Eleito presidente da Colômbia neste domingo após superar Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, Abelardo de la Espriella disse, em seu primeiro discurso como eleito, que não vai “prometer milagres”, afirmando que a recuperação do “exigirá trabalho, disciplina e perseverança”. Ele também prometeu que não descansaria “um único dia até restaurar a Colômbia ao lugar de grandeza que ela merece”.
‘Uma nova etapa para o país’: quem é Espriella, outsider apoiado por Trump que venceu as eleições na Colômbia
Leia também: candidato governista pede vigilância a apoiadores após ser derrotado por resultado apertado na Colômbia
“Apelo a vocês para a reconciliação, porque o futuro não pertence mais a poucos privilegiados. O futuro pertence, mais uma vez, ao povo da Colômbia. Nesta nova era, todos os cidadãos comuns serão bem-vindos. Hoje, a terrível noite terminou, dando lugar à luz que nos aguarda nesta nação próspera. Segura, alegre e cheia de esperança. Esta será a pátria de todos os colombianos, de todas as religiões, a pátria de todas as comunidades ancestrais, de todos os jovens, avós, agricultores, empreendedores — uma pátria de todos, para todos”, disse de la Espriella, diante de milhares de seus apoiadores em Barranquilla.
Em sua fala, ele também afirmou que restabeleceria relações com todos os “países que respeitam a democracia” e que cortaria vínculos com “países que não respeitam a liberdade e o Estado de Direito”.
“A missão de reconstruir a esperança e um sistema de saúde que não deixe nosso povo morrer”, declarou o presidente eleito. “Esta nação é maior do que qualquer partido, maior do que qualquer ideologia. A Colômbia merece ser grande. Hoje, meus concidadãos, somos um só povo: cada um com suas diferenças, com seus objetivos, mas unidos por um mandato maior, o de reconstruir a nação desde seus alicerces.”
Eleito presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella celebra vitória com a família
Juan Barreto/AFP
Quem é Espriella
Atrás de uma cabine de vidro à prova de balas, um advogado milionário e conhecido por suas declarações provocativas se transformou em um fenômeno político. Apelidado de “El Tigre”, ele capitalizou o desencanto com a classe política e com a esquerda para se aproximar da Presidência da Colômbia. Aos 47 anos, o outsider apoiado por Donald Trump venceu a disputa neste domingo por menos de 1 ponto percentual sobre o senador de esquerda Cepeda.
— Esse apoio histórico nos enche de gratidão, mas também de uma enorme responsabilidade. Hoje começa uma nova etapa para nosso país, uma etapa construída sobre a vontade livre e democrática de milhões de cidadãos que decidiram acreditar em uma Colômbia grande, segura, próspera e cheia de oportunidades — disse Espriella após o resultado. — Com a ajuda de Deus e o trabalho de todos os colombianos, a Pátria Milagre será uma realidade.
Onda de direita: Guinada conservadora na América do Sul e obstáculos internos frustram integração regional de Lula
Em resultado apertado: Abelardo de la Espriella vence eleição na Colômbia e leva direita apoiada por Trump ao poder
Caribenho e ultradireitista, define-se como “judaico-cristão”. Deixou para trás uma vida de luxo na cidade italiana de Florença para tentar governar a Colômbia com um discurso radical que desperta entusiasmo entre seus apoiadores e temor entre seus críticos.
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Em eventos marcados por fogos de artifício e rugidos de tigre, prometeu “reconstruir a República”, recuperar a segurança, defender a democracia “pela razão ou pela força” e tornar-se um “inimigo ferrenho” da esquerda.
Após deixar a direita tradicional fora do segundo turno, adotou um discurso antissistema: “A toda essa máfia que governa mal a Colômbia, digo: aqui há uma matilha, há um povo que não se ajoelha” e que veio enfrentá-los e “castigá-los”.
Convencido de que pode transformar o Estado em uma empresa próspera, inspirou-se nos presidentes argentino, Javier Milei; salvadorenho, Nayib Bukele; e americano, Donald Trump.
Recuo: Governo da Colômbia retira proposta de Assembleia Constituinte após derrota eleitoral
Cantor lírico amador, costuma vestir ternos impecáveis sem gravata e mocassins. Também usa frequentemente a camisa amarela da seleção colombiana, o que lhe rendeu críticas da esquerda por se apropriar do símbolo nacional, à semelhança do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
Com dupla nacionalidade americana e colombiana, enfrenta questionamentos sobre suas relações profissionais do passado e sobre a origem de sua fortuna. Antes de lançar sua candidatura, exibia nas redes sociais viagens em jatos particulares, roupas sob medida, chapéus e óculos de luxo.
Durante a campanha presidencial, foi criticado por declarações consideradas machistas e homofóbicas, que, no entanto, não afetaram sua popularidade.
‘Dolce vita’
Espriella apresenta-se como um empresário bem-sucedido.
— Não sou um vendedor de ilusões, sou um empresário de realidades — disse à AFP durante a campanha.
