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O enviado americano Steve Witkoff se reuniu na noite desta quinta-feira com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou, para tratar do plano esboçado por Washington para pôr fim à guerra na Ucrânia. O encontro ocorreu após a breve reunião do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Em um contexto de intensa agitação diplomática, Witkoff, acompanhado por Jared Kushner, genro do presidente americano, aterrissou em Moscou durante a noite. A Presidência russa anunciou posteriormente o início da reunião.
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Witkoff já se encontrou várias vezes com o presidente russo ao longo do último ano. Desde Davos, ele mencionou os “progressos significativos” alcançados em seu encontro no último fim de semana, em Miami, com negociadores ucranianos.
— Acho que reduzimos o problema a um único ponto — declarou na ocasião.
Após a reunião com Trump em Davos, Zelensky assegurou que a questão dos territórios do leste da Ucrânia continua sem solução, mas anunciou um acordo sobre as garantias de segurança que os EUA ofereceriam em um eventual pós-guerra.
— Tudo gira em torno da parte oriental do nosso país. Tudo gira em torno da terra. Esse é o problema que ainda não resolvemos — afirmou o líder ucraniano a jornalistas na Suíça.
Desde que chegou à Casa Branca há um ano, Trump tem tentado encerrar o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, iniciado em fevereiro de 2022 com a invasão russa da Ucrânia.
Os esforços diplomáticos esbarram nas divergências entre Rússia e Ucrânia sobre a delimitação de fronteiras em um cenário de paz. A Rússia, que ocupa 20% do território ucraniano, reivindica o controle total da região oriental do Donbass, parcialmente sob seu domínio.
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Zelensky reconheceu que o apoio de Trump é “indispensável”, sobretudo porque a Europa, “em vez de se tornar uma verdadeira potência global, continua sendo um belo, porém fragmentado, caleidoscópio de pequenas e médias potências”.
— A Europa parece perdida tentando convencer o presidente americano a mudar — acrescentou o presidente ucraniano, e sugeriu que haverá uma reunião trilateral entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos ainda nesta semana.
Enquanto isso, quando jornalistas perguntaram a Trump que mensagem queria transmitir ao seu par russo, ele respondeu:
— A guerra deve acabar.
O Canadá “não existe por causa dos Estados Unidos”, disse o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, nesta quinta-feira, em resposta aos ataques do presidente americano, Donald Trump, no dia anterior em Davos, na Suíça.
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— O Canadá e os Estados Unidos forjaram uma parceria extraordinária — declarou Carney em um discurso à nação a partir de Quebec. — O Canadá não existe por causa dos Estados Unidos. O Canadá prospera porque somos canadenses. Nosso país é nosso, é o nosso país, é o nosso futuro — acrescentou.
Desde que retornou à Casa Branca no ano passado, Trump tem insinuado repetidamente seu desejo de anexar o Canadá aos Estados Unidos. Na quarta-feira, Carney fez um discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos que lhe rendeu uma ovação de pé. Sem mencionar o presidente americano nominalmente, Carney disse que o sistema de governança global liderado pelos EUA está passando por um “colapso”.
Ele disse que as potências médias, como o Canadá, que prosperaram durante a era da “hegemonia americana”, precisam perceber que uma nova realidade se instaurou. Carney acrescentou em seu discurso que essas potências precisam traçar um novo rumo e se unir para defender valores internacionais fundamentais.
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Na quinta-feira, o primeiro-ministro reafirmou que o Canadá deve servir de modelo em uma era de “declínio democrático”. Trump, por sua vez, respondeu a Carney, também em Davos, e declarou que o líder canadense não havia sido “muito grato”.
— O Canadá recebe muitas regalias da gente. [O país] vive graças aos Estados Unidos. Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações — disse o presidente americano.
Um ataque com faca deixou seis pessoas feridas, duas delas em estado crítico, na noite desta quinta-feira em Antuérpia, uma das principais cidades da Bélgica. O crime ocorreu pouco depois das 19h, (15h, no horário de Brasília) nas proximidades da Operaplein, área central e de grande circulação. A polícia prendeu dois suspeitos e abriu uma investigação.
