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Uma tempestade de inverno com “temperaturas congelantes”, que começa a se formar nesta sexta-feira, deve levar uma combinação de granizo, chuva congelante e neve a cerca de dois terços dos Estados Unidos continentais nos próximos dias, do Texas e das Grandes Planícies, no centro do país, até os estados do Meio-Atlântico e do nordeste. Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS, na sigla em inglês), mais de 160 milhões de pessoas podem ser afetadas pelos riscos típicos do clima, como estradas cobertas de neve e interrupções no fornecimento de energia provocadas pelo acúmulo de gelo nas redes elétricas.
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A tempestade, apelidada de Fern, está emergindo das Montanhas Rochosas do Sul e levará neve esparsa para o Colorado e o Novo México, antes de seguir sobre as Planícies do Sul, abrangendo áreas como Kansas, Oklahoma e o Panhandle do Texas, que já decretou estado de emergência. A cidade de Nova York, capital financeira dos Estados Unidos e a área urbana mais populosa do país, pode receber até 30 centímetros de neve, informou o The Weather Channel.
“Essa onda de frio ártico será acompanhada por ventos fortes, criando sensações térmicas perigosas, com temperaturas potencialmente caindo abaixo de -46°C nas Planícies do Norte”, segundo o NWS.
No sábado, a tempestade deve se espalhar ainda mais pelo Texas e pelos estados de Arkansas e Tennessee, antes de avançar para o Centro-Oeste. Ainda no mesmo dia, espera-se que chegue ao norte do Alabama, Geórgia e Carolinas. Locais mais ao norte vão enfrentar a neve, enquanto áreas ao sul devem receber uma mistura de chuva congelante e granizo.
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Já no próximo domingo, as temperaturas extremamente baixas se deslocarão ao Vale do Ohio e ao nordeste, acrescentou o NWS. Meteorologistas também alertaram que mais de 30 centímetros de neve podem cair na região do Atlântico Médio. Canais meteorológicos dos EUA transmitiram previsões apocalípticas de “gelo paralisante” e nevascas recordes, além de chuva congelante que pode danificar linhas de energia e árvores.
Na próxima segunda-feira, a neve diminuirá no nordeste, à medida que o ar frio se instala após a tempestade, desde as Planícies do Sul até a Nova Inglaterra.
O que é preocupante nessa tempestade
Embora seja provável que a tempestade traga todos os perigos climáticos de inverno possíveis, os dois principais efeitos esperados são o acúmulo generalizado de neve e gelo.
Até 30 centímetros de neve: Os meteorologistas preveem que a tempestade trará principalmente neve — mais de 30 centímetros em muitos casos — por uma ampla faixa do país, desde as Planícies do Sul, passando pelo Vale do Ohio, até o Meio-Atlântico e o nordeste. Eles alertaram que a neve pode interromper o transporte público e causar atrasos e baixa visibilidade nas estradas e aeroportos.
Acúmulo de gelo: São esperadas chuvas congelantes e granizo desde o centro do Texas, atravessando o Arkansas, passando por grande parte do sudeste e chegando ao sul da Virgínia. O gelo pode se acumular em árvores e linhas de energia, com possibilidade de extensos cortes de energia.
O que ainda é incerto
A trajetória exata da tempestade permanecia incerta, com a possibilidade de que ela oscilasse um pouco mais para o norte ou para o sul dos Estados Unidos. Qualquer uma dessas opções poderia alterar drasticamente os efeitos previstos.
Também é incerto onde a linha divisória entre neve e chuva congelante seria traçada. Os modelos computacionais têm dificuldade em determinar até que ponto ao sul o ar frio necessário para a formação de neve chegaria.
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A linha divisória atravessa estados como o Arkansas, e se o ar frio não chegar suficientemente ao sul, alguns dos locais onde os meteorologistas preveem neve podem receber chuva congelante ou granizo. Se o ar frio se deslocar mais para o sul, alguns locais onde se previa chuva congelante podem receber neve.
Quão frio ficará
Enquanto essa tempestade atravessa o país, uma massa de ar frio vinda do Canadá se espalhará pelos dois terços orientais dos Estados Unidos durante o fim de semana e no início da próxima semana. Das planícies ao nordeste, as comunidades enfrentarão “temperaturas extremamente baixas e sensação térmica perigosamente fria”, de acordo com o NWS.
A sensação térmica em Dakota do Norte pode chegar a -50 graus, enquanto sensações térmicas abaixo de zero podem se estender pelas planícies do sul, por partes do vale do Mississippi e até o Médio Atlântico.
Pode até ser perigoso dentro de casa. Se a tempestade causar cortes de energia generalizados, as pessoas podem acabar enfrentando o frio sem o sistema de aquecimento.
