A médio prazo: EUA prometem aumentar produção de petróleo na Venezuela; qual é o impacto no Brasil e na Petrobras?
Analistas traçam cenário: Quando o petróleo venezuelano vai voltar para o mercado global?
Em entrevista à NBC News na noite de segunda-feira, Trump afirmou que o projeto para fazer empresas petrolíferas americanas expandirem suas operações no país poderia estar “em pleno funcionamento” em menos de 18 meses, um prazo que diverge das estimativas de especialistas do setor de energia. A maior parte das petrolíferas têm se mantido em silêncio sobre sua disposição de reinvestir na Venezuela.
— Acho que podemos fazer isso em menos tempo, mas será muito dinheiro — disse Trump à NBC. — Uma quantidade tremenda de dinheiro terá de ser gasta, e as empresas de petróleo vão gastar, e depois serão reembolsadas por nós ou por meio de receitas.
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Os comentários ressaltam a visão do governo americano de que as vastas reservas de petróleo da Venezuela são centrais tanto para sua recuperação quanto para os interesses estratégicos dos EUA. Ainda assim, Trump ofereceu poucos detalhes sobre como a produção seria restaurada ou quem controlaria as receitas no período intermediário.
Conversas com executivos das petrolíferas
Questionado se havia conversado com os principais executivos da Exxon Mobil, Chevron e ConocoPhillips, o presidente americano disse que era “cedo demais” para revelar se teve alguma conversa, acrescentando:
— Eu falo com todo mundo.
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O plano do governo de realizar reuniões com altos executivos das petrolíferas americanas pode acontecer em breve. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, planeja conversar nesta semana com executivos da indústria petrolífera, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Wright participará esta semana, em Miami, da conferência Goldman Sachs Energy, Clean Tech & Utilities, que contará com a presença de executivos da Chevron, ConocoPhillips e de outras empresas.
A CBS News, citando uma fonte não identificada, informou que executivos das três empresas poderiam se reunir com Wright na próxima quinta-feira.
As reuniões com os executivos das petrolíferas americanas são cruciais para as esperanças do governo dos EUA de trazer de volta à nação sul-americana as principais empresas petrolíferas americanas, depois que o governo venezuelano, há quase duas décadas, assumiu o controle das operações de energia lideradas por companhias dos EUA no país.
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Arte O GLOBO
A porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, afirmou:
— Todas as nossas empresas de petróleo estão prontas e dispostas a fazer grandes investimentos na Venezuela que irão reconstruir sua infraestrutura petrolífera, a qual foi destruída pelo regime ilegítimo de Maduro. As empresas petrolíferas americanas farão um trabalho incrível para o povo da Venezuela e representarão bem os Estados Unidos.
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Um porta-voz da Chevron se recusou a comentar à CBS News se a empresa pretende aumentar a produção na Venezuela e voltou a dizer que “permanece focada na segurança e no bem-estar de nossos funcionários, bem como na integridade de nossos ativos”.
A ConocoPhillips também repetiu a nota que já havia sido divulgada anteriormente, dizendo que é “prematuro especular sobre quaisquer atividades comerciais ou investimentos futuros”. A ExxonMobil não respondeu a um pedido de comentário.
Anos de corrupção, subinvestimento, incêndios e furtos deixaram as instalações de petróleo bruto da Venezuela em frangalhos. Grandes companhias petrolíferas disseram pouco sobre o desejo de retomar operações no país, e especialistas em energia afirmam que reativar a indústria petrolífera venezuelana pode ser um processo que leve uma década e custe mais de US$ 100 bilhões. A Chevron é a única superpetrolífera que ainda opera na Venezuela.
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Trump não detalhou quanto acredita que custaria um esforço para reconstruir e expandir a infraestrutura petrolífera da Venezuela, segundo a NBC News, dizendo apenas que “uma quantia muito substancial de dinheiro será gasta”.
O presidente dos EUA também disse prever que o aumento dos fluxos de energia provenientes do país latino-americano ajudaria a “reduzir os preços do petróleo”.
— Ter uma Venezuela que seja produtora de petróleo é bom para os Estados Unidos porque mantém o preço do petróleo baixo — acrescentou Trump.
O presidente dos EUA tem buscado convencer os eleitores, às vésperas das cruciais eleições legislativas de meio de mandato deste ano, de que seu governo está trabalhando para enfrentar questões que pesam no bolso, embora as preocupações com o custo de vida tenham se concentrado principalmente nos preços de alimentos e moradia.
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As declarações de Trump ocorrem em meio ao ceticismo que ele enfrenta sobre sua audaciosa intervenção militar na Venezuela, que resultou na captura de Maduro. O presidente dos EUA disse que a incursão foi necessária para prender um homem que autoridades americanas acusam de comandar uma operação de tráfico de drogas e para retomar ativos petrolíferos.
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Opositores afirmaram que os EUA podem ter violado o direito internacional e alertaram que Trump não tem aprovação do Congresso nem do público para que os EUA assumam um projeto de reconstrução nacional.
— Agora temos uma forma de persuasão, porque as exportações de petróleo deles, como vocês sabem, foram apreendidas. E acho que isso — isso levará o país a uma nova governança em muito pouco tempo — disse o presidente da Câmara dos Deputados, Mike Johnson, a repórteres na noite de segunda-feira, no Capitólio.
Johnson minimizou as chances de um envolvimento maior dos EUA, ao mesmo tempo em que insistiu que “isto não é mudança de regime” e que o governo interino em Caracas já está em funcionamento.
— Não esperamos tropas em terra nem envolvimento direto, além de coagir o novo governo interino a fazer isso avançar — afirmou.
Desafiador, Maduro foi apresentado à Justiça em Nova York na segunda-feira e se declarou inocente das acusações de tráfico de drogas e armas, dizendo ser um homem “inocente” e “decente”.
O presidente dos EUA disse na segunda-feira que Delcy Rodríguez, que serviu como vice-presidente de Maduro e tomou posse como presidente interina após sua remoção, vinha cooperando com sua administração, e minimizou a possibilidade de eleições rápidas no país.
— Primeiro temos de consertar o país. Não dá para ter uma eleição. Não há como as pessoas sequer conseguirem votar — disse Trump, segundo a NBC, ao ser questionado sobre uma votação no próximo mês. —Não, vai levar um período de tempo. Nós temos — temos de devolver a saúde ao país — disse Trump.
A líder da oposição venezuelana e laureada com o Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, disse à Fox News na noite de segunda-feira que não havia falado com Trump desde “10 de outubro, o mesmo dia em que o prêmio foi anunciado; desde então, não”.
No fim de semana, Trump foi desdenhoso ao ser questionado sobre um papel de María Corina na definição do futuro da Venezuela, chamando-a de uma “mulher simpática”, que carece de apoio e respeito no país. Ela não foi questionada sobre o comentário de Trump na entrevista à Fox News.








