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O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta segunda-feira que “aguarda com expectativa” a oportunidade de trabalhar com o presidente eleito da Colômbia, o direitista Abelardo de la Espriella. Ele venceu por menos de um ponto percentual o senador Iván Cepeda, aliado do primeiro presidente de esquerda do país, Gustavo Petro. Sua vitória encerra o parêntese aberto pela esquerda há quatro anos em um país que, durante dois séculos, foi governado por elites de direita.
Contexto: Em resultado apertado, Abelardo de la Espriella vence eleição na Colômbia e leva direita apoiada por Trump ao poder
Entenda: Candidato governista pede vigilância a apoiadores após ser derrotado por resultado apertado na Colômbia
“Parabenizo ‘El Tigre’!”, como De la Espriella é conhecido, declarou Trump em sua plataforma Truth Social. “Espero trabalhar para construir uma relação sólida entre a Colômbia e os Estados Unidos, que trará novos patamares de excelência para nossos dois países”, acrescentou o presidente republicano, que rapidamente declarou seu apoio a de la Espriella assim que o político colombiano surgiu nas pesquisas.
Plano Colômbia II
A Colômbia, maior produtora mundial de cocaína, volta a ser governada por um aliado de Washington em um momento em que Trump intensifica a perseguição às máfias na região.
Com Petro, as relações com Washington ficaram tensas, e a Colômbia foi excluída da aliança anticrime “Escudo das Américas”, integrada por países americanos e liderada por Trump.
De la Espriella, cidadão colombiano e americano que se identifica como “republicano”, busca incorporar o país a essa aliança e prometeu combater duramente o narcotráfico com bombardeios, erradicação de cultivos ilícitos com herbicidas e presença de bases militares americanas em território colombiano. Ele batizou sua iniciativa de “Plano Colômbia II”, em referência à cooperação milionária de Washington com Bogotá no início do século, que encurralou as guerrilhas.
Eleições na Colômbia: Espriella, advogado de figuras controversas, quer retomar o poder para a direita
Inspirado nos presidentes de El Salvador, Nayib Bukele, e do Equador, Daniel Noboa, De la Espriella quer construir dez megapresídios para prender criminosos “a dez andares abaixo da terra”, onde serão alimentados com “pão e água”, prometeu. Esse tipo de prisão de segurança máxima gerou alertas de organizações sobre possíveis violações de direitos humanos.
Os adversários de De la Espriella veem traços autoritários em seu discurso, e especialistas alertam para uma possível escalada da violência decorrente dessa estratégia.
O presidente eleito também propõe flexibilizar o porte de armas para civis.
Adeus às Nações Unidas?
Em matéria de cooperação, De la Espriella afirma que está disposto a revisar a permanência da Colômbia em entidades como as Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos (OEA).
Atualmente na presidência pro tempore do Conselho de Segurança da ONU, a Colômbia teve papel em debates sobre paz e segurança na região. De la Espriella considera que essas organizações são um “diretório político da esquerda” e que “não serviram para nada”.
O jurista também sugeriu a possibilidade de retirar a Colômbia da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que considera uma “farsa”. Ele também quer fechar parte das embaixadas da Colômbia no exterior e transformar as que permanecerem abertas em centros de negócios.

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O ex-presidente da Bolívia Evo Morales anunciou nesta segunda-feira a suspensão temporária dos bloqueios que ainda persistiam no departamento de Cochabamba, seu principal reduto político no país. As barreiras ainda estavam instaladas onde seguiam os últimos protestos que exigiam a renúncia do presidente de centro-direita, Rodrigo Paz. Morales fez o anúncio ao final de uma assembleia de dirigentes cocaleiros na localidade de Lauca Eñe.
— Por enquanto, faremos uma pausa. Isso não significa que estamos nos rendendo — afirmou Morales, após ouvir o pedido de lideranças locais para declarar uma trégua, já que os bloqueios de estradas no restante do país haviam sido encerrados.
