dispararam, chegando a 13,4 mil ocorrências em 2025, mais que o dobro do registrado em 2015. Espriella responsabiliza Petro, a quem chama de “chefe da máfia” e ameaça levar à Justiça dos Estados Unidos. Cepeda, muito mais moderado, só elevou o tom na reta final: chamou o adversário de “banal”, “perigoso” e “sem escrúpulos”.
Considerado sóbrio e pouco carismático, o senador precisou se reinventar nas últimas três semanas. Ele mergulhou nas redes sociais, cercou-se de jovens e buscou proximidade com eleitores que lhe faltava para competir com a campanha digital e milionária de Espriella. Embora sua equipe acredite que ele conseguiu ganhar impulso, também reconhece que a nova postura pode ter sido adotada tarde demais.
Reação nos EUA
Algumas das promessas de campanha de Espriella lembram políticas adotadas por outros líderes de direita da América Latina, como Nayib Bukele, de El Salvador, e Javier Milei, da Argentina. Sua plataforma inclui a construção de dez megapresídios, a redução do tamanho do Estado e a cooperação com os EUA no combate ao narcotráfico.
Ele também é conhecido por recorrer à Justiça contra seus adversários, incluindo jornalistas. Depois de receber o apoio de Trump e de alguns parlamentares republicanos, Espriella passou a afirmar que perseguiria qualquer pessoa que o desafiasse com ajuda dos EUA.
Na semana passada, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, divulgou um memorando afirmando que a atuação do ativista Beto Coral, residente no Arizona, interferia na política externa americana, após ele criticar o então candidato. Coral, de 40 anos, foi detido por autoridades de imigração dos EUA na terça-feira, medida que foi condenada por democratas no Congresso e por organizações de direitos humanos.
— O que me preocupa é a polarização que existe entre nós: há dois lados muito extremos, e a violência é preocupante — disse à AP o advogado John Manrique, morador de Bogotá. — O que espero é que as pessoas aceitem quem vencer. (Com AFP, Bloomberg e New York Times)
O advogado ultradireitista Abelardo de la Espriella venceu neste domingo a eleição presidencial da Colômbia e derrotou o senador de esquerda Iván Cepeda, herdeiro político do presidente Gustavo Petro. Com apoio declarado do líder americano, Donald Trump, Espriella chega ao poder prometendo uma guinada na política de segurança, conduzindo uma ofensiva contra grupos armados e narcotraficantes, além de uma agenda econômica de redução de impostos e do tamanho do Estado.
Contexto: Votação para presidente começa na Colômbia em segundo turno disputado
Abelardo de la Espriella: Advogado de figuras controversas, ‘El Tigre’ quer retomar o poder para a direita
A vitória encerra uma das eleições mais polarizadas da história recente da Colômbia. Espriella venceu com 49,65% dos votos, contra 48,70% de Cepeda, em uma eleição acompanhada de perto internacionalmente após o apoio de Trump ao advogado e as críticas do presidente americano a Cepeda, a quem chamou de “marxista radical de esquerda”. A margem apertada levou Petro a afirmar que todos devem aguardar a “contagem final”, que começa na segunda-feira nas comissões eleitorais e deve prosseguir por diferentes instâncias — auxiliares, municipais, departamentais e o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
“As seções eleitorais sem assinaturas de jurados devem ser contestadas imediatamente”, escreveu o presidente no X. “O Cartório Eleitoral está enviando formulários sem assinaturas de jurados. Essas seções eleitorais devem ser contestadas imediatamente (…). O empate técnico, sem que nenhum candidato alcance 50%, nos obriga a aguardar os resultados oficiais”.
Um dos integrantes da campanha de Cepeda, Jorge Rojas anunciou que os resultados do pleito serão contestados onde teriam ocorrido compra de votos na região do Caribe colombiano. Ele também pediu que se aguarde a apuração oficial dos votos.
— Nossos advogados e observadores eleitorais começarão seus trabalhos amanhã de manhã. Já temos um sistema de monitoramento eleitoral em funcionamento. Conclamamos a uma fiscalização pacífica por parte dos cidadãos, a partir desta noite.
Espriella construiu sua candidatura sobre a promessa de combater com mão dura guerrilhas e organizações ligadas ao narcotráfico, defendendo megapresídios, retomada da exploração de petróleo e maior aproximação com Washington. Cidadão americano e filiado ao Partido Republicano, o advogado recebeu aprovação de Trump, que sinalizou que as relações entre os dois países melhorariam “significativamente” com sua vitória.
