Forças americanas disseram ter disparado contra dois petroleiros de bandeira iraniana e os deixado fora de serviço enquanto estes tentavam violar o bloqueio aos portos do Irã, informou o Exército dos Estados Unidos nesta sexta-feira. O ataque ocorreu após a Marinha do Irã afirmar ter apreendido um petroleiro chinês em uma operação no Mar de Omã. Segundo Teerã, a embarcação teria tentado “interromper as exportações de petróleo e os interesses nacionais” do país. Os incidentes ocorreram após uma troca de ataques durante a noite anterior, que gerou temores de um colapso no cessar-fogo, e em meio à expectativa pela resposta do Irã à proposta de paz dos EUA.
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O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou que um caça F/A-18 Super Hornet utilizou munições de precisão contra os dois navios para impedi-los de prosseguir para o Irã, enquanto a mídia iraniana relatava “confrontos esporádicos” com embarcações americanas no Estreito de Ormuz.
Antes dos ataques americanos, a agência de notícias estatal da República Islâmica deu mais detalhes sobre a apreensão do petroleiro chinês. Segundo Teerã, a embarcação transportava petróleo iraniano, mas procurou “explorar as condições regionais”, tendo sido escoltada até a costa sul do Irã, onde foi entregue às autoridades. Segundo a nota, o petroleiro chamado Ocean Koi/Jin Li pertence à empresa Ocean Kudos Shipping, de Xangai, que já havia sido sancionada pelos Estados Unidos em fevereiro por suposto envolvimento no transporte de produtos petrolíferos iranianos.
A mídia estatal divulgou um vídeo que parecia mostrar pelo menos duas pequenas embarcações se aproximando de um navio-tanque na escuridão. O vídeo mostrava homens armados embarcando na embarcação e hasteando a bandeira iraniana.
Em meio à escalada no Estreito de Ormuz, a China alertou nesta sexta-feira sobre o aumento das hostilidades e disse estar preocupada com o número de embarcações e tripulantes retidos na região. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, havia tripulantes chineses a bordo de um outro petroleiro, o JV Innovation, atingido por um drone do Irã na segunda-feira, enquanto aguardava autorização para atravessar o estreito. De acordo com o porta-voz, não houve vítimas no ataque ao navio, de bandeira das Ilhas Marshall.
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Proposta de paz
Os incidentes ocorreram depois que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que Washington espera receber a resposta de Teerã à proposta americana de paz ainda nesta sexta-feira. Rubio afirmou que o Irã não deve controlar o Estreito de Ormuz, onde ocorreram os confrontos, mas acrescentou:
— Estamos esperando uma resposta deles hoje em algum momento… Espero que seja uma proposta séria, de verdade.
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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, disse nesta sexta-feira que a proposta ainda estava “em análise e, assim que uma decisão final for tomada, certamente será anunciada”, de acordo com a agência de notícias Isna.
Entretanto, duas fontes sauditas disseram à AFP que Teerã se recusou a permitir que os militares dos EUA usassem seu espaço aéreo ou bases para uma operação que visasse abrir passagem para a navegação comercial no estreito estratégico.
Na noite anterior, o Centcom afirmou que o Irã havia lançado mísseis, drones e pequenas embarcações contra três navios de guerra americanos que transitavam pelo Estreito de Ormuz, mas que nenhum foi atingido e que as forças americanas destruíram as ameaças e retaliaram contra bases terrestres no Irã.
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O comando militar central do Irã, Khatam al-Anbiya, rebateu, afirmando que o confronto eclodiu quando embarcações americanas alvejaram um petroleiro iraniano que se dirigia ao estreito, e acusou o inimigo de atingir áreas civis.
Os ataques atingiram Bandar Khamir e Sirik — cidades no lado iraniano do estreito — bem como a ilha de Qeshm, segundo informações, que alegam que o ataque foi realizado com a cooperação de “alguns países da região”.
Baqaei acusou os EUA de uma “violação flagrante do direito internacional e de um descumprimento do cessar-fogo”, mas afirmou que as forças iranianas “desferiram um ‘grande tapa’ no inimigo”.
Questionado em Washington na quinta-feira se o cessar-fogo com o Irã ainda estava em vigor após o confronto, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse:
— Sim, está. Eles brincaram conosco hoje. Nós os derrotamos.
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O Irã não nomeou os aliados regionais dos EUA que acusou de cooperar com os ataques, embora os Emirados Árabes Unidos tenham afirmado que foram forçados a interceptar uma série de drones e mísseis iranianos.
“Os sistemas de defesa aérea dos Emirados Árabes Unidos interceptaram dois mísseis balísticos e três drones lançados do Irã, resultando em três feridos com ferimentos moderados”, publicou o Ministério da Defesa dos Emirados no X.
Após o início da guerra em 28 de fevereiro, o Irã fechou em grande parte o Estreito de Ormuz, e os EUA posteriormente impuseram seu próprio bloqueio aos portos iranianos. Segundo a Organização Marítima Internacional da ONU, cerca de 1.500 navios e 20 mil tripulantes internacionais estão atualmente presos na região do Golfo devido ao conflito.
No domingo, Trump anunciou o “Projeto Liberdade”, uma operação naval dos EUA destinada a reabrir o estreito à navegação comercial, mas abandonou o projeto na terça-feira em favor do retorno às negociações.
De acordo com o New York Times, a decisão de pausar a iniciativa veio após pressão da Arábia Saudita, que não concordou com o uso de seu território e espaço aéreo durante a operação. O jornal afirma que os sauditas — apesar de suas rusgas com Teerã — temiam uma nova escalada do conflito e o retorno dos ataques contra os países árabes do Golfo Pérsico, que causaram danos no reino.
Com agências internacionais.