O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, assumiu nesta sexta-feira a responsabilidade pelo mal desempenho do Partido Trabalhista britânico nas eleições locais, que registraram crescimento da sigla de extrema direita Reform UK. Os resultados, ainda em fase de apuração, apontam um avanço da legenda liderada pelo ativista anti-imigração Nigel Farage, e recuo dos trabalhistas mesmo em redutos históricos, pouco menos de dois anos após o retorno da centro-esquerda ao poder — em um governo marcado por crises internas. Starmer voltou a afirmar que não vai renunciar após o novo revés.
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— Os resultados são duros, muito duros, e não há como amenizar isso. Perdemos representantes brilhantes do Partido Trabalhista em todo o país, pessoas que dedicaram tanto às suas comunidades, tanto ao nosso partido — disse Starmer em um pronunciamento em Londres. Ele acrescentou pouco depois em uma entrevista à rede britânica SkyNews: — Os eleitores enviaram uma mensagem sobre o ritmo da mudança, sobre como querem que suas vidas melhorem. Fomos eleitos para enfrentar esses desafios. E eu não vou abandonar esses desafios e lançar o país no caos.
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As eleições locais, que colocaram cerca de 16 mil cargos em conselhos municipais e prefeituras em disputa no Reino Unido, eram o primeiro grande desafio eleitoral para Starmer desde julho de 2024, quando liderou seu partido na vitória e encerrou 19 anos de governo do Partido Conservador. Embora grandes cidades como Londres, Liverpool, Manchester e Birmingham não tenham aberto disputa para a prefeitura neste pleito, os resultados apontam um avanço do antissistema Reform UK em vários redutos trabalhistas no norte da Inglaterra e nas Midlands (centro da Inglaterra).
‘Mudança histórica’
Enquanto apenas 40 das 136 autoridades locais inglesas haviam divulgado os resultados, a liderança da sigla anti-imigração e eurocética era clara, com mais de 350 cadeiras garantidas em assembleias locais. Os trabalhistas, em sentido contrário, tinham perdido 245 assentos, segundo uma contagem da BBC.
— Estamos assistindo a uma mudança histórica na política britânica — declarou Farage durante um pronunciamento em Londres. — Somos competitivos em todas as regiões do país. Somos o partido mais nacional, viemos para ficar.
Os resultados parciais das eleições celebradas na quinta-feira incluem apenas a Inglaterra. A apuração dos votos mal começou no País de Gales e na Escócia. As pesquisas já haviam previsto uma derrota dos trabalhistas e um avanço expressivo do Reform UK.
O líder do Reform UK, Nigel Farage, posa com um sorvete em Walton-on-the-Naze, no leste da Inglaterra, após votar nas eleições locais
Chris Radburn/AFP
Liderança sob pressão
O frustrante resultado nas eleições locais pressiona Starmer, cuja popularidade despencou após uma série de crises internas durante seu governo. Um dos casos mais emblemáticos, que levou aliados a pedirem sua renúncia, envolve a nomeação de Peter Mandelson, um trabalhista cujos laços com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein já era conhecido, como embaixador em Washington.
Entre as fileiras trabalhistas, lideranças do partido sugeriram que uma troca no comando poderia criar uma condição mais favorável para a continuidade do governo. Fontes ouvidas por jornais britânicos sugeriram que o secretário de Segurança Energérica Ed Miliband, representante por Doncaster North, poderia substituir Starmer — que rejeitou a alegação e disse ter recebido apoio do aliado.
Na oposição, o encolhimento trabalhista também foi apontado como um clamor por mudança. A líder conservadora Kemi Badenoch afirmou em um discurso em Westminster que o Partido Conservador estava “voltando” — embora a sigla tenha perdido mais de 170 cadeiras em cargos locais, segundo os resultados de momento. O líder dos Liberais Democratas, Ed Davey, afirmou que os resultados mostram que seu partido é o único forte o suficiente para enfrentar o Reform UK.
