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A lendária pescadora de lagostas Virginia Oliver morreu no dia 21 de janeiro, aos 105 anos, em um hospital próximo à sua casa, em Rockland, no estado do Maine, nos Estados Unidos. A informação foi confirmada pelo Boston Globe. Conhecida como a “Senhora da Lagosta”, Virginia ficou marcada por uma carreira quase centenária no mar e pelo pioneirismo em um setor historicamente dominado por homens.
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Filha de pescadores, Virginia começou a acompanhar o pai na pesca ainda aos oito anos de idade. Décadas depois, tornou-se a primeira mulher oficialmente licenciada para a atividade no Maine e, já idosa, passou a ser reconhecida como a pescadora de lagostas mais velha em atividade no estado. Durante anos, saiu para o mar três vezes por semana ao lado do filho, Max Oliver, no barco que levava seu próprio nome.
A rotina começava por volta das 3h da manhã. Cabia a ela capitaniar a embarcação, preparar as iscas, medir as lagostas e devolver ao mar aquelas fora do tamanho permitido. “Ela é a chefe”, disse Max ao The Globe em 2021. Segundo ele, a mãe também não hesitava em dar broncas quando julgava necessário. “Era uma trabalhadora incansável e uma boa mãe”, afirmou ao Boston Globe.
Virginia só deixou o mar aos 103 anos, quando problemas de saúde a obrigaram a permanecer em terra firme. Ainda assim, costumava minimizar o esforço de uma vida inteira de trabalho. “Para mim, não é um trabalho difícil. Pode ser para outra pessoa, mas não para mim”, disse ao The Globe quando tinha 101 anos. Apesar da discrição, seu filho relatava que ela gostava do reconhecimento e se emocionava ao receber cartas de admiradores, inclusive do exterior.
A trajetória singular inspirou documentários e livros, além de homenagens oficiais. O Festival da Lagosta do Maine descreveu Virginia como “uma verdadeira lenda” e “uma parte viva da história marítima do estado”, destacando sua ética de trabalho e o apego inabalável ao ofício. A escritora Barbara Walsh, coautora de um livro ilustrado sobre a pescadora, lembrou sua postura firme e bem-humorada, além do batom vermelho e dos brincos que fazia questão de usar. “Ela não acreditava em reclamar. Acreditava em viver, rir e fazer o que amava”, escreveu em homenagem publicada após sua morte.
Nascida em junho de 1920, em Rockland, Virginia era filha do pescador de lagostas Alvin Rackliff e da comerciante Julia Ruttomer Rackliff, segundo o The Globe. Casou-se com Maxwell Oliver Sr., também pescador, com quem trabalhou até a morte do marido. Deixa três filhos, uma filha e dois netos. Seu legado, como ressaltou o festival local, permanece “nas águas que ela chamava de lar” e na memória da comunidade costeira do Maine.

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A história das orcas Wikie, de 23 anos, e de seu filho, Keijo, de 11, pode ganhar um novo capítulo nas próximas semanas. As duas gigantes ganharam notoriedade quando foram “deixadas para morrer” há cerca de um ano e meio com o encerramento das atividades do Marineland de Antibes, na França, um dos maiores parques marinhos da Europa. Esses dois animais seguem nos tanques onde antes exibiam seu show para o público, que agora acumula sujeira, longe das condições ideais, em especial quando comparado à natureza. Elas são as últimas em cativeiro no país.
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Desde então, grupos de direitos dos animais tentam uma solução, com transferência das duas orcas para santuários. O ministro francês da Transição Ecológica, Mathieu Lefèvre, fez uma visita surpresa ao espaço desativado no último dia 15. Na ocasião, ele falou que os dois animais devem ser transferidos “em breve” para o Loro Parque, em Tenerife, Espanha. Segundo Lefèvre, essa mudança deve ocorrer “nas próximas semanas, antes do final de junho”, destacou o jornal francês Le Figaro.
No antigo parque, hoje em ruínas, também estão 12 golfinhos-nariz-de-garrafa, que vivem há mais de um ano em tanques esverdeados. Desde que o parque Marineland foi fechado, as estruturas vêm apresentando sinais claros de deterioração. Um dos casos mais notáveis é o tanque onde permanecem Wikie e Keijo, que tem rachaduras.
— O risco, precisamente, é não fazer nada. Todos que se preocupam com o bem-estar desses cetáceos devem entender que precisamos romper o impasse e agir o mais rápido possível. O status quo não é uma solução — disse Mathieu Lefèvre durante a visita, destacou o Le Figaro.
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A negociação com o Loro Parque, na Espanha, foi longa. Em tratativas anteriores, no ano passado, o espaço recusou receber os dois mamíferos, alegando falta de capacidade. Ainda em 2025, o governo francês bloqueou duas tentativas de transferência — uma para um santuário no Canadá e outra para um parque no Japão.
— Todas as autorizações foram concedidas, a transferência agora é possível. Tudo está pronto — disse o ministro, enfatizando “a urgência da situação”.
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Estudos apontam que, na natureza, orcas têm expectativa de vida entre 60 e 90 anos, no caso das fêmeas. Quando em cativeiro, esse período reduz drasticamente, numa média de 30 anos, com muitos indivíduos não chegando a 20 anos. Esse foi o caso de Moama, irmã mais velha de Keijo, que morreu aos 12 anas, em outubro de 2023. O óbito ocorreu devido a uma infecção bacteriana na corrente sanguínea, que pode ter sido contraída por meio do consumo de peixes contaminados, lembrou o Conexão Planeta.
Inouk, irmão de Wikie, também morreu no Marineland, em março do ano passado, aos 25 anos. A orca já estava debilitada, com a barbatana dorsal comprometida e sem dentes em decorrência de roer as paredes do tanque onde era mantida. A morte ocorreu após a ingestão de um corpo estranho metálico.
Hoje, cerca de 40 funcionários do parque, incluindo os tratadores de animais, permanecem em seus postos.
Durante sua visita, Mathieu Lefèvre lembrou das duas mortes dos animais no parque.
— Lembro que dois cetáceos já morreram aqui — disse. E completou ao falar sobre a necessidade de tirar Wikie e Keijo e os 12 golfinhos do parque desativado. — Portanto, não vou correr o risco de isso acontecer novamente.
A previsão é que o transporte das orcas seja feito em enormes caixas por avião de carga até a Espanha. O preço da operação não foi divulgado, mas, segundo o CEO do Marineland, Pascal Ferracci, disse ao Le Figaro, deve custar “centenas de milhares de euros, talvez até milhões”.
O destino dos 12 golfinhos-nariz-de-garrafa deve ser diferente, com alguns levados para um parque em Valência e outro em Málaga, ambos na Espanha. Eles ficarão alojados até a construção e finalização de um recinto especializado no Zoológico de Beauval, na França.

