O Kremlin reiterou nesta sexta-feira que a retirada de tropas ucranianas da região do Donbas — que corresponde às províncias orientais de Donetsk e Luhansk — como uma condição determinante para o fim da guerra no Leste Europeu. A sinalização foi feita antes da primeira reunião trilateral entre equipes de Kiev e Moscou com os mediadores dos EUA, marcada para esta sexta em Abu Dhabi, e após um encontro do enviado especial americano, Steve Witkoff, e do genro de Donald Trump, Jared Kushner, com o líder russo, Vladimir Putin, que durou mais de três horas e meia. Fontes ouvidas pela imprensa internacional afirmam que a reunião desta sexta-feira estava em andamento por volta das 08h (em Brasília).
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— A posição da Rússia é bem conhecida: a Ucrânia e suas Forças Armadas devem deixar o território de Donbas — disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. — Esta é uma condição muito importante.
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A disputa pelo território parece ser o ponto central da esperada reunião trilateral, que foi anunciada na quinta-feira, após o encontro das autoridades americanas com Putin. A Rússia, que controla cerca de 20% do território ucraniano, exige a retirada completa das tropas ucranianas da região de Donbas, no leste do país.
O assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, disse na quinta-feira que o encontro trilateral em Abu Dhabi será o primeiro do que chamou de um “grupo de trabalho” para discutir “questões de segurança”. A delegação russa será chefiada pelo general Igor Kostiukov, enquanto a Ucrânia será representada pelo secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov, pelo chefe do gabinete presidencial, Kirill Budanov, pelo seu vice, Sergi Kislitsya, pelo líder do partido presidencial, David Arakhamia, e pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Andrii Gnatov.
Entre os ucranianos, a expectativa é de que a questão do Donbas seja o tema central da reunião. Em Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que o futuro do território será uma “questão fundamental”. Ele demonstrou alguma expectativa com o andamento das negociações, após ter discutido com o presidente americano — com quem disse ter finalizado as “garantias de segurança” e discutido o envio de mísseis de defesa aérea adicionais, que interceptem mísseis balísticos russos.
— É um passo, espero que rumo ao fim da guerra, mas outras coisas podem acontecer — afirmou Zelensky sobre as conversas em Abu Dhabi. — Espero um resultado positivo”, acrescentou.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, discursa durante a reunião anual do Fórum Econômico Mundial (WEF), em Davos, em 22 de janeiro de 2026
FABRICE COFFRINI / AFP
Garantias de Segurança
Além do encontro trilateral, Ushakov afirmou na quinta-feira que uma segunda reunião ocorrerá em Abu Dhabi, dedicada a questões econômicas, entre Witkoff e o enviado do Kremlin para assuntos econômicos internacionais, Kirill Dmitriev.
— Estamos sinceramente interessados em uma solução para o conflito por meios políticos e diplomáticos — afirmou Ushakov. — [Mas] até que isso aconteça, a Rússia continuará a alcançar seus objetivos (…) no campo de batalha.
Nos últimos meses, Moscou intensificou seus ataques à rede elétrica ucraniana, causando apagões massivos, inclusive no aquecimento, principalmente na capital, em pleno inverno.
Durante a noite, tanto a Ucrânia quanto a Rússia relataram ataques com drones. O Estado-Maior ucraniano relatou ataques aéreos com alvos atingindos em 12 locais. Quatro pessoas, incluindo um menino de cinco anos, morreram em uma área residencial em Cherkaske, no distrito de Kramatorsk, no leste da Ucrânia.
Em meio aos ataques, o prefeito de Kiev, Vitaly Klitschko, reiterou apelos para que moradores evacuem a cidade após repetidos ataques russos ao sistema de aquecimento — que autoridades estimam que tenha cortado o aquecimento de 1.940 prédios residenciais.
“Para ser franco: esta é uma situação extremamente difícil e pode piorar”, escreveu Klitschko em uma mensagem, aconselhando as pessoas a estocarem itens essenciais. “Se alguém puder sair da cidade e se mudar para algum lugar com energia elétrica e aquecimento, não descarte essa opção”. (Com AFP)
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— A posição da Rússia é bem conhecida: a Ucrânia e suas Forças Armadas devem deixar o território de Donbas — disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. — Esta é uma condição muito importante.
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A disputa pelo território parece ser o ponto central da esperada reunião trilateral, que foi anunciada na quinta-feira, após o encontro das autoridades americanas com Putin. A Rússia, que controla cerca de 20% do território ucraniano, exige a retirada completa das tropas ucranianas da região de Donbas, no leste do país.
O assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, disse na quinta-feira que o encontro trilateral em Abu Dhabi será o primeiro do que chamou de um “grupo de trabalho” para discutir “questões de segurança”. A delegação russa será chefiada pelo general Igor Kostiukov, enquanto a Ucrânia será representada pelo secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov, pelo chefe do gabinete presidencial, Kirill Budanov, pelo seu vice, Sergi Kislitsya, pelo líder do partido presidencial, David Arakhamia, e pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Andrii Gnatov.
Entre os ucranianos, a expectativa é de que a questão do Donbas seja o tema central da reunião. Em Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que o futuro do território será uma “questão fundamental”. Ele demonstrou alguma expectativa com o andamento das negociações, após ter discutido com o presidente americano — com quem disse ter finalizado as “garantias de segurança” e discutido o envio de mísseis de defesa aérea adicionais, que interceptem mísseis balísticos russos.
— É um passo, espero que rumo ao fim da guerra, mas outras coisas podem acontecer — afirmou Zelensky sobre as conversas em Abu Dhabi. — Espero um resultado positivo”, acrescentou.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, discursa durante a reunião anual do Fórum Econômico Mundial (WEF), em Davos, em 22 de janeiro de 2026
FABRICE COFFRINI / AFP
Garantias de Segurança
Além do encontro trilateral, Ushakov afirmou na quinta-feira que uma segunda reunião ocorrerá em Abu Dhabi, dedicada a questões econômicas, entre Witkoff e o enviado do Kremlin para assuntos econômicos internacionais, Kirill Dmitriev.
— Estamos sinceramente interessados em uma solução para o conflito por meios políticos e diplomáticos — afirmou Ushakov. — [Mas] até que isso aconteça, a Rússia continuará a alcançar seus objetivos (…) no campo de batalha.
Nos últimos meses, Moscou intensificou seus ataques à rede elétrica ucraniana, causando apagões massivos, inclusive no aquecimento, principalmente na capital, em pleno inverno.
Durante a noite, tanto a Ucrânia quanto a Rússia relataram ataques com drones. O Estado-Maior ucraniano relatou ataques aéreos com alvos atingindos em 12 locais. Quatro pessoas, incluindo um menino de cinco anos, morreram em uma área residencial em Cherkaske, no distrito de Kramatorsk, no leste da Ucrânia.
Em meio aos ataques, o prefeito de Kiev, Vitaly Klitschko, reiterou apelos para que moradores evacuem a cidade após repetidos ataques russos ao sistema de aquecimento — que autoridades estimam que tenha cortado o aquecimento de 1.940 prédios residenciais.
“Para ser franco: esta é uma situação extremamente difícil e pode piorar”, escreveu Klitschko em uma mensagem, aconselhando as pessoas a estocarem itens essenciais. “Se alguém puder sair da cidade e se mudar para algum lugar com energia elétrica e aquecimento, não descarte essa opção”. (Com AFP)