— Estou muito orgulhoso dos milhares de militantes Liberais Democratas que lutaram arduamente para conter o Reform e manter suas políticas divisivas longe de nossas comunidades. Mostramos que podemos enfrentar Nigel Farage e vencer, assumindo o controle de Portsmouth e Stockport, apesar do Reform ter investido tudo o que tinha nessas eleições — afirmou Davey. — O Partido Trabalhista e os Conservadores estão enfrentando perdas de proporções catastróficas porque as pessoas estão, com razão, fartas da situação deplorável em que se encontram no país. (Com AFP)
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— Os resultados são duros, muito duros, e não há como amenizar isso. Perdemos representantes brilhantes do Partido Trabalhista em todo o país, pessoas que dedicaram tanto às suas comunidades, tanto ao nosso partido — disse Starmer em um pronunciamento em Londres. Ele acrescentou pouco depois em uma entrevista à rede britânica SkyNews: — Os eleitores enviaram uma mensagem sobre o ritmo da mudança, sobre como querem que suas vidas melhorem. Fomos eleitos para enfrentar esses desafios. E eu não vou abandonar esses desafios e lançar o país no caos.
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As eleições locais, que colocaram cerca de 16 mil cargos em conselhos municipais e prefeituras em disputa no Reino Unido, eram o primeiro grande desafio eleitoral para Starmer desde julho de 2024, quando liderou seu partido na vitória e encerrou 19 anos de governo do Partido Conservador. Embora grandes cidades como Londres, Liverpool, Manchester e Birmingham não tenham aberto disputa para a prefeitura neste pleito, os resultados apontam um avanço do antissistema Reform UK em vários redutos trabalhistas no norte da Inglaterra e nas Midlands (centro da Inglaterra).
‘Mudança histórica’
Enquanto apenas 40 das 136 autoridades locais inglesas haviam divulgado os resultados, a liderança da sigla anti-imigração e eurocética era clara, com mais de 350 cadeiras garantidas em assembleias locais. Os trabalhistas, em sentido contrário, tinham perdido 245 assentos, segundo uma contagem da BBC.
— Estamos assistindo a uma mudança histórica na política britânica — declarou Farage durante um pronunciamento em Londres. — Somos competitivos em todas as regiões do país. Somos o partido mais nacional, viemos para ficar.
Os resultados parciais das eleições celebradas na quinta-feira incluem apenas a Inglaterra. A apuração dos votos mal começou no País de Gales e na Escócia. As pesquisas já haviam previsto uma derrota dos trabalhistas e um avanço expressivo do Reform UK.
O líder do Reform UK, Nigel Farage, posa com um sorvete em Walton-on-the-Naze, no leste da Inglaterra, após votar nas eleições locais
Chris Radburn/AFP
Liderança sob pressão
O frustrante resultado nas eleições locais pressiona Starmer, cuja popularidade despencou após uma série de crises internas durante seu governo. Um dos casos mais emblemáticos, que levou aliados a pedirem sua renúncia, envolve a nomeação de Peter Mandelson, um trabalhista cujos laços com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein já era conhecido, como embaixador em Washington.
Entre as fileiras trabalhistas, lideranças do partido sugeriram que uma troca no comando poderia criar uma condição mais favorável para a continuidade do governo. Fontes ouvidas por jornais britânicos sugeriram que o secretário de Segurança Energérica Ed Miliband, representante por Doncaster North, poderia substituir Starmer — que rejeitou a alegação e disse ter recebido apoio do aliado.
Na oposição, o encolhimento trabalhista também foi apontado como um clamor por mudança. A líder conservadora Kemi Badenoch afirmou em um discurso em Westminster que o Partido Conservador estava “voltando” — embora a sigla tenha perdido mais de 170 cadeiras em cargos locais, segundo os resultados de momento. O líder dos Liberais Democratas, Ed Davey, afirmou que os resultados mostram que seu partido é o único forte o suficiente para enfrentar o Reform UK.
— Estou muito orgulhoso dos milhares de militantes Liberais Democratas que lutaram arduamente para conter o Reform e manter suas políticas divisivas longe de nossas comunidades. Mostramos que podemos enfrentar Nigel Farage e vencer, assumindo o controle de Portsmouth e Stockport, apesar do Reform ter investido tudo o que tinha nessas eleições — afirmou Davey. — O Partido Trabalhista e os Conservadores estão enfrentando perdas de proporções catastróficas porque as pessoas estão, com razão, fartas da situação deplorável em que se encontram no país. (Com AFP)