O papel das mudanças climáticas
A combinação entre chuva congelante, gelo e neve é resultado da colisão de uma massa de ar frio vinda do Ártico com o ar quente e úmido da região central dos Estados Unidos. O ar frio está sendo empurrado para o sul pelo vórtice polar, uma faixa de ar de alta altitude e movimento rápido que normalmente circula o Ártico. Ocasionalmente, ele se estende em um formato oval, enfraquece e permite que uma massa de ar frio se espalhe para o sul, atravessando a América do Norte.
Judah Cohen, pesquisador científico do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), afirmou que as temperaturas mais elevadas no Ártico causaram o derretimento do gelo marinho nos mares de Barents e Kara, ao norte da Noruega e da Rússia. Com menos cobertura de gelo, o oceano está liberando mais calor na atmosfera, criando um padrão climático que leva a ondas de frio extremo na América do Norte.
Um homem foi condenado na Espanha a 36 anos de prisão pelo assassinato de duas irmãs e de um irmão septuagenários, em vingança pelo não pagamento de uma dívida contraída a partir de um golpe amoroso na internet.
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A sentença, à qual a AFP teve acesso nesta sexta-feira, impõe ao cidadão paquistanês Dilawar Hussain uma pena de 12 anos de prisão por cada um dos três homicídios, com a atenuante de “alteração psíquica”.
Na decisão, que ainda cabe recurso, fica comprovado que Hussain espancou os três irmãos até a morte com um “objeto perigoso” na casa das vítimas e, horas depois, retornou ao local para tentar queimar os corpos.
Os fatos ocorreram no município madrilenho de Morata de Tajuña em 17 de dezembro de 2023, e os corpos foram descobertos algumas semanas depois, após vizinhos alertarem que não viam as vítimas havia algum tempo.
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El País
‘Golpe amoroso’
As mulheres se endividaram para enviar dinheiro a dois falsos militares norte-americanos supostamente lotados no Afeganistão, um deles usando a imagem de Wesley Clark, ex-comandante supremo da Otan. Os golpistas fizeram as irmãs acreditarem que um dos falsos militares havia morrido e que o outro precisava de dinheiro para realizar os trâmites necessários para lhes repassar uma herança milionária.
Segundo a sentença, a dívida com Hussain — a quem haviam conhecido em sua loja de telefonia quando iam fazer transferências — cresceu até 60 mil euros (R$ 373 mil) devido a juros abusivos.
No início de 2023, uma das irmãs foi agredida com um martelo por Hussain, que foi condenado a dois anos de prisão, mas saiu em liberdade condicional poucos meses depois por não ter antecedentes criminais.
Já preso pelo assassinato dos três irmãos, ele foi acusado de um quarto homicídio: o de seu companheiro de cela, um detento búlgaro de 39 anos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira, pela primeira vez, que “está enviando uma grande força” da Marinha americana ao Golfo Pérsico para monitorar o Irã “de perto”. Em resposta, o comandante da Guarda Revolucionária, general Mohammad Pakpour, alertou “erros de cálculo” e afirmou que a força estava “com o dedo no gatilho”. As declarações acontecem uma semana depois de a imprensa americana revelar o deslocamento do porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de ataque, que saíram do Mar da China Meridional em direção ao Oriente Médio. Trump ameaçou reiteradamente um ataque ao país em resposta à repressão do regime contra a onda de protestos, mas recuou após afirmar que Teerã havia suspendido as execuções de manifestantes.
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— Temos uma grande armada indo naquela direção e veremos o que acontece. É uma grande força indo em direção ao Irã — disse Trump a bordo do Air Force One, que o levava de Davos, na Suíça, onde aconteceu o Fórum Econômico Mundial, para Washington.
Além do porta-aviões e seu grupo de ataque, que inclui destróieres, caças e aeronaves de interferência eletrônica, os EUA enviaram 10 aviões de reabastecimento aéreo KC-135 para a Europa, rumo a bases no Oriente Médio. Washington, de fato, insiste com a mobilização militar na região. Segundo o jornal americano Wall Street Journal (WSJ), o presidente americano considera os ativos navais “decisivos”.
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— Eles sabem que temos muitos navios indo naquela direção por precaução. Preferiria que nada acontecesse, mas estamos acompanhando a situação de perto — acrescentou o presidente, reiterando que sua ameaça de usar a força contra havia levado a República Islâmica a suspender 837 execuções de manifestantes.
Outro comandante militar iraniano, o general Ali Abdollahi Aliabadi, alertou que, caso EUA ataquem, “todos os interesses, bases e centros de influência americanos” seriam “alvos legítimos” para as forças armadas iranianas.
Essa mobilização militar levou assessores do Pentágono e da Casa Branca a aprimorarem um conjunto de opções para Trump, incluindo algumas que visam derrubar o regime iraniano. Autoridades, ainda de acordo com o WSJ, também estão elaborando opções mais moderadas, que poderiam incluir ataques a instalações da Guarda Revolucionária Islâmica.