A aprovação da minirreforma eleitoral – em rápida votação simbólica e sem registro em painel – tem recebido críticas de diversas entidades da sociedade civil. O texto muda a prestação de contas dos partidos, flexibiliza regras de controle – limitando e parcelando multas a partidos que tiverem as contas desaprovadas, e autoriza o envio de mensagens em massa a eleitores previamente cadastrados.

A matéria foi aprovada na noite de terça-feira (19) pela Câmara dos Deputados, sem que o texto entrasse na pauta. A votação simbólica e sem registro no painel identificando como cada parlamentar votou, despertou críticas: 

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“A aprovação ocorreu por votação simbólica, sem identificação individualizada dos votos parlamentares, dificultando que a população conheça o posicionamento de seus representantes sobre as medidas”, diz nota de repúdio do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).

O texto segue agora para o Senado. Se aprovada e sancionada, a minirreforma trará mudanças relevantes na forma de fiscalização e punição de partidos políticos, limitando multas e protegendo os recursos do Fundo Partidário, que não poderá ser bloqueado. 

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Para o MCCE, formado por mais de 70 organizações da sociedade civil, caso se torne lei, a matéria vai fragilizar mecanismos de controle sobre o uso dos fundos Eleitoral e Partidário e representa um “grave retrocesso” para o país.

Já para o relator, deputado Rodrigo Gambale (Pode-SP), o projeto traz alterações estruturais e necessárias à Lei dos Partidos Políticos que vão otimizar a gestão partidária, garantir segurança jurídica das agremiações e harmonizar as normas de fiscalização com os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade.

Entenda

Em termos gerais, o projeto de lei aprovado (PL 4822/2025) altera regras da legislação eleitoral e partidária, modificando itens importantes como prestação de contas, punições e propaganda política.

Entre os principais pontos do projeto estão:

  • Limite de R$ 30 mil para multas por contas desaprovadas;
  • proibição de bloqueio ou penhora de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral;
  • autorização para envio de mensagens automatizadas a eleitores cadastrados;
  • redução do prazo para julgamento de contas pela Justiça Eleitoral, podendo levar ao encerramento do processo sem decisão definitiva;
  • possibilidade de parcelamento de dívidas de partidos em até 15 anos.

Parte dessas medidas é considerada sensível porque pode reduzir o alcance das sanções ou limitar instrumentos de controle do uso de recursos para partidos políticos.

Um dos exemplos é o teto para multas. Com a nova regra, irregularidades de alto valor passariam a ter punição limitada, o que reduz o caráter proporcional das penalidades.

Outro ponto é a proibição de penhora de recursos dos fundos Partidário e Eleitoral. Na prática, a medida restringe a possibilidade de bloquear esses valores para pagamento de dívidas – o que pode dificultar a execução de decisões judiciais.

Na área de fiscalização, a redução do prazo para julgamento das contas — de cinco para três anos — pode levar ao encerramento de processos sem decisão, caso não sejam analisados dentro do período.

Além disso, o projeto estabelece que cada diretório partidário responde apenas por suas próprias irregularidades, o que pode fragmentar a responsabilização e dificultar a atuação da Justiça Eleitoral em casos mais amplos.

Propaganda eleitoral

A proposta também altera regras de campanha ao permitir o envio de mensagens automatizadas a eleitores previamente cadastrados. Esse envio não será considerado irregular quando direcionado ao público cadastrados.

Para críticos da medida, esse ponto pode ampliar o uso de ferramentas digitais com menor controle, especialmente em relação à disseminação de conteúdo em massa.

