Estados Unidos e Irã concordaram nesta segunda-feira em estabelecer linhas de comunicação para manter o Estreito de Ormuz aberto e interromper a guerra no Líbano, afirmaram fontes dos países e mediadores, após a primeira rodada de negociações na Suíça ser concluída com a confirmação de concessões. O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a suspensão de sanções ao petróleo de Teerã até 21 de agosto, enquanto o vice-presidente americano, JD Vance, afirmou que as autoridades iranianas concordaram com em permitir a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no país — um passo que pode ser fundamental em um futuro acordo nuclear.
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As equipes de negociação, lideradas por Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, iniciaram na Suíça um processo de dois meses que visa o fim do conflito. Os países mediadores, Paquistão e Catar, destacaram a “atmosfera positiva e construtiva” das deliberações iniciadas no domingo em um comunicado, em que informaram que “[as partes definiram] um mapa do caminho para alcançar um acordo final em 60 dias, estabelecendo as bases para o início imediato de novas conversações técnicas”.
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Os acenos são mais positivos do que o clima tensa que permeou as negociações no fim de semana. A agência de notícias iraniana IRNA chegou a publicar que a delegação diplomática do país teria deixado as conversas em razão de ameaças do presidente americano, Donald Trump. No sábado, o governo do Irã anunciou o fechamento de Ormuz, em razão dos descumprimentos envolvendo a continuidade das hostilidades no Líbano. O panorama apresentado nesta segunda apontava para entendimentos.
Oão mencionou avanços para criar um mecanismo para conversas” técnicas”, incluindo um canal de contatos estabelecido para “evitar incidentes e falhas de comunicação” em Ormuz. Em Teerã, a delegação iraniana retornou se referindo a “18 horas de discussões intensas”, com o Ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, O apontando que “a incansável mediação paquistanesa e catari” possibilitou “grandes avanços para acabar com a guerra no Líbano”.
Vance, que liderou a comitiva americana integrada pelo genro de Donald Trump, Jared Kushner, e o negociador Steve Witkoff, comparou o acordo final a uma “casa”, afirmando que embora não estivesse finalizado, uma “base sólida” havia sido lançada na Suíça. O vice-presidente citou como compromisso perseguido pelos EUA uma garantia iraniana para permitir a entrada dos inspetores da AIEA no país — o que não foi confirmado até o momento por Teerã.
— Este é um marco importante para o povo americano e o primeiro passo rumo à desnuclearização permanente — disse Vance.
O Irã suspendeu a cooperação com a agência da ONU há um ano, proibindo a entrada de inspetores no país desde os bombardeadas americanos e israelenses na guerra de 12 dias. A nação persa, que nega perseguir o desenvolvimento de armas nucleares, ampliou o enriquecimento de urânio desde a saída dos EUA do acordo nuclear da era Obama, no primeiro mandato de Trump. Sobre as negociações atuais, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, declarou nesta segunda que houve “uma discussão muito breve sobre a questão nuclear, mas nenhum detalhe foi discutido”.
Alívio ao Irã
Uma medida que confirma na prática o sinal retórico por parte de Washington partiu do Departamento do Tesouro americano, com a liberação das sanções sobre o petróleo iraniano até às 00h01 do dia 21 de julho. Uma licença publicada no site do órgão indica que “todas as transações” antes “proibidas” e relacionadas à produção, venda e transporte de hidrocarbonetos de origem iraniana ficam autorizadas até a data.
O chanceler do Irã afirmou que além da suspensão de embargos sobre as exportações de petróleo e produtos petroquímicos , “alguns ativos” financeiros congelados no exterior teriam sido “liberados”. O diplomata mencionou também o lançamento de “um importante plano de reconstrução e desenvolvimento”.
Vance, que classificou o encontro como “histórico”, expressou esperança de “virar a página e transformar nossa relação com o povo iraniano”. Acompanhado por Witkoff e Kushner, ele questionou se seria possível “mudar permanentemente as relações no Oriente Médio” ou se seria necessário voltar “a fazer as coisas à moda antiga”. O vice-presidente também disse que os EUA garantiriam que o descongelamento dos ativos “não contribuirá para financiar o terrorismo”.
Fator Líbano
O presidente libanês, Joseph Aoun, recebeu um telefonema dos Estados Unidos e do Catar em meio às negociações na Suíça, focadas na criação de uma célula preventiva para pôr fim à guerra com Israel, anunciou a presidência libanesa nesta segunda-feira.
Segundo a presidência, Aoun “recebeu um telefonema do vice-presidente dos EUA, JD Vance, do conselheiro sênior do presidente dos EUA, Jared Kushner, e do primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani”.
A conversa abordou “a consolidação do cessar-fogo no Líbano, o fim da escalada militar israelense e as medidas necessárias para avançar nessa direção, incluindo a possibilidade de criação de uma célula para esse fim”, acrescentou o comunicado.
Após uma rodada inicial de negociações na Suíça, Washington e Teerã concordaram em estabelecer uma “célula de gestão de conflitos” para interromper os combates entre Israel e o movimento pró-Irã Hezbollah, de acordo com mediadores paquistaneses e catarianos. (Com AFP)