A delegação do Irã deixou neste domingo o local onde participaria de uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos na Suíça, após o presidente Donald Trump voltar a ameaçar atacar a República Islâmica, segundo a agência estatal iraniana Irna. A saída ocorreu horas depois da chegada das equipes dos dois países a um resort à beira de um lago, onde discutiriam o conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano, os fundos iranianos congelados e a venda de petróleo do país.
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Mais cedo, o vice-presidente americano, JD Vance, disse ao chegar no resort que se tratava “uma reunião histórica”, mencionando que foram alcançados “grandes avanços nas últimas horas”. Ele lidera uma equipe de negociação que inclui os enviados especiais do presidente Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner. A equipe do Irã conta com a presença do general Mohammad Bagher Ghalibaf, seu principal negociador em conversas anteriores e presidente do Parlamento iraniano.
— A questão que temos diante de nós agora é: quanto mais podemos realizar juntos? Podemos virar uma nova página? — disse Vance, em breves comentários, no início das negociações. — Podemos mudar permanentemente as relações no Oriente Médio ou voltaremos a fazer as coisas à moda antiga, o que não é a nossa preferência, mas é certamente algo muito possível de acontecer?
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Horas antes do início das conversas, o Irã confirmou que o conflito em curso no Líbano entre Israel e o grupo militante Hezbollah será o ponto central da pauta sobre a mesa, juntamente com questões como os fundos iranianos congelados e a venda de petróleo do país.
“O regime sionista continua a violar seus compromissos no Líbano; essa questão será o principal tópico de discussão nas conversas de hoje”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, em um vídeo divulgado pela agência de notícias estatal Irna. “A questão da liberação de ativos iranianos congelados ou restritos, bem como a discussão sobre a emissão das licenças necessárias para a venda de petróleo iraniano, também constarão na pauta”.
A violação do cessar-fogo no Líbano fez com que o Irã voltasse a bloquear o Estreito de Ormuz no sábado, em meio aos arranjos para a nova rodada de negociações de paz na Suíça. As Forças Armadas dos EUA, no entanto, contestaram a alegação de que o país havia fechado a passagem e afirmaram que monitoram a situação para garantir que o tráfego marítimo continue fluindo pela hidrovia.
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Três superpetroleiros carregados, com capacidade combinada para transportar 6 milhões de barris, emitiram sinais enquanto navegavam pelo canal no sábado por uma rota próxima à costa de Omã, segundo dados de rastreamento de navios. Um deles voltou a transmitir sinais automáticos no início da manhã de domingo, após alcançar o Golfo de Omã.
Neste domingo, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse estar preparado para dar garantias de que não desenvolverá armas nucleares, mas sem desistir de enriquecer urânio.
“O que os Estados Unidos exigem é que o Irã não construa uma bomba atômica. Isso não é novidade, e nós também podemos declarar por escrito que não temos intenção de construir uma bomba”, afirmou o presidente, segundo seu site oficial. “No entanto, não abriremos mão do nosso direito ao enriquecimento, e o outro lado não terá escolha a não ser aceitar esse direito”.
Além de Ghalibaf, a delegação do Irã é composta pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, e pelo chefe do Banco Central, Abdolnaser Hemmati, de acordo com a TV estatal do país. A delegação paquistanesa, atuando como mediadora, também chegou neste domingo e incluiu o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o chefe do Estado-Maior do Exército, Asim Munir.
Tensão no Líbano
Mediadores do Catar também estavam presentes no resort onde o encontro vai ocorrer. Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU, reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores da Suíça, Ignazio Cassis, em um encontro paralelo.
Pelo previsto na dinâmica do encontro principal, autoridades iranianas realizariam suas próprias reuniões com mediadores paquistaneses e catarianos antes de uma reunião planejada entre quatro partes, já com os EUA.
Ataques israelenses deixaram dezenas de mortos no sábado no leste e no sul do país, mas foram interrompidos no fim do dia, quando o Exército recebeu ordens para cumprir o cessar-fogo, assim como o Hezbollah. Um soldado israelense também morreu no sábado na região.
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Neste domingo, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel afirmou que o cessar-fogo entre Israel e o Líbano é “frágil”.
— Devemos manter um alto nível de prontidão para a retomada das operações de combate, a eliminação de ameaças e uma rápida transição para novas operações, se necessário — disse o tenente-general Eyal Zamir.
Na Suíça, o vice-presidente americano afirmou que “os Estados Unidos fizeram mais para conter o conflito no Líbano do que qualquer outro governo em qualquer lugar do mundo nos últimos meses”.
— O presidente dos Estados Unidos está comprometido não apenas com a paz entre os Estados Unidos e o Irã, mas com uma paz regional, e é por isso que estamos aqui.
Nesta manhã, o presidente dos EUA, Donald Trump, publicou em sua rede Truth Social uma postagem sugerindo que as violações do cessar fogo no Líbano seriam culpa apenas do Hezbollah, e ameaçou o Irã novamente.
“O Irã deve impedir imediatamente que seus intermediários muito bem pagos no Líbano causem problemas”, escreveu. “Se não o fizerem, atacaremos o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, só que com mais força!!!”
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio com ataques a bomba contra Israel, em represália à morte do líder supremo do Irã, morto por ataques aéreos israelenses e americanos contra o Irã, o que desencadeou a guerra em 28 de fevereiro. Desde então, as operações israelenses no Líbano resultaram em 4.057 mortes, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde.
Antes de partir para a Suíça, o vice-presidente dos Estados Unidos afirmou que, apesar de tudo, a situação estava “melhorando”.
— O grande problema é que alguém começa a atirar e alguém responde, e aí você tem esse dilema de quem começou primeiro, se foi o ovo ou a galinha — disse Vance. — É preciso conseguir interromper os disparos rápido o bastante para que o cessar-fogo seja mantido. É isso que estamos tentando fazer.
(Com New York Times)