EUA enviaram o porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de ataque para o Golfo Pérsico
Fazry Ismail/AFP
As tensões entre os dois países, inimigos desde a revolução de 1979 que levou o clero xiita ao poder, permanecem muito elevadas. Trump, no entanto, não fechou as portas para o diálogo.
— O Irã quer conversar e nós conversaremos — declarou Trump às margens do Fórum Econômico Mundial.
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Com o anúncio da frota americana em direção ao Golfo, o comandante da Guarda Revolucionária, por sua vez, jogou lenha na fogueira.
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CARLOS JASSO / AFP
— [Estamos] mais preparados do que nunca, prontos para cumprir as ordens e medidas do líder supremo — alertou o general, referindo-se ao aiatolá Ali Khamenei, que o nomeou em junho para suceder Hossein Salami, morto em bombardeios israelenses.
A ‘precaução’ de Washington
Na região, os EUA têm oito bases permanentes e cerca de 12 instalações militares. E, para o governo Trump, elas precisam ser defendidas de uma possível retaliação de Teerã, como ameaçou o presidente do Parlamento iraniano no último dia 11, caso Trump ordene um ataque. Três dias depois da ameaça, alguns militares americanos e britânicos destacados em al-Udeid, no Catar, na maior base dos EUA no Oriente Médio, receberam ordens para deixar o local.
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Mas, segundo o WSJ, sistemas de defesa de médio alcance Patriot e de alta altitude Thaad já foram preparados para repelir qualquer contra-ataque iraniano, como aconteceu em junho do ano passado, durante a guerra de 12 dias entre Tel Aviv, Teerã e Washington.
Uma campanha aérea de maior escala no Irã, ainda de acordo com o WSJ, tenderia a empregar meios furtivos como F-35, bombardeiros B-2 e submarinos lançadores de mísseis de cruzeiro — sistemas usados no ataque americano de junho do ano passado contra instalações nucleares iranianas —, embora não haja indícios de deslocamento desses ativos para o Oriente Médio.
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Ore Huiying/Bloomberg
Autoridades disseram que Israel expressou ao governo Trump preocupações especificamente sobre suas próprias defesas caso o Irã atacasse o país, após ter esgotado seu estoque de interceptores durante a guerra de 12 dias com o Irã no ano passado. Após esse conflito, os EUA deslocaram um grupo de ataque de porta-aviões e algumas defesas aéreas para fora da região, enquanto Trump voltava sua atenção para a Venezuela e o Hemisfério Ocidental.
‘Temos que ver’
Trump ainda não ordenou ataques contra o Irã, e sua decisão final permanece incerta. Mas as discussões em Washington mostram que Trump não descartou punir Teerã pelo assassinato de manifestantes. Na última terça-feira, quando foi perguntado se os EUA ainda poderiam atacar o Irã, Trump observou que o regime acatou os alertas de Washington e cancelou os planos de enforcar 837 pessoas na semana passada.
— Teremos que ver o que acontece com o Irã — afirmo o presidente, na ocasião.
O conselheiro de segurança nacional e secretário de Estado, Marco Rubio, conversou na segunda-feira sobre o Irã com o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita , príncipe Faisal bin Farhan Al Saud , cujo apoio seria necessário em uma campanha aérea contra o Irã.
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A Casa Branca também precisa lidar com a questão de se o governo está preparado para realizar uma campanha militar prolongada que pode durar semanas ou meses, caso os manifestantes no Irã voltem às ruas e peçam proteção a Trump. Na última quarta-feira, as autoridades iranianas relataram 3.117 mortes, em seu primeiro balanço de vítimas durante os protestos. No entanto, grupos de direitos humanos afirmam que o número real de mortos é maior.
Pressão financeira ou militar?
Alguns funcionários levantaram questões internas sobre o objetivo político de ataques ao Irã neste momento. Trump está ciente de que qualquer ação militar ocorreria muito depois de ele ter prometido aos manifestantes que “a ajuda está a caminho” e que provavelmente não seria tão rápida quanto a operação que depôs o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro .
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Alguns assessores sugeriram o uso de meios não militares para repreender o Irã, como ajudar os manifestantes a coordenar ações online ou anunciar novas sanções contra o regime.
A pressão financeira dos EUA “funcionou porque, em dezembro, a economia deles entrou em colapso”, disse o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, na terça-feira, no Fórum Econômico Mundial, na Suíça.
Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent
Adam Gray/Bloomberg
— É por isso que as pessoas foram às ruas. Isso é estratégia econômica, sem confrontos armados, e as coisas estão caminhando de forma muito positiva por aqui — afirmou Bessent.