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Os últimos focos de protesto ainda permaneciam no centro da Bolívia, três dias depois de Paz decretar estado de emergência para encerrar as manifestações. A medida foi anunciada horas após um acordo para pacificar o país, assinado na sexta-feira com líderes da Central Operária Boliviana (COB), a maior central sindical do Equador.
Em discurso na TV, Paz declarou que havia instruído a Polícia Boliviana e as Forças Armadas a realizarem as ações necessárias para “restabelecer o direito de ir e vir, recuperar as rodovias e garantir a segurança da população”. A economia perdeu bilhões de dólares devido aos protestos, que o presidente classificou como uma “tentativa de golpe de Estado do narcoterrorismo”.
“Os bolivianos não podem continuar sendo reféns de bloqueios que os impedem trabalhar, estudar, receber atendimento médico, abastecer e levar sustento para suas casas”, escreveu Paz nas redes sociais.
O decreto, publicado horas depois no Diário Oficial da Bolívia, terá validade máxima de 90 dias, mas ainda deve ser ratificado pelo Congresso.
Os ministérios do Governo e da Defesa informaram que devem emitir resoluções conjuntas para restringir os direitos de circulação, reunião e liberdade de movimento, quando necessário. Ao jornal La Razón, o ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, garantiu que o estado de emergência teria uma aplicação focalizada e não implicaria restrições para a população nas regiões onde não há conflitos ou barricadas.
Operários, agricultores e indígenas iniciaram uma greve e bloqueios de estradas no início de maio para exigir que o governo resolvesse a crise econômica, a pior que o país enfrenta em quatro décadas, e protestar contra a venda de gasolina de má qualidade, que gerou amplo descontentamento.
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Diante da falta de acordos, os setores passaram a exigir a renúncia do presidente, e os bloqueios de estradas se espalharam pelo país. Confrontos com a polícia também foram relatados por vários dias em La Paz, que, juntamente com sua vizinha El Alto, sofre com escassez de alimentos, medicamentos e combustível.
O governo de centro-direita, que assumiu em novembro após 20 anos de governos de esquerda, acusa, sem provas, Morales de instigar os protestos e de usar dinheiro do narcotráfico. O ex-presidente está escondido na região de Chapare para evitar um mandado de prisão. Ele rejeita as acusações.
Em abril, a Rússia lançou uma bomba de 1.360 quilos no centro da cidade de Sloviansk, no leste da Ucrânia, destruindo quase um quarteirão inteiro. Foi um presságio sombrio para cidade e o resto da região de Donetsk, o prêmio mais cobiçado pelo Kremlin. As forças ucranianas passaram anos fortificando e defendendo o território estratégico a um custo imenso, e agora ele está sob um ataque que os moradores temem ser o começo do fim. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A pouco mais de quatro meses das eleições de meio de mandato, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está ameaçando reter dezenas de milhões de dólares em fundos federais de segurança interna destinados aos estados. O objetivo é fazer com que eles adotem um conjunto abrangente de mudanças eleitorais, segundo múltiplas fontes e documentos internos obtidos pela CNN.
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A medida faz parte de uma campanha do presidente americano para erradicar uma suposta fraude eleitoral — que estudos demonstram ser muito mais rara do que ele alega — e exercer maior influência federal sobre a condução das eleições de novembro, que decidem a nova composição do Congresso americano além dos chefes do Executivo de alguns estados. Essa batalha pelo controle e influência do pleito já vem sendo travada há alguns meses, inclusive com aprovação de leis estaduais que buscam impedir a interferência do governo federal nas eleições.
De acordo com as novas regras propostas pela Casa Branca, que regem vários programas de subsídios para segurança interna, os estados devem tomar uma série de medidas, incluindo a eliminação gradual de certos sistemas de votação eletrônica e a adoção de cédulas de papel marcadas à mão. Além disso, os estados devem verificar seus cadastros eleitorais em um controverso banco de dados de verificação de cidadania do Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS).
