Cronologia: Vídeos que mostram abordagem de agentes federais que levou à morte de americano contradizem versão do governo Trump
Acompanhe o caso: Autoridades de Minnesota entram na Justiça para tentar impedir destruição de provas após morte de americano por agentes federais
Após a morte do enfermeiro Alex Pretti, no último sábado, baleado por agentes federais de imigração em Minneapolis, Walz chegou a afirmar que “não se podia confiar” em uma investigação conduzida por autoridades federais. O governador democrata e o presidente republicano, assim como outras autoridades federais, vêm trocando farpas publicamente à medida que a tensão em Minnesota tem aumentado por conta da atuação de agentes da Patrulha de Fronteira e do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) no território.
“O governador Tim Walz me ligou com o pedido de trabalharmos juntos em relação a Minnesota. Foi uma ligação muito boa e, na verdade, parecíamos estar em sintonia”, escreveu Trump em sua rede Truth Social.
Segundo o governador, a ligação de hoje entre os dois foi “produtiva” e ele argumentou que “precisam de investigações imparciais sobre os tiroteios em Minneapolis envolvendo agentes federais”. Walz destacou ainda que há necessidade de reduzir o número de agentes federais em Minnesota e disse que Trump concordou em “conversar com seu Departamento de Segurança Interna (DHS) sobre garantir” que a polícia estadual possa participar das investigações sobre os tiroteios.
— O presidente também concordou em analisar a possibilidade de reduzir o número de agentes federais em Minnesota e trabalhar com o estado de forma mais coordenada na aplicação das leis de imigração relacionadas a criminosos violentos — afirmou ele.
Anteontem, o juiz federal Eric Tostrud, indicado ao cargo por Trump, emitiu uma decisão de caráter liminar proibindo autoridades federais de “destruir ou alterar” as evidências sobre a morte de Pretti. A petição foi apresentada pelo procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, que argumentou que agentes federais cometeram erros “estarrecedores” após os disparos contra Pretti no sábado, o que indicaria que “o governo federal pode continuar a reter — e a deixar de proteger — provas”.
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Walz disse ainda que também aproveitou a oportunidade para lembrar Trump de que o Departamento de Correções de Minnesota coopera com o ICE, informando-os quando tem sob custódia uma pessoa que não é cidadã americana.
— Não há um único caso documentado de o departamento ter liberado alguém da prisão estadual sem se oferecer para garantir uma transferência de custódia tranquila — disse Walz.
Apesar da abertura oferecida pelo presidente, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt declarou durante uma coletiva de imprensa nesta tarde que as mortes a tiros de Renee Good e Alex Pretti, ambos mortos por agentes federais em Minneapolis neste mês, foram causadas pelas ações do governo local e estadual, incluindo o governador de Minnesota e o prefeito de Minneapolis, que, segundo ela, espalharam “mentiras” sobre as operações de fiscalização da imigração. Leavitt afirmou que os democratas são responsáveis por encorajar “agitadores de esquerda a perseguir, gravar, confrontar e obstruir” agentes federais de imigração.
Na sequência, a porta-voz declarou que, se as forças policiais locais de Minnesota forem trabalhar em conjunto com o ICE, como sugerido na ligação entre Trump e Walz, o envio de agentes da Patrulha de Fronteira para Minneapolis não seria mais necessário. Ela reforçou ainda que Walz pediu a Trump que reduzisse o número de agentes de imigração presentes no estado.
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Mais cedo, nesta segunda-feira, Trump havia anunciado que enviaria seu “czar” anti-imigração, Tom Homan, veterano do ICE, ao estado de Minnesota para administrar a atuação da agência no estado. Na publicação de hoje à tarde após a conversa com o governador, Trump revelou ainda que Homan deverá telefonar para Walz a fim de articular uma possível colaboração e que o governador teria ficado ‘feliz’ com o envio do oficial para Minnesota.
Após o incidente de sábado, que reacendeu os manifestações contra à atuação dos agentes do ICE e da Patrulha de Fronteira — ambos subordinados ao Departamento de Segurança Interna (DHS) dos EUA —, a secretária do DHS, Kristi Noem, classificou as supostas ações do enfermeiro morto por oficiais federais como “terrorismo doméstico”. Noem acusou o governador de Minnesota e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, de incitar violência contra agentes federais, e enfatizou que Trump estaria preparado para invocar a Lei de Insurreição, caso julgasse necessário.
No domingo, Trump também culpou os democratas pelas mortes de Good e Pretti, sugerindo que os casos ocorreram por uma falta de cooperação com sua campanha anti-imigração. “Tragicamente, os cidadãos americanos perderam a vida como resultado do caos causado pelos democratas”, escreveu em sua plataforma Truth Social.
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Mudança de tom
Diante do aumento de pedidos por uma investigação completa do ocorrido, incluindo de aliados republicanos, Trump evitou dizer se o agente federal que matou Pretti em Minneapolis agiu de forma apropriada em entrevista telefônica de cinco minutos concedida ao Wall Street Journal na noite de domingo. O presidente também afirmou que o governo está revisando o caso. Trump também sinalizou que agentes federais de imigração poderão deixar a região “em algum momento”, sem indicar prazo.
— Estamos olhando, estamos revisando tudo e vamos chegar a uma conclusão — disse o republicano, criticando Pretti por portar uma arma durante o protesto, embora testemunhas afirmem que o enfermeiro não empunhava a pistola quando se aproximou dos agentes.
Segundo o DHS, Pretti carregava uma pistola semiautomática calibre 9 milímetros. O órgão afirmou que o incidente começou depois que o homem abordou os agentes com a arma de fogo, e que eles tentaram desarmá-lo. No entanto, imagens do momento contradizem a versão do governo e mostram que o homem segurava um telefone na mão enquanto se aproximava dos agentes. Ele também não parece ter tentado sacar a arma.
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A troca de acusações entre Frey, Walz, Noem e Trump já havia sido intensa após a morte de Renee Good, uma mulher de 37 anos que foi baleada por um agente do ICE também em Minneapolis. O incidente ocorrido no dia 7 de janeiro, a menos de um quilômetro e meio do local onde George Floyd foi assassinado em 2020, provocou uma onda de protestos em diversas cidades do país contra a violência e a política de imigração do governo Trump. Neste caso, o Departamento de Apreensão Criminal de Minnesota, agência estadual de investigação forense, foi barrado das investigações, assumidas pelo FBI.
À medida que imagens gravadas anteontem em Minneapolis contradiziam a versão apresentada pelo governo Trump sobre a morte de Pretti, cresciam ontem as desconfianças entre autoridades estaduais de Minnesota e o governo federal. Investigadores e promotores do estado americano entraram com ações na justiça para que agências federais sejam obrigadas a manter intactas evidências coletadas no local do incidente — o que demonstra um temor de ocultação ou destruição de provas enquanto autoridades locais afirmam ter sido impedidas de investigar o caso.
O bloqueio seria o segundo em três semanas. Na apuração da morte de Good, autoridades de Minnesota também requisitaram o trabalho conjunto de seu Departamento de Investigação Criminal (DIC) com o governo federal, mas não obtiveram acesso a fatos e provas cruciais.