Ele circula protegido por dezenas de soldados, policiais e seguranças particulares após denunciar ameaças de morte.
Uniforme da seleção: Justiça proíbe candidato de extrema direita de usar camisa da Colômbia como ‘símbolo’
Pai de quatro filhos, afirma ter “coragem” para governar com “mão de ferro” o país com a maior produção de cocaína do mundo, mergulhado em um conflito armado que dura mais de seis décadas.
— No meu governo, bandido que não se submeter (à Justiça) será abatido — dizia.
Para combater as organizações criminosas, diz que pretende formar uma aliança militar com Estados Unidos e Israel. Também defende o fim do tribunal criado pelo acordo de paz firmado com a guerrilha das Farc em 2016, responsável por julgar os crimes mais graves do conflito armado. Afirma que vivia a “dolce vita” em Florença e que a campanha presidencial representa um “sacrifício” pela “pátria”.
Sua esposa declarou que, caso fosse derrotado no segundo turno, a família voltaria para a Itália, onde já tem “a vida resolvida”.
‘Firmes pela pátria’
Espriella apresenta-se como alguém combativo, disposto a formar um governo “inflexível diante do terrorismo”. Em atos públicos, aparece representado por um tigre de presas afiadas criado com inteligência artificial.
Nas redes sociais, publica imagens fumando charutos ou promovendo seus negócios de vinhos e rum. Também possui uma marca de roupas própria, chamada “Espriella Style”. Defende o porte de armas, a redução de 40% da estrutura do Estado e a construção de megapresídios, nos quais os detentos ficariam “dez andares abaixo da terra”, alimentados com “pão e água”.
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Com a saudação militar e um enfático “firmes pela pátria!”, conquista militares da reserva que o acompanham em seus comícios. Embora demonstre desprezo pelos políticos tradicionais, mantém “uma grande amizade” com o influente ex-presidente de direita Álvaro Uribe (2002-2010).
Espriella afirma viver “de acordo com os princípios judaico-cristãos”, embora anteriormente se declarasse ateu. Seu pai também é político, mas ele costuma dizer que vem de uma família de pecuaristas do Caribe colombiano, onde cresceu “ao estilo de Tom Sawyer”, pescando e brincando no campo.
Seu estilo de falar sem filtro já lhe trouxe problemas. Em certa ocasião, afirmou que era preciso “estripar” a esquerda na Colômbia, declaração pela qual depois pediu desculpas.
Em outra entrevista, contou que, quando jovem, se divertia amarrando fogos de artifício em gatos para lançá-los pelos ares, sugerindo que os animais morriam. Posteriormente, afirmou que se tratava de uma brincadeira.
‘Uma nova etapa para o país’: quem é Espriella, outsider apoiado por Trump que venceu as eleições na Colômbia
Leia também: candidato governista pede vigilância a apoiadores após ser derrotado por resultado apertado na Colômbia
“Apelo a vocês para a reconciliação, porque o futuro não pertence mais a poucos privilegiados. O futuro pertence, mais uma vez, ao povo da Colômbia. Nesta nova era, todos os cidadãos comuns serão bem-vindos. Hoje, a terrível noite terminou, dando lugar à luz que nos aguarda nesta nação próspera. Segura, alegre e cheia de esperança. Esta será a pátria de todos os colombianos, de todas as religiões, a pátria de todas as comunidades ancestrais, de todos os jovens, avós, agricultores, empreendedores — uma pátria de todos, para todos”, disse de la Espriella, diante de milhares de seus apoiadores em Barranquilla.
Em sua fala, ele também afirmou que restabeleceria relações com todos os “países que respeitam a democracia” e que cortaria vínculos com “países que não respeitam a liberdade e o Estado de Direito”.
“A missão de reconstruir a esperança e um sistema de saúde que não deixe nosso povo morrer”, declarou o presidente eleito. “Esta nação é maior do que qualquer partido, maior do que qualquer ideologia. A Colômbia merece ser grande. Hoje, meus concidadãos, somos um só povo: cada um com suas diferenças, com seus objetivos, mas unidos por um mandato maior, o de reconstruir a nação desde seus alicerces.”
Eleito presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella celebra vitória com a família
Juan Barreto/AFP
Quem é Espriella
Atrás de uma cabine de vidro à prova de balas, um advogado milionário e conhecido por suas declarações provocativas se transformou em um fenômeno político. Apelidado de “El Tigre”, ele capitalizou o desencanto com a classe política e com a esquerda para se aproximar da Presidência da Colômbia. Aos 47 anos, o outsider apoiado por Donald Trump venceu a disputa neste domingo por menos de 1 ponto percentual sobre o senador de esquerda Cepeda.
— Esse apoio histórico nos enche de gratidão, mas também de uma enorme responsabilidade. Hoje começa uma nova etapa para nosso país, uma etapa construída sobre a vontade livre e democrática de milhões de cidadãos que decidiram acreditar em uma Colômbia grande, segura, próspera e cheia de oportunidades — disse Espriella após o resultado. — Com a ajuda de Deus e o trabalho de todos os colombianos, a Pátria Milagre será uma realidade.