Caso não haja cumprimento das proposições, os estados perderão parte do financiamento do DHS. Esses subsídios, que devem totalizar mais de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) no atual ano fiscal, são um dos principais instrumentos de Washington para auxiliar governos estaduais e locais na prevenção do terrorismo, na proteção da infraestrutura e na preparação para grandes desastres.
As verbas do DHS, para as quais os estados se candidatam, exigem que pelo menos 3% dos fundos sejam gastos em segurança eleitoral. Mas as novas diretrizes, obtidas pela CNN e que devem ser enviadas aos estados ainda este mês, impõem um conjunto de reformas obrigatórias e penalidades severas para o descumprimento. Aqueles que se recusarem a cumpri-las perderão 20% do dinheiro da verba.
“Nenhuma alteração nos requisitos das verbas ou na distribuição dos fundos é oficial até que seja formalmente anunciada e publicada pelos canais oficiais e autorizados da agência”, disse um porta-voz do DHS em um comunicado enviado à CNN, acrescentando que o governo considera a segurança eleitoral uma prioridade fundamental de segurança nacional. “Qualquer beneficiário de verbas federais deve esperar prestação de contas sobre como o dinheiro do contribuinte é gasto”.
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A estratégia de Trump se assemelha a outras já postas em prática durante seu segundo mandato para punir estados americanos por políticas de imigração e iniciativas de diversidade, equidade e inclusão — iniciativas que vão contra o direcionamento político da sua gestão, implementadas geralmente por governos democratas. Alguns desses esforços foram bloqueados pelos tribunais, e este também poderá enfrentar contestações judiciais em breve.
Um incêndio em um prédio que abriga uma biblioteca e um centro de reforço escolar matou ao menos 14 adolescentes nesta segunda-feira na Índia, anunciaram as autoridades. O fogo começou em Lucknow, capital do estado de Uttar Pradesh, no norte do país, em um edifício comercial de três andares situado em um bairro residencial.
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— Quatorze crianças morreram neste incidente — declarou a jornalistas o vice-primeiro-ministro do estado, Brajesh Pathak. Ao menos mais quatro pessoas ficaram feridas.
Bombeiros tentam controlar incêndio que atingiu um centro de reforço escolar em Lucknow
AFP
Os bombeiros precisaram abrir passagens nas paredes de um prédio vizinho para alcançar as pessoas que estavam presas no interior. Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram pessoas caindo de janelas tomadas pelas chamas, enquanto voluntários corriam para tentar resgatá-las. Algumas das imagens são fortes.
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Vários alunos saltaram do andar superior do prédio para a rua para escapar das chamas, disseram testemunhas a um jornalista da AFP. Imagens da televisão indiana mostram as chamas saindo da fachada do edifício enquanto os bombeiros tentavam controlar o fogo.
Não se sabe se todas as vítimas eram estudantes. Segundo o The New York Times, no local, também funcionam um pet shop e uma clínica, além de uma biblioteca e uma seção de infografia. Animais do pet shop também precisaram ser resgatados.
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A maioria das vítimas era formada por adolescentes entre 16 e 18 anos, afirmou Pathak. Ele afirmou que a origem das chamas ainda será investigada. Segundo a AFP, curtos-circuitos elétricos são a principal causa de incêndios no país.
Agentes da Força Nacional de Resposta a Desastres carregam o corpo de uma vítima que morreu em um incêndio em um centro de reforço escolar em Lucknow
AFP
— Serão tomadas medidas severas contra aqueles que forem considerados responsáveis — afirmou Pathak.
O primeiro-ministro Narendra Modi disse estar “comovido pela perda de vidas” e anunciou uma ajuda de mais de 2.100 dólares (R$ 10,8 mil) para cada família, segundo uma mensagem publicada por seu gabinete nas redes sociais.