Cepeda, por sua vez, apostou na continuidade da agenda de Petro, com programas sociais, redistribuição de terras e negociações com guerrilhas e organizações criminosas para alcançar a chamada “Paz Total”. Ele, que contou com forte apoio entre colombianos de baixa renda, além de negros e indígenas, afirmava que aumentaria os impostos sobre os mais ricos e redistribuir terras para pequenos agricultores.
— É motivo de orgulho concluir hoje esta longa jornada eleitoral, prolongada. Fizemos uma campanha limpa, transparente, honesta, na qual apresentamos aos cidadãos nossas ideias, nosso programa, nossos princípios e nosso caminho e destino para a Colômbia nos próximos anos — disse Cepeda à imprensa após comparecer ao seu local de votação neste domingo. — Quando vencermos, vamos governar para todo o país, e não apenas para um setor.
Entenda: Polarização entre extrema direita e esquerda no segundo turno força limites institucionais na Colômbia
Espriella, por outro lado, votou usando a camisa da seleção colombiana de futebol, cercado por centenas de apoiadores vestidos da mesma forma, que gritavam “Fora, Petro!” em Barranquilla, seu principal reduto político. Em declaração à imprensa, ele, que se autodenomina “O Tigre”, disse que veio para “mudar a política para sempre”, definindo a votação deste domingo como “a mais importante da história da Colômbia”.
Divisão e violência
Espriella foi o mais votado no primeiro turno, com 43,7% dos votos e mais de 10,3 milhões de apoios, quase três pontos percentuais à frente dos obtidos por Cepeda, que até então era considerado o favorito. Petro, sem apresentar provas, lançou dúvidas sobre o resultado — postura que reiterou mais cedo neste domingo, afirmando que atores “tentaram escravizar o povo colombiano ao retirar sua liberdade de decidir”.
No X, Petro também denunciou supostas irregularidades na votação de colombianos no exterior. Segundo relatou, seu filho Andrés Petro foi votar e descobriu que uma mulher já havia votado em seu nome. Embora finalmente tenham permitido que seu filho votasse, o mandatário pediu mais fiscalização, escrevendo: “O cônsul disse que isso estava acontecendo muito e que antes não acontecia com tanta frequência. Deve aumentar a vigilância dos fiscais no exterior”.
Iván Cepeda: Senador, que teve pai morto pelo Estado, busca repetir milagre da esquerda
A votação foi amplamente vista como um referendo sobre o governo do atual presidente. Seus apoiadores atribuem ao governo a ampliação de programas sociais e o aumento da visibilidade política de grupos historicamente marginalizados. Já os críticos citam o que definem como uma problemática intervenção estatal no sistema de saúde e gastos públicos excessivos, que deixaram a dívida pública colombiana em níveis comparáveis aos registrados na pandemia.
Os eleitores também mancionaram preocupações com criminalidade, extorsão e o crescente poder de grupos armados em áreas rurais. A violência aumentou mesmo durante a campanha eleitoral, marcada pelo assassinato de um candidato à Presidência, pela morte de dois integrantes da campanha de Espriella e pelo sequestro temporário do candidato a vice-presidente de Cepeda.
Críticos afirmam que a estratégia de “Paz Total”, principal marca do governo Petro, permitiu que essas organizações se fortalecessem durante os cessar-fogos. Organizações humanitárias afirmam que a violência atingiu o nível mais alto desde o acordo de paz de 2016, embora a Colômbia continue sendo muito mais segura do que era durante o auge do conflito nas décadas de 1980 e 1990.
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Apenas em 2025, autoridades registraram 14,7 mil homicídios — incluindo o candidato presidencial conservador Miguel Uribe —, o maior número desde pelo menos 2015. Os casos de extorsão também dispararam, chegando a 13,4 mil ocorrências em 2025, mais que o dobro do registrado em 2015. Espriella responsabiliza Petro, a quem chama de “chefe da máfia” e ameaça levar à Justiça dos Estados Unidos. Cepeda, muito mais moderado, só elevou o tom na reta final: chamou o adversário de “banal”, “perigoso” e “sem escrúpulos”.
Considerado sóbrio e pouco carismático, o senador precisou se reinventar nas últimas três semanas. Ele mergulhou nas redes sociais, cercou-se de jovens e buscou proximidade com eleitores que lhe faltava para competir com a campanha digital e milionária de Espriella. Embora sua equipe acredite que ele conseguiu ganhar impulso, também reconhece que a nova postura pode ter sido adotada tarde demais.