(Com AFP)
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e a premier da Dinamarca, Mette Frederiksen, concordaram nesta sexta-feira que a Aliança Atlântica deve fortalecer a segurança no Ártico, após a mudança de posição do presidente dos EUA, Donald Trump, que retirou sua ameaça de tomar a Groenlândia pela força. A sinalização dos líderes europeus atende aos interesses de Trump, que aponta que China e Rússia expandem seus interesses na região — o que Pequim e Moscou negam, embora já tenham ampliando suas investidas estratégicas nos campos comercial e militar.
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“Concordamos que a Otan deve aumentar seu compromisso no Ártico. Defesa e segurança no Ártico são uma questão de preocupação para toda a aliança”, escreveu Frederiksen após uma reunião com Rutte em Bruxelas, em um comunicado divulgado à imprensa.
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A Groenlândia, um território semiautônomo da Dinamarca, virou o centro de uma crise entre os EUA e a parte europeia da Otan desde que Trump iniciou uma campanha para anexá-la, sob justificativa de que seria essencial para a segurança nacional e internacional, apontando para os interesses da China e da Rússia. Em certa altura, o presidente chegou a dizer que não descartaria uma tomada militar da região, mas recuou na quarta-feira, quando abriu espaço para negociações colaborativas.
China e Rússia negam categoricamente querer se apoderar do território groenlandês, mas desde a década de 2010, favorecida pelas mudanças climáticas, exploram a chamada Rota Oceânica Norte. Moscou também reforça suas capacidades militares no Ártico, onde posiciona bases a uma curta distância de territórios ocidentais — incluindo os EUA.
— A Rússia nunca ameaçou ninguém no Ártico. Mas acompanhamos de perto a evolução da situação […] reforçando a capacidade de combate das Forças Armadas e modernizando as infraestruturas militares — declarou o líder russo, Vladimir Putin, em março de 2025.
Disputa comercial e militar no Ártico
Arte/ O GLOBO
Após uma cúpula de emergência sobre o estado das relações transatlânticas — sem participação da Groenlândia ou da Dinamarca —, líderes europeus anunciaram que apresentarão em breve uma proposta de pacote de investimentos para a Groenlândia e destinarão parte do aumento dos gastos com segurança para o Ártico. Em uma coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, revelou as medidas, parte de um plano para suavizar as relações com os EUA.
— A Comissão apresentará em breve um pacote substancial de investimentos — disse Von der Leyen, sem dar muitos detalhes. — Além dos investimentos, também pretendemos aprofundar a cooperação com os Estados Unidos e todos os parceiros sobre o importante tema da segurança no Ártico.
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Ainda de acordo com a líder do Executivo da UE, o bloco está em uma posição “melhor do que nas últimas 24 horas” após a reunião. Ela também revelou que a crise com a Groenlândia ensinou lições para lidar com os EUA sob Trump, e que a resposta inclui “firmeza, diálogo, preparação e união”.
Em uma declaração em separado, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, afirmou nesta sexta-feira que a Dinamarca e a Groenlândia também discutiriam a situação com os EUA — já que os países não fazem parte da UE. O chanceler afirmou que as conversas tomariam lugar “muito em breve”, mas que as datas não seriam anunciadas, pois era hora de “acalmar os ânimos”, após semanas de tensão elevada.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, após reunião entre líderes do bloco para discutir situação das relações transatlânticas
Nicolas Tucat/AFP
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Rota Oceânica Norte
A Rússia considera que o Ártico é fundamental para suas trocas comerciais com a Ásia, sobretudo para neutralizar os efeitos das sanções ocidentais sobre seus hidrocarbonetos, impostas após a invasão da Ucrânia em 2022. Moscou pretende desenvolver ao máximo a navegação pela “Rota Oceânica Norte”, que agora tornou-se mais viável devido ao degelo provocado pelas mudanças climáticas.
Esta rota, que beira as costas árticas da Rússia e fica longe da Groenlândia, permite aumentar o transporte de hidrocarbonetos russos em direção ao sudeste asiático, conectando os oceanos Atlântico, Pacífico e Ártico.
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Arte/ O GLOBO
Com essa finalidade, a Rússia é o único fabricante e operador de quebra-gelos de propulsão nuclear: navios gigantescos capazes de varrer os obstáculos de gelo encontrados nas águas e abrir caminho para os cargueiros.
Meses após o início da invasão da Ucrânia, as autoridades russas reafirmaram a vontade de desenvolver essa rota ao aprovar um plano de investimentos de cerca de US$ 23 bilhões (R$ 121,7 bilhões) até 2035. No momento, porém, o comércio por essa via continua caro e complexo. E seu volume está longe das centenas de milhões de toneladas de mercadorias que transitam todos os anos pelo Canal de Suez, por exemplo.