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Segundo o tabloide britânico The Sun, autoridades informaram que quatro vítimas foram encontradas na própria praça, enquanto a quinta e a sexta foram localizadas nas imediações, nas ruas Rooseveltplaats e Sint-Elisabethstraat. Todas apresentavam ferimentos provocados por faca.
— Todas as vítimas foram esfaqueadas, e duas estão atualmente em condição crítica — informou um porta-voz da polícia ao site.
Equipes de emergência foram acionadas para prestar os primeiros socorros no local antes de encaminhar os feridos a hospitais da região. Um vídeo do momento circula nas redes sociais.
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Relatos iniciais indicam que os suspeitos teriam se misturado a manifestantes que participavam de um ato curdo realizado na praça pouco antes do ataque. Uma testemunha afirmou que a manifestação transcorria de forma pacífica e já estava sendo encerrada quando a violência começou.
A polícia isolou a área e iniciou perícias forenses, além de pedir que a população evite a Operaplein e os arredores enquanto as investigações seguem em andamento. Até o momento, as autoridades não divulgaram a motivação do ataque nem a identidade dos suspeitos.
Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Zé Adriano, o autor da proposta

O Projeto de Lei 915/25 veda a monetização do uso de contas e perfis de parlamentares de todos os níveis da Federação onde sejam divulgados conteúdos do mandato. Em análise na Câmara dos Deputados, o texto abrange as funções de senador, deputado federal, estadual e distrital, além de vereador.

Pela proposta, as plataformas de redes sociais ficarão proibidas de oferecer, habilitar ou permitir qualquer forma de monetização, direta ou indireta, para contas e perfis de parlamentares, incluindo o recebimento de valores por visualizações, engajamento ou impulsionamento de conteúdos relativos à função de parlamentar.

Exceções
A proibição não se aplicará a conteúdos divulgados por outras pessoas, desde que não estejam vinculados, por laços pessoais ou políticos, ao parlamentar, ou não configurem estratégia de monetização indireta.

Punições
A pena prevista para o descumprimento das medidas pelas redes sociais é de:

  • advertência, para regularização em até 30 dias;
  • multa, no valor de até R$ 500 mil;
  • multa dobrada e suspensão temporária de operações no território nacional, em caso de reincidência.

“Esse projeto diz respeito unicamente às atividades do mandato do parlamentar e não à sua vida civil ou comercial, que deve ser preservada e que pode, cada vez mais, dar-se também nas plataformas das redes sociais, como é tendência irreprimível de nosso tempo”, esclarece o deputado Zé Adriano (PP-AC), autor do texto.

Próximos passos
A proposta será analisada em caráter conclusivo pelas comissões de Comunicação; de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

A polícia chilena anunciou nesta quinta-feira (22) a prisão de um terceiro suspeito de iniciar intencionalmente incêndios florestais na região de Biobío, a área mais afetada pelos incêndios que devastam o sul do Chile e que causaram a morte de 21 pessoas.
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Desde sábado (17), os bombeiros combatem o incêndio em Biobío, a cerca de 500 km ao sul de Santiago, onde se concentra a grande maioria das vítimas. As regiões de Ñuble e Araucanía também foram afetadas pelas chamas. Segundo o governo, 20 mil pessoas foram atingidas. Atualmente, há 19 incêndios ativos, de acordo com a agência estadual de assistência em desastres (Senapred).
Na madrugada de hoje, as autoridades prenderam um homem supostamente envolvido nos incêndios em Punta de Parra, município de Biobío, durante o toque de recolher. O suspeito, juntamente com outros, estava ateando fogo à mata quando a polícia chegou após receber uma denúncia de vizinhos. “O indivíduo portava um isqueiro, um bastão retrátil e crack”, informou a Polícia de Investigação em um comunicado.
Outros dois suspeitos foram presos entre segunda e quarta-feira em Biobío e Araucanía; um deles já foi liberado.
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Punta de Parra é uma cidade com cerca de 3 mil habitantes, cercada por florestas de eucalipto. Após os incêndios, apenas algumas casas permaneceram de pé. As autoridades suspeitam que tenham sido provocados intencionalmente.
— É pura maldade, só para causar dano, não há outra explicação — disse Felicia Lara, de 68 anos, que conseguiu escapar apenas com a roupa do corpo.
As altas temperaturas do verão no Hemisfério Sul e os fortes ventos propagaram as chamas que começaram no sábado.