Reação nos EUA
Algumas das promessas de campanha de Espriella lembram políticas adotadas por outros líderes de direita da América Latina, como Nayib Bukele, de El Salvador, e Javier Milei, da Argentina. Sua plataforma inclui a construção de dez megapresídios, a redução do tamanho do Estado e a cooperação com os EUA no combate ao narcotráfico.
Ele também é conhecido por recorrer à Justiça contra seus adversários, incluindo jornalistas. Depois de receber o apoio de Trump e de alguns parlamentares republicanos, Espriella passou a afirmar que perseguiria qualquer pessoa que o desafiasse com ajuda dos EUA.
Na semana passada, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, divulgou um memorando afirmando que a atuação do ativista Beto Coral, residente no Arizona, interferia na política externa americana, após ele criticar o então candidato. Coral, de 40 anos, foi detido por autoridades de imigração dos EUA na terça-feira, medida que foi condenada por democratas no Congresso e por organizações de direitos humanos.
— O que me preocupa é a polarização que existe entre nós: há dois lados muito extremos, e a violência é preocupante — disse à AP o advogado John Manrique, morador de Bogotá. — O que espero é que as pessoas aceitem quem vencer. (Com AFP, Bloomberg e New York Times)
Morreu aos 94 anos Ramiro Valdés Menéndez, um dos nomes históricos da Revolução Cubana e responsável pela criação do serviço de inteligência do país. A informação foi confirmada neste domingo pelo presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel.
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Em publicação na rede social X, o chefe de Estado afirmou que a morte do militar “dói profundamente” e comparou a perda à de um “pai”. Díaz-Canel destacou ainda a lealdade de Valdés à liderança dos irmãos Fidel e Raúl Castro ao longo de sua trajetória política e militar.
Valdés integrava o grupo restrito de líderes cubanos que detinham o título de “Comandante da Revolução”. Ele também foi um dos últimos sobreviventes da expedição do iate Granma, que partiu em 1956 do México em direção a Cuba e deu início à Revolução Cubana, ao lado de Fidel Castro e outros guerrilheiros.
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Durante a guerrilha contra o ditador Fulgencio Batista, Valdés atuou em posições de destaque no movimento liderado por Fidel Castro e teve ligação próxima com Ernesto “Che” Guevara, que comandava parte das ações revolucionárias.
Após a tomada do poder em 1959, Valdés se tornou uma das figuras centrais do novo governo, ocupando o Ministério do Interior e sendo responsável pela criação do serviço de inteligência cubano, conhecido como G2.
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Membro do Partido Comunista de Cuba, ele permaneceu por décadas em funções estratégicas dentro do regime, sendo frequentemente visto em aparições públicas com uniforme militar. Nos últimos anos, apoiava o governo de Díaz-Canel, primeiro presidente cubano fora da família Castro desde a revolução.
Segundo o cientista político Michael Shifter, do think tank Diálogo Interamericano, Valdés teve papel central no período mais duro da consolidação do regime cubano após 1959, marcado pelo confronto com grupos contrários à revolução.
A delegação do Irã deixou neste domingo o local onde participaria de uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos na Suíça, após o presidente Donald Trump voltar a ameaçar atacar a República Islâmica, segundo a agência estatal iraniana Irna. A saída ocorreu horas depois da chegada das equipes dos dois países a um resort à beira de um lago, onde discutiriam o conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano, os fundos iranianos congelados e a venda de petróleo do país.
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Mais cedo, o vice-presidente americano, JD Vance, disse ao chegar no resort que se tratava “uma reunião histórica”, mencionando que foram alcançados “grandes avanços nas últimas horas”. Ele lidera uma equipe de negociação que inclui os enviados especiais do presidente Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner. A equipe do Irã conta com a presença do general Mohammad Bagher Ghalibaf, seu principal negociador em conversas anteriores e presidente do Parlamento iraniano.
— A questão que temos diante de nós agora é: quanto mais podemos realizar juntos? Podemos virar uma nova página? — disse Vance, em breves comentários, no início das negociações. — Podemos mudar permanentemente as relações no Oriente Médio ou voltaremos a fazer as coisas à moda antiga, o que não é a nossa preferência, mas é certamente algo muito possível de acontecer?
