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Os republicanos, que culpam Pretti por sua própria morte, enfrentam, agora, resistência de um setor que é tradicionalmente alinhado com o Partido Republicano: grupos defensores do direito às armas de fogo.
— A primeira coisa que os políticos querem fazer é culpar as armas — disse Taylor Rhodes , porta-voz da Associação Nacional pelos Direitos às Armas, ao jornal americano Wall Street Journal (WSJ).
Para os defensores da Segunda Emenda, a discussão em torno da morte de Pretti se cruza com um argumento que eles defendem há muito tempo: os proprietários de armas têm o direito constitucional de portar suas armas em público.
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A Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês), que normalmente se alinha com Trump, juntou-se a outros grupos armamentista dos EUA para pedir uma “investigação completa” por parte do governo sobre o episódio. “Vozes públicas responsáveis deveriam aguardar uma investigação completa, e não fazer generalizações e demonizar cidadãos cumpridores da lei”, afirmou a NRA.
O comunicado da associação foi uma resposta aos comentários do assistente do procurador dos EUA para o Distrito Central da Califórnia, Bill Essayli. “Se você se aproximar de um policial armado, há uma grande probabilidade de que eles estejam legalmente justificados em atirar em você”, escreveu ele nas redes sociais, no dia da morte de Pretti. Horas depois, após críticas, Essayli acrescentou: “Meu comentário se referia a agitadores que abordam policiais armados e se recusam a desarmar”.
Em entrevista à emissora americana Fox News no domingo, o diretor do FBI, Kash Patel, afirmou que era ilegal levar armas “para qualquer tipo de protesto que você queira”.
— Você não pode levar uma arma de fogo carregada. É simples assim — disse Patel. — Você não tem o direito de infringir a lei e incitar a violência.
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A organização Gun Owners of America, um grupo de defesa dos direitos dos proprietários de armas, classificou a declaração de Patel como “completamente incorreta em relação à lei de Minnesota” e afirmou que “a Segunda Emenda protege o direito dos americanos de portar armas durante protestos”. “Um direito que o governo federal não deve infringir”, pontuou o grupo.
Ofensiva contra imigração
Pela segunda vez neste mês, agentes federais estiveram envolvidos episódios fatais em Minneapolis, ligados a repressão à imigração ilegal promovida pela agência de Imigração e Alfândega (ICE) e ordenada por Trump.
Diante disso, os diretores executivos de algumas das empresas mais reconhecidas de Minnesota, como a Target, Best Buy, General Mills e Cargill, divulgaram uma carta pública pedindo uma “desescalada imediata das tensões” no estado. A carta não chega a condenar os assassinatos, mas marca a primeira vez que um setor regional influente se manifesta sobre a turbulência em Minneapolis.
“Diante das trágicas notícias de ontem (referindo-se à morte de Pretti), apelamos para uma imediata redução das tensões e para que as autoridades estaduais, locais e federais trabalhem em conjunto para encontrar soluções reais”, afirma a carta.
Imagens feitas por testemunhas registraram os momentos que antecederam o disparo contra Pretti no sábado.
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Defensores da Segunda Emenda já saíram em defesa de pessoas armadas em protestos. Eles se mobilizaram em apoio a Kyle Rittenhouse, que foi absolvido das acusações de matar duas pessoas e ferir outra durante os protestos de 2020 em Wisconsin. Pretti, que participou ativamente das manifestações após o assassinato de George Floyd em 2020, portava arma há vários anos, segundo sua ex-esposa, ouvida pelo WSJ.
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O Departamento de Segurança Interna dos EUA divulgou a imagem de uma arma que, segundo o governo, pertencia a Pretti e afirmou que ele representava uma ameaça aos agentes. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, disse que os agentes dispararam o que ela chamou de “tiros defensivos” enquanto tentavam desarmar o manifestante.
— Eles responderam de acordo com o treinamento recebido e agiram para defender a vida do policial e a das pessoas ao redor. E eu não conheço nenhum manifestante pacífico que apareça com uma arma e munição em vez de um cartaz — disse Noem.
O governador de Minnesota, Tim Walz, classificou a versão dos fatos apresentada pelo governo Trump como “absurda” e “mentirosas”. Já o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, comparou a operação federal a uma invasão e acusou o ICE de “tentar apresentar isso como uma ação de autodefesa”.
(Com New York Times)