MCCE

Em nota pública de repúdio, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral afirmou que o projeto representa “grave retrocesso” para a fiscalização e a transparência partidária, uma vez que “enfraquece mecanismos de fiscalização e transparência partidária”.

“O projeto flexibiliza regras de prestação de contas, amplia possibilidades de parcelamento e renegociação de multas com recursos públicos, enfraquece sanções aplicáveis a irregularidades cometidas por partidos políticos e aprofunda medidas de anistia relacionadas ao descumprimento de cotas de raça e gênero”, diz a nota.

Ainda segundo o MCCE, a proposta facilitará fusões partidárias, dificultando a responsabilização de legendas por irregularidades já apuradas, ao mesmo tempo em que fragiliza instrumentos de controle sobre o uso do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral.

“Também causa preocupação a autorização para disparos massivos automatizados de mensagens em campanhas eleitorais, medida que ignora os impactos da desinformação registrados nos últimos processos eleitorais”, acrescentou.

Tramitação sem debate

O MCCE também criticou diretamente a forma como o PL tramitou na Câmara:

“O tema foi incluído na pauta de maneira repentina, sem o necessário debate público com a sociedade civil, especialistas e instituições comprometidas com a defesa da integridade eleitoral.”

“O MCCE espera que o Senado Federal promova ampla discussão sobre a matéria e impeça a consolidação de medidas que representem retrocessos para a transparência, a igualdade política e a integridade eleitoral no Brasil”, conclui a nota.

O movimento tem, entre suas entidades participantes, CNBB, OAB e entidades de classe ligadas à Polícia Federal, aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

 

