Tragédia na Suíça no Ano Novo: garçonete morta apontada como responsável por incêndio em bar exigia direitos trabalhistas, diz família
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Segundo registros de interrogatório vazados e vistos pelo jornal francês Le Parisien, o casal disse mais de uma vez aos promotores: “Não somos nós, são os outros”. Um dos interrogatórios durou cerca de 20 horas. Nos depoimentos, eles atribuíram, mais uma vez, a responsabilidade pelo incêndio à funcionária.
No curso das investigações, uma testemunha deu uma declaração, que consta em um relatório oficial elaborado pelas autoridades suíças, de que Cyane usava um capacete que impedia a visão em determinados ângulos, o que teria impedido de ver que as velas de faíscas, que estavam presas a garrafas de champagne que ela segurava, tocavam o teto.
Jacques Moretti, de 49 anos, um dos proprietários de uma boate suíça onde dezenas de pessoas morreram
Reprodução/Le Cosntellation bar
Essa testemunha afirmou que Cyane usou o capacete a pedido da gerente do bar, Jessica. Esse é um item promocional da Dom Perignon, marca do champagne das garrafas que ela segurava e tinham as velas de faísca presas. A jovem está entre as vítimas que morreram no incêndio.
No novo interrogatório, Jacques disse que esse era “o show da Cyane”. Segundo relatou, ele não a proibia de fazer essa apresentação.
“Eu não a obriguei a prestar atenção às instruções de segurança. Nós não percebemos o perigo. Cyane gostava de fazer aquilo – era um espetáculo, ela gostava de participar do espetáculo”, divulgou o jornal Le Parisien.
Na audiência realizada em 20 de janeiro, Jessica afirmou que “Cyane gostava de entregar essas garrafas – ela fazia isso por iniciativa própria”, destacou a publicação.
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A versão do casal contradiz o que a família da garçonete já veio a público se posicionar logo após o caso. A advogada Sophie Haenni, que representa a família de Cyane, disse que a jovem “não deveria estar servindo mesas” na noite do incêndio, mas que foi pedido para descer para ajudar no atendimento e na alta demanda de garrafas. O pedido teria vindo de Jessica. A declaração foi dada em entrevista à BBC, cerca de duas semanas após o incêndio.
— Não foi a própria Cyane que decidiu usar esse capacete, foi a pedido de seus empregadores. Ela estava apenas fazendo seu trabalho — disse Sophie Haenni à rede britânica. A advogada ainda destacou que Cyane nunca foi informada “do perigo do teto e não recebeu nenhum treinamento de segurança”.
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Reprodução de vídeo
O teto do bar, estabelecimento que funcionava num porão, era revestido com uma espuma de isolamento acústico. O material inflamável teria propagado as chamas rapidamente.
As velas presas as garrafas que Cyane segurava encostaram no teto quando a jovem estava sobre os ombros Mateo Lesguer, de 23 anos, o DJ residente. O rapaz usava uma máscara, do personagem “V de Vingança” durante a festa. Ele também morreu no incêndio.
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De acordo com as investigações, era recorrente o uso de velas presas às garrafas de champagne, como uma forma de apresentação no estabelecimento.
“Se eu tivesse imaginado que havia o menor risco, teria proibido. Em dez anos administrando o negócio, nunca pensei que pudesse haver qualquer perigo”, disse Jessica Moretti, em depoimento conseguido pelo Le Parisien.
Jacques confirmou que a equipe não recebeu treinamento, mas afirmou que “os funcionários foram informados sobre os procedimentos a serem seguidos em caso de incêndio durante a visita guiada às instalações”. Segundo o proprietário, houve instruções para evacuar os clientes, acionar o alarme e chamar os bombeiros.
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Porta de emergência trancada
Um funcionário, que não teve a identidade divulgada, disse em depoimento que não fazia ideia onde era guardados os extintores. Jacques disse que talvez tenha esqecido de passar essa informação para o funcionário.
Outro homem que trabalhava no bar é apontado pelo casal como o responsável pela porta de saída de emergência estar trancada, o que impediu que pessoas conseguissem se salvar. Uma das que tentou sair do estabelecimento por este caminho e não conseguiu foi Cyane.
“A porta estava sempre aberta”, disse Jessica à investigação. “Não passa um dia sem que eu me pergunte por que aquela porta estava fechada naquela noite. Sempre dizíamos que a porta estava sempre aberta, e isso era dado como certo”, afirmou.
Segundo Jacques, o funcionário a teria trancado após receber uma encomenda de gelo e fechar a trava na parte superior da porta. Em entrevista ao Le Parisien, o funcionário em questão negou qualquer irregularidade e disse: “Eu não fechei uma porta que já estava trancada”.
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Casal em liberdade
Jacques e Jessica Moretti podem responder pelos crimes de “homicídio culposo, lesão corporal por negligência e incêndio criminoso por negligência” após a tragédia no bar deixar 40 mortos e 116 pessoas feridas.
No momento, eles aguardam os próximos passos em liberdade, com uso de tornozeleiras eletrônicas. Ambos são considerados com risco de fuga pelas autoridades suíças, assim, tiveram seus passaportes apreendidos e precisam se apresentar a uma delegacia de polícia a cada três dias. Eles foram autorizados a permanecer em casa para cuidar de seus dois filhos.
As investigações continuam.