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Em 2025, foram transportadas 37 milhões de toneladas de mercadorias pela Rota Oceânica Norte, o que representa uma queda de 2,3% em um ano, segundo dados da agência Ria Novosti baseados em estatísticas oficiais.
A China, por sua vez, lançou em 2018 seu projeto de “Rota da Seda Polar”, uma variante ártica de sua iniciativa transnacional de infraestrutura, e aspira tornar-se uma “grande potência polar” até 2030. O gigante asiático chegou a estabelecer estações de pesquisa científica na Islândia e na Noruega. Além disso, empresas chinesas investiram em projetos como o de gás natural liquefeito russo e em uma linha ferroviária sueca.
Reforço das capacidades militares
Em 2021, Moscou anunciou ter construído uma pista de 3,5 km capaz de receber todos os tipos de aviões, incluindo bombardeiros com armas nucleares, no arquipélago de Terra de Francisco José, no extremo norte da Rússia. Em 2019, o exército russo também afirmou ter implantado baterias antiaéreas de última geração S-400 no Ártico e inaugurado uma nova base de radar no arquipélago de Nova Zembla. Em setembro de 2025, a Frota do Norte da Rússia, encarregada do Ártico, realizou novos exercícios militares que incluíram desembarques de tropas, além de disparos de navios e submarinos nucleares.
No Ártico, a presença militar chinesa, embora modesta, aumentou em colaboração com a Rússia desde 2022. Por exemplo, em 2024, bombardeiros russos e chineses realizaram uma patrulha conjunta na junção entre os continentes asiático e americano, próximo ao Alasca. A China também opera alguns quebra-gelos equipados com minissubmarinos de profundidade, capazes de mapear o leito marinho, o que pode ser útil para fins militares. O país também opera satélites de observação do Ártico. Pequim assegura que seus objetivos são científicos. (Com NYT e AFP)
Uma pequena maioria dos entrevistados em sete países da União Europeia considera o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “um inimigo da Europa”, segundo uma pesquisa publicada nesta sexta-feira (23) pela revista francesa de geopolítica Le Grand Continent.
A pesquisa, realizada entre 13 e 19 de janeiro, entrevistou 1.000 pessoas em cada um dos sete países — França, Bélgica, Alemanha, Itália, Espanha, Dinamarca e Polônia — após Trump expressar seu desejo de anexar a Groenlândia, um território dinamarquês.
Segundo a pesquisa do Cluster17, 51% consideram Trump um “inimigo da Europa”, contra 8% que o consideram um “amigo”. Essa pequena maioria é encontrada em seis desses países, com exceção da Polônia, onde apenas 28% descrevem sua postura como hostil.
Neste país que faz fronteira com a Rússia e que vê Washington como um garantidor de sua proteção contra potenciais ameaças de Moscou, 48% dos entrevistados consideram o presidente americano indiferente, nem amigo nem inimigo (39% em média nos sete países).
Por outro lado, a Dinamarca, aliada de longa data de Washington na Europa, é o país com o maior número de entrevistados que veem Trump como um inimigo (58%), empatada com a Espanha e à frente de Bélgica (56%), França (55%), Alemanha (53%) e Itália (52%).
Em relação à operação militar dos EUA que levou à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, 63% dos entrevistados a consideram “ilegal” por violar a soberania nacional e internacional, em comparação com 25% que a consideram “legítima”.
Nesse contexto internacional cada vez mais tenso, 73% dos entrevistados acreditam que a UE deve garantir sua própria defesa no futuro sem depender do apoio dos Estados Unidos, em comparação com 22% que ainda acreditam ser possível contar com a intervenção de Washington.
Os Estados Unidos, a maior potência militar do mundo e detentora de bombas atômicas, são o principal membro da Otan, a aliança militar transatlântica da qual todos os países entrevistados fazem parte.
Durante décadas, os países europeus reduziram seus gastos com defesa e agora se encontram em uma situação de acentuada dependência de Washington, que há anos exige que a Europa assuma maior responsabilidade por sua própria proteção.
Como um animal de poucos milímetros pode chamar tanta atenção? Foi o que aconteceu quando pesquisadores do Instituto Butantan observaram uma aranha minúscula ostentando um curioso “colar” de larvas de ácaro — um registro inédito no país e raro no mundo científico.
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A análise revelou que não se tratava de um parasita qualquer. As larvas pertencem a uma nova espécie de ácaro, batizada Araneothrombium brasiliensis, apenas a segunda variedade de ácaro parasita de aranhas já identificada no Brasil. A descoberta foi detalhada em artigo publicado em outubro na revista International Journal of Acarology, referência internacional na área, publicado neste mês de janeiro.
Um gênero novo em território brasileiro
O achado é também o primeiro a descrever a fase larval do gênero Araneothrombium como parasita de aranhas de três famílias distintas — Araneidae, Salticidae e Sparassidae. Até então, o gênero havia sido descrito apenas em 2017, na Costa Rica. Segundo os pesquisadores do Butantan, a presença agora confirmada no Brasil indica que esses ácaros podem estar mais disseminados em áreas tropicais do que se imaginava.
