Eleições na Colômbia: Cepeda, que teve pai morto pelo Estado, busca repetir milagre da esquerda
Em segundo nas pesquisas está Cepeda, de 63 anos, um congressista veterano e filósofo aliado ao governo, que está conquistando apoio de setores populares que se beneficiam da redução da pobreza, do aumento do salário mínimo e da queda do desemprego em um dos países mais desiguais do mundo.
“Viemos com a expectativa de mudar o rumo do país. (…) A cada dia temos mais insegurança”, disse Juan Márquez à AFP antes de votar na cidade caribenha de Barranquilla, vestindo a camisa da seleção nacional de futebol que De la Espriella e seus apoiadores costumam usar.
Eleições na Colômbia: Espriella, advogado de figuras controversas, quer retomar o poder para a direita
Petro, vestido de branco, inaugurou a votação do dia em Bogotá, que continuará até as 16h locais (18h hora de Brasília). A autoridade eleitoral espera ter os resultados algumas horas após o fechamento das urnas.
A assinatura do acordo de paz com guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2016 trouxe alguns anos de calma. Mas, uma década depois, a campanha foi marcada pela violência de grupos armados que usaram bombas, drones explosivos e assassinaram um candidato à presidência.
De la Espriella culpa Petro, a quem chama de “chefe da máfia” e ameaça levá-lo à justiça dos Estados Unidos.
O advogado, que se autodenomina “El Tigre” (O Tigre), disse que buscará o apoio de Trump e de Israel para lançar uma ofensiva de 90 dias contra a guerrilha, incluindo bombardeios e a fumigação de plantações de coca no maior produtor mundial de cocaína.
Cidadão colombiano-americano, ele se opõe às políticas de paz com as quais Petro tentou negociar com os grupos armados, obtendo pouco progresso para pôr fim a décadas de conflito armado.
Segundo analistas, essas organizações se aproveitaram da situação para se enriquecer, ganhar poder e se expandir.
Filho de um político comunista assassinado por agentes do Estado em 1994, Cepeda tem sido um defensor das vítimas do conflito e foi um dos arquitetos do acordo de “paz total” durante este governo, embora tenha declarado sua disposição em revisá-lo.
— Para o bem da Colômbia, os pobres vêm em primeiro lugar — afirma em seus discursos.
Soluções de choque
Sem possibilidade de reeleição, Petro aspira repetir o feito de levar a esquerda ao poder em um país governado por elites conservadoras há 200 anos.
O presidente conta com o apoio de outros governos de esquerda, como o do México e do Brasil, enquanto a direita, apoiada por Trump, ganha força em países como Argentina, Chile, El Salvador e Equador.
Atrás de uma urna de vidro à prova de balas e com uma saudação militar, De la Espriella se tornou um fenômeno político, utilizando inteligência artificial e concedendo entrevistas onde se vangloria de sua carreira musical e da vida luxuosa que levava na Itália antes de sua campanha.
“Ele se conecta com um eleitorado já muito cansado da insegurança e que precisa de soluções de choque”, mas também personifica um modelo “aspiracional” do “empresário que construiu sua fortuna”, afirma Luisa Lozano, especialista da Universidade de La Sabana.
Ele defende o porte livre de armas, a construção de megaprisões, a extração de petróleo com a controversa tecnologia de fraturamento hidráulico, a redução do tamanho do Estado em 40% e afirmou que o “ideal” seria dolarizar a economia.
Seus críticos argumentam que ele não tem experiência política e se revela por seus frequentes comentários sexistas e homofóbicos. Como advogado, De la Espriella defendeu paramilitares e narcotraficantes.
Polarização
A Colômbia tem sido historicamente o parceiro mais próximo dos Estados Unidos na América do Sul, e Washington investiu bilhões de dólares nas forças armadas e nos serviços de inteligência do país.
Mas as relações se deterioraram após um desentendimento entre Trump e Petro.
Trump chamou Cepeda de “marxista radical de esquerda”, e Cepeda, por sua vez, afirmou que o país não será sua “colônia”.
O senador é conhecido por ter levado o ex-presidente de direita Álvaro Uribe aos tribunais investigado por ligações com paramilitares.
“Tenho medo”, “este é um dia decisivo para o país”, diz Juan Alberto Martínez, um consultor financeiro de 51 anos em Barranquilla, em meio à polarização entre os dois lados.