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As áreas mais afetadas são as cidades de Lirquén e Penco, em Biobío.
Em fevereiro de 2024, vários incêndios deflagraram nas proximidades da cidade de Viña del Mar, a 110 km de Santiago, deixando 138 mortos.
Investigações posteriores determinaram que bombeiros e membros da brigada florestal iniciaram o incêndio intencionalmente, que se alastrou rapidamente devido também às altas temperaturas do verão.
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A nova líder da Venezuela, Delcy Rodríguez, está abrindo as portas do país para investidores do setor petrolífero, com um amplo conjunto de propostas que reduziriam drasticamente os impostos, abririam mão do controle estatal sobre as operações de extração e comercialização de petróleo e simplificariam as regulamentações. As propostas, agora em análise no Legislativo, visam revitalizar a indústria petrolífera estatal venezuelana para estabilizar a economia após a deposição do presidente Nicolás Maduro pelas forças americanas em 3 de janeiro. Com sua ex-número dois e agora presidente interina no comando, a Venezuela está efetivamente renunciando às suas raízes nacionalistas e ao protecionismo chavista, cedendo espaço ao setor privado após décadas de declínio econômico. Entre as mudanças realizadas por Delcy que divergem da linha adotada por seus antecessores estão as trocas de comandantes militares pelo país realizadas nos últimos dias.
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O debate sobre as propostas começou nesta quinta-feira e a expectativa é que elas avancem rapidamente rumo à aprovação. No entanto, especialistas afirmam que a Venezuela ainda precisa de um apoio mais robusto dos Estados Unidos para atrair investimentos em larga escala. Na Assembleia Nacional, a reforma foi aprovada em primeira leitura sem o voto da oposição, que alegou não ter tido acesso ao projeto para revisão, mas ainda espera-se uma segunda leitura no Parlamento, de maioria governista, para a aprovação final.
— Este projeto de reforma é um passo rumo à modernização do setor energético. A verdadeira soberania reside não apenas no controle dos recursos, mas também em transformá-los em ativos para o povo venezuelano — disse o deputado Orlando Camacho, presidente da Comissão de Energia e Petróleo.
Embora Delcy classifique as mudanças como uma “reforma parcial”, elas alterariam profundamente a Lei de Hidrocarbonetos, uma legislação de 2001 promulgada durante o governo do falecido líder socialista Hugo Chávez, que equivaleu a uma nacionalização do setor. Essa lei exige que a Petróleos de Venezuela SA (PDVSA), petrolífera estatal, detenha uma participação majoritária em joint ventures com parceiros privados ou estrangeiros, ao mesmo tempo em que concede à empresa estatal o monopólio da produção e venda de petróleo.
A proposta de reforma da Lei de Hidrocarbonetos expande um modelo contratual inovador, firmado no final de 2022 pela gigante petrolífera americana Chevron, principal investidora do país e a única empresa petrolífera atualmente autorizada pelos EUA a extrair petróleo venezuelano. A reforma afrouxaria o controle da estatal PDVSA, preservando, ao mesmo tempo, a propriedade que o Estado venezuelano tem sobre as reservas.
Se as mudanças forem aprovadas, empresas petrolíferas privadas teriam permissão para comercializar sua própria produção, pagando impostos menores e, principalmente, resolvendo quaisquer disputas contratuais por meio de arbitragem internacional, em vez de exclusivamente nos tribunais venezuelanos.
Sob um modelo de contrato de prestação de serviços, conhecido pela sigla CPP, empresas privadas poderiam operar campos de petróleo por conta e risco do cliente, por meio de contratos com a PDVSA, enquanto as joint ventures continuariam exigindo participação majoritária do Estado.
As propostas oferecem “uma base jurídica razoavelmente sólida para investimentos atuais e futuros”, afirmou David Goldwyn, chefe do grupo de consultoria em energia do Atlantic Council, um think tank em Washington, D.C. Ele acrescentou que a reforma é essencial porque o investimento a curto prazo provavelmente se limitará à revitalização de operações existentes e àquelas que envolvam empresas não americanas focadas na recuperação de poços sob o modelo CPP.