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Com informações de AFP e New York Times
Um brasileiro de 30 anos foi preso no Aeroporto Internacional de Hong Kong após agentes da alfândega encontrarem cerca de 2,85 quilos de cocaína escondidos em sua bagagem despachada. O homem havia embarcado em São Paulo e chegou ao território chinês na sexta-feira, após conexão em Doha, no Catar.
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Segundo a Alfândega de Hong Kong, a droga foi descoberta durante uma inspeção de rotina realizada na chegada do passageiro. Após a apreensão do entorpecente, o brasileiro foi detido sob suspeita de tráfico de drogas. As autoridades não divulgaram sua identidade.
O caso faz parte de uma operação que resultou na prisão de três passageiros entre os dias 20 e 21 de junho. Além do brasileiro, um malaio de 23 anos e uma chinesa de 27 anos foram detidos após a apreensão de aproximadamente 29 quilos de cetamina em malas que chegaram em voos procedentes de Roma, na Itália. O valor estimado das drogas apreendidas nos três casos é de cerca de 13 milhões de dólares de Hong Kong (aproximadamente R$ 9 milhões).
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Governo de Hong Kong
As autoridades informaram que o brasileiro foi formalmente acusado por tráfico de droga perigosa e compareceria nesta segunda-feira ao Tribunal de Magistrados de West Kowloon. As investigações sobre os outros dois casos continuam em andamento.
A legislação de Hong Kong prevê punições severas para crimes relacionados ao tráfico de drogas. De acordo com a alfândega local, os condenados podem receber pena de prisão perpétua e multa de até 5 milhões de dólares de Hong Kong.
O episódio ocorre poucas semanas após outra apreensão envolvendo uma passageira vinda do Brasil. Em 6 de junho, uma mulher de 23 anos foi presa ao desembarcar em Hong Kong com cerca de 3,4 quilos de cocaína escondidos dentro de duas estátuas transportadas na mala.
O ex-ministro dos Transportes espanhol, José Luis Ábalos, figura chave na ascensão de Pedro Sánchez ao poder, foi condenado nesta segunda-feira a 24 anos de prisão por corrupção, numa sentença que poderá enfraquecer o primeiro-ministro socialista na reta final do seu mandato. O Supremo Tribunal condenou Ábalos por organização criminosa, suborno, peculato e tráfico de influência, num caso relacionado com a compra de máscaras durante a pandemia da Covid-19, informou o poder judicial em comunicado.
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Seu braço direito, Koldo García, foi condenado a 19 anos pelos mesmos crimes. O terceiro réu, o empresário Víctor de Aldama, que atuava como intermediário entre políticos e empresários, foi condenado a quatro anos e meio de prisão, mas não cumprirá pena devido à sua cooperação com a justiça neste caso.
A sentença representa um revés para Sánchez, somando-se a seus outros problemas legais, com seu irmão recentemente julgado por tráfico de influência, sua esposa Begoña Gómez prestes a ser julgada e privada de seu passaporte também por tráfico de influência, e com outro colaborador próximo, Santos Cerdán, também acusado de corrupção.
A isso se soma a acusação contra José Luis Rodríguez Zapatero, ex-presidente do governo socialista e aliado próximo de Sánchez, por supostamente influenciar o Executivo em troca de comissões ilegais.
O líder da oposição, o conservador Alberto Núñez Feijóo (Partido Popular), pediu a renúncia de Sánchez e a convocação de eleições.
— O primeiro-ministro é politicamente responsável pela corrupção dos seus ministros em exercício, é indecente que ele permaneça no Gabinete do primeiro-ministro por mais um minuto — disse Feijóo à imprensa. A única saída para esse colapso é convocar eleições gerais imediatamente.
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‘Organização criminosa’
A sentença no caso Ábalos “conclui que os três réus formaram uma organização criminosa com divisão de funções que cometeu graves crimes de corrupção”, afirmou o judiciário em comunicado.
“Considera comprovados os crimes na atribuição do fornecimento de treze milhões de máscaras aos Portos Estatais e à Adif a uma empresa ligada à Aldama” e outros factos, como os 10 mil euros mensais que Ábalos recebia do esquema ou “a contratação de dois conhecidos do antigo ministro em empresas públicas”.