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Horas antes do início das conversas, o Irã confirmou que o conflito em curso no Líbano entre Israel e o grupo militante Hezbollah será o ponto central da pauta sobre a mesa, juntamente com questões como os fundos iranianos congelados e a venda de petróleo do país.
“O regime sionista continua a violar seus compromissos no Líbano; essa questão será o principal tópico de discussão nas conversas de hoje”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, em um vídeo divulgado pela agência de notícias estatal Irna. “A questão da liberação de ativos iranianos congelados ou restritos, bem como a discussão sobre a emissão das licenças necessárias para a venda de petróleo iraniano, também constarão na pauta”.
A violação do cessar-fogo no Líbano fez com que o Irã voltasse a bloquear o Estreito de Ormuz no sábado, em meio aos arranjos para a nova rodada de negociações de paz na Suíça. As Forças Armadas dos EUA, no entanto, contestaram a alegação de que o país havia fechado a passagem e afirmaram que monitoram a situação para garantir que o tráfego marítimo continue fluindo pela hidrovia.
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Três superpetroleiros carregados, com capacidade combinada para transportar 6 milhões de barris, emitiram sinais enquanto navegavam pelo canal no sábado por uma rota próxima à costa de Omã, segundo dados de rastreamento de navios. Um deles voltou a transmitir sinais automáticos no início da manhã de domingo, após alcançar o Golfo de Omã.
Neste domingo, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse estar preparado para dar garantias de que não desenvolverá armas nucleares, mas sem desistir de enriquecer urânio.
“O que os Estados Unidos exigem é que o Irã não construa uma bomba atômica. Isso não é novidade, e nós também podemos declarar por escrito que não temos intenção de construir uma bomba”, afirmou o presidente, segundo seu site oficial. “No entanto, não abriremos mão do nosso direito ao enriquecimento, e o outro lado não terá escolha a não ser aceitar esse direito”.
Além de Ghalibaf, a delegação do Irã é composta pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, e pelo chefe do Banco Central, Abdolnaser Hemmati, de acordo com a TV estatal do país. A delegação paquistanesa, atuando como mediadora, também chegou neste domingo e incluiu o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o chefe do Estado-Maior do Exército, Asim Munir.
Tensão no Líbano
Mediadores do Catar também estavam presentes no resort onde o encontro vai ocorrer. Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU, reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores da Suíça, Ignazio Cassis, em um encontro paralelo.
Pelo previsto na dinâmica do encontro principal, autoridades iranianas realizariam suas próprias reuniões com mediadores paquistaneses e catarianos antes de uma reunião planejada entre quatro partes, já com os EUA.
Ataques israelenses deixaram dezenas de mortos no sábado no leste e no sul do país, mas foram interrompidos no fim do dia, quando o Exército recebeu ordens para cumprir o cessar-fogo, assim como o Hezbollah. Um soldado israelense também morreu no sábado na região.
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Neste domingo, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel afirmou que o cessar-fogo entre Israel e o Líbano é “frágil”.
— Devemos manter um alto nível de prontidão para a retomada das operações de combate, a eliminação de ameaças e uma rápida transição para novas operações, se necessário — disse o tenente-general Eyal Zamir.
Na Suíça, o vice-presidente americano afirmou que “os Estados Unidos fizeram mais para conter o conflito no Líbano do que qualquer outro governo em qualquer lugar do mundo nos últimos meses”.
— O presidente dos Estados Unidos está comprometido não apenas com a paz entre os Estados Unidos e o Irã, mas com uma paz regional, e é por isso que estamos aqui.
Nesta manhã, o presidente dos EUA, Donald Trump, publicou em sua rede Truth Social uma postagem sugerindo que as violações do cessar fogo no Líbano seriam culpa apenas do Hezbollah, e ameaçou o Irã novamente.
“O Irã deve impedir imediatamente que seus intermediários muito bem pagos no Líbano causem problemas”, escreveu. “Se não o fizerem, atacaremos o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, só que com mais força!!!”
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio com ataques a bomba contra Israel, em represália à morte do líder supremo do Irã, morto por ataques aéreos israelenses e americanos contra o Irã, o que desencadeou a guerra em 28 de fevereiro. Desde então, as operações israelenses no Líbano resultaram em 4.057 mortes, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde.
Antes de partir para a Suíça, o vice-presidente dos Estados Unidos afirmou que, apesar de tudo, a situação estava “melhorando”.