O recente indiciamento do ex-presidente cubano Raúl Castro nos Estados Unidos pela derrubada de dois aviões da organização Brothers to the Rescue (Irmãos ao Resgate), em 1996, reacendeu um dos episódios mais tensos da história recente entre os dois países. Em 24 de fevereiro daquele ano, caças MiG cubanos derrubaram duas aeronaves civis, causando a morte de quatro pessoas. Um terceiro avião, no qual viajava José Basulto, chefe da organização fundada por exilados cubanos anticastristas, conseguiu escapar.
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Washington afirma que o ataque ocorreu sobre águas internacionais, enquanto Havana sustenta que agiu em legítima defesa em suas águas territoriais. Trinta anos depois, a Justiça americana acusa Castro – então ministro da Defesa – de assassinato, conspiração para matar cidadãos americanos e destruição de aeronaves, em meio a uma forte pressão da administração de Donald Trump sobre Cuba.
René González, piloto e ex-agente da inteligência cubana infiltrado nos Estados Unidos entre 1991 e 1998, participou da fundação do Irmãos ao Resgate e relatou à AFP sua versão dos fatos.
Um grupo ‘humanitário’
Em uma entrevista em sua casa em Havana, González conta que a organização era conhecida pelas missões de busca de balseiros cubanos que tentavam chegar à Flórida em embarcações precárias.
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— Por trás de um conceito humanitário de salvar vidas se esconde toda uma série de esquemas que não são públicos — disse, em referência a supostos planos violentos da organização em Cuba.
O ex-espião afirma que essa radicalização começou a se desenvolver em meados dos anos 1990.
— Eles foram escalando (…) sob a percepção de que isto [o governo comunista] já estava com os dias contados — explica, em referência à dura crise econômica que Cuba atravessava com a queda da União Soviética.
O ex-agente pondera, no entanto, que nem todos os integrantes compartilhavam essas intenções. “Entre os que caíram, há dois rapazes que me doem: Carlos Costa e Mario de la Peña, que queriam fazer horas de voo e salvar balseiros” e “não tinham nada a ver com o restante dos outros planos”.
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Ele também recordou uma incursão aérea sobre Havana em 1994, da qual participou com a organização: “Voamos a cerca de três milhas do Malecón, lançando sinalizadores, bombas de fumaça (…) foi uma violação flagrante [do espaço aéreo cubano] muito divulgada” por meios de comunicação americanos.
O dia da derrubada
Sobre 24 de fevereiro de 1996, González recorda o momento em que soube da notícia. Ele estava na cozinha de sua casa em Miami: “Para mim, foi um choque”.
Como espião cubano na Flórida, “foram dias difíceis, de estar constantemente em alerta, transmitindo informações, recebendo orientações [de Havana] sobre como lidar com o tema”, conta González, detido nos Estados Unidos em 1998 e condenado a 15 anos de prisão. Em sua opinião, a derrubada foi usada politicamente pelos setores do exílio mais radicais em sua postura em relação a Cuba.
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— Eles se sentiam felizes porque realmente conseguiram. Bem, fizeram quatro pessoas morrerem, mas conseguiram uma lei que nos causou muito dano — afirma, em referência à Helms-Burton, que transformou em lei federal o embargo contra Cuba.
Essa norma foi adotada pelo governo de Bill Clinton (1993-2001) como resposta à derrubada das aeronaves.
‘Não me surpreende’
González assegura que a acusação contra Raúl Castro, de 94 anos, responde à conjuntura política atual e faz parte de uma “estratégia mais ampla” de Washington para aumentar a pressão sobre Cuba.
— Não me surpreende, dado o contexto de agressividade que o governo Trump gerou.
Para o ex-agente, a imputação se insere em uma lógica impulsionada por setores do exílio anticastrista.
— Este indiciamento não é mais que (…) a ação desse setor [exílio anticastrista] para ver se finalmente empurra o governo americano contra Cuba — sustenta.
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Em sua opinião, alguns grupos desse entorno “sonham” há décadas com uma confrontação direta entre os dois países, o que “seria uma tragédia para Cuba e para os Estados Unidos”. González afirma: “Não gostaria de ter que atirar em um jovem americano”.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Cuba aceitou a oferta de US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões) em ajuda humanitária proposta por Washington, condicionada à distribuição dos recursos por meio da Igreja Católica. A iniciativa foi anunciada pelo Departamento de Estado em meio ao bloqueio naval imposto ao país caribenho desde o início do ano e após uma troca de acusações entre os dois governos sobre os termos do pacote.
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Segundo o Departamento de Estado, o montante não seria repassado diretamente ao governo cubano, mas entregue como “assistência humanitária direta ao povo”, com distribuição coordenada por organizações independentes, como a própria Igreja Católica. A medida, segundo Washington, busca garantir que os recursos não passem pelas autoridades da ilha.
A oferta ocorre em meio a um cenário de tensão entre os dois países. Antes da sinalização de aceitação mencionada por Rubio, autoridades americanas e cubanas trocaram acusações públicas sobre a existência e os termos do pacote. O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, chegou a classificar a proposta como uma “fábula”, afirmando que não havia sido formalmente apresentada pelos canais oficiais.
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Na semana passada, em publicações nas redes sociais, Rodríguez questionou a origem dos recursos e as condições da ajuda, sugerindo que a iniciativa poderia representar uma tentativa de interferência externa.
“Será uma doação, um engano ou um negócio sujo para cercear nossa independência? Não seria mais fácil levantar o cerco de combustível?”, escreveu na rede X, ao cobrar maior transparência sobre o plano.
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A proposta foi apresentada em meio ao endurecimento da política americana em relação à ilha. Desde o início do ano, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, impôs um bloqueio naval que restringiu o acesso de Cuba a combustíveis, com impactos diretos na economia e no cotidiano da população. O país enfrenta apagões frequentes, redução de voos internacionais e medidas emergenciais adotadas pelo governo local.