O tribunal também destaca “a grave deterioração da confiança pública no sistema político causada pela corrupção, que mina a arquitetura democrática do Estado”.
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Durante o julgamento, o ex-ministro denunciou uma tentativa de “politizar” o caso e criticou duramente a oposição conservadora, que apresentou a queixa inicial, por fazer um “uso distorcido da justiça”. Ele também rejeitou as acusações de Aldama, que afirmava que a conspiração atingiu níveis mais altos do poder político, mencionando o próprio Sánchez, embora este não tenha sido acusado.
A sentença representa um duro golpe para o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) e para o governo, que tentaram se distanciar de alguém que foi, durante anos, um dos principais arquitetos da ascensão de Sánchez ao poder.
Na sua posição de secretário de organização, o ex-ministro foi responsável por liderar a moção de censura que, em 2018, destituiu o conservador Mariano Rajoy do poder devido a uma condenação por corrupção contra o seu partido.
Um momento delicado
A decisão surge num momento politicamente delicado, com o Executivo em minoria parlamentar, incapaz de aprovar orçamentos e sob pressão das várias frentes jurídicas que afetam o seu círculo interno, faltando apenas um ano para o fim da legislatura.
Apesar da condenação, o futuro jurídico do ex-ministro Ábalos não está encerrado. Outras linhas de investigação decorrentes do mesmo caso permanecem abertas no Tribunal Nacional e podem levar a novos processos no futuro.
Para a oposição, a decisão confirma a existência de uma rede de corrupção no âmago do governo socialista, enquanto o Executivo insiste em dissociar esses eventos da atual liderança política.
Com esta decisão, o sistema judicial espanhol encerra, por agora, a primeira parte importante do chamado “caso Koldo”, mas deixa em aberto várias ramificações que continuarão a moldar a agenda política nos próximos meses.
O advogado milionário Abelardo de la Espriella governará a Colômbia alinhado aos princípios da direita que recupera terreno no continente, com propostas de construir megapresídios e se aliar sem reservas aos Estados Unidos para combater o narcotráfico. Com um discurso de mão dura e contra a política tradicional, o empresário de 47 anos foi eleito no domingo para seu primeiro cargo eletivo e, a partir de agosto, presidirá o país com o último conflito armado ativo do Hemisfério ocidental.
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Suas propostas disruptivas incluem cortar drasticamente o Estado, bombardear guerrilheiros e outros narcotraficantes com apoio do presidente americano, Donald Trump, e revisar a permanência da Colômbia em organismos de cooperação como as Nações Unidas.
De la Espriella venceu por menos de um ponto percentual o senador Iván Cepeda, aliado do primeiro presidente de esquerda do país, Gustavo Petro. Sua vitória encerra o parêntese aberto pela esquerda há quatro anos em um país que, durante dois séculos, foi governado por elites de direita.
Também fortalece “o bloco que está sendo gerado na América Latina”, disse à AFP Juan David Cárdenas, especialista da Universidade de La Sabana. É “uma volta do pêndulo à direita na região, que claramente também é consequência do papel muito forte que Trump teve nos processos políticos locais”, acrescentou.
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Plano Colômbia II
A Colômbia, maior produtora mundial de cocaína, volta a ser governada por um aliado dos Estados Unidos em um momento em que Trump intensifica a perseguição às máfias na região.
Com Petro, as relações com Washington ficaram tensas, e a Colômbia foi excluída da aliança anticrime “Escudo das Américas”, integrada por países americanos e liderada por Trump.
De la Espriella, cidadão colombiano e americano que se identifica como “republicano”, busca incorporar o país a essa aliança e prometeu combater duramente o narcotráfico com bombardeios, erradicação de cultivos ilícitos com herbicidas e presença de bases militares americanas em território colombiano. Ele batizou sua iniciativa de “Plano Colômbia II”, em referência à cooperação milionária de Washington com Bogotá no início do século, que encurralou as guerrilhas.