— O grande problema é que alguém começa a atirar e alguém responde, e aí você tem esse dilema de quem começou primeiro, se foi o ovo ou a galinha — disse Vance. — É preciso conseguir interromper os disparos rápido o bastante para que o cessar-fogo seja mantido. É isso que estamos tentando fazer.

(Com New York Times)

Os colombianos começaram a votar neste domingo para eleger o novo presidente do país entre Abelardo de la Espriella, candidato de extrema direita apoiado por Donald Trump, e o senador de esquerda Iván Cepeda, alinhado ao governo, em um segundo turno crucial para o processo de paz vacilante e as relações tensas com Washington. As pesquisas preveem um segundo turno acirrado, no qual Espriella, um advogado milionário de 47 anos, é o favorito. Ele vem ganhando apoio com sua retórica contra a guerrilha e chamando de “câncer” a esquerda, que está no poder pela primeira vez sob o atual presidente Gustavo Petro.
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Em segundo nas pesquisas está Cepeda, de 63 anos, um congressista veterano e filósofo aliado ao governo, que está conquistando apoio de setores populares que se beneficiam da redução da pobreza, do aumento do salário mínimo e da queda do desemprego em um dos países mais desiguais do mundo.
“Viemos com a expectativa de mudar o rumo do país. (…) A cada dia temos mais insegurança”, disse Juan Márquez à AFP antes de votar na cidade caribenha de Barranquilla, vestindo a camisa da seleção nacional de futebol que De la Espriella e seus apoiadores costumam usar.
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Petro, vestido de branco, inaugurou a votação do dia em Bogotá, que continuará até as 16h locais (18h hora de Brasília). A autoridade eleitoral espera ter os resultados algumas horas após o fechamento das urnas.
A assinatura do acordo de paz com guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2016 trouxe alguns anos de calma. Mas, uma década depois, a campanha foi marcada pela violência de grupos armados que usaram bombas, drones explosivos e assassinaram um candidato à presidência.
De la Espriella culpa Petro, a quem chama de “chefe da máfia” e ameaça levá-lo à justiça dos Estados Unidos.
O advogado, que se autodenomina “El Tigre” (O Tigre), disse que buscará o apoio de Trump e de Israel para lançar uma ofensiva de 90 dias contra a guerrilha, incluindo bombardeios e a fumigação de plantações de coca no maior produtor mundial de cocaína.
Cidadão colombiano-americano, ele se opõe às políticas de paz com as quais Petro tentou negociar com os grupos armados, obtendo pouco progresso para pôr fim a décadas de conflito armado.
Segundo analistas, essas organizações se aproveitaram da situação para se enriquecer, ganhar poder e se expandir.
Filho de um político comunista assassinado por agentes do Estado em 1994, Cepeda tem sido um defensor das vítimas do conflito e foi um dos arquitetos do acordo de “paz total” durante este governo, embora tenha declarado sua disposição em revisá-lo.
— Para o bem da Colômbia, os pobres vêm em primeiro lugar — afirma em seus discursos.
Soluções de choque
Sem possibilidade de reeleição, Petro aspira repetir o feito de levar a esquerda ao poder em um país governado por elites conservadoras há 200 anos.
O presidente conta com o apoio de outros governos de esquerda, como o do México e do Brasil, enquanto a direita, apoiada por Trump, ganha força em países como Argentina, Chile, El Salvador e Equador.
Atrás de uma urna de vidro à prova de balas e com uma saudação militar, De la Espriella se tornou um fenômeno político, utilizando inteligência artificial e concedendo entrevistas onde se vangloria de sua carreira musical e da vida luxuosa que levava na Itália antes de sua campanha.
“Ele se conecta com um eleitorado já muito cansado da insegurança e que precisa de soluções de choque”, mas também personifica um modelo “aspiracional” do “empresário que construiu sua fortuna”, afirma Luisa Lozano, especialista da Universidade de La Sabana.
Ele defende o porte livre de armas, a construção de megaprisões, a extração de petróleo com a controversa tecnologia de fraturamento hidráulico, a redução do tamanho do Estado em 40% e afirmou que o “ideal” seria dolarizar a economia.
Seus críticos argumentam que ele não tem experiência política e se revela por seus frequentes comentários sexistas e homofóbicos. Como advogado, De la Espriella defendeu paramilitares e narcotraficantes.
Polarização
A Colômbia tem sido historicamente o parceiro mais próximo dos Estados Unidos na América do Sul, e Washington investiu bilhões de dólares nas forças armadas e nos serviços de inteligência do país.