Diante desse cenário, órgãos internacionais têm alertado para a deterioração das condições de vida na ilha. Em abril, a ONU afirmou que as necessidades humanitárias em Cuba permanecem “agudas e persistentes”, citando também os efeitos ainda presentes de desastres naturais recentes.
* Matéria em atualização
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Cuba aceitou a oferta de US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões) em ajuda humanitária proposta por Washington, condicionada à distribuição dos recursos por meio da Igreja Católica. A iniciativa foi anunciada pelo Departamento de Estado em meio ao bloqueio naval imposto ao país caribenho desde o início do ano e após uma troca de acusações entre os dois governos sobre os termos do pacote.
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Segundo o Departamento de Estado, o montante não seria repassado diretamente ao governo cubano, mas entregue como “assistência humanitária direta ao povo”, com distribuição coordenada por organizações independentes, como a própria Igreja Católica. A medida, segundo Washington, busca garantir que os recursos não passem pelas autoridades da ilha.
A oferta ocorre em meio a um cenário de tensão entre os dois países. Antes da sinalização de aceitação mencionada por Rubio, autoridades americanas e cubanas trocaram acusações públicas sobre a existência e os termos do pacote. O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, chegou a classificar a proposta como uma “fábula”, afirmando que não havia sido formalmente apresentada pelos canais oficiais.
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Na semana passada, em publicações nas redes sociais, Rodríguez questionou a origem dos recursos e as condições da ajuda, sugerindo que a iniciativa poderia representar uma tentativa de interferência externa.
“Será uma doação, um engano ou um negócio sujo para cercear nossa independência? Não seria mais fácil levantar o cerco de combustível?”, escreveu na rede X, ao cobrar maior transparência sobre o plano.
* Matéria em atualização
Israel anunciou nesta quinta-feira que expulsou todos os ativistas estrangeiros da flotilha para Gaza capturados esta semana pelas forças israelenses em águas internacionais, após a indignação internacional com o tratamento que receberam durante a detenção. Após a divulgação de imagens dos ativistas com as mãos amarradas e a testa contra o chão, Espanha, Irlanda e Itália pediram sanções da União Europeia contra o ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, que publicou os vídeos.
Entenda o caso: Ministro israelense causa indignação ao divulgar vídeo de ativistas de flotilha a Gaza ajoelhados e com mãos amarradas; assista
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Cerca de 430 tripulantes a bordo de aproximadamente 50 embarcações foram interceptados na segunda-feira pelo Exército israelense no Mediterrâneo, a oeste de Chipre, e levados à força para Israel, onde foram detidos na prisão de Ktziot, afirmou a ONG Adalah, que os representou legalmente.
— Todos os ativistas estrangeiros da flotilha da Solidariedade com a Palestina foram deportados de Israel. Israel não permitirá nenhuma violação do bloqueio naval legal sobre Gaza — declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Oren Marmorstein.
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A ONG havia indicado na noite de quarta-feira que eles deveriam comparecer à Justiça antes da expulsão, mas um porta-voz da organização ouvido pela AFP, Moatassem Zeidan, afirmou que, ao final, “não serão apresentados aos tribunais”.
A Adalah informou que os ativistas foram levados ao aeroporto de Ramon, perto de Eilat, no sul de Israel, para serem expulsos do país. Os ativistas egípcios e jordanianos foram transferidos para seus respectivos países, para Taba e Aqaba, próximas às fronteiras com Israel.
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No entanto, uma ativista germano-israelense que viajava no mesmo comboio marítimo — que partiu da Turquia após a interceptação, em abril, por parte de Israel, de uma flotilha anterior para Gaza ao largo da Grécia — deverá comparecer a um tribunal em Ascalão.
Europa pede sanções por tratamento a ativistas
Os ativistas da “Global Sumud Flotilla” (“sumud” significa resiliência em árabe) queriam chamar atenção para a situação humanitária na Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra entre Hamas e Israel, rompendo o bloqueio marítimo imposto pelo Estado israelense ao território palestino.
O ministro Ben Gvir provocou na quarta-feira uma onda de indignação no exterior e até dentro de seu próprio governo ao publicar um vídeo dos ativistas da flotilha ajoelhados e com as mãos amarradas.
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Uma jovem que grita “Libertem a Palestina” ao passar pelo ministro termina com a cabeça pressionada contra o chão por agentes de segurança.
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Ben Gvir, do partido Poder Judaico, foi criticado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pelo ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar.
Mas Netanyahu defendeu que seu país “tem pleno direito de impedir que flotilhas provocadoras de partidários terroristas do Hamas” entrem em suas águas territoriais e cheguem a Gaza”, em referência ao movimento que desencadeou a guerra ao lançar um ataque sem precedentes contra Israel em 7 de outubro de 2023.
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As reações internacionais, especialmente dos países cujos cidadãos foram detidos, não demoraram.
O chefe do governo da Espanha, Pedro Sánchez, classificou as imagens como “inaceitáveis” e anunciou que seu país vai defender a imposição de sanções da União Europeia contra o ministro israelense.
O tratamento dado aos detidos foi classificado como “inadmissível” pela Itália, e o chanceler Antonio Tajani declarou que pediu sanções contra o ministro.
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O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, solicitou ao Conselho Europeu, em carta obtida pela AFP, que a União Europeia adote “novas medidas” contra Israel.
A relatora especial da ONU para a situação dos direitos humanos nos Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, afirmou na rede X que o que esses ativistas sofreram é “um tratamento de luxo comparado ao que é infligido aos palestinos nas prisões israelenses”.