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Mantendo uma taxa básica de royalties de 30%, a proposta permitiria reduções para projetos considerados antieconômicos, juntamente com reduções temporárias nos impostos sobre a extração. As mudanças visam direcionar capital para campos subdesenvolvidos, incluindo áreas com pouca infraestrutura existente.
Mesmo com os novos termos, os EUA mantêm as sanções petrolíferas contra a Venezuela, portanto, qualquer envolvimento exigiria licenças do Departamento do Tesouro americano. Algumas empresas, incluindo Repsol SA, Eni SpA, Maurel et Prom e Shell PLC, possuíam isenções que o governo Trump revogou no início deste ano, numa tentativa de pressionar Maduro a renunciar.
A atual Lei de Hidrocarbonetos da Venezuela foi reformada em 2006 para impor um forte controle estatal. A Exxon Mobil Corp. e a ConocoPhillips rejeitaram os novos termos impostos na época e seus ativos foram expropriados pelo Estado no ano seguinte.
Quase duas décadas depois, o CEO da Exxon Mobil, Darren Woods, afirmou em uma reunião recente na Casa Branca que a Venezuela era “inviável para investimentos” sem reformas significativas e transparentes, do tipo que as novas propostas parecem visar.
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Advogados estão agora analisando minuciosamente os detalhes da reforma, que aborda questões políticas sensíveis em um país que nacionalizou sua indústria petrolífera na década de 1970. Uma breve abertura ao investimento privado na década de 1990 chegou ao fim com a ascensão de Chávez ao poder em 1999.
— Uma reforma mais ampla da Lei de Hidrocarbonetos, como a reavaliação do papel do Estado e a possível conversão das joint ventures, precisa de um amplo consenso político. E isso levará tempo, incluindo a plena participação da oposição — afirmou Goldwyn. — Também é apropriado que pelo menos as reformas incrementais atuais sejam amplamente debatidas na Assembleia e não pareçam estar sendo impostas à força pelo governo Rodríguez.
Por anos, parlamentares, economistas e analistas venezuelanos, e mais recentemente até mesmo membros do partido socialista no poder, têm debatido a necessidade de reformar a lei. Mas as propostas foram paralisadas por serem consideradas contrárias à Constituição venezuelana de 1999, que proíbe empresas de executarem ações judiciais em tribunais internacionais e restringe a atividade petrolífera ao Estado e à PDVSA.
Os parlamentares também devem debater um projeto de lei que visa a simplificar a burocracia. A proposta autoriza o presidente a suspender, modificar ou eliminar procedimentos, licenças e exigências considerados “burocráticos, desnecessários, inúteis, irrelevantes ou complexos” por meio de decretos executivos. Também prevê a digitalização, unificação e padronização de procedimentos e a suspensão temporária de disposições legais afetadas por tais decretos até que sejam reformadas pela Assembleia Nacional.
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Mudanças no comando
Um dia antes das discussões sobre as reformas propostas por Delcy serem realizadas na Assembleia Nacional, a presidente interina liderou uma reorganização das Forças Armadas da Venezuela. Na quarta-feira, a nova líder do país nomeou 12 oficiais de alta patente para comandos regionais, mas já havia nomeado um ex-chefe do serviço de inteligência (Sebin) como o novo comandante da guarda presidencial e como diretor da Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), a agência de contraespionagem do país.
Um documento contendo cópias das nomeações — assinado pelo Ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, que comanda a pasta da Defesa há mais de dez anos, e sempre foi considerado um aliado incondicional de Maduro — está circulando na mídia local, embora o governo não tenha confirmado sua autenticidade. No entanto, o chefe do Comando Operacional Estratégico das Forças Armadas, general Domingo Hernández Lares, parabenizou cada um dos generais nomeados para comandar 12 das 28 zonas operacionais de defesa (ZODI) em vários estados do país, em sua conta no Telegram.
Na mensagem, ele elogiou cada comandante, descrevendo um como “soldado de temperança, repleto de princípios e valores” e destacando, de outro, a “capacidade de liderança e a conduta exemplar no cumprimento de missões”.
“Um soldado honrado que, com espírito inabalável, manteve acesa a chama sagrada dos libertadores”, escreveu ele, sobre o novo comandante da Zona Operacional de Defesa no estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia. Padrino López e Hernández Lares permanecem em seus cargos, por enquanto.