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— Não haverá zonas proibidas para o Estado, não haverá criminosos impunes e intocáveis. Não haverá organizações acima da Constituição e da lei — advertiu no domingo, em seu primeiro discurso como presidente eleito.
Megapresídios e armas
Inspirado nos presidentes de El Salvador, Nayib Bukele, e do Equador, Daniel Noboa, De la Espriella quer construir dez megapresídios para prender criminosos “a dez andares abaixo da terra”, onde serão alimentados com “pão e água”, prometeu. Esse tipo de prisão de segurança máxima gerou alertas de organizações sobre possíveis violações de direitos humanos.
Os adversários de De la Espriella veem traços autoritários em seu discurso, e especialistas alertam para uma possível escalada da violência decorrente dessa estratégia.
O presidente eleito também propõe flexibilizar o porte de armas para civis.
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— As pessoas que demonstrarem aptidão física e psicológica para portar uma arma, na era de El Tigre (como se autodenomina), terão uma arma — afirmou durante a campanha.
Dolarização, fracking, menos Estado
De la Espriella recebe um país com déficit fiscal próximo a 7% do PIB, o segundo maior da região depois do Brasil, após um período de elevado gasto público para financiar programas sociais durante o governo Petro. Na campanha, afirmou que o “ideal” seria dolarizar a economia colombiana como parte do plano econômico de seu “país milagre”.
Também propõe impulsionar o fracking para aumentar a produção energética, reduzir o tamanho do Estado em 40%, inspirado por Javier Milei na Argentina, e baixar impostos para as empresas.
Adeus às Nações Unidas?
Em matéria de cooperação, De la Espriella afirma que está disposto a revisar a permanência da Colômbia em entidades como as Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos (OEA).
Atualmente na presidência pro tempore do Conselho de Segurança da ONU, a Colômbia teve papel em debates sobre paz e segurança na região.
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De la Espriella considera que essas organizações são um “diretório político da esquerda” e que “não serviram para nada”.
O jurista também sugeriu a possibilidade de retirar a Colômbia da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que considera uma “farsa”.
Ele também quer fechar parte das embaixadas da Colômbia no exterior e transformar as que permanecerem abertas em centros de negócios.
A mais recente guerra entre Israel e o movimento islamista pró-Irã Hezbollah destruiu completamente mais de 11.000 edifícios e causou prejuízos estimados em R$ 1,38 bilhão (cerca de R$ 7 bilhões), informaram nesta segunda-feira uma agência da ONU e um centro de pesquisa libanês.
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“No total, 11.095 edifícios foram completamente destruídos, o que afetou 17.891 residências, enquanto 2.242 edifícios sofreram danos parciais (…) e 9.311 edifícios sofreram danos menores”, explicaram o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS), um instituto público.
O estudo comparou imagens de satélite do final de abril, quase dois meses após o início do conflito, com imagens capturadas em outubro de 2025. Por isso, os dados não incluem as semanas finais do conflito.
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“Os resultados indicam que os danos diretos aos edifícios no sul do Líbano são estimados em US$ 1,38 bilhão”, acrescentou o comunicado.
O Hezbollah envolveu o Líbano no conflito regional em 2 de março, ao lançar foguetes contra Israel em apoio ao Irã, seu principal aliado.
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Israel respondeu com intensos bombardeios aéreos e uma invasão terrestre. Tropas israelenses passaram a operar em uma faixa de território ao longo da fronteira, avançando cerca de 12 quilômetros dentro do Líbano, onde realizaram extensas operações de demolição e remoção de estruturas.
Nenhum dos lados respeitou um cessar-fogo firmado em 17 de abril, e os combates só foram interrompidos no último sábado, após ameaçarem comprometer um acordo assinado na semana passada entre Irã e Estados Unidos para encerrar o conflito mais amplo no Oriente Médio.