Além do exemplar observado no Laboratório de Coleções Zoológicas do Instituto Butantan, o parasita foi identificado em outras aranhas jovens. Todos os ácaros estavam ingurgitados, ou seja, haviam se alimentado a ponto de aumentar consideravelmente de tamanho, formando o visual que levou os cientistas a compararem o conjunto a um “colar de pérolas”.
Em comunicado, o pesquisador Ricardo Bassini-Silva, do Instituto Butantan, explicou que esse tipo de descoberta não é incomum para o grupo. “Muitas espécies são conhecidas apenas na fase larval, porque quando adultas tornam-se predadoras de vida livre, vivendo no solo e se alimentando de pequenos insetos e até de outros ácaros, o que dificulta muito encontrá-las”, afirmou.
A descoberta ocorreu quase por acaso. As aranhas estavam armazenadas há anos nas coleções científicas do instituto e só chamaram atenção quando pesquisadores que estudavam aranhas e escorpiões notaram o detalhe incomum. Os ácaros se alimentam de linfa, fluido que circula pelo corpo de artrópodes, sugando-o por uma região mais frágil do corpo da aranha, o pedicelo, entre o cefalotórax e o tórax.
Essa vulnerabilidade é ainda maior em aranhas jovens, que passam por sucessivas mudas do exoesqueleto, ficando temporariamente mais expostas à ação dos parasitas. Um detalhe microscópico que, ao ser revelado, amplia o entendimento sobre a biodiversidade brasileira — e mostra que, mesmo em coleções antigas, ainda há descobertas à espera de um olhar atento.
Autoridades do estado de Telangana, no sul da Índia, abriram uma investigação após a morte de centenas de cães de rua em ao menos seis vilarejos ao longo do último mês. A polícia afirma ter confirmado 354 mortes até agora e informou a prisão de nove pessoas ligadas a parte dos casos.
Ativistas de proteção animal disseram à BBC que os cães teriam sido envenenados ou submetidos a injeções letais. A polícia, por sua vez, aguarda laudos periciais para determinar o método exato utilizado. Moradores relataram que os ataques estariam ligados a promessas feitas por candidatos durante campanhas eleitorais locais para eliminar cães e macacos das áreas urbanas.
As mortes ocorrem em um momento de debate nacional sobre animais de rua, enquanto a Suprema Corte da Índia analisa petições sobre como lidar com o problema nas cidades — inclusive na capital, Délhi. Embora o país conviva há décadas com cães, bovinos e macacos soltos nas ruas, execuções em larga escala são raras e provocaram forte reação.
Cães de rua são frequentemente associados a ataques, danos a lavouras e acidentes de trânsito. Especialistas apontam uma combinação de fatores para o aumento das populações: falhas em programas de esterilização e vacinação, acúmulo de lixo, abandono de animais, redução de habitats naturais e aplicação irregular das leis.
Apesar de integrarem o cotidiano de muitas comunidades, organizações de defesa animal denunciam crueldade recorrente e afirmam que as punições previstas são insuficientes. A ministra estadual Danasari Anasuya Seethakka disse ao jornal The Hindu que as mortes foram “ilegais” e “desumanas”, prometendo rigor contra os responsáveis.
No ano passado, a Suprema Corte determinou a retirada de cães de rua das vias de Délhi para abrigos em prazo curto, mas recuou após protestos, passando a exigir imunização e vacinação antes do retorno aos bairros.
Um ex-vereador britânico acusado de estuprar a ex-esposa ao longo de 13 anos, após supostamente dopá-la, comparece nesta sexta-feira à Justiça ao lado de outros cinco homens, também suspeitos de abusos sexuais contra a vítima.
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Assim como a francesa Gisèle Pelicot, que se tornou símbolo da luta contra a violência sexual ao se recusar a um julgamento a portas fechadas no processo contra o marido, a vítima neste caso, Joanne Young, de 48 anos, renunciou ao direito ao anonimato.
O ex-marido dela, Philip Young, de 49 anos, que está em prisão preventiva, deve comparecer ao Tribunal Penal de Winchester, no sul da Inglaterra. Na audiência, o juiz deverá questioná-lo sobre eventual declaração de culpa ou inocência.
Ex-vereador do Partido Conservador britânico, Young foi detido e acusado no fim de dezembro passado de 56 crimes sexuais, segundo a imprensa local. As acusações incluem múltiplos estupros, voyeurismo e posse de imagens pornográficas de menores. Ele também responde pela acusação de ter administrado à ex-esposa “uma substância com a intenção de atordoá-la ou submetê-la para manter relações sexuais”.