Mas as relações se deterioraram após um desentendimento entre Trump e Petro.
Trump chamou Cepeda de “marxista radical de esquerda”, e Cepeda, por sua vez, afirmou que o país não será sua “colônia”.
O senador é conhecido por ter levado o ex-presidente de direita Álvaro Uribe aos tribunais investigado por ligações com paramilitares.
“Tenho medo”, “este é um dia decisivo para o país”, diz Juan Alberto Martínez, um consultor financeiro de 51 anos em Barranquilla, em meio à polarização entre os dois lados.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, devolveu à Polônia a Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração estatal do país, depois que o presidente polonês, Karol Nawrocki, decidiu retirar a honraria em meio a uma disputa politicamente carregada sobre a memória da Segunda Guerra Mundial.
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A condecoração havia sido concedida a Zelensky em 2023 pelo então presidente Andrzej Duda, em reconhecimento a serviços prestados à segurança, à resiliência e à defesa dos direitos humanos. A crise foi deflagrada depois que Kiev decidiu batizar uma unidade militar ucraniana em homenagem ao Exército Insurgente Ucraniano, conhecido pela sigla UPA, organização paramilitar que atuou nas décadas de 1940 e 1950 e é acusada pela Polônia de massacres contra poloneses durante a guerra.
Em uma publicação nas redes sociais, Zelensky afirmou que a Ordem da Águia Branca havia sido entendida por Kiev como uma homenagem ao povo ucraniano e às Forças Armadas do país.
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— Acreditávamos que a Ordem da Águia Branca, concedida em 2023, era destinada ao povo ucraniano e ao nosso exército. Foi isso que foi dito na época. Hoje, enviei a Ordem de volta ao presidente da Polônia — escreveu Zelensky. — Acredito que o futuro confirmará o respeito que os ucranianos merecem.
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A mensagem publicada por Zelensky na rede social X foi acompanhada de fotos da condecoração e de um comprovante postal indicando que ela seria enviada ao gabinete presidencial polonês.
No texto, o presidente ucraniano também reagiu ao argumento de Nawrocki de que a Ordem da Águia Branca simboliza a mais alta confiança da República da Polônia.
— Ontem, o presidente da Polônia observou que a Ordem da Águia Branca não é uma condecoração comum. É um símbolo da mais alta confiança da República da Polônia. Representa um vínculo especial com o Estado polonês e a gratidão especial do povo polonês. Um símbolo assim exige não apenas mérito, mas também respeito pelos valores que formam a base da nossa comunidade — escreveu Zelensky. — Portanto, se for considerado que esse símbolo especial pode permanecer com Catarina II, Benito Mussolini e Gerhard Schröder, então nós, na Ucrânia, não vamos discutir isso.
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Nawrocki justificou a retirada da honraria após Zelensky assinar, em 26 de maio, um decreto que batizou uma unidade das Forças de Operações Especiais da Ucrânia em referência à UPA. Para o governo polonês, a decisão de Kiev foi considerada ofensiva à memória das vítimas polonesas.
— Para a esmagadora maioria da sociedade polonesa, a UPA continua sendo, acima de tudo, uma formação responsável pelos crimes brutais cometidos contra cidadãos da República da Polônia durante a Segunda Guerra Mundial — afirmou Nawrocki, em vídeo divulgado no site oficial da Presidência polonesa.
O presidente polonês classificou a decisão ucraniana como “ultrajante”, “incompreensível” e “profundamente decepcionante”.
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— Isso fere não apenas a nossa memória histórica. Também enfraquece a confiança construída ao longo dos anos e nos últimos meses — acrescentou.
Apesar da tensão diplomática, Nawrocki afirmou que a retirada da condecoração não afetará o apoio da Polônia à Ucrânia na defesa contra a invasão russa. A Polônia tem sido uma das principais aliadas de Kiev desde o início da guerra, acolhendo centenas de milhares de refugiados ucranianos e funcionando como um importante centro logístico para a ajuda enviada ao país.
Na publicação, Zelensky disse que a Ucrânia continuará grata à Polônia pelo apoio e permanecerá aberta ao diálogo sobre os pontos de divergência histórica.
— A Ucrânia é grata ao povo polonês por seu apoio e cooperação, que desempenham um papel significativo na luta pela nossa e pela sua independência em relação à Rússia — afirmou. — A Ucrânia permanecerá aberta a todos os formatos significativos de engajamento com a Polônia, a fim de tentar evitar interpretações conflitantes dos capítulos difíceis e dolorosos do nosso passado compartilhado e garantir o devido respeito a todas as vítimas inocentes do século XX.
