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— Estou muito feliz por ter voltado. Pensei que fosse morrer lá — disse à AFP enquanto se recupera em Katmandu, capital do Nepal.
Dawa Sherpa foi encontrado em 4 de junho perto do acampamento-base do Everest, a 8.849 metros de altitude, após passar uma semana desaparecido. Conhecido pelo apelido de Hillary, em homenagem ao alpinista Edmund Hillary, ele trabalhava como cozinheiro para uma empresa de expedições, mas foi escalado para substituir um guia durante a temporada de ascensões.
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AFP
Segundo o relato, ele alcançou a região conhecida como Balcony, a cerca de 8.400 metros de altitude, em 28 de maio. Durante a descida, começou a ficar sem oxigênio.
— Eu disse para ele continuar, que eu o alcançaria depois. Mas quando meu oxigênio acabou, eu já não conseguia mover nem as mãos nem os pés — relata.
Após ficar pendurado por cerca de 30 minutos em uma corda de segurança, ele conseguiu chegar sozinho a uma barraca abandonada, onde encontrou macarrão instantâneo.
— Comi um pouco e isso me ajudou a recuperar a lucidez.
Dias sozinho na montanha
Depois de passar a noite no Acampamento 3, a cerca de 7.100 metros de altitude, Dawa Sherpa continuou a descida no dia seguinte.
Sobrevivente do Everest, Dawa Sherpa, caminha com apoio durante sua recuperação em Katmandu; montanhista nepalês passou seis dias no monte de características severas
Prakash Mathema / AFP
Enquanto isso, integrantes da expedição haviam alertado as equipes de resgate sobre seu desaparecimento. No entanto, ele não conseguiu pedir ajuda porque o telefone via satélite não funcionava e as baterias do rádio comunicador estavam descarregadas.
Ao chegar à Cascata de Gelo de Khumbu, um dos trechos mais perigosos da rota, sofreu um novo acidente.
— Escorreguei e caí de uma escada, ficando pendurado ali por muito tempo — conta o nepalês.
Ele carregava uma mochila de 28 quilos com cilindros de oxigênio vazios e sacos de dormir. Exausto, soltou a carga e acabou caindo em uma fenda glacial.
— Bati a cabeça, mas caí sobre uma superfície plana.
Ferido e isolado, sobreviveu com biscoitos, chocolate congelado e café liofilizado que encontrou nos bolsos da jaqueta.
— Não tinha água quente, então quebrei gelo para molhar a boca — diz.
Avalanche ajudou no resgate
Em 3 de junho, um helicóptero sobrevoou a região, mas Dawa Sherpa estava no fundo da fenda e não conseguiu ser visto.
— Eu sabia que havia chegado um helicóptero, ouvia o barulho, mas não conseguia vê-lo.
Sem conseguir escalar as paredes lisas do local, ele passou dois dias preso na fenda.
— Eu me perguntava se iria viver ou morrer, apenas esperando que alguém viesse me resgatar. Mas ninguém veio. Foi uma avalanche que chegou para me salvar.
Segundo o nepalês, a avalanche preencheu parte da fenda com neve, permitindo que ele encontrasse apoio para sair.
— Foi muito difícil; levei pelo menos uma hora, me segurando no gelo e usando os crampons para ganhar apoio — explica.
Depois de alcançar novamente a rota de escalada, encontrou uma corda e conseguiu se arrastar até as proximidades do acampamento-base.
Na manhã de 4 de junho, foi localizado por integrantes do Sagarmatha Pollution Control Committee (SPCC), grupo responsável pela manutenção das rotas do Everest.
— Fiquei muito feliz ao vê-los; então pensei que iria sobreviver.
Dawa Sherpa foi levado de helicóptero para Katmandu, onde recebeu tratamento para congelamento, desidratação e uma fratura no fêmur.
Sua sobrevivência gerou comemoração entre montanhistas, mas também críticas de familiares e integrantes da comunidade himalaia à demora para localizá-lo. O governo do Nepal abriu uma investigação sobre o caso.
Questionado sobre a possibilidade de voltar ao Everest, ele foi direto:
— Não voltarei à alta montanha; talvez apenas para fazer algumas trilhas.









