Como um animal de poucos milímetros pode chamar tanta atenção? Foi o que aconteceu quando pesquisadores do Instituto Butantan observaram uma aranha minúscula ostentando um curioso “colar” de larvas de ácaro — um registro inédito no país e raro no mundo científico.
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A análise revelou que não se tratava de um parasita qualquer. As larvas pertencem a uma nova espécie de ácaro, batizada Araneothrombium brasiliensis, apenas a segunda variedade de ácaro parasita de aranhas já identificada no Brasil. A descoberta foi detalhada em artigo publicado em outubro na revista International Journal of Acarology, referência internacional na área, publicado neste mês de janeiro.
Um gênero novo em território brasileiro
O achado é também o primeiro a descrever a fase larval do gênero Araneothrombium como parasita de aranhas de três famílias distintas — Araneidae, Salticidae e Sparassidae. Até então, o gênero havia sido descrito apenas em 2017, na Costa Rica. Segundo os pesquisadores do Butantan, a presença agora confirmada no Brasil indica que esses ácaros podem estar mais disseminados em áreas tropicais do que se imaginava.
Além do exemplar observado no Laboratório de Coleções Zoológicas do Instituto Butantan, o parasita foi identificado em outras aranhas jovens. Todos os ácaros estavam ingurgitados, ou seja, haviam se alimentado a ponto de aumentar consideravelmente de tamanho, formando o visual que levou os cientistas a compararem o conjunto a um “colar de pérolas”.
Em comunicado, o pesquisador Ricardo Bassini-Silva, do Instituto Butantan, explicou que esse tipo de descoberta não é incomum para o grupo. “Muitas espécies são conhecidas apenas na fase larval, porque quando adultas tornam-se predadoras de vida livre, vivendo no solo e se alimentando de pequenos insetos e até de outros ácaros, o que dificulta muito encontrá-las”, afirmou.
A descoberta ocorreu quase por acaso. As aranhas estavam armazenadas há anos nas coleções científicas do instituto e só chamaram atenção quando pesquisadores que estudavam aranhas e escorpiões notaram o detalhe incomum. Os ácaros se alimentam de linfa, fluido que circula pelo corpo de artrópodes, sugando-o por uma região mais frágil do corpo da aranha, o pedicelo, entre o cefalotórax e o tórax.
Essa vulnerabilidade é ainda maior em aranhas jovens, que passam por sucessivas mudas do exoesqueleto, ficando temporariamente mais expostas à ação dos parasitas. Um detalhe microscópico que, ao ser revelado, amplia o entendimento sobre a biodiversidade brasileira — e mostra que, mesmo em coleções antigas, ainda há descobertas à espera de um olhar atento.
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Além do exemplar observado no Laboratório de Coleções Zoológicas do Instituto Butantan, o parasita foi identificado em outras aranhas jovens. Todos os ácaros estavam ingurgitados, ou seja, haviam se alimentado a ponto de aumentar consideravelmente de tamanho, formando o visual que levou os cientistas a compararem o conjunto a um “colar de pérolas”.
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Essa vulnerabilidade é ainda maior em aranhas jovens, que passam por sucessivas mudas do exoesqueleto, ficando temporariamente mais expostas à ação dos parasitas. Um detalhe microscópico que, ao ser revelado, amplia o entendimento sobre a biodiversidade brasileira — e mostra que, mesmo em coleções antigas, ainda há descobertas à espera de um olhar atento.