Onda de direita: Guinada conservadora na América do Sul e obstáculos internos frustram integração regional de Lula
Em resultado apertado: Abelardo de la Espriella vence eleição na Colômbia e leva direita apoiada por Trump ao poder
Caribenho e ultradireitista, define-se como “judaico-cristão”. Deixou para trás uma vida de luxo na cidade italiana de Florença para tentar governar a Colômbia com um discurso radical que desperta entusiasmo entre seus apoiadores e temor entre seus críticos.
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Em eventos marcados por fogos de artifício e rugidos de tigre, prometeu “reconstruir a República”, recuperar a segurança, defender a democracia “pela razão ou pela força” e tornar-se um “inimigo ferrenho” da esquerda.
Após deixar a direita tradicional fora do segundo turno, adotou um discurso antissistema: “A toda essa máfia que governa mal a Colômbia, digo: aqui há uma matilha, há um povo que não se ajoelha” e que veio enfrentá-los e “castigá-los”.
Convencido de que pode transformar o Estado em uma empresa próspera, inspirou-se nos presidentes argentino, Javier Milei; salvadorenho, Nayib Bukele; e americano, Donald Trump.
Recuo: Governo da Colômbia retira proposta de Assembleia Constituinte após derrota eleitoral
Cantor lírico amador, costuma vestir ternos impecáveis sem gravata e mocassins. Também usa frequentemente a camisa amarela da seleção colombiana, o que lhe rendeu críticas da esquerda por se apropriar do símbolo nacional, à semelhança do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
Com dupla nacionalidade americana e colombiana, enfrenta questionamentos sobre suas relações profissionais do passado e sobre a origem de sua fortuna. Antes de lançar sua candidatura, exibia nas redes sociais viagens em jatos particulares, roupas sob medida, chapéus e óculos de luxo.
Durante a campanha presidencial, foi criticado por declarações consideradas machistas e homofóbicas, que, no entanto, não afetaram sua popularidade.
‘Dolce vita’
Espriella apresenta-se como um empresário bem-sucedido.
— Não sou um vendedor de ilusões, sou um empresário de realidades — disse à AFP durante a campanha.
Ele circula protegido por dezenas de soldados, policiais e seguranças particulares após denunciar ameaças de morte.
Uniforme da seleção: Justiça proíbe candidato de extrema direita de usar camisa da Colômbia como ‘símbolo’
Pai de quatro filhos, afirma ter “coragem” para governar com “mão de ferro” o país com a maior produção de cocaína do mundo, mergulhado em um conflito armado que dura mais de seis décadas.
— No meu governo, bandido que não se submeter (à Justiça) será abatido — dizia.
Para combater as organizações criminosas, diz que pretende formar uma aliança militar com Estados Unidos e Israel. Também defende o fim do tribunal criado pelo acordo de paz firmado com a guerrilha das Farc em 2016, responsável por julgar os crimes mais graves do conflito armado. Afirma que vivia a “dolce vita” em Florença e que a campanha presidencial representa um “sacrifício” pela “pátria”.
Sua esposa declarou que, caso fosse derrotado no segundo turno, a família voltaria para a Itália, onde já tem “a vida resolvida”.
‘Firmes pela pátria’
Espriella apresenta-se como alguém combativo, disposto a formar um governo “inflexível diante do terrorismo”. Em atos públicos, aparece representado por um tigre de presas afiadas criado com inteligência artificial.
Nas redes sociais, publica imagens fumando charutos ou promovendo seus negócios de vinhos e rum. Também possui uma marca de roupas própria, chamada “Espriella Style”. Defende o porte de armas, a redução de 40% da estrutura do Estado e a construção de megapresídios, nos quais os detentos ficariam “dez andares abaixo da terra”, alimentados com “pão e água”.
Initial plugin text
Com a saudação militar e um enfático “firmes pela pátria!”, conquista militares da reserva que o acompanham em seus comícios. Embora demonstre desprezo pelos políticos tradicionais, mantém “uma grande amizade” com o influente ex-presidente de direita Álvaro Uribe (2002-2010).
Espriella afirma viver “de acordo com os princípios judaico-cristãos”, embora anteriormente se declarasse ateu. Seu pai também é político, mas ele costuma dizer que vem de uma família de pecuaristas do Caribe colombiano, onde cresceu “ao estilo de Tom Sawyer”, pescando e brincando no campo.
Seu estilo de falar sem filtro já lhe trouxe problemas. Em certa ocasião, afirmou que era preciso “estripar” a esquerda na Colômbia, declaração pela qual depois pediu desculpas.
Em outra entrevista, contou que, quando jovem, se divertia amarrando fogos de artifício em gatos para lançá-los pelos ares, sugerindo que os animais morriam. Posteriormente, afirmou que se tratava de uma brincadeira.