Alessandro Mantovani, detido com os ativistas e deportado antes dos demais, contou nesta quinta-feira ao chegar ao aeroporto de Roma-Fiumicino que ele e outros foram “levados ao aeroporto Ben Gurion com algemas e correntes nos pés, e colocados em um voo para Atenas”.
— Fomos espancados. Nos chutaram e nos deram socos — diz, referindo-se ao tratamento recebido pelas forças de segurança.
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Dario Carotenuto, também detido e deportado, relatou que foram apontados com rifles.
— Acho que foram os segundos mais longos da minha vida — afirma.
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta quinta-feira a favor de uma empresa portuária de propriedade americana, cujo terreno na orla foi confiscado em 1960, quando Fidel Castro chegou ao poder e nacionalizou a propriedade privada, possivelmente abrindo caminho para reivindicações semelhantes por parte de empresas e indivíduos americanos. A decisão de 8 a 1 a favor da Havana Docks Corporation ocorre em um momento em que o presidente Donald Trump aumenta a pressão sobre o país comunista, que enfrenta uma crise humanitária após os Estados Unidos bloquearem os carregamentos de petróleo da Venezuela e do México para a ilha.
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O governo Trump apoiou a entidade de propriedade americana que processou as principais companhias de cruzeiro que utilizavam os cais confiscados. O governo argumentou perante os juízes que os processos para permitir tal compensação, autorizados inicialmente pelo Congresso na década de 1990, eram uma importante ferramenta de política externa para desencorajar o investimento em Cuba.
O juiz Clarence Thomas, escrevendo pela maioria, disse que aqueles que usam propriedade “contaminada por uma confiscação anterior” são responsáveis ​​perante “qualquer cidadão dos Estados Unidos que tenha direito a essa propriedade”. Segundo ele, a Havana Docks só precisava demonstrar que as companhias de cruzeiro haviam usado propriedade apreendida sobre a qual a empresa detinha algum direito.
A juíza Elena Kagan, por sua vez, apresentou um voto divergente, argumentando que as docas sempre pertenceram ao governo cubano e que o direito da empresa sobre a propriedade havia expirado antes mesmo de as companhias de cruzeiro a utilizarem.
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A decisão do tribunal pode abrir caminho para outros processos semelhantes, mas seu impacto além das reivindicações contra as quatro empresas de cruzeiro não ficou imediatamente claro. Os juízes ainda não se pronunciaram em um segundo caso similar envolvendo as reivindicações da gigante americana de energia Exxon Mobil sobre seus ativos de petróleo e gás confiscados na ilha.
Antes da revolução comunista em Cuba, empresas americanas detinham ou controlavam 90% da geração de eletricidade da ilha, seu sistema telefônico, grande parte da indústria de mineração, os canaviais e muitas refinarias e armazéns de petróleo. Quando Castro ascendeu ao poder, há mais de 60 anos, começou a confiscar os bens de todas as empresas de propriedade americana. A maioria foi transferida para empresas estatais controladas pelo governo.
Investidores americanos apresentaram reclamações ao governo dos EUA por meio da Comissão de Liquidação de Reclamações Estrangeiras, uma agência do Departamento de Justiça. Em 1971, a comissão certificou a reclamação da Havana Docks Corporation no valor de US$ 9,1 milhões, ou quase US$ 100 milhões ajustados pela inflação (R$ 502 milhões) que permanece não paga. No total, a comissão certificou US$ 1,9 bilhão em reclamações de quase 6 mil requerentes, ou cerca de US$ 9,3 bilhões em valor atual (R$ 46,72 bilhões), de acordo com o Conselho de Comércio e Economia EUA-Cuba.
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Em 1996, o Congresso americano intensificou o embargo comercial dos EUA depois que caças cubanos abateram dois aviões pilotados por membros do grupo de exilados cubanos Irmãos ao Resgate. Três cidadãos americanos e um residente permanente morreram.
Os legisladores aprovaram a Lei de Liberdade e Solidariedade Democrática com Cuba, também conhecida como Lei Helms-Burton, que declarou que a resolução das reivindicações de propriedade era uma condição fundamental para o restabelecimento das relações econômicas e diplomáticas com Cuba. A lei incluía uma disposição que permitia aos americanos processar em tribunais federais o governo cubano pelo “tráfico” ou uso indevido de bens apreendidos — atualmente o ponto central dos processos na Suprema Corte.
Mas a lei dava aos presidentes um mecanismo para suspender a disposição e bloquear os processos judiciais, que eram controversos política e diplomaticamente. Presidentes de ambos os partidos haviam suspendido a disposição até que o primeiro governo Trump a ativou em 2019.
Essa mudança na política abriu caminho para que a Havana Docks Corporation processasse as companhias de cruzeiro por estacionarem seus navios nos cais e trazerem quase um milhão de pessoas para Havana. A empresa construiu, possuía e operava as instalações portuárias no início do século XX, como parte de um acordo de 99 anos com o governo cubano pré-Castro, que lhe permitia operar o porto até pelo menos 2004. Quando o regime comunista assumiu o poder e confiscou os cais, a empresa ainda tinha 44 anos restantes em seu contrato.
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A indústria de cruzeiros afirmou que agiu dentro da lei ao colaborar com o governo cubano e utilizar as docas, e que estava seguindo o exemplo do governo de Barack Obama, que incentivou viagens a Cuba em 2016 durante um breve período de retomada das relações diplomáticas.
Em 2022, um juiz federal do Distrito Sul da Flórida decidiu contra as companhias de cruzeiro, rejeitando sua alegação de que o uso das docas configurava viagem legal. O juiz ordenou que cada uma das quatro companhias de cruzeiro pagasse pelo menos US$ 110 milhões (R$ 552 milhões na cotação atual).
O Tribunal de Apelações do 11º Circuito dos EUA reverteu a decisão, considerando que os direitos da empresa sobre a propriedade e as operações do cais tinham um prazo de validade e teriam terminado em 2004, de acordo com o acordo original com o governo cubano.
Em atualização.
