— Decidi aceitar o resultado que emerge desse processo e que indica que Abelardo de la Espriella é o novo presidente da República. Faço isso para contribuir para a convivência, a paz e o diálogo entre os colombianos — afirmou o senador, acrescentando que a esquerda exercerá uma “oposição democrática e construtiva” durante o próximo governo.
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Cepeda, aliado político do presidente Gustavo Petro, havia solicitado a revisão de dezenas de milhares de seções eleitorais por supostas irregularidades e afirmado que aguardaria o resultado da apuração oficial do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), autoridade responsável por declarar o vencedor da eleição. Esse processo ainda está em andamento.
— [Aceitar a derrota] não significa renunciar à verdade nem permanecer em silêncio diante de fatos que consideramos graves e que marcaram esta campanha presidencial. Durante esse processo denunciamos a aberta e indevida ingerência estrangeira (…) particularmente as intervenções realizadas pelo governo dos Estados Unidos e pelo presidente Donald Trump em favor da candidatura de Abelardo de la Espriella.
A contagem preliminar da Registradoria Nacional, órgão responsável pela logística das eleições no dia da votação, apontou Espriella com 49,66% dos votos e Cepeda com 48,70%. A diferença entre os dois ultrapassa 250,8 mil votos, mas, na disputa, representa menos de um ponto percentual. Trata-se da segunda menor margem registrada em um segundo turno presidencial na Colômbia nas últimas três décadas.
Os colombianos tinham de escolher entre a continuidade das políticas progressistas de Petro, representadas por Cepeda, ou uma guinada à direita e ao conservadorismo com Espriella. O resultado rejeitou a continuidade do atual governo, mas também revelou um país polarizado. Na entrevista, Cepeda afirmou que a oposição será “firme e inabalável quando se tratar de defender os direitos do povo”. Ele não informou se aceitará a cadeira no Senado reservada ao segundo colocado.
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Aliado de Cepeda, Petro denunciou supostas violações no software da autoridade eleitoral e levantou a possibilidade de anulação da votação devido ao que chamou de “intervenção direta” dos EUA, após Trump manifestar apoio a Espriella. A Registradoria Nacional, porém, afirmou que o avanço da apuração evidenciou similaridades de 99,9% com a pré-apuração divulgada no domingo. Além disso, a missão da União Europeia (UE), que mobilizou 150 observadores eleitorais para o segundo turno, descartou a existência de “irregularidades”.
Já na terça-feira, Petro moderou o discurso. Em mensagens no X, afirmou que o processo de transição de governo será iniciado e defendeu o diálogo entre os colombianos: “Estamos divididos ao meio e é hora de nos reconhecermos, nos respeitarmos e chegarmos a acordos”, escreveu.
Apesar disso, o presidente também comparou o apoio de Trump a Espriella aos “ataques híbridos russos” que levaram a Justiça da Romênia a anular as eleições presidenciais do país em 2024. A comparação foi mais um dos argumentos apresentados por Petro para questionar a legitimidade do resultado eleitoral.
Enquanto aguardava a conclusão da apuração, Cepeda havia destacado a força política do Pacto Histórico, afirmando que a coalizão representa “metade do país em termos políticos”. Embora sua campanha tenha apresentado mais de 50 mil contestações à contagem preliminar, o senador já havia declarado que aceitaria o resultado oficial.
Com 12,7 milhões de votos no segundo turno, Cepeda alcançou a maior votação já obtida pela esquerda na história da Colômbia. Apesar da derrota presidencial, o Pacto Histórico garantiu nas eleições legislativas de março 25 das 102 cadeiras do Senado e 42 das 182 vagas da Câmara dos Representantes. A expectativa é que Cepeda lidere a oposição ao novo governo a partir da cadeira no Senado reservada ao candidato derrotado no segundo turno presidencial. Já o Pacto Histórico terá a maior bancada do Congresso, embora sem maioria parlamentar.
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