Nos últimos dois dias, alguns moradores começaram a retornar ao sul do país para avaliar os danos em casas e estabelecimentos comerciais. O Exército libanês, porém, pediu que a população adie o retorno às aldeias e cidades próximas à fronteira.
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No domingo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que as forças israelenses permanecerão no sul do Líbano “pelo tempo que for necessário”.
Autoridades libanesas afirmam que os ataques israelenses desde 2 de março mataram mais de 4.100 pessoas e deslocaram mais de um milhão de moradores.
Estados Unidos e Irã concordaram nesta segunda-feira em estabelecer linhas de comunicação para manter o Estreito de Ormuz aberto e interromper a guerra no Líbano, afirmaram fontes dos países e mediadores, após a primeira rodada de negociações na Suíça ser concluída com a confirmação de concessões. O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a suspensão de sanções ao petróleo de Teerã até 21 de agosto, enquanto o vice-presidente americano, JD Vance, afirmou que as autoridades iranianas concordaram com em permitir a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no país — um passo que pode ser fundamental em um futuro acordo nuclear.
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As equipes de negociação, lideradas por Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, iniciaram na Suíça um processo de dois meses que visa o fim do conflito. Os países mediadores, Paquistão e Catar, destacaram a “atmosfera positiva e construtiva” das deliberações iniciadas no domingo em um comunicado, em que informaram que “[as partes definiram] um mapa do caminho para alcançar um acordo final em 60 dias, estabelecendo as bases para o início imediato de novas conversações técnicas”.
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Os acenos são mais positivos do que o clima tensa que permeou as negociações no fim de semana. A agência de notícias iraniana IRNA chegou a publicar que a delegação diplomática do país teria deixado as conversas em razão de ameaças do presidente americano, Donald Trump. No sábado, o governo do Irã anunciou o fechamento de Ormuz, em razão dos descumprimentos envolvendo a continuidade das hostilidades no Líbano. O panorama apresentado nesta segunda apontava para entendimentos.
Oão mencionou avanços para criar um mecanismo para conversas” técnicas”, incluindo um canal de contatos estabelecido para “evitar incidentes e falhas de comunicação” em Ormuz. Em Teerã, a delegação iraniana retornou se referindo a “18 horas de discussões intensas”, com o Ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, O apontando que “a incansável mediação paquistanesa e catari” possibilitou “grandes avanços para acabar com a guerra no Líbano”.
Vance, que liderou a comitiva americana integrada pelo genro de Donald Trump, Jared Kushner, e o negociador Steve Witkoff, comparou o acordo final a uma “casa”, afirmando que embora não estivesse finalizado, uma “base sólida” havia sido lançada na Suíça. O vice-presidente citou como compromisso perseguido pelos EUA uma garantia iraniana para permitir a entrada dos inspetores da AIEA no país — o que não foi confirmado até o momento por Teerã.
— Este é um marco importante para o povo americano e o primeiro passo rumo à desnuclearização permanente — disse Vance.
O Irã suspendeu a cooperação com a agência da ONU há um ano, proibindo a entrada de inspetores no país desde os bombardeadas americanos e israelenses na guerra de 12 dias. A nação persa, que nega perseguir o desenvolvimento de armas nucleares, ampliou o enriquecimento de urânio desde a saída dos EUA do acordo nuclear da era Obama, no primeiro mandato de Trump. Sobre as negociações atuais, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, declarou nesta segunda que houve “uma discussão muito breve sobre a questão nuclear, mas nenhum detalhe foi discutido”.
Alívio ao Irã
Uma medida que confirma na prática o sinal retórico por parte de Washington partiu do Departamento do Tesouro americano, com a liberação das sanções sobre o petróleo iraniano até às 00h01 do dia 21 de julho. Uma licença publicada no site do órgão indica que “todas as transações” antes “proibidas” e relacionadas à produção, venda e transporte de hidrocarbonetos de origem iraniana ficam autorizadas até a data.