Zelensky também destacou que a Ucrânia continuará a se defender da agressão russa.
— A Ucrânia continuará a se defender nesta guerra desencadeada pela Rússia, e sem dúvida alcançaremos uma paz digna — escreveu. — Tenho orgulho do nosso povo e de CADA guerreiro ucraniano, dos milhões de homens e mulheres ucranianos que merecem respeito inquestionável pelo heroísmo que o povo ucraniano demonstrou ao se defender da agressão russa.
A decisão de Nawrocki provocou reações em Kiev. Autoridades ucranianas anunciaram que também devolverão honrarias estatais concedidas pela Polônia, em sinal de solidariedade a Zelensky. Kyrylo Budanov afirmou no Telegram que a decisão do presidente polonês foi “um ato hostil contra o nosso povo” e “um presente para o agressor, Moscou, que certamente o usará contra ambos os nossos países”.
Nem todos na Ucrânia, porém, apoiaram a devolução das condecorações. O ex-primeiro-ministro Arseniy Yatsenyuk escreveu no X que uma “decisão prejudicial e incorreta do atual presidente da Polônia não pode ser corrigida por outras decisões incorretas da nossa parte”.
A controvérsia reacende uma ferida histórica sensível nas relações entre Polônia e Ucrânia. Muitos ucranianos veem a UPA como uma força que lutou pela independência do país contra o Exército Vermelho soviético, a Alemanha nazista e autoridades polonesas. A bandeira vermelha e preta do grupo é usada com frequência por tropas ucranianas na linha de frente.
A Polônia, por outro lado, acusa a UPA de ter promovido um genocídio de cerca de 100 mil poloneses étnicos na Volínia, atualmente parte da Ucrânia, entre 1943 e 1945. Em 2016, o Parlamento polonês reconheceu os crimes cometidos pela organização como genocídio. Os ucranianos afirmam que formações armadas dos dois lados, incluindo a UPA e forças clandestinas polonesas, participaram de ataques e represálias que deixaram grande número de civis mortos entre poloneses e ucranianos.
A disputa ocorre em um momento delicado. A Polônia deve sediar, na próxima semana, um grande evento sobre a reconstrução da Ucrânia no pós-guerra, com expectativa de presença de Zelensky. A Ucrânia também iniciou nesta semana, em Luxemburgo, a primeira fase das negociações para adesão à União Europeia.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, rival político de Nawrocki, pediu que os dois líderes evitem ampliar a crise.
— A linha de frente está em outro lugar — escreveu Tusk nas redes sociais na sexta-feira à noite, ao afirmar que a disputa entre Polônia e Ucrânia “alegra Putin e choca os nossos aliados”.
Tusk também pediu a Zelensky e Nawrocki que “acalmem as emoções e não alimentem as tensões”.
Nos últimos meses, Polônia e Ucrânia vinham registrando avanços nas discussões sobre a exumação de vítimas polonesas. Uma reunião entre os presidentes dos dois países em Varsóvia, em dezembro, havia sido vista como sinal de progresso no processo de reconciliação histórica.
As Forças de Defesa de Israel afirmaram neste domingo ter descoberto um extenso complexo militar subterrâneo atribuído ao Hezbollah sob a aldeia de Majdal Zoun, no sul do Líbano. De acordo com um comunicado do comando militar israelense enviado ao GLOBO, a estrutura ficava a cerca de 25 metros de profundidade e tinha mais de 200 metros de comprimento.
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Segundo as FDI, o túnel abrigava quatro poços de lançamento direcionados ao território israelense e 12 câmaras subterrâneas, algumas delas usadas como dormitórios e outras para armazenar dispositivos explosivos, mísseis antitanque e veículos aéreos não tripulados, conhecidos como VANTs.
Veja vídeo:
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A operação foi conduzida por tropas da 551ª Brigada, sob comando da 91ª Divisão, na região de Majdal Zoun, aproximadamente 10 quilômetros dentro do território libanês, em conformidade com entendimentos citados pelas forças israelenses. Ainda segundo a nota oficial, os achados indicam que a aldeia havia sido fortificada e concentrava infraestrutura militar do Hezbollah.