Cuba está disposta a mudanças em sua economia e governo e ansiosa para continuar as negociações com os EUA, mas não acredita que Washington esteja participando das conversas diplomáticas de boa fé, disse o embaixador cubano nas Nações Unidas, Ernesto Soberón Guzmán, em entrevista ao New York Times.
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— Cuba está disposta a conversar sobre tudo com os EUA. Não há nenhum assunto proibido em nossas conversas, com base na reciprocidade e na igualdade — disse Ernesto Soberón Guzmán, embaixador cubano, em entrevista na quarta-feira. — Obviamente, não ajuda um clima de diálogo e confiança que dia sim, dia não, haja declarações como: “Estamos prontos para tomar Cuba”.
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A entrevista de uma hora de duração foi a primeira oficialmente concedida por um funcionário do governo cubano em exercício ao New York Times em anos.
— A retórica belicista não ajuda — disse Guzmán. — Criar diferentes pretextos para uma agressão militar contra Cuba, que é o que eles estão fazendo, não ajuda.
O embaixador cubano afirmou que o governo de Havana tomou a decisão de falar com a imprensa dos EUA para demonstrar para o público americano que Cuba deseja paz e cooperação com Washington, apesar da intensificação da campanha de pressão do governo do presidente Donald Trump contra a ilha.
Essa pressão aumentou na quarta-feira, quando promotores americanos acusaram formalmente Raúl Castro, ex-presidente cubano e talvez ainda a figura mais poderosa do país, de ordenar que militares cubanos abatessem dois aviões civis sobre Cuba em 1996, matando quatro pessoas, incluindo três cidadãos americanos.
O ex-presidente cubano, Raúl Castro
Ariel LEY ROYERO / ACN / AFP
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Essa foi uma das medidas mais agressivas até o momento em uma campanha americana que já dura meses para pressionar o governo cubano a ceder o poder ou a fazer concessões políticas e econômicas significativas.
O governo Trump impôs um bloqueio de petróleo efetivo à ilha, com algumas exceções, o que contribuiu para a escassez de alimentos, falhas no sistema de saúde, preços da gasolina no mercado paralelo acima de US$ 40 por galão e apagões que duraram até 22 horas por dia.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou em um vídeo dirigido ao povo cubano na quarta-feira — mesma data em que os EUA encerraram sua ocupação militar de Cuba em 1902 — que Washington não era responsável ​​por esses problemas.
— A verdadeira razão pela qual vocês não têm eletricidade, combustível ou comida é porque aqueles que controlam o seu país desviaram bilhões de dólares, mas nada foi usado para ajudar o povo — disse Rubio em espanhol, referindo-se à GAESA, um conglomerado administrado por militares cubanos que controla, segundo algumas estimativas, até 70% da economia de Cuba.— O presidente Trump está propondo uma nova relação entre os EUA e Cuba. Mas essa relação deve ser direta com vocês, o povo cubano, e não com a GAESA.
Pessoas cozinham com lenha em meio a crise energética em Havana, em 13 de maio de 2026
Yamil Lage/AFP
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Guzmán afirmou que os comentários de Rubio eram, “para qualquer pessoa com um mínimo de bom senso”, “um insulto à inteligência humana”. Foram os EUA que interromperam o fluxo de petróleo venezuelano que antes sustentava Cuba, disse ele, e foram os EUA que ameaçaram outras nações para que suspendessem envios de petróleo à ilha.
O embaixador ainda reiterou declarações recentes de autoridades cubanas de que a ilha esgotou suas reservas de combustível e está sustentando sua matriz energética exclusivamente com petróleo produzido internamente e energia renovável, principalmente proveniente de painéis solares.
— Quando você continua tirando e tirando sem reposição, uma hora acaba — disse ele.
O governo Trump ofereceu a Cuba US$ 100 milhões em alimentos e medicamentos para amenizar os efeitos da crise energética, embora tenha condicionado à distribuída da ajuda pela Igreja Católica ou outros grupos considerados confiáveis, e não pelo governo cubano.
Pessoas caminham por uma rua durante um apagão em Havana, em 13 de maio
Yamil Lage/AFP
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Guzmán disse que Cuba pretendia aceitar a ajuda, mas também a considerou um “insulto”. Ele atribuiu muitos dos problemas econômicos da ilha ao embargo comercial e ao bloqueio do petróleo impostos pelos EUA, embora a economia planificada estatal também contribua há muito tempo para a pobreza generalizada.
Em meio às crescentes tensões, Washington e Havana estão em negociações há meses. John Ratcliffe, diretor da CIA, viajou para a ilha na semana passada para exigir que Cuba promova reformas econômicas significativas e bloqueie operações de inteligência russas e chinesas em seu território.
A CIA afirmou em um comunicado que Ratcliffe disse às autoridades cubanas “que os EUA estão preparados para se engajar seriamente em questões econômicas e de segurança, mas somente se Cuba fizer mudanças fundamentais”.
Guzmán disse que as autoridades cubanas veem diversas áreas de cooperação mutuamente benéficas, incluindo migração, turismo, agricultura, produção de medicamentos e combate ao tráfico internacional de drogas.
Mural em Havana com imagens dos últimos líderes cubanos: Fidel Castro, Raúl Castro e Miguel Díaz-Canel
YAMIL LAGE / AFP
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Ele se recusou a dar detalhes sobre possíveis mudanças na economia cubana ou em seu sistema político, que tem essencialmente um único partido e nenhuma imprensa livre. Afirmou, porém, que Havana não estava disposta a receber lições de Washington sobre democracia, criticando diversos aspectos do sistema americano, incluindo o colégio eleitoral, o redesenho dos distritos eleitorais e a influência de doadores políticos ricos.
— É essa a democracia que eles querem para Cuba? Não nos interessa — disse o diplomata.
Ele acrescentou que Washington mantém relações positivas com diversas nações que não possuem sistemas democráticos.
— Portanto, a democracia em Cuba não é o motivo pelo qual os EUA estão exercendo pressão — concluiu.
Um avião da Força Aérea do Reino Unido (RAF) foi interceptado de forma “perigosa e repetida” por dois caças russos durante uma missão sobre o Mar Negro no mês passado, segundo denuncia o governo britânico. O episódio, descrito por Londres como o mais grave desde 2022, aumentou a tensão entre Rússia e países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em meio à guerra na Ucrânia.