O chanceler do Irã afirmou que além da suspensão de embargos sobre as exportações de petróleo e produtos petroquímicos , “alguns ativos” financeiros congelados no exterior teriam sido “liberados”. O diplomata mencionou também o lançamento de “um importante plano de reconstrução e desenvolvimento”.
Vance, que classificou o encontro como “histórico”, expressou esperança de “virar a página e transformar nossa relação com o povo iraniano”. Acompanhado por Witkoff e Kushner, ele questionou se seria possível “mudar permanentemente as relações no Oriente Médio” ou se seria necessário voltar “a fazer as coisas à moda antiga”. O vice-presidente também disse que os EUA garantiriam que o descongelamento dos ativos “não contribuirá para financiar o terrorismo”.
Fator Líbano
O presidente libanês, Joseph Aoun, recebeu um telefonema dos Estados Unidos e do Catar em meio às negociações na Suíça, focadas na criação de uma célula preventiva para pôr fim à guerra com Israel, anunciou a presidência libanesa nesta segunda-feira.
Segundo a presidência, Aoun “recebeu um telefonema do vice-presidente dos EUA, JD Vance, do conselheiro sênior do presidente dos EUA, Jared Kushner, e do primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani”.
A conversa abordou “a consolidação do cessar-fogo no Líbano, o fim da escalada militar israelense e as medidas necessárias para avançar nessa direção, incluindo a possibilidade de criação de uma célula para esse fim”, acrescentou o comunicado.
Após uma rodada inicial de negociações na Suíça, Washington e Teerã concordaram em estabelecer uma “célula de gestão de conflitos” para interromper os combates entre Israel e o movimento pró-Irã Hezbollah, de acordo com mediadores paquistaneses e catarianos. (Com AFP)

A tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 no Brasil deve seguir travada no Senado em uma semana esvaziada pelas festas de São João, pelo jogo do Brasil contra a Escócia e pelos trabalhos semipresenciais na Casa.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mantém a PEC 221 de 2019 em sua mesa, sem despachá-la para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Como a comissão não marcou reuniões para esta semana, a expectativa é que a PEC siga parada, completando um mês, no próximo sábado (27), desde a aprovação na Câmara dos Deputados

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O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), não marca reuniões em semanas semipresenciais, quando os parlamentares podem votar remotamente, devido ao baixo quórum.

A assessoria da CCJ informou à Agência Brasil que não houve sinalização de Alcolumbre para liberar a PEC. Já a assessoria do presidente do Senado não respondeu à reportagem.

Com o feriado de São João no Nordeste, na quarta-feira (24), e também dia do jogo do Brasil contra a Escócia pela Copa do Mundo, a expectativa é de uma semana esvaziada no Parlamento.

Na semana passada, o senador Paulo Paim (PT-RS) cobrou, no plenário, a votação da PEC. “Não temos mais por que demorar”, afirmou.

“O que afinal está faltando para que o Senado vote a matéria, já que debatemos esse tema há anos?”, questionou Paim.

A PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais foi aprovada na Câmara por ampla maioria. Apenas 22 dos 513 deputados votaram contra. Mesmo assim, o tema não avança no Senado, onde enfrenta resistência da oposição, que apresentou PEC alternativa para manter a escala 6×1 e permitir contratos por hora. 

A proposta da oposição foi despachada à CCJ por Alcolumbre no mesmo dia em que foi apresentada, no dia seguinte à aprovação da PEC do fim da 6×1 na Câmara.

O senador Otto Alencar informou que vai priorizar a PEC do fim da escala 6×1, por ter iniciado a tramitação antes da proposta da oposição.

Na semana seguinte à aprovação na Câmara, Alcolumbre criticou a pressão para despachar a matéria, sugerindo que ela poderia ser melhorada no Senado e passar por comissões antes do plenário.  

“Tenho certeza de que, como outros senadores, seria razoável que o Senado pudesse melhorar um texto dessa importância e debater o tema com calma”, defendeu Alcolumbre.

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