O líder de um grupo de manifestantes acusados de integrar o movimento de extrema esquerda Antifa foi condenado, na terça-feira, a 100 anos de prisão por participar de um ataque armado, no ano passado, contra uma instalação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) em Alvarado, no Texas. Benjamin Song é um dos nove réus considerados culpados no caso, que resultou em acusações de terrorismo e deixou um policial baleado no pescoço.
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A pena aplicada a Song foi a mais severa entre as definidas em audiências separadas realizadas no Tribunal Distrital Federal de Fort Worth. Durante o processo, dois juízes criticaram os réus por recorrerem à violência e tentarem impor suas reivindicações por meio da força durante o protesto.
Os nove jovens manifestantes, incluindo Song, foram considerados culpados em março por uma série de acusações relacionadas ao ataque contra a instalação do ICE. Seis dos réus condenados por acusações de terrorismo receberam penas entre 50 e 70 anos de prisão. Outro, considerado culpado por crimes menos graves e que sequer estava presente no protesto, foi condenado a 30 anos de prisão. Um último réu deverá ser sentenciado no próximo mês.
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As penas excepcionalmente severas, impostas pelos juízes Mark T. Pittman e Reed O’Connor, foram significativamente mais longas do que a maior sentença aplicada a qualquer um dos mais de 1.500 participantes da invasão ao Capitólio, em Washington, em 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores de Trump tentaram impedir a certificação da vitória eleitoral de Joe Biden. Na época, eles foram beneficiados por medidas de clemência posteriormente. A punição mais dura naquele caso foi a pena de 22 anos de prisão dada a Enrique Tarrio, líder do grupo de extrema direita Proud Boys.
As sentenças em Fort Worth parecem representar um sinal claro de que, ao menos no Texas, os tribunais tratarão com rigor os manifestantes contrários ao ICE — especialmente aqueles acusados de aderir à ideologia da Antifa, abreviação da palavra “antifascista”. Ativistas que protestam contra o órgão têm enfrentado uma repressão coordenada pelo governo americano. Na semana passada, por exemplo, 15 pessoas supostamente ligadas a dois grupos da Antifa em Minnesota foram indiciadas por conspiração para obstruir agentes federais durante operações de imigração realizadas no estado ao longo do inverno.
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Tanto Pittman, indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, quanto O’Connor, nomeado pelo ex-presidente George W. Bush, são conhecidos por suas posições conservadoras. Pittman presidiu o julgamento de Song e dos demais acusados, o primeiro em que supostos integrantes da Antifa responderam por acusações de terrorismo. O’Connor foi chamado após os vereditos para auxiliar na fase de definição das penas.
Embora os jurados tenham aceitado a tese da acusação de que a maioria dos réus apoiou um ato terrorista ao participar do ataque à instalação do ICE, cinco testemunhas de cooperação da própria promotoria — integrantes do suposto núcleo da Antifa — negaram sob juramento que eles ou seus companheiros se considerassem membros do movimento. A Antifa não possui uma estrutura centralizada nem filiação formal.
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O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, comemorou as sentenças em uma publicação nas redes sociais, afirmando que “o extremismo violento não tem lugar em nosso país”.
“As sentenças proferidas hoje deixam claro que terroristas da Antifa que atacarem agentes da lei e instalações federais enfrentarão uma Justiça rápida e inflexível”, declarou Blanche.
Familiares de alguns dos réus, porém, classificaram as penas como excessivamente punitivas durante uma entrevista coletiva em frente ao tribunal.
— Diante dessa grotesca distorção de qualquer coisa que pudesse ser chamada de processo, estou indignada — afirmou Lydia Koza, esposa de uma das condenadas, Autumn Hill.
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Hope Song, mãe de Benjamin Song, disse que o filho jamais assumirá responsabilidade pelo que classificou como “uma mentira do governo criada para processar pessoas inocentes e promover perseguições políticas”.
Há um bom tempo, Trump defende medidas mais duras contra ativistas associados à Antifa e outros manifestantes de esquerda que protestam contra operações de imigração realizadas pelo governo em cidades por todo o país. Em setembro, ele assinou uma ordem executiva declarando a Antifa como uma “organização terrorista doméstica” — classificação que, na prática, não existe na legislação dos EUA.
Ele também publicou uma ampla diretriz conhecida como Memorando Presidencial de Segurança Nacional nº 7, determinando uma abordagem integrada de todo o governo para combater grupos antifascistas. O documento orientava órgãos federais a adotar uma definição mais ampla de terrorismo doméstico, incluindo uma lista de posições políticas tradicionalmente protegidas pela Primeira Emenda da Constituição americana, entre elas o “anticapitalismo”, o “extremismo em questões de migração, raça e gênero” e até mesmo a “hostilidade contra aqueles que defendem visões tradicionais americanas sobre família, religião e moralidade”.
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O episódio em Alvarado ocorreu após o anoitecer de 4 de julho do ano passado, o Dia da Independência dos EUA, quando um grupo de cerca de uma dúzia de pessoas chegou ao centro do ICE, conhecido como Prairieland Detention Center, vestindo roupas pretas. Segundo os promotores, alguns começaram a vandalizar o local, pichando uma guarita e um carro e danificando uma câmera de vigilância. Outros soltaram fogos de artifício em uma ação que mais tarde descreveram como uma “manifestação sonora”, na esperança de encorajar os imigrantes detidos na instalação.
Song, ex-reservista dos Fuzileiros Navais, permaneceu à distância portando um rifle do tipo AR-15. Segundo a acusação, quando o tenente Thomas Gross, do Departamento de Polícia de Alvarado, chegou ao local após um chamado de emergência, Song gritou “Peguem os rifles!” e abriu fogo. Gross foi atingido por um disparo acima da clavícula enquanto o restante do grupo fugia. Ele recebeu atendimento médico e posteriormente teve alta hospitalar.