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De acordo com o Ministério da Defesa britânico, um caça russo Su-35 voou tão perto da aeronave RC-135 Rivet Joint, usada para vigilância eletrônica, que acionou sistemas de emergência do avião britânico e chegou a desativar o piloto automático. Em outro momento, um Su-27 realizou seis passagens em frente à aeronave, aproximando-se a apenas seis metros do nariz do avião da RAF.
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A aeronave britânica estava desarmada e realizava um voo de rotina em espaço aéreo internacional, como parte das operações de monitoramento da Otan no leste europeu, segundo Londres. Apesar das manobras russas, a tripulação britânica completou a missão. O secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, classificou a ação como “perigosa e inaceitável”. O governo britânico informou ainda que convocou representantes da embaixada da Rússia para se manifestarem formalmente contra o episódio.
— Essas ações criaram um sério risco de acidentes e potencial escalada — alertou o secretário de Defesa.
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O RC-135 Rivet Joint é uma aeronave especializada em inteligência eletrônica e coleta de sinais, utilizada para monitorar movimentações militares e sistemas de defesa. Missões desse tipo se tornaram frequentes desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022.
O caso ocorre em um momento de aumento da atividade militar russa nas fronteiras da Otan. Nas últimas semanas, o Reino Unido acusou Moscou de intensificar operações aéreas e marítimas no Atlântico Norte, no Báltico e no Mar Negro, enquanto aliados europeus reforçam missões de vigilância na região.
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Nos confrontos diretos da guerra, a Ucrânia dá sinais pontuais de sucesso na contenção de avanços terrestres russos e impõe custos elevados à Rússia com seus ataques com drones a instalações militares e energéticas. Por outro lado, Moscou intensificou o volume dos bombardeios contra cidades ucranianas, deixando centenas de vítimas nas últimas semanas. No campo diplomático, não há qualquer sinal de que os dois lados planejem retomar as negociações para um acordo de paz duradouro.
O caso dos dois irmãos franceses de três e cinco anos encontrados sozinhos em uma estrada entre Alcácer do Sal e Comporta, em Portugal, passou a mobilizar autoridades portuguesas e francesas diante da suspeita de crimes cometidos nos dois países. As crianças teriam sido abandonadas pela própria mãe, que segue desaparecida.
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Segundo as investigações, os menores teriam sido levados da França antes de entrarem em Portugal pela região de Bragança. As autoridades afirmam que as crianças foram vendadas sob o pretexto de participarem de um “jogo” e depois abandonadas em uma estrada isolada.
Quando foram encontradas, carregavam apenas uma garrafa de água, uma fruta e pequenas mochilas.
Os irmãos foram localizados por um casal responsável por uma padaria na região, que acolheu os menores até a chegada da Guarda Nacional Republicana (GNR).
O ex-inspetor da Polícia Judiciária e comentarista da CNN Portugal Gustavo Silva afirmou que a prioridade das autoridades é garantir o “interesse superior das crianças”.
Segundo ele, uma convenção internacional permite “agilizar processos para fazer regressar as crianças ao país de origem, neste caso a França”. Gustavo Silva ressaltou que o mais urgente é assegurar que os menores “estejam bem física e clinicamente”.
O especialista afirmou que o caso pode envolver crimes como sequestro e abandono em situação de perigo.
Segundo ele, as crianças teriam sido colocadas “em perigo, inclusive risco de morte”, já que não possuem idade para autonomia.
O crime de abandono em situação de perigo ocorre quando alguém sujeita outra pessoa “a uma situação da qual ela, por si só, não possa se defender” ou abandona alguém que tinha obrigação de proteger.
Para Gustavo Silva, as duas hipóteses podem se aplicar ao caso.
— O crime de abandono em situação de perigo é agravado quando cometido, neste caso, pela mãe, podendo resultar em pena de dois a cinco anos de prisão. Felizmente não estamos lamentando uma situação pior — afirmou.
Caso o abandono tivesse provocado a morte das crianças, a pena poderia chegar a dez anos de prisão.
Portugal e França podem disputar investigação
O caso também abriu discussão sobre qual país terá competência para conduzir as investigações. Segundo Gustavo Silva, em uma “primeira análise”, o crime de abandono pode ser enquadrado pela legislação portuguesa, já que os fatos ocorreram em Portugal.
Ele ressaltou, porém, que será necessário avaliar mecanismos de cooperação internacional e analisar “se faz sentido separar responsabilidades”. Segundo o especialista, o suposto sequestro das crianças teria ocorrido na França.
“As autoridades francesas, no limite, poderão acabar assumindo a investigação dos dois crimes”, afirmou, citando o “vínculo muito forte” com o país de origem da família. Especialistas também demonstraram preocupação com os impactos psicológicos do episódio.
A psicóloga Melanie Tavares afirmou que situações como essa podem provocar consequências emocionais profundas.
— É a sensação de abandono, de estarem perdidas, desprotegidas, de não terem recursos familiares para, no fundo, aliviar o medo — declarou.
Ela acrescentou que os menores “foram expostos ao perigo”.
Segundo a psicóloga, o fato de as crianças estarem juntas pode ter amenizado parcialmente o sofrimento, já que havia “um ponto de contato que já existia antes dessa experiência traumática”.
Melanie Tavares alertou ainda para possíveis sintomas nos próximos dias, como dificuldade para dormir, alterações alimentares, irritabilidade e isolamento.
— Isso obviamente vai trazer, nos próximos dias, alguns sintomas aos quais quem cuidar dessas crianças precisará estar muito atento — afirmou.
A especialista demonstrou preocupação especial com o fato de o suposto abandono ter sido apresentado como um “jogo”. Para ela, a situação pode deixar marcas permanentes na relação das crianças com figuras parentais.
— Essas crianças vão viver em angústia permanente, uma angústia muito grande de abandono e uma angústia de separação — declarou.
Ela acrescentou:
— Isso é um trauma que vai ficar, tal como uma tatuagem. Fica para a vida.

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