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Segundo a Polícia Federal Australiana, o militar é acusado de matar detentos desarmados e apontado como envolvido direto ou indireto em outros homicídios. As acusações incluem uma de assassinato, uma de coautoria e três por auxiliar, incentivar, aconselhar ou facilitar assassinatos.
A comissária da polícia Krissy Barrett afirmou que mortes foram de autoria do militar ou aconteceram “na presença dele e sob suas ordens”.
— Será alegado que as vítimas foram mortas a tiros pelo acusado ou por membros subordinados das Forças de Defesa Australianas (ADF), na presença dele e agindo sob suas ordens — diz.
Ela destacou ainda que os casos envolvem “uma parte muito pequena das confiáveis e respeitadas Forças de Defesa Australianas”, e acrescentou que “a maioria orgulha o país”.
Roberts-Smith nega qualquer irregularidade e já classificou as acusações como “escandalosas” e “maliciosas”. Segundo sua defesa, as mortes ocorreram legalmente em combate ou não aconteceram.
O caso já havia sido analisado na esfera civil. Em 2023, um julgamento por difamação concluiu que o ex-militar matou vários afegãos desarmados, na primeira vez em que um tribunal avaliou alegações de crimes de guerra envolvendo forças australianas. Ele recorreu da decisão, mas perdeu no ano seguinte.
Na sentença, o juiz Anthony Besanko concluiu que Roberts-Smith participou de pelo menos quatro assassinatos. Segundo o magistrado, ele ordenou a execução de homens desarmados para “iniciar” soldados novatos.
Também foi apontado seu envolvimento na morte de um agricultor algemado, que foi chutado de um penhasco, e de um combatente talibã capturado, cuja perna protética foi levada como troféu.
Investigações e impacto institucional
As investigações têm como base, entre outros elementos, o Relatório Brereton, de 2020, que identificou “evidências críveis” de 39 mortes ilegais e recomendou a apuração de 19 militares. O Escritório do Investigador Especial (OSI), criado para conduzir os casos, já apresentou acusações contra apenas outra pessoa além de Roberts-Smith.
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O diretor de investigações do OSI, Ross Barnett, afirmou que a prisão representa um “passo significativo” e destacou as dificuldades do processo.
— O OSI foi encarregado de investigar literalmente dezenas de assassinatos supostamente cometidos no meio de uma zona de guerra em um país a 9.000 km da Austrália — disse: — Não podemos ir a esse país, não temos acesso às cenas do crime… Não temos fotografias, plantas do local, medições, recuperação de projéteis, análise de padrões de sangue… Não temos acesso aos mortos.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou que não comentará o caso por estar sob análise judicial. “[É] muito importante que não haja envolvimento político”, declarou.
O impacto institucional já atinge o Memorial de Guerra Australiano, que informou que revisará novamente a exposição dedicada ao militar. A placa que acompanha seu uniforme e medalhas já havia sido atualizada para refletir as alegações e o resultado do processo civil.
Antes das denúncias, Roberts-Smith era visto como herói nacional.
Em 2018, ganhou destaque ao receber a Cruz Vitória por enfrentar sozinho combatentes do Talibã durante um ataque ao seu pelotão do SAS. O caso também esteve no centro de uma longa disputa judicial por difamação iniciada após reportagens publicadas naquele ano, em um processo que durou sete anos, custou milhões de dólares e foi descrito como “julgamento do século”.









