Acompanhe o caso: Autoridades de Minnesota entram na Justiça para tentar impedir destruição de provas após morte de americano por agentes federais
Cronologia: Vídeos que mostram abordagem de agentes federais que levou à morte de americano contradizem versão do governo Trump
“Estou enviando Tom Homan para Minnesota esta noite”, escreveu Trump em sua rede Truth Social nesta manhã. “Ele não tem experiência nessa região, mas conhece e gosta de muitas pessoas de lá. Tom é firme, mas justo, e se reportará diretamente a mim”.
A decisão surge em um momento em que alguns assessores do presidente americano expressaram, em conversas privadas, preocupação com o fato de a situação cada vez mais instável em Minneapolis estar se tornando um problema político para a Casa Branca.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, escreveu nas redes sociais que Homan administraria as operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) no estado e coordenaria a investigação do governo sobre fraudes no estado.
Initial plugin text
Versões conflitantes
Em entrevista telefônica de cinco minutos concedida ao Wall Street Journal no domingo, Trump, evitou dizer se o agente federal que matou Pretti em Minneapolis agiu de forma apropriada, e afirmou que o governo está revisando o caso. Trump também sinalizou que agentes federais de imigração poderão deixar a região “em algum momento”, sem indicar prazo.
O episódio ocorreu na manhã de sábado, quando o Pretti foi morto por um oficial da Patrulha de Fronteiras em Minneapolis. O americano, que era enfermeiro de terapia intensiva, filmava a atuação dos agentes quando foi baleado e morto no local. Desde então, membros do governo têm defendido publicamente o agente. Trump foi questionado duas vezes se o oficial havia agido corretamente, mas não respondeu diretamente:
— Estamos olhando, estamos revisando tudo e vamos chegar a uma conclusão — disse o republicano, criticando Pretti por portar uma arma durante o protesto, embora testemunhas afirmem que o enfermeiro não empunhava a pistola quando se aproximou dos agentes. — Eu não gosto de nenhum ataque a tiros. Eu não gosto disso. Mas também não gosto quando alguém vai a um protesto carregando uma arma muito poderosa, totalmente carregada, com dois carregadores cheios de munição. Isso também não fica bem.
Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), Pretti carregava uma pistola semiautomática calibre 9 milímetros. O órgão afirmou que o incidente começou depois que o homem abordou os agentes com a arma de fogo, e que eles tentaram desarmá-lo. No entanto, imagens do momento contradizem a versão do governo e mostram que o homem segurava um telefone na mão enquanto se aproximava dos agentes. Ele também não parece ter tentado sacar a arma.
Cronologia mostra abordagem de agentes federais que levou à morte de Alex Pretti
Disputa entre autoridades
À medida que imagens gravadas anteontem em Minneapolis contradiziam a versão apresentada pelo governo Trump sobre a morte de Pretti, cresciam ontem as desconfianças entre autoridades estaduais de Minnesota e o governo federal. Investigadores e promotores do estado americano entraram com ações na justiça para que agências federais sejam obrigadas a manter intactas evidências coletadas no local do incidente — o que demonstra um temor de ocultação ou destruição de provas enquanto autoridades locais afirmam ter sido impedidas de investigar o caso.
O bloqueio seria o segundo em três semanas. Na apuração da morte da americana Renee Good, de 37 anos, atingida por três tiros durante uma abordagem do ICE em 7 de janeiro, autoridades de Minnesota também requisitaram o trabalho conjunto de seu Departamento de Investigação Criminal (DIC) com o governo federal, mas não obtiveram acesso a fatos e provas cruciais.
Entenda: Casaco de comandante de ações anti-imigração vira símbolo de disputa nos EUA por semelhança com uniforme nazista
Anteontem, o juiz federal Eric Tostrud, indicado ao cargo por Trump, emitiu uma decisão de caráter liminar proibindo autoridades federais de “destruir ou alterar” as evidências sobre a morte de Pretti. A petição foi apresentada pelo procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, que argumentou que agentes federais cometeram erros “estarrecedores” após os disparos, o que indicaria que “o governo federal pode continuar a reter — e a deixar de proteger — provas”.
Em uma entrevista coletiva ontem, Ellison comparou o caso de Pretti com a morte de Good, cuja apuração federal não resultou em qualquer medida contra o autor dos disparos. Segundo o procurador, antes era impensável cogitar que seria necessário entrar com uma ação na justiça para demandar uma investigação justa e completa.
(Com AFP e New York Times)