Os crimes denunciados teriam ocorrido entre 2010 e 2023. Em uma audiência anterior, realizada em dezembro, o acusado limitou-se a confirmar nome, data de nascimento e endereço.
Outros cinco homens, com idades entre 31 e 61 anos, que respondem em liberdade sob fiança, também devem comparecer ao mesmo tribunal. Eles são acusados, entre outros crimes, de estupros e agressões sexuais contra Joanne Young. Dois deles já se declararam inocentes em audiência anterior.
A polícia não divulgou detalhes adicionais, como os locais onde as agressões teriam ocorrido, mas informou que o principal acusado viveu temporariamente na cidade de Swindon, a cerca de cem quilômetros a oeste de Londres, assim como três dos outros suspeitos.
Caso Pelicot
O caso remete ao episódio ocorrido na França envolvendo Gisèle Pelicot, estuprada durante uma década em sua casa, na cidade de Mazan, no sul do país, por dezenas de homens recrutados pela internet por seu então marido, Dominique Pelicot, que a dopava. Ao recusar um julgamento a portas fechadas, Pelicot deu visibilidade internacional ao caso.
Dominique Pelicot foi condenado a 20 anos de prisão, enquanto os demais réus receberam penas que variaram de três a 15 anos.
Quase sete décadas após ser condenado e executado por um crime que não cometeu, o norte-americano Tommy Lee Walker foi oficialmente inocentado pelas autoridades do condado de Dallas, no Texas. Walker tinha apenas 19 anos quando foi sentenciado à morte pelo assassinato de Venice Parker, uma balconista branca, em um caso marcado por racismo, confissões obtidas sob coação e irregularidades no julgamento.
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Em 1953, Walker foi preso e acusado de matar Parker, que havia sido violentada sexualmente e esfaqueada enquanto aguardava um ônibus após o expediente em uma loja de brinquedos. Ferida, ela conseguiu pedir ajuda a um motorista e foi levada a um hospital local, onde morreu em decorrência dos ferimentos. De acordo com pesquisas do Innocence Project, a vítima não conseguiu falar antes de morrer porque teve a garganta cortada. Ainda assim, o policial que a entrevistou momentos antes da morte alegou que ela identificou o agressor como um homem negro.
Dois indivíduos disseram à polícia que viram Walker na região naquela noite, embora nenhum deles tenha presenciado o crime, segundo cópia da decisão de 1956 do tribunal de apelação que negou o recurso da defesa, obtida pela revista People. A prisão só ocorreu quatro meses depois, efetuada pelo então chefe do Departamento de Homicídios da Polícia de Dallas, Will Fritz — apontado pelo Innocence Project como um membro da Ku Klux Klan, grupo terrorista dedicado à perseguição e assassinato de pessoas negras nos EUA.
Tommy Lee Parker, de 19 anos, em julgamento
Reprodução: Biblioteca Pública de Dallas
Desde o início, Walker declarou inocência e apresentou um álibi: ele estava no hospital acompanhando o nascimento de seu primeiro e único filho. Dez testemunhas confirmaram o fato e depuseram no julgamento. Mesmo assim, após horas de interrogatório intenso — que incluíram ameaças de cadeira elétrica e a apresentação de supostas provas inexistentes — Walker acabou assinando duas declarações confessando o crime.
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A primeira, segundo o Innocence Project, continha inúmeras imprecisões. A segunda foi desmentida pelo próprio Walker poucos instantes depois de assinada. Em nenhum momento, nem mesmo sob pressão, ele confessou o estupro de Parker.
“Hoje sabemos, por meio de décadas de pesquisas e de casos de condenações injustas, que as táticas usadas contra o sr. Walker — ameaças de pena de morte, isolamento e engano, além do racismo flagrante neste caso — aumentam o estresse e a exaustão mental de uma pessoa, colocando-a em risco significativo de fazer uma confissão falsa durante um interrogatório policial”, afirmou Lauren Gottesman, uma das advogadas do filho de Walker, Edward Smith.
O caso foi conduzido no tribunal pelo promotor distrital de Dallas à época, Henry Wade, que, segundo o Innocence Project, supervisionou a condenação de ao menos 20 homens negros inocentes durante sua gestão. No julgamento, Wade teria se recusado a entregar provas favoráveis à defesa, apresentado alegações falsas como se fossem fatos e chegou a depor como sua própria testemunha de acusação, declarando que sabia que Walker era culpado.
Condenado à morte, Walker teve o recurso negado. Apesar de Fritz ter afirmado que a assinatura da confissão o livraria da pena capital, o jovem foi executado na cadeira elétrica em 1956.
