Entenda: Plano pretende liberar Estreito de Ormuz e retirar 11 mil marinheiros retidos no Golfo Pérsico
Guga Chacra: O impacto do acordo Trump-Irã para os países do Golfo
A viagem oficial de Rubio inclui ainda paradas no Kuwait e no Bahrein, e ocorre em um momento que Teerã e Washington continuam medindo forças e apresentando narrativas divergentes para reclamar vitórias dentro do processo diplomático iniciado no fim de semana na Suíça. O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, que Teerã assegurou que não estava buscando ou cobrando pedágios de navios que transitam em Ormuz, contrariando um anúncio iraniano na véspera, segundo o qual Irã e Omã estariam discutindo a criação de uma estrutura conjunta para administrar a rota.
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“O Irã informou aos EUA que, apesar de notícias falsas e maliciosas afirmarem o contrário, não há ‘cobrança de pedágios, custos de seguro ou quaisquer outras taxas sendo exigidas ou recebidas pelo Irã de navios que transitam pelo Estreito de Ormuz’. Se essa informação for falsa, as negociações serão encerradas imediatamente!”, escreveu Trump em uma publicação na Truth Social, enquanto a reunião de Rubio acontecia.
O status quo de Ormuz em um cenário de pós-guerra é provavelmente um dos principais temas nas pautas das reuniões de Rubio com os líderes da região. A guerra interrompeu completamente o fluxo de navios cargueiros responsáveis por transportar quase toda a produção de petróleo e gás natural da região, afetando a economia global. Ao desembarcar em Abu Dhabi na terça, Rubio disse que nenhum país tem direito de exigir pedágios em uma “via navegável internacional”, enquanto o Irã mantém o tom de desafio e parece insistir que, para os países do Golfo, seria mais vantajoso um alinhamento com a República Islâmica e não com o Ocidente.
— Não vemos o futuro da região no confronto, e sim na interação — disse o presidente do Parlamento do Irã e principal negociador da nação persa, Mohammad Bagher Ghalibaf, nesta quarta-feira, quando afirmou que o acordo alcançado para acabar com a guerra no Oriente Médio é “uma declaração de derrota dos Estados Unidos” por ser resultado da “resistência e da determinação” do país.
Os países do Golfo Pérsico se opuseram ao início da guerra contra o Irã e não participaram ativamente da campanha militar contra a nação persa. Ainda assim, foram afetados pela campanha de retaliação do regime iraniano em grande medida — tanto diretamente, por drones e mísseis disparados de Teerã, quanto economicamente, pelo estrangulamento do estreito. Dependentes de garantias de segurança dos EUA, muitos ficaram frustrados pelo o acordo preliminar não abordar os programas iranianos de mísseis e drones, um dos fatores que têm impulsionado uma reavaliação mais ampla de relações.
— Queremos garantir que os pontos de vista deles sejam levados em consideração e entendemos suas preocupações de segurança e também suas preocupações econômicas regionais — disse Rubio após chegar a Abu Dhabi. — Por isso é natural que estejamos aqui conversando com eles, porque esta é uma questão muito importante para eles. Eles estão bem ao lado dela.
Acordo incerto
Os sinais confusos dos governos em Teerã e Washington não permitem avaliar com clareza o futuro exato das negociações. Em um processo diplomático impulsionado por certa medida de “caos” na retórica, os avanços são constantemente ofuscados por tentativas de sinalizações triunfalistas e apresentação de desacordos.
Dúvidas cruciais permanecem quanto à autorização ou não por parte do Irã da entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no país — o que os EUA confirmam e o Irã nega. O diretor da AIEA, Rafael Grossi, disse nesta quarta que as inspeções nas instalações nucleares iranianas “vão acontecer”, mas não anunciou um calendário específico. Outro ponto é quanto a liberação de recursos ao Irã.
O Departamento de Tesouro dos EUA publicou nesta semana uma suspensão sobre sanções a ativos financeiros iranianos congelados no exterior. Nesta quarta-feira, Trump afirmou em sua publicação na Truth Social que os valores seriam usados apenas para comprar produtos agropecuários de empresas americanas. Não houve esclarecimento imediato por parte do Irã.
A nação persa também não oferece sinais de concessão no que diz respeito à disputa narrativa. Na terça-feira, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse durante uma viagem ao Paquistão que a capacidade de mísseis de seu país jamais faria parte de um acordo de paz com os EUA — algo que é de interesse não apenas dos parceiros americanos no Golfo, como de Israel.
— Se não tivéssemos nossos mísseis, que servem para nossa autodefesa, Israel e os Estados Unidos teriam passado por cima do Irã da mesma forma que fizeram em Gaza — afirmou. (Com NYT e AFP)








