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Segundo levantamento realizado pelo GLOBO, monitorando as operações nos aeroportos de Guarulhos (SP), Galeão (RJ) e nos quatro principais terminais americanos que conectam os países, foram 42 cancelamentos totais e 65 atrasos significativos entre a última sexta-feira (23) e a manhã desta segunda-feira (26).
Os dados apurados mostram como o efeito da tempestade “migrou” e se intensificou ao longo do fim de semana conforme a tempestade piorava. O sinal de alerta soou na sexta-feira, ainda de forma tímida, com cinco cancelamentos. No entanto, o sábado (24) marcou o início do efeito cascata. O Aeroporto de Guarulhos registrou quatro cancelamentos de partidas, mesmo número do Galeão naquele dia, refletindo problemas iniciais em centros de conexão específicos nos EUA, como Dallas.
Foi no domingo, contudo, que a situação se tornou crítica em São Paulo. Com a intensificação da neve em Nova York e o congelamento de pistas no Sul dos EUA, o Aeroporto de Guarulhos viu 11 voos serem cancelados em um único dia. Na ponta americana, o aeroporto JFK, em Nova York, travou suas operações para o Brasil, registrando quatro cancelamentos diretos na rota, enquanto Dallas e Atlanta operavam com restrições severas.
Neve em Nova York neste domingo
CHARLY TRIBALLEAU / AFP
Nesta segunda-feira (26), os números indicam uma lenta retomada, mas a “ressaca operacional” persiste. Até a última atualização da reportagem, foram contabilizados cinco cancelamentos em Guarulhos, reflexo de aeronaves que não conseguiram decolar dos EUA na noite anterior para cumprir a rota de retorno.
Para entender a dimensão do problema, é preciso olhar além do voo direto. O sistema de aviação americano opera no modelo de hubs, ou seja, grandes centros de distribuição de voos. Foi nesse ponto que o passageiro brasileiro mais sofreu.
Companhias americanas como American Airlines, Delta e United viram seus aviões ficarem literalmente “presos” na neve em seus aeroportos-base (Dallas, Atlanta e Newark/Houston, respectivamente). Sem conseguir tirar as aeronaves do solo nos EUA, os voos de volta que partiriam do Brasil foram cancelados por falta de equipamento.
Além disso, há um número não estimado de brasileiros que tenham ficado retidos no meio do caminho. Passageiros que conseguiram embarcar do Brasil para destinos como Miami (onde o clima permitia pousos) tiveram seus voos de conexão cancelados para o destino final na costa leste americana.
Geografia do caos
A segunda-feira amanheceu nos Estados Unidos ainda sob o efeito do colapso aéreo: até as 10h da manhã, o monitoramento do FlightAware contabilizava cerca de 4 mil voos suspensos e mais de 2 mil atrasados dentro do país. Segundo o secretário de Transporte dos EUA, Sean Duffy, o domingo (25) foi o dia com o maior volume de cancelamentos de voos desde março de 2020, marco inicial da pandemia de Covid-19.
Se no fim de semana os aeroportos de Atlanta, Dallas e Charlotte concentraram os cortes, na segunda-feira o problema migrou para o Nordeste. O Aeroporto Logan, em Boston, teve cerca de 60% de suas partidas suspensas, enquanto os terminais da área de Nova York (JFK, La Guardia e Newark) perderam metade de suas decolagens.
Equipes fazem o processo de “degelo” em aeronave da Delta
Divulgação/Delta
Apesar dos transtornos, há otimismo por uma recuperação acelerada. O fim de janeiro, tradicionalmente um período de baixa temporada, oferece às companhias aéreas mais flexibilidade e recursos para realocar aeronaves do que em épocas de feriados. Em entrevista à CNBC, Sean Duffy afirmou que a expectativa é de retorno à normalidade até a quarta-feira.
Em nota, o RIOgaleão confirmou que, de sexta-feira até domingo, dia 25, registrou o cancelamento de sete voos com origem ou destino aos Estados Unidos, em razão das condições meteorológicas em cidades como Atlanta, Dallas, Nova York e Houston.








