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“A Terra lá fora parece um pequeno crescente. É magnífico”, afirmou o comandante da missão, Reid Wiseman, durante o momento em que a cápsula Orion atingiu seu ponto máximo de aproximação, a cerca de 6,5 mil quilômetros da superfície lunar.
Imagem capturada da transmissão ao vivo da Missão Artemis II mostra a Terra, em formato crescente, vista da órbita lunar
Reprodução/Nasa
A jornada de 10 dias, considerada a mais longa já realizada por uma tripulação humana no espaço profundo, levou os astronautas a uma travessia pela face oculta da Lua — região marcada por um fenômeno crítico: o blecaute de comunicações. Durante 41 minutos, a nave ficou isolada da Terra, repetindo um dos maiores desafios históricos da exploração espacial.
— Continuaremos nossa jornada ainda mais longe no espaço antes que a Mãe Terra consiga nos trazer de volta a tudo o que nos é caro, mas, acima de tudo, escolhemos este momento para desafiar esta geração e a próxima a garantir que este recorde não dure muito tempo — afirmou Jeremy Hansen.
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Um lado oculto — e diferente
Apesar do nome popular, não existe um “lado escuro” permanente da Lua. Metade do satélite está sempre iluminada pelo Sol, mas devido à rotação sincronizada com a Terra, apenas um lado é visível daqui. O chamado lado oculto é, na verdade, o hemisfério voltado para longe do nosso planeta.
Diagrama que mostra fases da Lua
Nasa
Irregular e repleta de crateras
O lado oculto da lua possui crosta mais espessa, o que impediu a formação de grandes “mares” de lava, comuns no lado visível. A porção também abriga estruturas gigantes como a Bacia Polo Sul-Aitken, uma das maiores crateras do Sistema Solar
— A Lua que estamos vendo não é a mesma Lua que você vê da Terra — disse Christina Koch. — A Lua é realmente um corpo celeste com seu próprio propósito no Universo. Não é apenas um cartaz no céu que passa despercebido.
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Mais seco do que se imaginava
Uma das descobertas mais relevantes recentes, baseada em análises de amostras coletadas por missões robóticas chinesas, indica que o lado oculto da Lua é significativamente mais seco do que o lado voltado para a Terra.
Enquanto o solo lunar próximo contém cerca de 350 mililitros de água por metro cúbico, na face oculta esse volume pode ser de 10 a 100 vezes menor. A diferença pode estar relacionada à formação do satélite: enquanto o lado visível teria sido aquecido pela Terra ainda incandescente, o lado oposto esfriou mais rapidamente.
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Essa distribuição desigual de água tem implicações diretas para futuras bases lunares e para a produção de combustível e oxigênio no espaço.
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Imagens inéditas e fenômenos raros
Durante o sobrevoo, os astronautas registraram imagens detalhadas de regiões como o Mare Orientale e observaram fenômenos raros, como um eclipse solar visível apenas do espaço.
— A Terra é tão brilhante lá fora, e a Lua está ali, pairando diante de nós, esse orbe negro bem à nossa frente — descreveu Victor Glover. — O brilho da Terra é muito nítido e cria uma ilusão visual impressionante.
Lua vista por uma das janelas da cápsula Orion, durante a Missão Artemis II
Nasa
Os tripulantes também destacaram o “terminador” — a linha que separa luz e sombra na superfície lunar — onde contrastes extremos revelam detalhes do relevo.
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— Existem ilhas de terreno lá fora que estão completamente cercadas pela escuridão — disse Glover. — Esse terminador é a coisa mais impressionante que já vi.
Recordes e legado
A missão também quebrou recordes históricos. A nave ultrapassou a distância da Apollo 13, atingindo mais de 406 mil quilômetros da Terra.
— Ao ultrapassarmos a maior distância já percorrida por humanos a partir do planeta Terra, fazemos isso honrando os esforços e feitos extraordinários de nossos antecessores — declarou Hansen.
A tripulação ainda prestou homenagem ao astronauta Jim Lovell, que participou das missões Apollo 8 e 13, e morreu em 2025.
— Tenho orgulho de passar esse bastão para vocês enquanto orbitam a Lua e lançam as bases para missões a Marte — disse Lovell em mensagem gravada.
Corrida espacial e futuro
A Artemis II é vista como etapa fundamental para o retorno de humanos à superfície lunar até o fim da década — em meio à crescente competição com a China, que pretende enviar astronautas ao satélite até 2030 e já opera a estação espacial Tiangong.
— O tempo está correndo nesta competição entre grandes potências, e o sucesso ou o fracasso serão medidos em meses, não em anos — afirmou Jared Isaacman.
Além da disputa geopolítica, o lado oculto da Lua surge como peça-chave para o futuro da ciência: sua posição protegida das interferências da Terra o torna ideal para observações astronômicas profundas — e potencial local para bases permanentes.
A missão, que retorna à Terra no dia 10, não apenas reaproxima a humanidade da Lua, mas também revela que, mesmo após décadas de exploração, seu lado mais distante ainda guarda mistérios fundamentais sobre a origem e o futuro da presença humana no espaço.









