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“O Grupo de Ataque do Porta-aviões Abraham Lincoln está atualmente em missão no Oriente Médio para promover a segurança e a estabilidade regional”, afirmou o Comando Central dos EUA (Centcom), responsável pelas operações no Oriente Médio e em partes da Ásia Central.
Na última quinta-feira, Trump afirmou, pela primeira vez, que estava “enviando uma grande força” da Marinha americana ao Golfo Pérsico para monitorar o Irã “de perto”. Em resposta, o comandante da Guarda Revolucionária, general Mohammad Pakpour, alertou “erros de cálculo” e afirmou que a força estava “com o dedo no gatilho”. O presidente americano ameaçou reiteradamente um ataque ao país em resposta à repressão do regime contra a onda de protestos, mas recuou após afirmar que Teerã havia suspendido as execuções de manifestantes.
As manifestações que abalaram a República Islâmica do Irã começaram no final de dezembro em protesto contra o custo de vida, mas evoluíram para um movimento contra o regime teocrático estabelecido após a revolução de 1979. Um grupo de direitos humanos com sede nos EUA afirmou nesta segunda-feira ter confirmado a morte de quase 6 mil pessoas durante as manifestações violentamente reprimidas no Irã.
Trump advertiu repetidamente o Irã de que, se matasse manifestantes, os Estados Unidos interviriam militarmente, e também incentivou os iranianos a assumirem o controle das instituições estatais. “A ajuda está a caminho”, disse ele.
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Mas o presidente americano não ordenou ataques, observando que Teerã havia suspendido mais de 800 execuções devido à pressão de Washington. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, alertou contra qualquer possível intervenção e disse que o Irã tinha “confiança em suas próprias capacidades”.
— A chegada de um navio de guerra desse tipo não afetará a determinação e a seriedade do Irã em defender a nação — disse ele, em uma aparente referência ao USS Abraham Lincoln.
Apesar do aparente recuo de retórica do presidente americano, Donald Trump — que reiteradamente condicionou um ataque à morte de manifestantes, dizendo que os ajudaria — Washington insiste com a mobilização militar na região. De acordo com o jornal americano Wall Street Journal (WSJ), o presidente americano considera os recursos navais “decisivos”, enquanto o Irã parece escalar a repressão aos protestos, que duraram quase três semanas e deixaram milhares de mortos, confiscando bens, fechando empresas e processando pessoas que, segundo o regime, teriam atuado na incitação às manifestações.
Esses deslocamentos levaram assessores do Pentágono e da Casa Branca a aprimorarem um conjunto de opções para Trump, incluindo algumas que visam derrubar o regime iraniano. Autoridades, ainda de acordo com o WSJ, também estão elaborando opções mais moderadas, que poderiam incluir ataques a instalações da Guarda Revolucionária Islâmica.
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Mais ameaças
O Ministério da Saúde do Irã recomendou, nesta segunda-feira, que os feridos nos protestos procurassem atendimento hospitalar, enquanto organizações de direitos humanos acusam as forças de segurança de deter manifestantes em instalações médicas.
Organizações de direitos humanos acusam as autoridades de matar milhares de pessoas em uma repressão sem precedentes e sob um bloqueio da internet, enquanto o Irã afirma que a violência foi causada por “manifestantes violentos” incitados pelos Estados Unidos e por Israel.
“Nossa recomendação ao público é que, caso sofra qualquer tipo de ferimento, não tente tratá-lo em casa e não hesite em procurar atendimento médico”, declarou o Ministério da Saúde em um comunicado transmitido pela televisão estatal.
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Organizações de direitos humanos acusaram as forças de segurança iranianas de disparar rifles e espingardas carregadas com balas de borracha diretamente contra a cabeça e o tronco dos manifestantes durante a repressão, e de invadir centros médicos e residências para identificar os manifestantes com base em seus ferimentos e prendê-los.
“Alguns feridos foram detidos antes de receberem tratamento médico, outros durante o próprio tratamento e alguns imediatamente após receberem alta, sendo levados para locais desconhecidos”, afirmou o Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI), com sede nos EUA, em um relatório publicado na sexta-feira.