A reviravolta histórica veio após uma revisão abrangente do caso conduzida em conjunto pela Unidade de Integridade de Condenações da Promotoria do Condado de Dallas, pelo Innocence Project e pelo Projeto de Direitos Civis e Justiça Restaurativa da Faculdade de Direito da Universidade Northeastern. Em 21 de janeiro, o Conselho de Comissários de Dallas aprovou uma resolução que inocenta Walker e declara que ele foi condenado e executado injustamente pelo assassinato de Parker.
Para Edward Smith, o único filho de Walker, a decisão trouxe alívio tardio e dor renovada. “Foi difícil crescer sem um pai”, disse. “Quando eu estava na escola, as crianças falavam sobre seus pais, e eu não tinha nada a dizer. Isso não vai trazê-lo de volta, mas agora o mundo sabe o que sempre soubemos — que ele era um homem inocente. E isso traz um pouco de paz.”
O Kremlin reiterou nesta sexta-feira que a retirada de tropas ucranianas da região do Donbas — que corresponde às províncias orientais de Donetsk e Luhansk — como uma condição determinante para o fim da guerra no Leste Europeu. A sinalização foi feita antes da primeira reunião trilateral entre equipes de Kiev e Moscou com os mediadores dos EUA, marcada para esta sexta em Abu Dhabi, e após um encontro do enviado especial americano, Steve Witkoff, e do genro de Donald Trump, Jared Kushner, com o líder russo, Vladimir Putin, que durou mais de três horas e meia. Fontes ouvidas pela imprensa internacional afirmam que a reunião desta sexta-feira estava em andamento por volta das 08h (em Brasília).
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— A posição da Rússia é bem conhecida: a Ucrânia e suas Forças Armadas devem deixar o território de Donbas — disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. — Esta é uma condição muito importante.
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A disputa pelo território parece ser o ponto central da esperada reunião trilateral, que foi anunciada na quinta-feira, após o encontro das autoridades americanas com Putin. A Rússia, que controla cerca de 20% do território ucraniano, exige a retirada completa das tropas ucranianas da região de Donbas, no leste do país.
O assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, disse na quinta-feira que o encontro trilateral em Abu Dhabi será o primeiro do que chamou de um “grupo de trabalho” para discutir “questões de segurança”. A delegação russa será chefiada pelo general Igor Kostiukov, enquanto a Ucrânia será representada pelo secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov, pelo chefe do gabinete presidencial, Kirill Budanov, pelo seu vice, Sergi Kislitsya, pelo líder do partido presidencial, David Arakhamia, e pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Andrii Gnatov.
Entre os ucranianos, a expectativa é de que a questão do Donbas seja o tema central da reunião. Em Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que o futuro do território será uma “questão fundamental”. Ele demonstrou alguma expectativa com o andamento das negociações, após ter discutido com o presidente americano — com quem disse ter finalizado as “garantias de segurança” e discutido o envio de mísseis de defesa aérea adicionais, que interceptem mísseis balísticos russos.
— É um passo, espero que rumo ao fim da guerra, mas outras coisas podem acontecer — afirmou Zelensky sobre as conversas em Abu Dhabi. — Espero um resultado positivo”, acrescentou.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, discursa durante a reunião anual do Fórum Econômico Mundial (WEF), em Davos, em 22 de janeiro de 2026
FABRICE COFFRINI / AFP
Garantias de Segurança
Além do encontro trilateral, Ushakov afirmou na quinta-feira que uma segunda reunião ocorrerá em Abu Dhabi, dedicada a questões econômicas, entre Witkoff e o enviado do Kremlin para assuntos econômicos internacionais, Kirill Dmitriev.
— Estamos sinceramente interessados ​​em uma solução para o conflito por meios políticos e diplomáticos — afirmou Ushakov. — [Mas] até que isso aconteça, a Rússia continuará a alcançar seus objetivos (…) no campo de batalha.
Nos últimos meses, Moscou intensificou seus ataques à rede elétrica ucraniana, causando apagões massivos, inclusive no aquecimento, principalmente na capital, em pleno inverno.
Durante a noite, tanto a Ucrânia quanto a Rússia relataram ataques com drones. O Estado-Maior ucraniano relatou ataques aéreos com alvos atingindos em 12 locais. Quatro pessoas, incluindo um menino de cinco anos, morreram em uma área residencial em Cherkaske, no distrito de Kramatorsk, no leste da Ucrânia.
Em meio aos ataques, o prefeito de Kiev, Vitaly Klitschko, reiterou apelos para que moradores evacuem a cidade após repetidos ataques russos ao sistema de aquecimento — que autoridades estimam que tenha cortado o aquecimento de 1.940 prédios residenciais.
“Para ser franco: esta é uma situação extremamente difícil e pode piorar”, escreveu Klitschko em uma mensagem, aconselhando as pessoas a estocarem itens essenciais. “Se alguém puder sair da cidade e se mudar para algum lugar com energia elétrica e aquecimento, não descarte essa opção”. (Com AFP)

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