O governo brasileiro condenou o início do processo de demolição de estruturas da sede da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) em Jerusalém Oriental, classificando a medida como uma violação do direito internacional. Em nota divulgada nesta quinta-feira, o Itamaraty afirmou ter tomado conhecimento, “com grave preocupação”, da decisão das autoridades israelenses, que começaram o processo em 20 de janeiro.
Segundo o comunicado, a iniciativa ocorre após a aprovação, em 29 de dezembro, pelo Parlamento israelense, de uma legislação que amplia as restrições à atuação da UNRWA. Entre outras disposições, a lei “autoriza corte do fornecimento de água e eletricidade, assim como permite expropriação de imóveis da Agência”, o que, na avaliação do governo brasileiro, compromete diretamente o funcionamento da missão da ONU em Jerusalém Oriental, território considerado ocupado pela comunidade internacional.
“Medidas que violam instalações da UNRWA no território palestino ocupado constituem flagrante violação do direito internacional, incluindo o direito internacional humanitário e a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas”, diz o comunicado.
A nota destaca ainda que as ações contrariam pareceres consultivos da Corte Internacional de Justiça (CIJ), de julho de 2024 e outubro de 2025, sobre “as práticas de Israel no território palestino ocupado, inclusive Jerusalém Oriental”, e sobre “as obrigações de Israel em relação à ONU e a outros atores” que atuam na região.
A manifestação brasileira ocorre em um contexto de crescente pressão sobre a UNRWA, intensificada desde a guerra na Faixa de Gaza. A agência tem sido alvo de críticas e restrições por parte do governo israelense, ao mesmo tempo em que enfrenta dificuldades operacionais e financeiras para manter a prestação de serviços essenciais à população refugiada palestina.
Ao reagir ao início do processo de demolição, o Brasil também ressaltou seu papel institucional. O país exerce atualmente a presidência da Comissão Consultiva da UNRWA e reiterou “seu firme apoio à continuidade das atividades da Agência”, responsável pela prestação de serviços essenciais a cerca de 6 milhões de refugiados palestinos na Faixa de Gaza, na Cisjordânia, na Jordânia, no Líbano e na Síria.
A nota reforça a posição brasileira de defesa do multilateralismo e do papel das Nações Unidas, ao tratar a medida adotada por Israel não apenas como um ato administrativo, mas como um movimento com implicações diretas para a proteção humanitária e para o respeito às normas internacionais nos territórios palestinos ocupados.
No mesmo dia em que o Itamaraty divulgou a nota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. O contato ocorreu em meio ao agravamento da situação nos territórios palestinos e reforça o engajamento direto do Planalto no tema, em sintonia com a posição expressa pelo Itamaraty de defesa da atuação da ONU e do respeito ao direito internacional.
Um ex-comissário de bordo canadense foi preso no Panamá e extraditado para os Estados Unidos sob a acusação de ter se passado por piloto e membro ativo de tripulação para entrar gratuitamente em centenas de voos comerciais ao longo de cerca de quatro anos, segundo autoridades federais norte-americanas.
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Dallas Pokornik, 33, natural de Toronto, se declarou “não culpado” na última terça-feira em um tribunal federal no Havaí, após ser indiciado por fraude em outubro de 2025. Ele permanece sob custódia por ordem de um juiz federal.
De acordo com um comunicado divugado pela Procuradoria do Distrito do Havaí nesta terça-feira, Pokornik trabalhou como comissário de bordo para uma companhia aérea com sede em Toronto entre 2017 e 2019.
Depois de deixar o emprego, ele teria usado uma identificação funcional fraudulenta da empresa para se apresentar como piloto ou comissário em pelo menos três grandes companhias aéreas com base em Honolulu, Chicago e Fort Worth (Texas) — cidades que abrigam, respectivamente, Hawaiian Airlines, United Airlines e American Airlines.
As autoridades afirmam que o acusado chegou a solicitar assentos extras na cabine de comando conhecidos como “jump seats”, normalmente reservados a pilotos fora de serviço ou tripulantes autorizados, embora os autos não indiquem se algum desses pedidos foi atendido.
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O esquema teria se estendido de 2019 a 2023, período em que Pokornik teria acumulado viagens sem pagar os preços regulares dos passageiros, explorando benefícios de viagem corporativa destinados a funcionários do setor aéreo.