Durante a ação, mais de 20 integrantes do Hezbollah foram mortos, de acordo com Israel. Entre eles, segundo as FDI, estavam mais de dez membros da Força Radwan, unidade de elite do grupo. O comunicado também afirma que mais de 50 pontos de infraestrutura militar foram desmantelados, incluindo postos de observação e depósitos de armas.
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As FDI sustentam que a descoberta reforça o padrão de uso de áreas civis para instalação de estruturas de combate. O complexo subterrâneo foi localizado por tropas da Unidade Yahalom, especializada em operações de engenharia e túneis.
“A descoberta deste complexo militarizado sob uma aldeia civil ilustra um contraste fundamental: enquanto o Exército de Israel trabalha para proteger a população — desenvolvendo tecnologias de defesa precisas e buscando minimizar danos civis — grupos como o Hezbollah deliberadamente ocultam infraestrutura de lançamento em áreas residenciais. Essa é a escolha que define as operações no Oriente Médio: de um lado, responsabilidade; do outro, exploração da população como escudo. A comunidade internacional deveria estar tão atenta a essas práticas quanto está às operações defensivas”, analisa o major Rafael Rozenszajn, porta-voz da reserva das FDI para países de língua portuguesa.
Em nota oficial, as Forças de Defesa de Israel afirmaram que o túnel descoberto continha “centenas de armas e quatro poços de lançamento direcionados ao Estado de Israel” e que havia sido “deliberadamente localizado sob a aldeia de Majdal Zoun”. O comunicado também disse que a operação demonstraria o “modus operandi deliberado do Hezbollah de embutir infraestrutura terrorista em áreas civis”.
Um Tesla Model 3 que estaria operando com um sistema automatizado de assistência à direção invadiu uma casa em Katy, no estado americano do Texas, na noite de sexta-feira, e matou uma mulher de 76 anos que estava dentro da residência, segundo autoridades locais. O caso é investigado pelo gabinete do xerife do condado de Harris.
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De acordo com os investigadores, Michael Butler dirigia o veículo por volta das 20h, no horário local, quando não conseguiu permanecer na faixa correta de rodagem, saiu da pista e atingiu a casa, localizada em um subúrbio residencial. O motorista disse às autoridades que o Tesla estava no piloto automático, segundo o gabinete policial do condado de Harris.
“O Tesla de Butler entrou pela residência de tijolos, em alta velocidade, e atingiu M. Avila, que estava dentro da casa”, informou o gabinete do xerife em comunicado.
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A vítima foi levada de helicóptero a um hospital nas proximidades, onde morreu. Butler também ficou ferido e foi encaminhado a uma unidade de saúde de ambulância. Segundo os investigadores, ele não apresentava sinais de embriaguez e está cooperando com as autoridades. Até a tarde de sábado, nenhuma acusação havia sido formalizada.
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As circunstâncias do acidente ainda são apuradas. “Ainda estamos avaliando o que fez aquele carro não conseguir controlar a velocidade pouco antes desta batida”, disse o sargento A. Turman. “Pedimos a pessoas familiarizadas com Teslas, assim como ao motorista envolvido no carro, para ver qual foi o papel do controle do motorista sobre o carro neste acidente.”
Um vídeo obtido pela Eyewitness News mostrou o carro em alta velocidade na rua momentos antes da colisão. O vizinho Bryan Diaz contou que estava do lado de fora com a família, comemorando uma festa de aniversário, quando o acidente aconteceu.
“As crianças ficaram assustadas, e minha mãe e meus tios também”, disse Diaz. “É insano o que acabou de acontecer, especialmente bem na nossa frente.”
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Segundo ele, o Tesla parecia trafegar rapidamente antes de não conseguir parar e atingir a residência.
“Simplesmente voou direto para dentro da casa deles e tudo aconteceu muito rápido”, afirmou.
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Reprodução: Facebook
O caso, que indica relação entre acidentes e o uso de sistemas de assistência de direção, não é inédito. Em agosto do ano passado, um júri da Flórida considerou a Tesla responsável por um acidente fatal ocorrido em 2019 envolvendo um Model S equipado com piloto automático. O veredito abriu caminho para novas ações legais contra a fabricante de veículos elétricos de Elon Musk.
Naquele caso, a empresa foi obrigada a pagar uma indenização de 210 milhões de euros às famílias das vítimas, depois que imagens das câmeras do veículo mostraram o carro avançando contra um Chevrolet Tahoe que estava estacionado. Os ocupantes do veículo acabaram morrendo.
As autoridades do Texas afirmam que a investigação sobre o acidente em Katy segue em andamento.

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