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Batizada de Optimum, a nova classe substituiu o antigo serviço Business Première em diversas ligações de e para Paris. Segundo a SNCF, a proposta oferece bilhetes flexíveis, atendimento personalizado e uma “carruagem de primeira classe exclusiva”, pensada para garantir “privacidade” e “acesso a um espaço tranquilo e reservado a bordo”. Para assegurar o “máximo conforto”, a empresa estipulou que crianças não são permitidas nesse espaço.
Na prática, a restrição gerou reação imediata. Em uma sexta-feira recente, a viagem entre Paris e Lyon custava 132 euros na primeira classe tradicional e 180 euros na opção Optimum Plus — versão disponível apenas nessa rota, que inclui anfitrião pessoal e serviço de refeições no assento. O valor mais alto, aliado à exclusão de crianças, intensificou o debate público.
Nas redes sociais, o tema foi rapidamente associado ao chamado movimento “No Kids”, que defende ambientes livres da presença infantil. “Diante da pressão do #NoKids, a SNCF não deve ceder”, escreveu Sarah El Haïry, alta-comissária para a Infância no Ministério da Saúde, Assuntos Sociais e Trabalho da França, em publicação no Instagram. Para ela, a mensagem transmitida pela nova classe é preocupante.
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A empresária Stéphanie d’Esclaibes, criadora do podcast Les Adultes de Demain (“Os Adultos de Amanhã”), afirmou à rádio RTL Soir que “a decisão da empresa ferroviária equivale, de fato, a uma discriminação direta contra as crianças”. Embora reconheça a necessidade de silêncio para quem viaja a trabalho, ponderou que isso não deveria ocorrer “à custa de um grupo social”. “Esta é também uma oportunidade para repensar os espaços destinados às crianças e às famílias”, disse.
Críticas semelhantes vieram da ensaísta Naïma M’Faddel, que escreveu na rede X: “A SNCF inventa uma classe ‘Optimum’… sem crianças”. Segundo ela, “num país preocupado com sua taxa de natalidade, este sinal é desastroso”. Em 2023, a França registrou mais mortes do que nascimentos pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ao recomendar o livro Yes Kids, de Gabrielle Cluzel, M’Faddel reforçou: “Criança é vida”.
Diante da repercussão negativa, a SNCF Voyageurs divulgou um vídeo para responder à controvérsia. Uma porta-voz explicou que a classe Optimum “está aberta a todos os passageiros com 12 anos ou mais, tal como já acontecia com a oferta Business Première”. Segundo a empresa, os assentos Optimum representam apenas 8% dos lugares disponíveis nos trens durante a semana, o que deixaria 92% acessíveis a todos os passageiros — percentual que chega a 100% nos fins de semana.
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“Posso até dizer que estamos sob pressão há anos para restringir o acesso das crianças a determinadas zonas dos nossos trens. Sempre recusamos fazê-lo”, afirmou a representante da SNCF, ressaltando que os serviços da empresa “são pensados para todos e, naturalmente, para as famílias”.
De acordo com o jornal Le Monde, apenas 39 lugares por composição — em trens que podem transportar entre 500 e mil passageiros — são destinados à classe Optimum Plus na ligação Paris–Lyon, rota escolhida por concentrar cerca de 40% de passageiros em viagens profissionais. Ainda assim, a controvérsia reacendeu um debate mais amplo na França sobre o lugar das crianças no espaço público, tema que tem ganhado visibilidade em meio a mudanças sociais e demográficas no país.