As companhias citadas na acusação não comentaram oficialmente o caso. Air Canada, com sede em Montreal e um grande centro em Toronto, disse não ter registros de emprego de Pokornik. Procurados por veículos de mídia internacionais, representantes de Hawaiian Airlines, United e American não comentaram sobre o caso.
Se condenado por fraude eletrônica, crime federal nos EUA, ele pode enfrentar até 20 anos de prisão, multa de até US$ 250 mil (R$ 1,3 milhões, na cotação atual) e período de liberdade supervisionada. O caso está sendo investigado pela Homeland Security Investigations, com o apoio do Serviço de Delegados Federais dos Estados Unidos (United States Marshals Service).
O episódio tem sido comparado por veículos internacionais ao enredo do filme “Prenda-me se for Capaz” (2002), em que um jovem se passa por piloto para obter benefícios de viagem, embora as autoridades ressaltem que a investigação se concentra em como ele teria enganado os sistemas modernos de verificação de credenciais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira que vai processar o New York Times em razão de uma pesquisa de opinião desfavorável. Ele classificou os levantamentos feitos pelo jornal americano como “falsos” e disse que deveriam ser criminalizados.
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A reação ocorreu após a divulgação de uma pesquisa realizada pelo New York Times em parceria com a Universidade Siena, que apontou taxa de aprovação de 40% para o republicano de 79 anos. O resultado está em linha com outros levantamentos recentes que indicam queda no apoio ao presidente um ano após o início de seu segundo mandato.
“O levantamento Times Siena… será acrescentado ao meu processo contra o fracassado The New York Times”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social. “Eles serão plenamente responsabilizados por todas as suas mentiras e irregularidades da esquerda radical!”
Em outra publicação, o presidente ampliou o tom da ameaça e afirmou que “pesquisas falsas e fraudulentas deveriam ser, praticamente, um crime”.
Trump tem apresentado uma série de ações por difamação contra empresas de mídia, entre elas BBC, CNN, Wall Street Journal, CBS e ABC. Alguns desses processos resultaram em acordos que envolveram pagamentos de vários milhões de dólares.
Em setembro de 2025, o presidente entrou com um processo de US$ 15 bilhões contra o New York Times, alegando que o jornal havia publicado reportagens falsas com o objetivo de prejudicar sua campanha presidencial de 2024 e sua reputação. A ação foi rejeitada por um juiz federal, mas posteriormente reapresentada, em versão modificada, no mês de outubro.
Na ocasião, o Times reagiu afirmando que o novo processo representava “uma tentativa de sufocar o jornalismo independente” e um ato de “intimidação”.
A pesquisa divulgada nesta quinta-feira é o levantamento mais recente a indicar que a popularidade de Trump continua em queda, especialmente em razão de sua condução da economia e da adoção de uma repressão à imigração ilegal em moldes militares.
Considerado um dos institutos de pesquisa política mais precisos e de maior visibilidade nos Estados Unidos, o Times/Siena destacou, nos resultados mais recentes, o que o jornal classificou como o desmonte da coalizão que garantiu a vitória de Trump na eleição de 2024.
De acordo com a sondagem, eleitores jovens e não brancos que apoiaram Trump na disputa contra a democrata Kamala Harris agora se afastaram do presidente, deixando-o dependente de sua base tradicional, formada majoritariamente por eleitores mais velhos e brancos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta quinta-feira, por telefone, com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para tratar da situação na Faixa de Gaza e das perspectivas de reconstrução da região.
Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula manifestou satisfação com o cessar-fogo na região e reiterou o compromisso do Brasil com a busca de uma solução pacífica para o conflito no Oriente Médio.
De acordo com o comunicado, o presidente brasileiro consultou Abbas sobre os próximos passos do plano de paz em discussão e ambos concordaram em manter contato sobre o tema. A conversa ocorre em meio ao convite feito a Lula para participar do chamado Conselho da Paz, iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reunirá líderes internacionais e que é alvo de controvérsia por sua composição e por críticas quanto à sua efetividade.
Na quarta-feira, Lula também manteve uma conversa telefônica com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, na qual tratou da situação humanitária em Gaza e da necessidade de uma solução negociada.

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