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Lewis-Martin, que atuou como principal conselheira do prefeito, responde a diversas acusações criminais sob a alegação de ter usado indevidamente o cargo para beneficiar amigos e associados em troca de vantagens ilícitas. Em documento protocolado no tribunal, os promotores detalham trocas de mensagens e contatos entre a ex-assessora e autoridades municipais em favor de dois incorporadores que enfrentavam entraves no Departamento de Edificações da cidade.
De acordo com o gabinete do promotor distrital de Manhattan, os empresários estabeleceram inicialmente uma relação com o filho da ex-assessora, Glenn Martin II, enquanto buscavam apoio para destravar seus projetos. A partir de 2022, já na administração municipal, Lewis-Martin teria passado a interceder repetidamente junto a reguladores em nome dos incorporadores. Em troca, afirmam os promotores, ela recebeu subornos, incluindo um par de brincos de diamante de dois quilates avaliado em US$ 3.000.
Um dos episódios descritos envolve o incorporador Raizada Vaid, que tentava obter autorização para a reforma de um hotel no Lower East Side, em Manhattan. Diante da demora no processo, ele pediu ajuda direta à assessora. “Por favor, ligue para seu contato no DOB”, escreveu Vaid em uma mensagem de texto, afirmando que o projeto estava “emperrado”.
Segundo a Promotoria, Lewis-Martin entrou em contato com o comissário interino do Departamento de Edificações dois dias depois. Mesmo após técnicos do órgão apontarem preocupações de segurança em relação ao que havia sido apresentado como reformas internas “simples”, a ex-assessora teria mantido a pressão, o que acabou resultando na aprovação da licença.
O documento, com cerca de 170 páginas, foi apresentado como resposta a um pedido da defesa para o arquivamento das acusações.
Na noite de terça-feira, o advogado de Lewis-Martin, Arthur L. Aidala, afirmou que “aguardamos uma resposta robusta que apresentaremos a essas acusações”.
Em dezembro de 2024, a ex-assessora, seu filho e os dois incorporadores — Vaid e Mayank Dwivedi — foram denunciados por quatro crimes, sob a acusação de participação em “um esquema de suborno, lavagem de dinheiro e conspiração de longa duração”.
Lewis-Martin deixou o cargo pouco antes de as primeiras denúncias se tornarem públicas. No ano passado, ela e o filho voltaram a ser denunciados pela Promotoria de Manhattan, chefiada pelo promotor distrital Alvin Bragg.
Ao longo de cinco denúncias, os promotores sustentam que a ex-assessora explorou sua proximidade com o prefeito para acelerar aprovações em agências municipais, direcionar contratos a um incorporador favorecido e tentar barrar um projeto de ciclovias protegidas no Brooklyn. Em troca, segundo a acusação, ela teria recebido dinheiro, bolinhos de caranguejo, reformas em sua residência e até uma participação em um programa de televisão popular.
Lewis-Martin e os demais réus se declararam inocentes. Adams não foi acusado em nenhuma das denúncias, e Bragg afirmou que o ex-prefeito não é alvo das investigações.
As acusações contra a ex-assessora surgiram em meio a uma série de apurações envolvendo a administração Adams, incluindo uma denúncia federal por corrupção apresentada no outono de 2024 contra o próprio prefeito — o primeiro em exercício na história moderna de Nova York a ser formalmente acusado. Posteriormente, o Departamento de Justiça desistiu do processo.
As suspeitas de corrupção e a aproximação de Adams com o governo Trump, enquanto buscava o arquivamento das acusações, afetaram a percepção pública sobre seus quatro anos à frente da Prefeitura, derrubaram sua taxa de aprovação e enfraqueceram decisivamente sua campanha de reeleição no ano passado.








